OLHE QUE NÃO

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Posts Tagged ‘LIBERALISMO’

A BURGUESIA, A CULTURA E A EDUCAÇÃO

Posted by J. Vasco em 22/04/2012

Depois de um ano de trabalho voluntário na Es.col.a, ao longo do qual se pôs de pé e a funcionar uma miríade de actividades que o capitalismo sonega diariamente às populações, a fúria pidesca da burguesia laranja do Porto abateu-se sobre livros, computadores, quadros, brinquedos e trabalhos de crianças. Aniquilou o substrato e o produto da cultura e da educação que o próprio povo da Fontinha organizou e dinamizou.

Tudo o que não entra no circuito do valor; qualquer actividade ou relação social que não sirva para auto-valorizar o capital; cada espaço e momento que não estejam ao serviço da sucção de mais-valia – são impiedosamente perseguidos pela burguesia e pelos seus representantes políticos e reduzidos a pó.

No lugar da cultura e da educação (que os burguesotes confundem com «formação de elites»), do desporto, do convívio e da fruição de actividades lúdicas, ergam-se antes, de braços dados com a especulação imobiliária, centros comerciais. Por um lado, é preciso fazer face à super-produção e realizar o valor produzido; por outro, é absolutamente necessário atomizar as existências, incutir a mentalidade do «consumidor», matar à nascença qualquer veleidade de auto-organização colectiva dos explorados e das massas populares.

Para além do espírito fascista de Rui Rio e do PSD, no microcosmos da Fontinha manifestou-se principalmente a relação de ódio que a burguesia mantém com a cultura e com a educação. «Ou servem para me aumentar o lucro – ou eu saco da pistola e dou cabo de vós».

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A PRODUTIVIDADE, ORA AÍ ESTÁ…

Posted by qmiguel em 17/01/2012

Aí está a “prenda no sapatinho” do capital. Como se nos tempos que correm fosse coisa que rareasse. A musica acaba e as tombam as mascaras: um trabalhador deve dispor do mínimo poder possível sobre a sua vida, não servisse a sua existência apenas para que lhe seja sugado o fruto do seu trabalho.

Férias é coisa para quem dispõe de capital, para os proprietários, esses sim poderão ser livres, cada vez mais livre de sugar o trabalho alheio. Uma jorna organizada onde  procuramos encaixar, entre as fatigantes horas de exploração, um tempinho para estarmos com os nossos é coisa  que não deve depender de quem trabalha para que outro amealhe.  Afinal só precisamos de descansar para “recuperar física e psicologicamente” para que amanhã, ou dentro de 5 minutos, a exploração possa continuar.

Pois sim terão por certo todos os direitos formais, até o de dizer que não, mas nunca em conjunto digamos que de uma forma mais “dinâmica” através de “estruturas para o efeito”, até porque o direito ao seu posto de trabalho passa a estar dependente do mero e unilateral apetite do patrão, que terá apenas que formalmente explicar de que forma alguém é inadaptado, isto quando não lhe apetecer simplesmente extinguir o posto de trabalho em questão (até porque já pode haver outro de “conteúdo funcional idêntico”), nada que nos preocupe pois haverá sempre um “critério relevante”. O “critério relevante”, “estruturas representativas”, “dinamização”, são as novas denominações da mais pura repressão social.  Estamos todos às ordens e a lei é conforme…

Total liberdade, mas liberdade para despedir, para reprimir, para explorar. Nenhuma liberdade para quem produz. Em nome de uma crise para a qual o sistema capitalista não oferece nenhuma possibilidade de superação.

Hoje mais que ontem, uma barricada só tem dois lados.

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O NEGÓCIO DA CARIDADEZINHA

Posted by J. Vasco em 20/11/2011

 

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou em Vila Real, neste sábado, que o Governo vai devolver às misericórdias os hospitais públicos que foram nacionalizados depois do 25 de Abril de 1974».

via Público

 

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DIVIDOCRACIA

Posted by J. Vasco em 12/07/2011

Para ver, reflectir e divulgar:

 

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AS ELITES AGRADECEM

Posted by J. Vasco em 08/10/2010

Ainda bem que não é um «dogmático» a dizer isto. Imaginem que tinha sido…

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A LEI QUE LIBERTA

Posted by J. Vasco em 03/10/2010

A dogmática do liberalismo é hoje servida em doses tais; os seus recauchutados ídolos e bezerros de ouro oferecidos para esperada adoração perpétua com uma insistência tal; a sua liturgia sacra entoada por um tão estridente coro – que mesmo as perspectivas que visam manter e reforçar o sistema capitalista, mas que entretanto não se enquadram em todos os seus aspectos no liberalismo tout court, vêem-se atiradas para o reino da nocividade e da subversão.

É assim que não é de admirar que um destes dias um cura, por exemplo, como o «oitocentesco» Lacordaire venha a ser considerado, pelos liberalóides de turno, um «perigoso socialista». Muito embora, durante a sua vida, se tenha dedicado à defesa paciente e sem hesitações da ordem vigente, não hão-de perdoar ao presbítero tê-los posto a nu, particularmente ter ousado desmascarar, com frases simples, a falsidade da «liberdade» burguesa que diariamente apregoam, seja a partir da cátedra, do pasquim ou do ministério: «entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o amo e o servo, é a liberdade que oprime e a lei que liberta» («entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, entre le maître et le serviteur, c’ est la liberté qui opprimme et la loi qui affranchit»)

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BYE, BYE, CHÃO DO LOUREIRO

Posted by J. Vasco em 06/07/2010

Esta esplanada era um dos mais magníficos espaços da cidade de Lisboa. Ficava situada no topo do Mercado do Chão do Loureiro, por bandas da costa do Castelo. Amplo, arejado, com uma vista deslumbrante sobre a baixa, sobre o rio e sobre toda a margem sul (da Trafaria a Alcochete), ali se passavam, durante o verão, agradabilíssimos finais de tarde. O tempo podia ser vivido de uma maneira lenta e tranquila, apenas ao sabor da brisa cálida e das cores do pôr-do-sol. Entre um copo de vinho, um café ou um cigarro, as conversas arrastavam-se, as amizades e os amores firmavam-se, e os corpos distribuíam-se por cadeiras, sofás e espreguiçadeiras. 

Falo no passado porque este espaço, desde o ano transacto, acabou. Substituí-lo-á esta maravilha pós-moderna: um silo para automóveis distribuído pelos vários pisos do antigo mercado, e, no topo, no lugar da esplanada, um restaurante gourmet envidraçado. As dinâmicas do mercado e do valor, com o beneplácito assistido dos órgãos de poder, invadem tudo, chegando ao mais fundo do indivíduo: as suas formas de sentir, os seus gostos, as suas maneiras de se relacionar com os outros e de perspectivar a vida e a existência. 

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DELÍCIAS DO LIBERALISMO

Posted by J. Vasco em 17/06/2010

«De acordo com decisão do Ministério da Saúde, entre 15 de Junho e 15 de Setembro as unidades hospitalares de Setúbal e do Barreiro vão deixar de ter urgências pediátricas durante a noite. O serviço será nesse período garantido pelo Hospital Garcia de Orta.

A Administração Regional de Saúde diz que a decisão foi tomada devido à escassa procura durante a noite e garante transporte disponível para as crianças e bebés que precisarem de ser deslocados ao Garcia de Orta, “a cerca de 40 quilómetros de Setúbal e do Barreiro”.

Muito apreensiva com o encerramento das urgências pediátricas durante o período nocturno nos próximos meses, a presidente da Câmara de Setúbal lamenta a decisão e diz que “só por desconhecimento da realidade das áreas servidas pelo Hospital de São Bernardo” se pode afirmar que concelhos como Alcácer do Sal, Grândola, Santiago ou Sines estão a 40 quilómetros do Hospital Garcia de Orta».

Quem vir nesta «decisão do Ministério da Saúde» uma simples medida arbitrária e desgarrada – desengane-se. Ela é mais uma peça da consequente política liberal que visa destruir, tijolo a tijolo, o edifício das funções sociais do estado, construído com o impulso da revolução de Abril.

Os caboucos deste edifício são vergastados nos dias de hoje (pelas mãos sujas de PS, PSD e CDS, sob a orientação tutelar da UE) com uma violência sem precedentes. Encerramentos de escolas, de centros de saúde, de maternidades, de urgências hospitalares. Desmantelamento de postos de correio. Fecho de repartições da segurança social. O ramalhete é impressionante, e dele exala o inconfundível aroma das «leis do mercado». Sob a sua sombra, campeia a miséria, a falta de protecção social, o despovoamento do interior do país e uma vaga vertiginosa de emigração.

«Por um segundo podemos perder uma vida». Mas que importância pode ter isso? Os mortos serão, afinal, de famílias «sem estilo», «sem charme», «saloios do interior que nem falar sabem», não é assim? Desejável é que «o mercado» funcione, é que a «lei da oferta e da procura» vigore. Lindo é que o estado «não tutele a vida dos indivíduos», é que quem quer saúde, educação, reformas – que as pague, que não «viva à custa dos subsídios» e da «teta do estado».

Acelera, ambulância, acelera! Esses «40 quilómetros» ainda vão ser tão longos!

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NOJO, SÓ NOJO, SIMPLESMENTE NOJO

Posted by J. Vasco em 16/04/2010

Domingo passado, hora de almoço.

Olhemos bem de perto este casal de desempregados do Vale do Ave (olhemo-lo, hoje, somente a ele, contemos apenas o seu caso, deixemos de lado, por momentos, aquele, da Azambuja, ou o outro, além, de Santo Tirso, ou esse aí, aí mesmo, da Covilhã, ou ainda aqueloutro, da Amadora… ou não será antes de Guimarães, ou de Ovar, ou de Faro, ou de Coimbra?). Os vizinhos da terra, mais novos, sem infantes, já partiram há um ano, meses depois da fábrica ter sido encerrada pela administração, as máquinas roubadas pelo Sr. CEO com o beneplácito do estado português, e os lucros, claro, tranferidos para uma conta na Suíça (a Suíça lava mais branco), ou para um off-shore perto de nós: uns foram para Espanha, tentar a sorte na laranja, na vinha, na construção civil – nunca mais se soube deles; outros abalaram para Andorra, a empregarem-se no comércio – como será que hão-de estar? 

O nosso casal, quasi-cinquentões ambos, dois filhos a estudar (e a comer, e a vestir, e a levar ao médico), recebe agora, por junto, um poucochinho menos de 1000 euros de subsídio de desemprego, após dezenas de anos de trabalho e de descontos. Os horários e os ritmos de trabalho nunca foram brandos, antes pelo contrário: «a produtividade, ora aí está». Os salários que auferiram durante esse tempo foram, como é bom de ver, aqueles salários «competitivos» próprios de qualquer «economia de mercado» que premeia o «mérito» e a «excelência». Em bom português, salários de miséria que são o correlato necessário, incontornável, inescapável, forçoso, dos lucros gigantescos dos Belmiros, dos Amorins, dos Berardos, dos Espírito Santo, e tutti quanti. E das «migalhas» generosas que eles dispensam aos seus homens de mão do PS, PSD e CDS, seja como ministros de turno, ou como gestores de ronda.

Mas voltemos ao almoço de domingo do nosso casal de desempregados, que já vai arrefecendo. 

O cozido que calmamente degustam foi confeccionado com os produtos do horto, que ainda lhes vai valendo.

O televisor está ligado, transmitindo a sessão de encerramento do trigésimo-não-sei-das-quantas-congresso-do-PPD/PSD. O gauleiter recém-entronizado, um tal de Passos Coelho, yuppie betinho com olhos de carneirinho mal morto, espécie de Ken (para quem não saiba: o namorado da Barbie) arrivista e sem escrúpulos, dá largas a todo o seu ódio de classe, espraia-se, com indisfarçável gozo, em carícias, promessas de amor e juras de fidelidade à burguesia, e em humilhações e ataques contra os pobres. Depois de propor congelamentos de salários, mais privatizações (o que será que sobra, depois do PEC?), e a revisão constitucional (será por ainda lá estar o serviço nacional de saúde, a educação tendencialmente gratuita, enfim, ainda algumas marcas da revolução de Abril?), depois de tudo isto, dizia-se, o snob Coelho condensou finalmente o seu mais alto pensamento político, como que dirigindo-se directamente ao nosso casal de «privilegiados»: «os que recebem subsídio de desemprego têm de retribuir com trabalho para a comunidade». Ah, valentão!

                                                            

É nojo, só nojo, simplesmente nojo, que estes trastes reaccionários provocam. Limitam-se a dar expressão política aos preconceitos mais fascistóides do senso-comum, tentando com isso dividir para reinar, tentando com isso virar o pobre contra o miserável. 

Sejamos, no entanto, pacientes, e reponhamos a verdade: o subsídio de desemprego é resultado de descontos que, mensalmente, os trabalhadores fazem para a segurança social. É um direito (conquistado pela luta, senhores snobs, arrancado na luta, senhores yuppies), não é nem uma benesse, nem uma esmola (de que vocês tanto gostam, senhores «democratas» de pacotilha, para manter pobres os pobres). Não é destempero orçamental, nem dádiva do governo-mãos-abertas para ganhar eleições, como dizem os liberalóides. Repete-se: é um direito. Aliás, enquanto regime contributivo, funciona como uma espécie de seguro (nalguns países tem mesmo esse nome), a lógica é idêntica à de um seguro.

Que esta coisa fascistóide, liberal em toda a linha, a que o tal de Passos Coelho preside tenha como nome «partido social-democrata» é coisa que já não é da ordem da comédia, mas da tragédia. É a continuação da mentira que enforma, determina e pontua a sua política direitista, elitista e reaccionária. Política que promove, aprofunda e torna sem saída a situação dos casais desempregados – agora sim, falemos deles – da Azambuja, de Santo Tirso, da Covilhã, da Amadora, de Guimarães, de Ovar, de Faro, de Coimbra…

O casal do Vale do Ave, depois do almoço de domingo, continua até hoje na mesma. Com efeito, o centro de emprego da sua área de residência tem empregos a rodos para dar e vender. A 2 euros à hora. A recibos verdes. Algumas horitas por semana. Como dizia o outro: «é fazer as contas». 

 

AVISO: quem quiser consultar as condições de acesso a outro insuportável «privilégio» dos pobres, o Rendimento Social de Inserção, pode fazê-lo aqui. Vejam como o país não pode mais suportar estes elevados «desmandos orçamentais» com «quem não quer trabalhar», e, para além da pobreza material, exibe sobretudo uma aguda e persistente «pobreza de espírito», promotora da visão «subsídio-dependente» e da pedinchice ao «paizinho-estado-que-dá-tudo». Quem não estaria disposto a trocar de vida com estes «privilegiados», hã? Quem?

 

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O LIBERALISMO É A AUSÊNCIA DE INTERVENÇÃO ESTATAL?

Posted by J. Vasco em 16/03/2010

«A estrada para o mercado livre foi aberta e mantida aberta por um incremento enorme em intervencionismo contínuo, organizado e controlado centralmente.».

Karl Polanyi, The great transformation, p. 140

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