OLHE QUE NÃO

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Posts Tagged ‘FIGURAS’

CÃES DE GUARDA

Posted by qmiguel em 05/12/2012

caesdeguarda

São estes que aparecem na fotografia mas há centenas deles espalhados por  essas redações, estúdios de televisão, universidades… Servem para te explicar que a exploração não só é aceitável como é mesmo inevitável, e que nenhuma sociedade se poderá construir sem que alguém acumule o trabalho que outro produziu. Servem para deturpar a história, para a reinventar, para a contorcer até caber na narrativa oficial do sistema. Servem para que os capitalistas possam dormir descansados, para que amanhã te explorem de novo, para que não chegue até quem trabalha uma mensagem de luta por um mundo mais justo. Dependem directamente de quem te explora e de quem te oprime, devem a esses a sua sobrevivência, e são esses que defendem. Provavelmente nunca antes em democracia houve uma tal hegemonia ideológica dos meios de produção e difusão do conhecimento e da opinião como hoje.

Hoje eles vão dormir descansados, e quem fica com o fruto do teu trabalho vai dormir mais descansado porque eles existem.

E tu como vais dormir hoje?

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O HOMEM SEM QUALIDADES

Posted by J. Vasco em 01/06/2012

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38 ANOS DE SAUDADES

Posted by J. Vasco em 22/04/2012

O Paulinho das feiras já lá vai. Junto com o paleio demagógico da «lavoura» e dos «reformados», e com a boina de lavrador. Estão bem guardados (quem sabe se ao pé das 60 mil fotocópias do Ministério da Defesa…), prontos para usar quando voltar a ser tempo de compor a personagem e cheirar a poleiro outra vez.

No último ano, a pose tem sido outra: a do chamado «homem de estado», de cenho carregado, falando baixinho e exibindo «prudência», «recato» e «responsabilidade». A «carreira» do político assim o exige. Os pacóvios do comentário dominado (e dominante) assim lhe recomendam. Mas principalmente assim lhe dizem para fazer os seus mandantes: os empresários que procuram «investir» lá fora.

Nestes dias, veio ao de cima o mais íntimo de Paulo Portas. Marioneta dos grandes interesses espoliadores do continente africano, falou de alto aos guineenses e lançou-lhes ameaças de invasão a coberto da «comunidade internacional». Paulo Portas move-se no processo neocolonial em curso como peixe na água. Os 38 anos de saudades do Portugal fascista aguçam-lhe o esmero.

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À ATENÇÃO DOS ESCROQUES, BANDALHOS, IGNÓBEIS E CANALHAS AÍ DE BAIXO

Posted by J. Vasco em 22/04/2012

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LEMBRAI-VOS SEMPRE, Ó GENTES, DE QUEM É A FAMÍLIA DE RUI RIO

Posted by J. Vasco em 21/04/2012

 

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ESCROQUES, BANDALHOS, IGNÓBEIS, CANALHAS

Posted by J. Vasco em 17/04/2012

 

«Um grupo de músicos lançou, com o alto patrocínio de Cavaco Silva, o hino do Movimento Zero Desperdício. É um projecto que tem as medidas do Presidente da República e que se dedica a pedir a restaurantes, hotéis e supermercados – imagine-se – que dêem as sobras a quem precisa. Isto, que mais não é do que um hino à pobreza e que em momento algum questiona os responsáveis pela calamidade social em que vivemos, indigna qualquer pessoa de esquerda. Por isso, espero que os artistas que se deixaram vender à hipocrisia tenham os bolsos cheios. Todos temos de comer mas há quem prefira a dignidade ao dinheiro. Falo da Ana Bacalhau, Anabela, Anjos, António Pinto Basto, Adriana, Ana Sofia Varela, Armando Teixeira, Boss AC, Camané, Carlos Mendes, Chullage, Cristina Branco, Cuca Roseta, Fernando Cunha, Fernando Girão, Fernando Tordo, Gomo, Janita Salomé, João Pedro Pais, Jorge Palma, João Gil, Kátia Guerreiro, Lara Li, Lúcia Moniz, Luís Represas, Luísa Sobral, Manuel João Vieira, Mafalda Veiga, Miguel Gameiro, Miguel Pité, Nuno Norte, Olavo Bilac, Paula Teixeira, Paulo de Carvalho, Pedro Laginha, Pedro Puppe, Ricardo Quintas, Ricardo Ribeiro, Rita Guerra, Roberto Leal, Rui Veloso, Salvador Taborda, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Susana Félix, Tiago Bettencourt, Tim, Tito Paris, Vitorino, Zé Manel».

Bruno Carvalho, via 5dias

PS: lembrança oportuníssima do António Vilarigues:

Ouçam esta música http://www.youtube.com/watch?v=ZHieMBabirY “Vamos brincar à caridadezinha” – José Barata Moura (gravação original de 1973) e vejam a diferença de forma e de conteúdo do artista. E na altura «cantigas» destas podiam dar direito a uns «safanões a tempo»…

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O MUNDO GRANDE DE RUI BAPTISTA

Posted by J. Vasco em 21/02/2012

Rui Baptista, assessor de comunicação do governo PSD/CDS, anda, com certeza, desocupado. Talvez dispensado pelo chefe, por estes dias, das funções de propagandista de turno (parece que o gozo do período de Carnaval é uma cena que, afinal, lhe assiste), dedica o tempo livre a vasculhar na rede o que dizem sobre ele. E eis que o «profissional de comunicação» à la João Duque, e com ele o governo, chegam ao Olhe Que Não.

Pela amostra, não terá apreciado muito ler as verdades que sobre ele aqui se disseram. E vai daí não teve melhor coisa para dizer do que esta: que eu vivo num «pequeno mundo». Não deixa de ser estranho que alguém que se considera acima do meu mundo, venha com insistência visitá-lo. E que, quem sabe?, o frequente com concupiscência.

O que interessa, porém, é outra coisa. O governo começa a sentir-se acossado, sabe que o protesto vai crescer. A luta contra o neoliberalismo vai ampliar-se e fortalecer-se. A burguesia e os seus representantes políticos não vão ter descanso. Por mais propaganda e «estratégias de comunicação» que arranjem. Por muito que intensifiquem o controlo, a ameaça e a repressão.

O mundo grande de Rui Baptista está bem ciente do que aí vem. A festa acabou. É isso que o deixa furioso.

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ESPELHO MEU

Posted by J. Vasco em 19/02/2012

Chama-se Rui Baptista. No post anterior podem vê-lo no staff do Coelho: é o seu assessor de imprensa.

Lembram-se dele? Jornalista do Público e ultimamente da RTP. Era daqueles que lá estão todos os dias (nas rádios, nas televisões, nos jornais), disfarçados de «comentadores» («isentos», «neutros», «imparciais», como eles adoram dizer), a garantir, a jurar e a trejurar ao povo que não tem outra saída que não seja consentir ser explorado e humilhado. Não houve uma mudança substancial no seu serviço, para falar claramente. As direcções dos grandes órgãos de comunicação, os conselhos de administração dos grandes grupos financeiros e as direcções do PS, PSD e CDS são partes do mesmo todo. Pode dizer-se, isso sim, que Rui Baptista apenas mudou de posto. A tentativa de comprar as almas e as consciências dos trabalhadores continua por outros meios.

Quando perceber, em todo o caso, que a sua missão está votada ao fracasso e se olhar a seguir ao espelho, o que verá então Rui Baptista?

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UM SÁBIO JURISTA DA CONTRA-REVOLUÇÃO

Posted by J. Vasco em 19/02/2012

«Freitas do Amaral faz uma confissão esclarecedora: que, na hora H [do golpe spinolista de 28 de Setembro de 1974], foi ele quem redigiu o projecto de declaração de estado de sítio no distrito de Lisboa, tal como, na preparação do golpe Palma Carlos, fora ele com Veiga Simão quem elaborara o projecto de «Programa do Governo Provisório», que deveria ser imposto por Spínola ao novo Governo Provisório a formar após a vitória do golpe.

«Uma vez mais, no 28 de Setembro, Spínola teve em Freitas do Amaral qualificado e dedicado colaborador.

«Vejam-se estes sábios juristas da contra-revolução. A sabedoria com que invocam «o direito» e a «lei» para justificar a ilegalidade e o abuso do poder.

«Confissão feita. Registe-se.».

Álvaro Cunhal, A verdade e a mentira na revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se), p. 163.

É preciso ter memória. De delfim de Marcelo Caetano a sábio jurista da contra-revolução, Freitas do Amaral outra coisa não fez da sua vida que dar expressão político-institucional aos interesses do grande capital português. Conspirou com Sá-Carneiro, Soares e Spínola, disputou a organização do partido fascista com o PPD nos dias seguintes à revolução, sonhou com a ilegalização do PCP e da CGTP até 1986, quando concorreu às eleições presidenciais com uma base de apoio saudosa do 24 de Abril. Hoje, institucionalizada a contra-revolução, passeia-se pelos seus três partidos e procura uma coordenação ideológica para eles. Que é o mesmo que dizer: serve os mesmos interesses em condições históricas novas.

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MITOS

Posted by J. Vasco em 19/02/2012

Os ideólogos do regime, em Portugal, precisam de quase nada para serem considerados «grandes pensadores», «analistas profundos», «académicos de alto rigor intelectual e honestidade profissional a toda a prova».

Freitas do Amaral, com insistência doentia, é tratado pela imprensa dominada por «senador».  Os aristocráticos sonhos molhados desta gente são acompanhados de titânicos esforços para construir uma imagem santa, beata e intocável de um dos mais destacados e tenazes representantes políticos da burguesia portuguesa. Interessa pouco o que Freitas do Amaral diz. Se ele diz, cancele-se o espírito crítico: ainda que em presença da maior banalidade do mundo, estamos, na verdade, é perante algo de inequivocamente «profundo», «sério» e «rigoroso». Mais do que discutir o teor das suas concepções e afirmações; mais do que confrontá-las com as contradições sociais em que se inscrevem; mais do que, no fundo, fazer uso da capacidade crítica – interessa sim, a propósito de tudo e de nada, dizer que ele tem dezenas de livros publicados, afirmar com convicção que o homem já leu tudo, e jurar a pés juntos que «o senador» estuda que se farta. Freitas do Amaral boceja – e aí está uma demonstração de rigor; pestaneja – e eis que a sua profundidade de análise se exibe; abana a cabeça – e vejam bem como se expressam nesse movimento as aturadas horas de leitura do professor emérito.

O fundador do CDS, no entanto, é perverso. Com pezinhos de lã, e singelamente, fez mais pela destruição eloquente do seu próprio mito do que mil tentativas (sempre abafadas) de demonstração de que o rei vai nu.

O seu recente «História do Pensamento Político Ocidental» é tomo de peso: 774 páginas, 1 kg e 100 g. Abrimos a página 461, na qual se vai falar de Lénine, e deparamo-nos com a informação de que uma das suas obras principais é «O Estado e a Revolução (ou As teses de Abril)» (sic!). Siderados? Claro! Mas deixamos passar o espanto, enchemo-nos de boa vontade, e pensamos: talvez tenha havido gralha… Continuamos. Passamos para a página 462, e o mesmo erro é reiterado por duas vezes ao correr da pena.

Resumindo. Para Freitas do Amaral, os textos de Lénine «Teses de Abril» (e não: As Teses de Abril, como escreve) e «O Estado e a Revolução» são uma e a mesma coisa. Ora, como qualquer pessoa com um mínimo de leituras sabe, as famosas «Teses de Abril» estão contidas num artigo de Lénine intitulado «Sobre as Tarefas do Proletariado na Presente Revolução». Foram escritas no comboio em que Lénine regressou a Petrogrado, lidas em duas reuniões de bolcheviques realizadas em Abril de 1917 e também nesse mês publicadas no Pravda. «O Estado e a Revolução», por sua vez,  é uma obra teórica de fundo, com outro fôlego e outra respiração, escrita em Agosto-Setembro de 1917 na clandestinidade e publicada em Novembro de 1917.

Note-se que nem sequer entrámos aqui numa avaliação do conteúdo e da estrutura da obra do «senador». Destacámos tão-somente aquilo que caracteriza, em termos minímos, a probidade e a honestidade de um autor: conhecer bem os textos daqueles que pretende criticar. Esse mínimo, manifestamente, não se verifica em Freitas do Amaral. O ataque às posições políticas dos seus adversários de classe é feito sem qualquer rigor científico e sem nenhuma preocupação de honestidade. O sistema não exige dele mais do que isso. Não é um grande mérito, apesar de tudo, para quem se intitula «pensador».

O rei continua, portanto, a andar em pêlo. Não nos alvorocemos, porém. Tudo está bem como está. O «senador» vai ser louvado pelo «rigor», pelo «desinteresse» e pela «profundidade». As suas louvaminhices ao capitalismo vão ser tidas como mostra de  flagrantes rasgos de genialidade. O livro, por fim, vai decerto integrar a lista de leituras obrigatórias dos cursos de Ciência Política, senão mesmo transformar-se na sebenta de muitas das cadeiras que os integram.

Se, inadvertidamente, o delfim de Marcelo Caetano derrubou o seu próprio mito, os cães de guarda do regime, denodadamente, tratarão de encetar a sua nova edificação.

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A BEM DA NAÇÃO

Posted by J. Vasco em 15/11/2011

“A promoção de Portugal através da imagem ou do som deve ser enquadrada numa visão de política externa e portanto sob quase que a orientação ou em contrato de programa com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”, afirmou o economista João Duque, que defendeu mesmo que a informação veiculada pelo canal internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” para passar a mensagem de promoção do país. Um tratamento da informação que, acrescentou, “não deve ser questionado”. “A bem da Nação”, rematou.

via Público

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DEFENDER OS EXPLORADORES, FINGINDO QUE SE ESTÁ A CRITICÁ-LOS

Posted by * em 23/10/2011

Os exploradores sabem que a exploração capitalista exige também o controle das mentes. Eis duas das muitas maneiras de manipular a mente dos trabalhadores e defender os exploradores. Estas duas maneiras são importantes, porque, com elas, os explorados são levados a pensar que os defensores da exploração são os que melhor podem conduzir a revolta contra esta. Pretende-se assim evitar que os explorados se juntem aos que verdadeiramente lutam contra a exploração. E não raro, os explorados mais ingénuos atiram-se, alienada e esperançosamente, às bocas dos “bonzinhos” leões:

Modo Cavaquista: fingir que se tem muita pena dos explorados e verter uma lágrima quanto à “ultrapassagem de limites”. Além de servir de válvula de escape para a indignação das massas trabalhadoras, esta posição garante ao seu protagonista o “amor do povo”. Assim, canaliza-se a revolta e fortalece-se a carreira. Nada mau, não é?

Modo Marcelorebelista: “criticar” a forma para melhor elogiar o conteúdo. Critica-se a “falta de comunicação” para dar a entender que a exploração, se fosse bem explicada, até seria reconhecida como algo que traria uma imensa felicidade aos coitados dos ignaros trabalhadores, que pouco sabem de coisas que requerem a sapiente palavra do “professor”. Esta posição faz passar a ideia não apenas de que se é muito inteligente mas também a de que se está a ser isento, uma vez que não se critica só o que dizem aqueles que lutam contra a exploração, mas “também” aqueles que exploram.

Às vítimas dos bandidos critica-se o serem como são (e portanto, culpados, em última instância, por tudo e mais alguma coisa), mas… elogia-se o penteado.

Aos bandidos elogia-se o serem como são, mas critica-se o penteado (e o discurso). Assim se forja a ideia de neutralidade e isenção… e os parvos, como sempre, engolem.

As posições acima apresentadas são as posições dos mais hipócritas e egoístas defensores da exploração. Uma atitude crítica em relação a elas pode servir de critério quanto a saber se os trabalhadores têm ou não o mínimo de consciência de classe.

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SECRETÁRIO DE ESTADO DA BARBÁRIE

Posted by J. Vasco em 09/10/2011

 

O poltrão que encabeça a secretaria de estado da barbárie (ou comissão liquidatária da cultura) anunciou ontem que o governo vai acabar com as entradas gratuitas aos domingos na rede de museus nacionais. A justificação para avançar com a medida («a falta de receitas geradas pelos museus») é tão estúpida que impressiona. Não se está mesmo a ver que a frequência dos museus, a partir de agora, vai aumentar vertiginosamente aos domingos, fazendo disparar as receitas de bilheteira?

Para além do incontrolável arrivismo que impulsiona Viegas, as coisas acabam por fazer mais sentido do que à primeira vista parece. A cultura, para Viegas, não passa de uma aguadilha indistinta que, a par dos «livros», mistura «viagens», «requintes», «gozos» e «prazeres». É sabido que o povo não tem «gosto», nem «estilo», nem «requinte». Muito menos dinheiro para os adquirir, que são coisas de compra e venda. Ser «culto» está-lhe por isso vedado. Mas se não podes comer, diz o ditado, consola-te ao menos vendo os outros comer.

Vai daí, como bom samaritano, Viegas decidiu há uns anos, através de um execrável programa de televisão, exibir ao povo o «requinte», o «gozo» e os «prazeres», isto é, a «cultura». Para quê museus, com efeito? Ele e os seus convidados eram a própria «cultura» em exibição e em movimento: conversavam, riam (requintadamente), fumavam charutos, bebiam vinhos «requintados», picavam um petisco (seria «gourmet»?)…

Em termos de videirice e de desprezo pelo povo, nada mudou. É tudo um problema de escala. Nesses anos, Viegas tinha um estúdio de televisão para brincar à «cultura». Hoje tem uma secretaria de estado para semear a barbárie.

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ELE PERCEBIA

Posted by J. Vasco em 13/07/2011

«Acabar com as lutas prisionais era um grande objectivo do fascismo. Era uma questão que dava sempre que falar e eles andavam doidos com o facto de o Avante! trazer todas as lutas que se passavam em Peniche e Caxias. Foi para tentar acabar com as lutas prisionais que foram a Peniche alguns dos deputados chamados «liberais». Em Peniche fomos chamados, em separado, para falar com eles, o Blanqui e eu.

Estive quatro ou cinco horas a falar com o Sá-Carneiro. Ele não era parvo. Era mesmo um tipo fino. Mas era um fascista. Simplesmente, era um fascista que achava que os métodos do salazarismo e do caetanismo estavam ultrapassados. No que respeitava à questão dos presos políticos, ele estava de acordo que nós estivéssemos presos, o que achava era que devíamos estar presos noutras condições, que dessem ao fascismo uma face menos hedionda. Durante a conversa, cada vez que eu lhe punha a questão da libertação dos presos políticos, ele perguntava: «O senhor quer sair para a rua para quê? Para continuar a lutar ou para fazer a sua vida?» Eu tinha já orientação do Partido para responder: «Quero ir tratar da minha vida.» E ele voltava à carga: «Mas, uma vez em liberdade, o que é que o senhor vai fazer?» E eu, nada. Desviava a conversa. Enfim, ele era mais inteligente que os outros fascistas e sabia que o regime não se poderia aguentar com a mesma face que tinha tido até então. Ele percebia que mudar a face do fascismo era uma coisa essencial para garantir a continuidade do regime e evitar a revolta.»

Joaquim Pires Jorge, Com uma imensa alegria – Notas autobiográficas, pp. 87-88

 

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O «FRANCISCO»

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

Há duas semanas, o corropio em torno de Sá-Carneiro montou arraiais nos média nacionais. A burguesia portuguesa, ávida de um salvador sebastiânico de recorte autoritário, convocou os seus escribas e ofereceu-nos dúzias de hagiografias políticas do «Francisco», esse eminente membro da muito «azul» linhagem Lumbrales. Maria João Avillez, como de costume, destacou-se na tarefa, que, de resto, executou com gosto e com galhardia.

Antes de desmontarmos uma das principais mentiras que a senhora tentou, pela enésima vez, pôr a circular, recordemos estas palavras de Freitas do Amaral que aqui trouxemos no dia 10 de Março de 2010:

«(…)Isto levou-nos, aliás, a rejeitar a integração em bloco do aparelho local da ANP no nosso partido, que nos foi oferecida por alguns dos seus ex-dirigentes nacionais (através de listas com nomes, moradas, telefones e tudo) – o que representou da nossa parte um belo acto de coerência e idealismo, mas que não foi recompensado pelos deuses: esse aparelho acabou por se passar quase todo para o PPD, que não teve dúvida em o aceitar, depois de riscados alguns nomes mais conhecidos, com o que ganhou definitivamente a primazia sobre nós em implantação local.»

Pela boca de quem sabe, temos a prova cabal (se quiséssemos abstrair dos próprios acontecimentos de 74-75) de que os segmentos mais fanatizados do fascismo português se congregaram no PPD de Sá-Carneiro e aí lutaram, no quadro da situação democrática alcançada com o 25 de Abril, contra o novo regime. Luta, aliás, que, entre todo o tipo de conspirações e de contactos com o estrangeiro, incluiu bombismo, terrorismo, homicídios, etc.

Sá-Carneiro, por mais «alas liberais» que lhe queiram arranjar, era membro da Assembleia Nacional fascista. Era eleito pelas listas do partido fascista. O seu fito era salvar a burguesia portuguesa do calvário de uma revolução, e por isso, dentro das baias do regime, procurava uma saída airosa junto dos jovens lobos tecnocratas. Tudo isto – é sempre bom sublinhar e repetir -, no quadro do próprio regime fascista.

Agora, a grande tese que Avillez quer traficar: Sá-Carneiro queria acabar com o Conselho da Revolução e afastar os militares da vida política, ou seja, «entregá-la ao poder civil». O desejo de Sá-Carneiro extinguir o Conselho da Revolução é-nos servido pela jornalista in abstractum, como se fosse uma incondicionada posição de princípio que não guardasse qualquer ligação concreta com o contexto político da época e com a respectiva correlação de forças político-militar. Mas ainda que não atendêssemos a essa colocação adequada do problema, refutaríamos a mentira de Avillez (a de que Sá-Carneiro queria afastar os militares da «política») dizendo o seguinte:

Sá Carneiro conspirou desde a primeira hora contra a revolução portuguesa com um militar de recorte fascista e prussiano, Spínola; foi com um militar, Spínola, que procurou ilegalizar o PCP e que participou no golpe Palma Carlos; foi com um militar, Spínola, que preparou a mascarada da «Maioria Silenciosa» e do 28 de Setembro, que tinha como objectivo, justamente, atribuir plenos poderes ao mesmo Spínola e referendar uma constituição que não abarcasse o partido comunista; foi com militares, entre os quais Spínola, que animou vários bandos contra-revolucionários; foi com militares que deu o seu contributo para o 25 de Novembro e que pediu, consequentemente, o afastamento do PCP e dos comunistas em directo na televisão; finalmente, foi um militar reaccionaríssimo, Soares Carneiro (vejam aí em baixo o autocolante da campanha), que Sá-Carneiro decidiu apoiar nas presidenciais de 1980, dizem as más línguas que para subverter a constituição e referendar uma nova. Más línguas, claro…

  

Pois é, Maria João, a história que nos pretende vender pode ser interessante. Tem é um pequeno problema: é falsa de ponta a ponta.

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NOJO!

Posted by * em 21/11/2010

Vi o telejornal em vários canais. Também na TVI. Os trabalhadores portugueses conscientes  certamente sentirão o mesmo, todas as semanas, após ouvirem o gelatina dar os seus velhos conselhos de serpente manhosa e maldosa com aquele ar de menino de coro, pessoa bem, amigo porreiro: sentirão um imenso nojo, um nojo que se prolonga no tempo! Desta vez, recorreu às falácias do espantalho, da falsa dicotomia, da derrapagem, etc, que de falácias entende bem o homem (consciente de que está a usar argumentos falaciosos estudados e decorados). Mais uma vez, como sempre, fez uso das armas retóricas que conhece para tentar desacreditar a luta dos trabalhadores, recorreu a tudo o que pudesse ser usado para defender os exploradores. Neste mundo, essa figura vai mesmo longe…

Pena que o ardiloso gelatina consiga encantar tantos e tantas, pena que muitos não percebam como ele trabalha… pena que tantos sejam levados ainda pela sua argumentação barata de advogado matreiro, falaz, enganador, velhaco. Pena… pois quem sofre mais são os crentes,  os que se deixam levar, os que batem palmas.

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VASCO PULIDO VALENTE: ASSINADO E REGISTADO NO LIVRO DE ACTAS

Posted by J. Vasco em 05/10/2010

Importa, em todos os fenómenos da vida social, perceber a partir de que ponto de vista se exerce a crítica. É o que permite apurar o teor e os objectivos determinados dessa crítica.

É possível criticar Kant, por exemplo, tanto de um ponto de vista materialista, como de um ponto de vista idealista. No primeiro caso, reconhece-se-lhe o mérito de conferir um estatuto de independência ôntica à realidade objectiva, apontando-lhe porém a debilidade de a considerar incógnita e incognoscível. No segundo, o idealismo mais consequente e mais radical aponta-lhe sobretudo a inaceitável concessão ao materialismo que representa o reconhecimento da objectividade material da coisa em si.

Também é possível criticar o capitalismo – recorrendo a outro exemplo -, tanto do ponto de vista aristocrático, monárquico, feudalizante, tardo-romântico, quanto a partir de posições progressistas, proletárias, socialistas, comunistas.

Detenhamo-nos agora no caso da república portuguesa, uma das primeiras da Europa.

O movimento operário critica-a não por ser república, mas pelo seu conteúdo burguês, limitado, amputado, por ser uma república burguesa, estruturada portanto para, dentro de uma moldura republicana, garantir a vigência da exploração capitalista.  Criticando-a de um ponto de vista de classe, simultaneamente transporta e carreia, através dessa crítica, o ponto de vista mais universalista de todos: o da humanidade social.

Em relação ao campo reaccionário (dos monárquicos, aos fascistas, passando por toda a gama diversa de direitistas com que a história nos foi presenteando), a crítica é dirigida não ao carácter burguês, mas ao próprio republicanismo da república, republicanismo tendencialmente universalista. Os reaccionários não podem conceber, sequer, que o fundamento da soberania resida no povo, que os cargos públicos sejam electivos e os seus titulares amovíveis, que não haja privilégios de casta, que os cidadãos sejam iguais em direitos e perante a  lei. Contudo, o que os desgosta mais na república portuguesa é a chamada questão social, a emergência, ainda que dentro de limites bem apertados e de conteúdo político muito débil, do movimento autónomo dos trabalhadores.

É neste quadro que surge e se constrói a interpretação fascista da república portuguesa. O seu objectivo era, a um tempo, legitimar, no plano ideológico, a construção do estado fascista, e, no plano prático, reprimir, e se possível liquidar, o movimento operário organizado, com vistas a afastar o perigo da revolução social e a proporcionar à burguesia, de uma forma mais estável e fortalecida, a extracção e a apropriação de mais-valia. E é assim que os fascistas, irmanados com os monárquicos, criam uma imagem da república como estado «jacobino», como reino da «violência» e do «arbítrio», como «caos social e político» onde impera a «perseguição», a «vigilância», a «intolerância» e a «fúria». Não era preciso pôr cobro a «isto», a este ambiente de «psicose social»?

Vasco Pulido Valente não é grande historiador, como se sabe: escreve um arremedo de livritos, rabisca umas croniquetas, e bolça, de ordinário, o seu profundo ódio anti-comunista. Mas Vasco Pulido Valente sabe que textos invoca, o que significam e que funções sociais e políticas concitam. E por isso não é inocente a convocação da figura de Salazar a que procede na sua diatribe contra a república portuguesa, publicada no Público do último sábado, dia 2 de Outubro. Para que fique registado no livro de actas, com a sua assinatura indelével, transcrevamos as exactas palavras de Vasco Pulido Valente: «Como dizia Salazar, “simultânea ou sucessivamente” meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.».

A visão de Salazar e dos fascistas sobre a república – eis o melhor de que é capaz Vasco Pulido Valente. 

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O HERÓI DO «SOCIALISMO DEMOCRÁTICO»

Posted by J. Vasco em 23/09/2010

«Não era uma desgraça que o FMI viesse a Portugal»

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OS «HOMENS DA LUTA» E A LUTA DOS HOMENS

Posted by J. Vasco em 17/09/2010

Atente-se, por um momento, neste par de pseudo-truões. É um produto típico, acabado, da «sociedade do espectáculo», um emblema reluzente da cultura pós-moderna.

Integrar no reino e no circuito do «espectáculo», da mercadoria, do valor, qualquer dimensão da existência é uma lógica objectiva do capitalismo, desdobrada, no âmbito do mesmo processo, em dois tabuleiros: o da necessidade de acumulação de capital e de reprodução alargada do sistema, por um lado; e, por outro lado, no plano subjectivo (político, ideológico, volitivo, afectivo), o da neutralização e domesticação dos elementos e forças sociais susceptíveis de transformarem revolucionariamente o modo vigente de produzir e reproduzir o viver em comunidade.  

Chega a ser enternecedor ver os donos e os directores de programação das televisões, reaccionarões de alto coturno sempre pródigos na condenação liminar das verdadeiras lutas populares, a acarinhar e  a estimular as façanhas provocadoras e ofensivas das vidas duras dos trabalhadores, protagonizadas pela dupla de bobos, afinal instrumento dos seus interesses.

Mas desenganem-se, amigos. Por muito que tentem folclorizar e ridicularizar o «velho», «relho» e «ultrapassado» movimento organizado de homens e mulheres que labutam pela emancipação humana  (com o intuito de o tornar inofensivo e «aceitável», porquanto enquadrado e enquadrável na estrutura regulada do «espectáculo»), a verdade é que a vossa decadência não triunfará sobre o que é vivo. Convém não confundir os «homens da luta» com a LUTA DOS HOMENS.

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HIPOCRISIA A RODOS

Posted by * em 19/07/2010

“O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, homenageou hoje o primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, com a deposição de uma coroa de flores no largo da Independência, em Luanda.”

Fonte: DN, in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1621641

A reaccionária direita portuguesa, imbuída de uma sanha exploradora e assassina, perseguiu, tentou matar e  conseguiu matar muitos dos lutadores pela independência das antigas colónias. Agora, movida por interesses egoístas,  presta homenagens falsas, hipócritas. O Amanuense Silva, o senhor Chance, já cantara “Grândola Vila Morena”, já permitira o casamento homossexual, já falara da necessidade de defender os pobres (ele, que durante toda a sua “carreira”, sempre defendeu os que vivem à custa dos pobres). É engraçado ver um reaccionário sem princípios: quando lhe dá jeito, até finge ser progressista…  🙂

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O HERÓI

Posted by * em 08/07/2010

“Guillermo Fariñas Hernández, conhecido no ambiente dos vende-pátrias (traiçoeiros) como Coco, transita de uma posição simpática à Revolução ao comportamento anti-social.

O primeiro ato público que revelou o grande desajuste de sua personalidade, e que não teve nenhuma matiz política, ocorreu no final de 1995, quando ele agrediu fisicamente uma mulher, funcionária da instituição de saúde onde trabalhava como psicólogo, lhe causando ferimentos múltiplos no rosto e nos braços. O crime provocou uma pena de três anos de prisão sem internamento, além de uma multa de 600 pesos.

Para escapar à justiça inventou sua primeira greve de fome e logo depois passou ao limiar das atividades contrarrevolucionárias. Com a ajuda desses pequenos grupos, divulgava seu caso, fazendo uma série de tergiversações por emissoras de rádios subversivas, além de expressar a disposição de morrer se não lhes dessem respostas às demandas que desejava.

Um segundo evento, em 2002, confirma a característica violenta deste sujeito e o desprezo evidente por sua pátria e os cidadãos que a defendem. Em plena cidade de Santa Clara, Fariñas espancou fortemente com um bastão um ancião que havia evitado um ato terrorista de um enviado especial do terrorista Luis Posada Carriles. Os danos causados no lesionado provocaram uma urgente intervenção cirúrgica para retirar-lhe o baço.

Uma vez condenado a 5 anos e 10 meses de prisão, na Causa 569 de 2002 do Tribunal Popular Provincial de Villa Clara, usou de novo seu método de fazer show: a greve de fome.

(…)

Fariñas é um assíduo repórter da infame emissora chamada Rádio Martí e de outras estações anti-cubanas.

Sua folha de serviços é ampla também na assistência a atividades da todo tipo da SINA [Secção de Interesses dos Estados Unidos em Havana] e de algumas embaixadas europeias que dirigem a subversão em Cuba, das quais recebe instruções, dinheiro e suprimentos.”

Alberto Nuñez Betancourt

Fonte: http://mostrandoaface.blogspot.com/2010/03/cuba-greve-de-fome-de-guillermo-farina.html

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PARA O JOÃO FERRO, COM MÚSICA

Posted by Patrícia B. em 23/06/2010

Ao João Ferro dedico esta versão musicada da canção Solidaritätslied, de Ernst Busch. A música original data de 1931 e esta é uma versão gravada após a Segunda Guerra Mundial.

A partir de hoje a força desta melodia ficará sempre associada, na minha memória, ao jornalista e camarada João Ferro. Ela representa já os breves momentos em que me cruzei com a sua figura simpática, delicada e cheia de vida e histórias lá dentro. Muitas terão ficado por contar.

“Avante, não esqueçamos a solidariedade

[…]

A manhã, de quem é a manhã?

O mundo, de quem é o mundo?” (E. Busch)

Não esquecerei, meu caro João.

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JOÃO FERRO

Posted by J. Vasco em 23/06/2010

«Para os muito maus tempos que, pressinto, se estão aproximando,
serão necessárias novas solidariedades.
Mas não devemos esquecer as antigas…»
(último mail enviado por João Ferro a um seu camarada e amigo)

Faleceu, com 72 anos, o jornalista João Ferro.

Para além de ter sido um dos co-fundadores da SIC, em 1992, e de ter pertencido aos seus quadros durante dez anos, trabalhou também na RTP e na agência noticiosa russa Novosti. Foi jornalista, durante as décadas de 60,70,80 e 90, em vários países do campo socialista, e tinha sobre ele um conhecimento muito amplo, muito vasto e muito profundo. Pertencia ao conselho geral do sindicato dos jornalistas e era membro da Fundação Internacional Racionalista.

A vida tem por vezes destas coisas tristes. Na quinta-feira passada, convidámos o João Ferro para conceder uma entrevista de fundo ao Olhe Que Não. Ele, generoso, aceitou de pronto, sem pensar duas vezes. Disse-nos apenas que teríamos de marcar o dia e a hora da entrevista no fim-de-semana que depois de amanhã começa, porque até lá estava a braços com a preparação de algumas aulas sobre a história da Rússia a leccionar numa universidade sénior. Preparávamo-nos para lhe ligar no próximo sábado.

O ponto de partida para a nossa conversa iria ser o seu último texto publicado (na ocasião, para a SIC Notícias), que deixamos aqui – e que merece ser lido, reflectido e tomado como acicate para ulteriores estudos, discussões e prolongamentos práticos. 

O João Ferro partiu. Mas a sua mensagem fica: novas solidariedades… sem esquecer as antigas. 

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ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO!

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

Faleceu Rosa Coutinho. Figura maior da Revolução de Abril e da luta pelo socialismo. Homem íntegro, vertical, avesso a mediatismos. Está na altura de se começar a falar dele, de destacar o seu papel ímpar no apoio à luta dos povos colonizados pelo império português. (Será que podes começar a tratar da empresa, Jorge?)

Até sempre, senhor Almirante!

ADENDA: Tal como nos é dito pelo autor,  este livro é dedicado a um milhão de portugueses: soldados, capitães, um general e um almirante. O general deixou-nos há cinco anos, o almirante partiu agora.

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A PROSÉLITA

Posted by J. Vasco em 14/05/2010

Só por piada pode ser cunhado à senhora da foto o apodo de jornalista.

Ligamos a televisão na estação pública – e a interminável missa que nos é servida de manhã à noite tem como destacada oficiante de turno esta prosélita incansável e bem consciente das suas tarefas políticas e ideológicas.

É a continuação, por outros meios, do destemperado trabalho de sapa que semanalmente leva a efeito, à segunda-feira, no horário nobre da mesma estação pública. E que culmina numas aulitas de proselitismo (perdão, de «jornalismo») numa instituição privada de ensino superior. Para que o trabalho da prosélita seja mais amplo e profundo. 

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ACT… O QUÊ?

Posted by * em 30/04/2010

Há coisas muito estranhas em Portugal: como é que inactores, desactores, anti-actores como Ruy de Carvalho e Nicolau Breyner não só são considerados actores, mas até aclamados como “bons actores”? Aquilo que eles pretendem apresentar, ao longo de décadas, como trabalho de actor não é mau, aquilo é, falando à maneira brasileira, muito mas muito ruim mesmo! Aquilo não tem nada de nada de trabalho de actor. Estes senhores, estejam em que papel estiverem, estão sempre e apenas a representar, na melhor das hipóteses, os papéis de Ruy de Carvalho e Nicolau Breyner. Não conseguem sair de si, transcender-se, para representarem seja que personagem for. Nem chegam a ser maus actores porque não chegam sequer a ser actores. Porque será que pessoas que vão parasitando ao longo dos anos na cultura portuguesa, que envergonham a cultura portuguesa, são aclamados? Talvez devido aos contactos, ao seu percurso político, talvez devido à falta de alternativas, talvez…

Desisto, não consigo encontrar a causa. Aceitam-se explicações de tão estranho fenómeno.

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O GÉNIO DA BANALIDADE E OS SEUS ALFAIATES

Posted by * em 25/04/2010

(Dorian Tyrell, personagem do filme The MaskA máscara)

O génio da banalidade decidiu usar o sagrado 25 de Abril para os seus interesses pessoais, para o arranque da sua campanha. Além do desrespeito pela data, mostrou que a direita mais reaccionária não se coíbe de usar traje de esquerda, mesmo que não lhe assente. É patético ver um inveterado (não escrevi “invertebrado”, pois não?) defensor dos exploradores a fazer gala de paladino dos direitos dos explorados (que eles denominam “os menos favorecidos”), como é patético ver um Aguiar Branco citar Rosa Luxemburgo e Lenin. Isso mostra até onde eles podem ir para enganar o povo trabalhador, isso mostra o quão perigosos são esses tipos.

A imprensa subserviente ajusta, como bom alfaiate, o traje de esquerda ao corpo de direita, costurando e cerzindo o que houver a costurar e cerzir. Nem que tenha de distorcer as palavras, para que os Lapsus linguae não estraguem a encenação.

Há que repor a verdade do discurso de lançamento de campanha. Ele não disse que “a injustiça social e a falta de ética são dois factores corrosivos”. O que ele disse foi que “as injustiças sociais e a falta de ética são dois factores que, QUANDO COMBINADOS, têm efeitos extremamente corrosivos para a confiança nas instituições e para o futuro do país. A injustiça social cria SENTIMENTOS DE REVOLTA, sobretudo quando lhe está ASSOCIADA a IDEIA de que não há justiça igual para todos“.  Parece um discurso progressista? Só para quem se deixa enganar, só para quem não percebe do assunto. Examinemos esta afirmação com olhos de ver: injustiças sociais? Ok! falta de ética? Ok! Só não combinem as duas coisas! E porquê? Por que razão não se devem combinar as duas coisas? É que a combinação delas tem efeitos corrosivos (não teriam efeitos corrosivos a injustiça ou a falta de ética aplicadas separadamente, pelos vistos). A injustiça social deve ser aplicada “com ética” e  com muito cuidado e medida, porque senão o povo ainda começa a experimentar (ai povo ingrato!) sentimentos de revolta que é preciso, a todo o custo, evitar. Fica o povo com esses estranhos sentimentos sobretudo quando à injustiça social está associada (que associação malévola) a ideia de que não há, vejam que absurdo, justiça igual para todos (como ficamos a saber, esta é apenas uma ideia que o povo  teima em ter… e não a realidade nua e crua). Aliás, apesar do que é dito na primeira frase da afirmação citada, a segunda frase deixa claro que nem é propriamente a combinação de injustiças sociais e falta de ética que é criticada, antes a combinação da injustiça social com a descoberta da falta de ética dos que, demonstrativamente, se excedem no nobre desígnio burguês de parasitar. Parasitar sim, mas  de maneira a que não se descubra nem se comente. É isto que chateia o povo e, como os senhores exploradores sabem, o povo pode ser explorado, mas convém que seja explorado sem o chatear em demasia.

Os discursos do GdaB são uma delícia para qualquer um que se queira dedicar  à exegese hermenêutica. Mas, enquanto isso, vai o homem fazendo a sua campanha, vai o povo curtindo os seus sentimentos de revolta e vão os senhores jornalistas compondo os factos (e os fatos).

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VIVER DA MENTIRA

Posted by * em 09/04/2010

Há pessoas que vivem na mentira. Outras, vivem da mentira. Há que saber distingui-las, o que , por vezes, não é tarefa fácil. O miguelista  Tavares, num programa em que abundam mais sinais de fumo do que de fogo, vomitou  mais uma das suas mentiras, uma das suas palermices demagógicas e xenófobas, que repete à exaustão, como grande personalidade, intelectual e conhecedor da língua portuguesa que é: a de que, com o novo acordo ortográfico, os portugueses passariam a dizer “fato” em vez de “facto” e que os brasileiros seriam os únicos a ganhar, já que não cairiam em confusão, uma vez que não usariam, para designar a peça de vestuário (segundo  M.S .Tavares), a palavra “fato” mas apenas a palavra “terno”. Ora, quem souber o mínimo acerca do acordo ortográfico saberá também, coisa óbvia, que o “c” só é abolido quando é mudo, o que, manifestamente, não é o caso em palavras como “facto”. Além disso, claro que no Brasil existe a palavra “terno”, mas, evidentemente (e ao contrário da afirmação miguelista), também se usa a palavra “fato” para peça de vestuário. O senhor miguelista poderia conhecer melhor a língua portuguesa e ter, em relação ao Brasil, interesses mais culturais do que os que tem tido. Se assim fosse, saberia facilmente que os brasileiros continuarão a usar a palavra “fato” para as duas coisas e os portugueses continuarão a usar as palavras “facto” e “fato”. Em relação a isto, nada do que existe actualmente é alterado, pese o susto que tenta pregar aos portugueses (aliás, com o acordo, mantém-se a dupla grafia para todas as palavras que têm efetivamente pronúncia diferente em Portugal e no Brasil). Este digno inintelectual, quando não está ocupado a  perseguir e matar animais ou a defender que o excesso de velocidade é uma noção subjectiva, dedica-se com uma impressionante soberba, a falar de assuntos que não domina, achando que, neste país, fazer pose é suficiente. Nããã…  quem tem um olho só é rei onde os outros são cegos. Aqui,  é (de facto, use ou não use fato), apenas zarolho (também dito caolho).

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ININTELECTUALIDADE

Posted by * em 05/04/2010

Há coisas neste cantinho da Europa que são impressionantes! Por exemplo, como quando tentam fazer crer que algumas pessoas, perfeitamente medianas em termos cognitivos (pessoas cujo contínuo esforço em praticar rasteiras ideológicas apenas confirma o carácter rasteiro da sua inteligência) são prodígios intelectuais. Ele é Miguéis Sousa Tavares, ele é Marcelos, ele é Medinas Carreiras… dezenas e dezenas de opinion makers pequenininhos, miguelistas, marcelistas e carreiristas a entremear, diária e ubiquamente, superficialidade e reaccionarismo.

Mas, prodígio dos prodígios! Cada vez que um deles abre a boca para dizer mais uma trivialidade, uma palermice ou uma intrujice já repetida milhões de vezes, daquelas aldrabices simples capazes de enganar só mesmo os muito muito tolos (daquelas aldrabices que parecem mesmo ser  aldrabices, daquelas aldrabices que a gente ouve e percebe logo que são aldrabices, daquelas aldrabices mesmo aldrabonas)… “- uau!!!” “- ele é o tal!!!”, “- he’s the one!!!” “- Ele é que percebe das coisas!!!”, “- Este é que tem coragem!!!”, “- Este é que põe os pontos nos iis!!!”, “- Pena que não lhe dêem ouvidos!!!”… como… como se estivesse a ser dito algo inteligente! Será que  esta reacção à patetice ocorre por  empática falta de inteligência de quem elogia, será que é  por falta de experiência histórica (que pudesse dar a ver que nada de profundo ou de novo foi dito), será que é falta de horizontes culturais mais alargados, será que é apenas falta de senso crítico mais aguçado? Mistério dos mistérios…

Mas que é impressionante, lá isso é. Pobre Portugal, se aceita que a sua altura seja a dos homúnculos que admira. Mas enfim, se  neste mundo até há quem permita que a sua dignidade e a sua inteligência sejam  aferidas (e diminuídas) pelo apoio dado a grotescos seres jardinianos ou berlusconianos, tudo parece possível. Diz-me quem admiras e dir-te-ei quem és!

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POLYPRION AMERICANUS

Posted by * em 02/04/2010

Aviso: este é um post de ficção.

Qualquer semelhança com a realidade, seria mera e indesejável coincidência, uma vez que, como é fácil observar, nada há em comum com o que sabemos ser a realidade.

O Polyprion Americanus é na verdade, como o nome indica, americanus, o que nos obriga a abrir uma excepção na categoria das figuras portuguesas. Mas é um ser de certo modo, presente também nas costas portuguesas (e não só), pelo que vale a pena falar dele nesta rubrica. O Polyprion Americanus é um  peixe solitário de águas profundas, que se reproduz nas zonas costeiras dos E.U.A. e migra mais tarde, num ímpeto transatlântico, para os Açores, escondido por baixo de objectos flutuantes.

Polyprion significa “muitos prions” (quem quiser saber mais acerca dos prions, agentes infecciosos que se instalam em organismos para os consumir por dentro, pode consultar aqui).

O Polyprion Americanus é a prova provada de como as aparências podem iludir. À primeira vista, o wreckfish é apenas mais um peixe fugidio, um carreirista, um travesti de princípios, que muda de ideais do mesmo modo que muda de nome cada vez que arranja um novo emprego, alguém que muda de camisa e trai constantemente aqueles que lhe dão a mão. Na verdade, talvez isto seja uma injustiça de maldosas línguas, talvez este exemplar profissional nunca tenha mudado de ideais, tenha sido sempre um functionary sério, competente, empenhado, muito amigo dos seus friends.

Os dúplices jogos dos anos estudantis talvez tenham sido já os primeiros anos de trabalho leal e dedicado, anos de aprendizagem, de pesquisa dentro de pequenas organizações, estágio para adquirir o traquejo necessário para trabalhos a um nível mais elevado. Entre estas pesquisas e as pesquisas efectuadas sob a capa de um pretenso doutoramento talvez apenas medeiem anos e não amos nem amores.

Pretendem que ele tenha traído o seu país, permitindo que torcionários o usassem como trampolim para os seus imundos trabalhos. Nada disso, talvez ele nunca tenha traído o seu país, apenas deixado utilizar o país que o viu nascer para que os seus colleagues, do seu country, promovessem a democratização activa do mundo.

Com o Polyprion Americanus colocado habilmente no lugar certo, o país que ele mais ama tem finalmente um dos seus à cabeça da Europa: um ser subaquático, tratado de notre cherne ami pelos europeus e de our seafish* pelos patrões (deste mundo).

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* “seafish” não deve ser lido como [ciafixe], já que a letra “a”, de agency, praticamente não é pronunciada.

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POEIRA HUMANA

Posted by J. Vasco em 02/03/2010

A coisa Tavares, no seu programinha de ontem Sinais de Fogo (nome roubado ao grande romance de Jorge de Sena) com Gonçalo Amaral, exibiu-se, no seguimento do que nos tem habituado, ao seu melhor nível: foi malcriado, petulante, caceteiro, reaccionário, e defendeu os seus amigos e companheiros de sempre – os ricos e os poderosos – com inegáveis galhardia e valentia. Compare-se apenas esta actuação «corajosa» e «valente» com a da semana passada, em que se fartou de mimar e acarinhar Sócrates.

O facto da coisa Tavares ser uma estrela luminosa do panorama mediático português diz bem do estado lastimável, em termos de racionalidade crítica, a que chegou o país. É um significativo sinal dos tempos. 

A sua tão apreciada agudeza resume-se afinal a um lamber as botas aos ricos e poderosos; a sua tão proclamada independência esgota-se num aristocratismo elitista e decadente que odeia os pobres e os explorados; a sua suposta coragem significa tão-só que é um marialva de trazer por casa armado em menino rabino, apoiante das posições mais reaccionárias da sociedade portuguesa (são habituais nele termos e expressões como «corporações», «o conservadorismo dos sindicatos», «os professores são seres inúteis», etc.); o  desinteressado e abnegado cidadão dedicado à coisa pública não é mais do que um ridículo filisteu defensor de grandes e decisivas causas da humanidade como o tabagismo, a caça, o Pinto da Costa, o aumento da velocidade máxima nas estradas, a limitação do número de contentores no porto de Lisboa, e outros assuntos quejandos; o grande escritor não passa, na realidade, de um medíocre escriba que alinhava umas palavritas e que vende, como champôs e sabonetes, milhares e milhares de exemplares de lixo literário.

Um país que o acarinha já perdeu o mais importante: a sua dignidade. Ontem (e na semana passada), para quem tinha ainda dúvidas, mostrou que não é jornalista coisa nenhuma. É um comissário político das classes dominantes, um mero propagandista de turno das políticas de direita.

A coisa Tavares tem ainda outro defeito. Por ter quem tem como mãe, seria profundamente injusto chamar-lhe filho da puta. É pena. Chamemos-lhe então, pela força das circunstâncias, poeira humana. 

E, sobre isto, fiquemos com um post do Samuel, de dia 9 de Janeiro de 2009, que lhe peço emprestado do seu blog Cantigueiro:

«Parte-me o coração e revolve-me o estômago pensar que de cada vez que alguém compra um livro de poesia da grande Sophia de Mello Breyner, ou o maravilhoso conto “A menina do mar”, ou um disco com alguém a cantar a “Cantata da Paz”, ou qualquer outra canção, ou conto, ou livro de poesia da sua autoria, está, infelizmente, a dar dinheiro para este traste snob, arrogante, “macho lusitano”(*), reaccionário e trauliteiro, se encher de whisky até aos olhos, escrever baboseiras em jornais e depois vir esturrar o que sobrar, em caçadas aqui no Alentejo.».
 
* Sem ofensa para os magníficos cavalos de Alter-do-Chão.
 

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FIGURAS, FIGURINHAS, FIGURÕES

Posted by * em 14/02/2010

 

Aviso: este é um post de ficção.

Qualquer semelhança com a realidade, seria mera e indesejável coincidência, uma vez que, como é fácil observar, nada há em comum com o que sabemos ser a realidade.

 

 

O “GÉNIO DA BANALIDADE”

Nenhuma ideia original, por mais tímida que tenha sido, aflorou daquele encéfalo…o máximo que fez foi citar outros mais capazes. Fora do país, quase ninguém da sua especialidade conhece uma ideia sua enquanto economista, no seu ramo de “investigação” este amanuense é um zero à esquerda. Haverá alguma colectânea ou enciclopédia estrangeira da especialidade em que apareça o seu nome? Claro que não, embora ele se esforce por aparecer como uma sumidade quase interplanetária. Como é fácil enganar os simples do condado…

Faz lembrar, de tão parecido, o Mr. Chance (Peter Sellers), do filme Being There (Com os nomes “Bem-vindo Mr. Chance”, em Portugal e “Muito além do jardim”, no Brasil”), de 1979. Neste filme, um jardineiro, cuja parca inteligência era apimentada por uma vasta ignorância, passa a ser visto por todos como um génio, de tal modo, que até os seus silêncios são considerados geniais. Qualquer observação sua acerca do estado do tempo ou das plantas do jardim é escrutinada ao pormenor, fazendo adivinhar mil e um segundos sentidos (muitas vezes incompreensíveis para o próprio Mr. Chance) acerca das questões mais prementes com que a humanidade se defronta. Claro que começa a subir pela escada do poder, influenciando decisões políticas ao mais alto nível.

Como referido, o Mr. Chance de Portugal, o senhor Gardener luso, gosta dos silêncios e tabus. Nutre-se deles por ter visto que funcionava este baixo truque de marketing político e também para travestir de grandiosidade a sua pequenez, para evitar mostrar o quão oco é. Nos tabus ele junta o útil ao agradável. Quando fala, é apenas para, com ar circunspecto, ponderado, como se estivesse a proferir uma verdade nova, fruto de cogitações prolongadas… dizer uma qualquer trivialidade. Este actor apenas se sente em casa quando repete as suas banalidades. Segue escrupulosamente a máxima de Homer Simpson: “Nunca digas qualquer coisa a não ser que tenhas certeza que todos pensam o mesmo”.

Este ser plastificado evita falar de modo explícito, tanto por calculismo, como por não ter ideias originais. Gosta de apelar, com ar solene (ar estudado, ensaiado),  aos velhos e rasteiros embustes mil vezes repetidos pelos ideólogos burgueses mais abjectos: gosta, por exemplo, de mascarar, através de elogios à “autonomia”, “liberdade”, “iniciativa”, etc., a defesa da desresponsabilização do Estado, a apologia da luta de todos contra todos, o elogio ao “Laissezfaire”. Afinal, a sua noção de responsabilidade social do Estado cinge-se ao que aprendeu nos bancos escolares da escola salazarista acerca da bem-aventurança da caridadezinha cristã, acerca da necessidade de apoio aos menos favorecidos. Não aprendeu mais, só pode repetir o que aprendeu.

Devido à sua banalidade crónica, uma entrevista com ele levaria ao resultado mais tedioso do mundo, a não ser para os que se maravilham com a banalidade:

“- O que o Sr. Doutor deseja para Portugal?

– Desejo um Portugal mais desenvolvido, é desejável que Portugal se desenvolva.

– E além disso?

– Desejo um País mais culto, ao nível dos demais países europeus.

– E, já agora, um Portugal mais justo e solidário?

– Sim, devemos fazer de Portugal um país mais justo e solidário.

– E não acha que cada um deve dar a sua contribuição?

– Cada português pode e deve dar a sua contribuição para melhorar o país…

– AARRGGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…………………..

Ah, como qualquer político de direita, está sempre disposto a atraiçoar os seus em nome da carreira…

O “GELATINA”

Nenhuma profundidade…e o mais desavergonhado oportunismo e maquiavelismo político provinciano. Delicia-se com o próprio umbigo. Ocupa-se pessoalmente, de modo quase patológico, da publicidade adamastorenha aos seus feitos (desde as acertadas decisões tomadas e previsões confirmadas, até ao facto de quase não dormir, à leitura de centenas de livros por dia e noite e muito, muito mais, que o homem é um deus na terra, se duvidar, pergunte-lhe  que ele, humildemente, confirmará). Deleita-se com as  suas acrobacias argumentativas em defesa dos exploradores, habilidades retiradas da lista de falácias dos manuais de retórica dos tempos de estudante. Tem uma tal obsessão  pela manipulação ideológica, que não apenas a exercita constantemente (para não perder o jeito), mas também tenta difundir as  suas “técnicas” fundamentais. Assim, explica todo e qualquer desaire dos exploradores como um “problema de comunicação”. Dá a entender, de um modo inacreditavelmente descarado, que (havendo força política e sabendo aproveitar o kairos) pode ser levada a cabo qualquer política reaccionária, desde  que se saiba como “fazê-la passar”. Adora  apresentar, de modo redutor e  deturpador, fenómenos complexos como se fossem fenómenos comezinhos, do quotidiano. Recreia-se, por exemplo, a comparar o funcionamento da economia (fenómeno complexo e em que há exploradores e explorados), ao dia-a-dia de uma família (fenómeno essencialmente distinto), a comparar questões políticas com questões futebolísticas, etc. Cumpre afincadamente a sua função pública de “redutor cultural”, desobrigando o filisteu da necessidade de conhecer e de pensar pela própria cabeça. Ao nível de uma conversa de cozinha, “explica” o que qualquer esporádico leitor de jornais saberia (desde o que de mais noticiado vai acontecendo no país, até coisas ignoradas como o facto de da Espanha ser uma monarquia e Dublin ser a capital da Irlanda). Pelo meio, vai dando receitas, que podem ir de como beber vinho do Porto a como curar unhas encravadas. Como os ingénuos  sorvem, gota a gota, cada iluminada palavra sua (como se ela fosse um mantra que fizesse claro o que até aqui era nebuloso) torna-se, este  oportunistazito, ele próprio, um facto político….não porque faça análise política com o mínimo de profundidade, mas pela sua influência sobre os pacóvios. Com estas qualidades todas, tem futuro. Pode até chegar a presidente.

O “PAI”

O seu erro foi pensar, preso no seu egocentrismo e vaidade, que tinha alguma importância própria. Não percebeu que foi apenas um alarve, ufano e carlucciano brinquedo de quem manda no mundo, instrumento que, ao deixar de ser útil, evidenciou o seu real valor…

(Essas coisas são sempre constrangedoras, até para quem discorda da pessoa)

O PALHAÇO DA ILHA

Está para o Ser Humano como o Zé cabra está para Mozart. É um bandido vulgar, porco, ordinário, com negócios e interesses e tendências tenebrosas. Quando cair, deixará os seu acólitos no seu lugar. Quando estes, por fim, caírem também, talvez… aos poucos…se comece a descobrir a podridão escondida…e muitos dos eternos inocentes que hoje o elogiam dirão, admiradíssimos, alguns até estarrecidos:

“- quem diria, não? -Sim, quem diria que isto acontecia!!!”

O FASCISTAZINHO

Menino bem, penteado à Hitler (só falta o bigodinho), carinha lavada, gosta dos fortes, de repetir que é de direita, e de fazer pose de adulto e sério e poderoso, de visitar esquadras e quartéis. Também gosta do dinheirinho e do luxo, tendo de se conter para não dar asas a esse desejo, que lhe pode prejudicar a carreira (o que nem sempre consegue, tamanha é a vontade). Este Haider luso, que não tem vergonha da demagogia populista mais rasteira, é o que os brasileiros chamariam um verdadeiro cara-de-pau (descobriu que ser cara-de-pau é importante para subir na vida e na política). Não se inibe, sequer, de furtar documentos secretos do Estado, coisa que, em outro país, lhe garantiria, no mínimo, largos anos de prisão. Ele não se importa, tem amigos, sabe segredos, tem cordelinhos para mexer. O importante é crescer e ter sucesso. Engole a saliva, mas lá vai asinha, boininha comprada para o efeito, pelas feiras, passinho rápido, alvos dentes, olhar à cata das câmeras, beijar e abraçar airosamente quem despreza. A sua capacidade cognitiva resume-se ao famoso esquema 1-2-3: “Portugal tem 3 problemas: primeiro…; segundo…; terceiro…” e lá vai ele desfiando o velho esquema superficial, contado pelos dedos, cada coisinha na sua gavetinha, para não confundir nem se confundir, truque mil vezes repetido para gáudio dos simples. Pensa através de esquemas, factores e linhas vectoriais com setinhas, o que, se não garante profundidade, pelo menos garante clareza. Outro dos truquezinhos que descobriu foi o do que atrelando o partido a tudo o que acontece, aumenta as hipóteses de o nome do mesmo ficar gravado nas mentes. Assim, liga tudo o que for possível, insistente e recorrentemente, à repetição infinita do nome do partido. Tudo o que acontece no país, desde o mudar das estações ao mais ínfimo acontecimento nos corredores da assembleia, acontece em função do seu partido, contra o seu partido ou por obra e graça do seu partido, o Universo inteiro é uma confirmação da justeza da linha do seu partido. Não se importa em repetir Ad infinitum este truquezinho demagogo à frente de todos, quantos mais melhor, que vergonha é coisa que aprendeu a vencer, em prol da carreira. E lá vai ele, carinha lavada, mais uma vez enumerando: “o meu partido defende quatro coisas: primeiro…”

Obs:

Esta lista de caracterizações pode levar a pensar que somos uns meros aprendizes na patriótica, difícil e elevada arte da “fulanização”. É verdade que há experientes professores nestas lides: PSD, PP e PS não fazem outra coisa. Nada de críticas de fundo entre eles, nada de crítica séria entre estes partidos “da esfera da governação”, apenas esgrimem críticas conjunturais e pessoais, não vá o diabo tecê-las. Podem fazer correr rios de tinta apenas para tratar de casos de alguém que disse que alguém disse que alguém ouviu que alguém teria dito. É verdade que esta obsessão pela conjuntura, versão política dos mexericos da imprensa rosa (ou laranja), separa a mentalidade de direita da mentalidade de esquerda. O que, fundamentalmente, preocupa PSD, PS ou PP, é saber quem deveria estar no poder. A direita, como direita que é, não consegue ir além desta mentalidade tacanha (quem quer explorar, tem de aceitar ser pouco profundo).

Apesar de dever conhecer bem a plêiade de personagens ilustres da vida nacional, a esquerda não deve ficar por aí, pela crítica pessoal, pela simples “fulanização”, pela abordagem apenas conjuntural. O que importa mesmo é mudar a política numa estratégia fundamentada no conhecimento da lógica do processo histórico. E isto numa perspectiva não apenas local ou nacional mas também mundial.

A “fulanização” é coisa pouca. A ideia acerca do seu poder corrosivo é largamente exagerada. As críticas  meramente pessoais são até uma maneira eficaz de justificar a política de quem se critica: para “resolver” os problemas bastaria ter uma pessoa honesta, idónea, credível. Bastaria mudar as moscas…

 

 

 

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