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DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Posted by J. Vasco em 16/10/2011

Que é uma época histórica?

É a tendência essencial de uma etapa do processo histórico. Como tendência, contém em si os elementos que a retardam, contrariam e impedem de se desenvolver. A sua efectivação histórica, por conseguinte, não tem um arco temporal definido à partida. Depende de condições objectivas e da prática social total. Depende dos choques de classe que se dão na sociedade. A época histórica é mesmo composta por momentos que se movem em sentido oposto à sua direcção essencial. A história é isso: o ritmo e o movimento dessas contradições.

O momento de reacção que vivemos está integrado num quadro geral de maior fôlego: a época das revoluções proletárias, da passagem revolucionária do capitalismo ao socialismo. Sem ter presentes estas coordenadas estruturantes e essenciais, não será possível compreender adequadamente os tempos que atravessamos. A burguesia, em crise económica mas senhora do domínio político, pretende desesperadamente retardar, contrariar e se possível impedir a consumação da tendência essencial da nossa época histórica.

Novas camadas sociais e novos sujeitos políticos chegam à luta. Falsos trabalhadores «independentes», atomizados pelo pós-fordismo e pela sua ideologia; camadas intermédias das chamadas profissões liberais; intelectuais atirados para a precariedade – sentem na pele os efeitos do sistema e começam a acordar de um longo sono paralisante para a vida política. Chegam com inúmeras ilusões e debilidades políticas, sem hábitos de organização colectiva e com preconceitos arreigados contra a «política». O seu ódio à organização colectiva e aos partidos funda-se no enquadramento atomizado do seu mundo laboral. Sabem o que não querem, mas falece-lhes uma perspectiva histórica determinada. A noção de época histórica está ausente do seu horizonte.

É da maior importância que se mantenham na luta e que radicalizem o protesto.

Simultaneamente, porém, é necessário dizer que os limites históricos da sua acção e dos seus objectivos são cada vez mais nítidos. A «espontaneidade», o apartidarismo e a ausência de objectivos históricos determinados levam a becos sem saída e a uma consequente neutralização do movimento. A falta de organizações revolucionárias implantadas na estrutura produtiva (núcleo da exploração capitalista) e a inorganicidade dos movimentos políticos não permitem dar consequência e consumação às tendências históricas de uma época.

O principal mérito histórico das organizações revolucionárias de classe dos trabalhadores portugueses foi a consciência histórica de que deram mostras ao longo do tempo. Sabendo que a história avança por saltos, não ignoram que a preparação para tais saltos é prolongada e exige corredores de fundo. Se nos reportarmos aos últimos 35 anos, precisamos de reconhecer que souberam manter o navio no meio das maiores tempestades (nacionais e internacionais). Legam às gerações vindouras um solo firme para enraizarem a luta e boas perspectivas de a desenvolver.

É esse o caminho, ontem como hoje: organizar a luta e ter presente a época histórica que atravessamos. Construir um longo processo de resistência e preparar os novos saltos.

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