OLHE QUE NÃO

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Archive for the ‘Grécia’ Category

GRÉCIA: O CAMINHO É E NÃO É SEMPRE EM FRENTE

Posted by qmiguel em 05/06/2012

Dentro de alguns dias a Grécia vai a votos. Que podemos esperar? É anunciada a vitória do Syriza, isto é da franja mais radical da Social-Democracia grega que a pulso toma o lugar do Pasok e recompõe as forças de governação da esquerda do sistema (capitalista). Não é portanto de espantar que tenha vindo a lume que uma antiga ministra da economia do Pasok (sim de um governo Papandreou) se tenha aliado ao Syriza. São pormenores, mas são pormenores que contam: esta última foi responsável pelo primeiro plano de austeridade (de 2009 se não estou em erro). O que esperar desta Social-Democracia recomposta? é difícil antever algo mais que capitulação face aos fundamentos ideológicos que regem a Europa. Membro do Partido de Esquerda Europeu o Syriza tem vindo a demonstrar uma hostilidade crescente para com o KKE (Partido Comunista Grego) e para com as forças progressistas que procuram fazer frente às forças do capital europeu e grego. Poderão objectar que não: que esta esquerda dita radical está apostada em defender os interesses dos trabalhadores e do povo grego, que as esperanças depositadas num governo do Syriza são justificadas e que a política será necessariamente anti-austeridade e anti-troika. A questão que se impõe então é até onde estão prontos a ir? A dúvida legítima impõe-se, ela também: será que um partido como o Syriza, que apoia os fundamentos desta construção europeia, a mesma construção que permitiu o ascendente do capital europeu, a consequente repressão e austeridade que a classe trabalhadora e os povos hoje sofrem, terá como prioridade fundamental os interesses mais profundos da classe trabalhadora, ou capitulará perante os fundamentos da construção com a qual está (e quer estar) comprometido? Basta pensar que a não rejeição do MES manieta a política econômica e financeira de qualquer governo grego, basta lembrar que formações que compõem o Syriza apoiam o tratado de Maastricht etc… As prioridades parecem estar bem estabelecidas se atendermos à hostilidade desta formação para com o KKE e à proximidade  crescente que vai ganhando com a burguesia (grande) grega. A vontade de formar um governo verdadeiramente patriótico e progressista não parece ser uma realidade (até pelo presente envenenado que lançou na direção do seu pretenso aliado). Querer “salvar a Europa” é tão megalômano como abstractamente bonito, mas a questão é: Salvar a Europa para quem? Uma crítica cuidada da construção europeia faz qualquer um chegar à conclusão de quando a social-democracia grega diz que quer salvar a Europa o que está realmente a dizer é que quer salvar o sistema do capitalismo europeu tal como o conhecemos. Este processo de “salvamento” reveste-se é sabido, tanto de ganhos pontuais para os trabalhadores (que, enquadrados devidamente, nunca são de desprezar) como de ganhos estruturais para os capitalistas. Em última a análise estarão dispostos a sacrificar os interesses dos trabalhadores gregos para “salvar” a Europa ( isto é o sistema do capitalismo). A verdade é que politicamente o Syriza concorre para salvar o sistema capitalista (em geral, mas também na sua declinação particular actual – aliança da burguesia grega com a burguesia europeia). A questão que sobra é: quanto tempo até o povo grego ver deitadas por terra as suas ilusões de uma superação peremptória da actual situação política e econômica ?  Em nada as eleições de domingo serão um corolário concreto, elas são apenas mais uma etapa na luta do povo grego.

Passemos ao KKE, partido que tem sido alvo da fúria de toda a burguesia europeia, da calunia de todos os meios de comunicação, e do desdém de todo e qualquer intelectual pequeno-burguês encantado com a perspectiva auto-ilusória de uma reforma (isto é de que tudo mude para que no fundo os fundamentos e o rumo concreto não mude). O porquê de tais pruridos é facilmente explicável pela influência deste junto da classe trabalhadora grega e pelo seu já heroico papel na resistência face às actuais políticas.  A unidade é, e será certamente, a tarefa que se impõe neste momento ao KKE, trazer a unidade o que pode ser trazido e combater aquilo que fizer frente aos interesses profundos dos trabalhadores gregos respondendo concretamente aos desafios das novas realidades que se-lhe vão abrindo a cada momento. Sem ganhar a confiança dos trabalhadores e do povo grego, sem que estes vejam nele uma formação responsável capaz de caminhar ao lado da classe trabalhadora e de elevar a sua consciência, sem o esforço profundo de construção de tal unidade nenhuma solução é possível. Os comunistas gregos terão de estar à altura da complexidade dos acontecimentos. Os meandros da táctica podem facilmente fazer ruir a estratégia. Mais do que ninguém estes estarão conscientes dos problemas e das condições concretas da tarefa que se lhes apresenta e não se nos configura prescrever receitas abstractas e polidas para a sua luta. Se a táctica é questionável a estratégia é firme e a solidariedade é um dever. De uma coisa podemos ter a certeza: nenhuma solução transformadora é possível para a Grécia sem o KKE, tão simplesmente porque nenhuma solução é possível fora da luta de massas. Ser solidário também é confiar que os comunistas gregos encontrarão o seu caminho e imprimirão à sua luta a direcção necessária para a superação da actual crise. 

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“ESQUERDA RADICAL”???

Posted by * em 07/05/2012

                  A burguesia assusta-se com pouco, angustia-se até com críticas moderadas. Na Grécia, o Syriza, que, com mais de 16% dos votos, conquistou o lugar de segunda força política, é apresentada como a “Esquerda Radical” por todos os meios de comunicação burgueses. Na verdade, esta é mais uma das mentiras diárias desta sociedade da “liberdade de imprensa”. “Esquerda radical” é apenas o nome que esta esquerda moderada (pouco mais à esquerda que os “renovadores” saídos do PCP e com algumas similitudes com o Bloco de Esquerda de Portugal) escolheu para o seu partido. Syriza, é a abreviação de “Συνασπισμός της Ριζοσπαστικής Αριστεράς”, “Coligação da Esquerda Radical”. Esta é, na verdade, uma coligação até bastante comedida, é uma coligação que o capitalismo procurará domesticar mais e mais. Esta coligação, que pode ser melhor caracterizada como sendo da ala mais à esquerda da social-democracia, foi buscar muita coisa ao euro-comunismo e nem sequer tem posições suficientemente consequentes no que diz respeito à crítica à União Europeia, ao assumir do marxismo e a respeito do necessário derrube do capitalismo e passagem revolucionária ao socialismo orientado para o comunismo. Comparem-se as posições dulcificadas desta coligação com as bastante mais consequentes posições comunistas e ver-se-á o quanto moderadozinha é esta “Esquerda Radical”. Mas pronto, para a imprensa burguesa, quando convém, os nomes dizem tudo e nem é preciso compreender os fenómenos. No entanto, nós, comunistas, não nos contentamos com isto. Para nós, há que compreender o que as coisas realmente são. Só esta compreensão verdadeira permite ver como a realidade pode ser transformada.

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EXEMPLO DE DEMOCRACIA BURGUESA

Posted by * em 30/06/2011

A democracia burguesa só existe sob a tutela atenta da ditadura do capital. Quando não sente em perigo a sua ditadura económica, o capital permite que o vulgo pense que tem liberdade. Mas quando sente o mínimo odor a perigo, o capital abdica imediatamente da democracia. Sempre, em toda a parte e sem sequer pensar duas vezes! Não venham os jornalistascomentadoresintelectuaispolíticos burgueses com as suas requentadas falas mansas e adocicadas, com as suas declarações pungentes de anjinhos-exploradorzinhos, que nós sabemos bem quem vocês são e ao que estão dispostos. Esta imagem é apenas um exemplo do que podemos esperar da burguesia. Um abraço solidário ao amigo grego que, como muitos e muitos milhares, não se submete, ergue a sua voz e diz “NÃO!

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ENTREVISTA A PERIKLIS PAVLIDIS

Posted by J. Vasco em 29/12/2010

Como prometêramos, publicamos no Olhe Que Não a entrevista de fundo que Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nos concedeu há um mês, nas vésperas da greve geral de 24 de Novembro. Ao contrário do que então dissemos, acabámos por não dividir a entrevista em módulos. Fazêmo-la chegar ao leitor por inteiro, sem interrupções na sequência da leitura.

Periklis Pavlidis é professor assistente de Filosofia da Educação na Universidade Aristóteles, de Tessalónica. Cursou História na URSS, como aluno da MGU, tendo-se licenciado em 1991. Doutorou-se em 1994, na mesma Universidade, em Filosofia. É membro da International “Logic of History” School, centro internacional de estudos marxistas agrupado em torno da obra do filósofo soviético Viktor Vaziulin. Tem um livro publicado sobre o fenómeno da burocracia na URSS.

Frontal e directo, Periklis Pavlidis partilhou connosco as suas análises, opiniões e perspectivas, e a entrevista contém basto material para reflectir, meditar e discutir. É com essa esperança, a de que a reflexão e o debate continuem, que a deixamos ao dispor dos leitores. 

 

OLHE QUE NÃO – Descreve-nos a situação económica e social da Grécia neste último ano.

PERIKLIS PAVLIDIS – É uma situação que se caracteriza por uma rápida e profunda deterioração das condições de vida da grande maioria da população.

O gradual declínio da economia grega no quadro da União Europeia, devido à aguda competição com as economias mais fortes; a contracção do potencial produtivo do país; o enorme deficit comercial (em Agosto de 2010 chegou aos 14, 4 biliões de euros); a escandalosa política dos governos burgueses para fortalecer por via de programas financeiros os grandes negócios – tudo isto levou a um gigantesco aumento da dívida pública, a qual, a 31 de Dezembro de 2009, atingiu a soma de 298 524 milhões de euros, o que corresponde a 124,3% do PIB.

Devo acrescentar que já em Junho de 2010 a dívida pública atingiu o valor de 316 954 milhões de euros, e que, de acordo com a revista Economist, espera-se que chegue aos 150% do PIB em 2014.

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OUSADOS NO PENSAMENTO E NA ACÇÃO

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

«Pela ocasião da greve geral de 24 de Novembro em Portugal, desejo-vos, de todo o coração, que tenham um enorme sucesso, que seja o início de um nível novo de uma luta de classes decisiva no vosso país. A crise global do capitalismo, a miséria e o sofrimento de milhões de trabalhadores exigem que nos transcendamos a nós mesmos para nos tornarmos ousados no pensamento e na acção.

Envio aos camaradas em Portugal, ao povo em luta pelo mais nobre objectivo na história, em luta pela libertação do trabalho assalariado, pelo comunismo, os meus calorosos cumprimentos.».

Periklis Pavlidis

* O Olhe Que Não tem o privilégio de ter entrevistado Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nas vésperas da greve geral de amanhã. A entrevista dá-nos conta da aguda luta de classes em curso na Grécia desde há um ano. Pela extensão da entrevista, publicá-la-emos em vários módulos ao longo da próxima semana. O excerto acima transcrito corresponde às palavras finais que Periklis Pavlidis entendeu dirigir-nos.

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SABEDORIA GREGA (II)

Posted by J. Vasco em 18/05/2010

15 de Maio de 2010, Atenas.

A televisão não mostra, os jornais não falam. Avante, Grécia!

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SABEDORIA GREGA

Posted by J. Vasco em 17/05/2010

15 de Maio de 2010, Atenas.

A televisão não mostra, os jornais não falam. Avante, Grécia!

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LÁ DO ALTO DA ACRÓPOLE PARA O MUNDO

Posted by J. Vasco em 05/05/2010

«Em que relação se encontram os comunistas com os proletários em geral?

Os comunistas não são nenhum partido particular face aos outros partidos operários.

Não têm nenhuns interesses separados dos interesses do proletariado todo.

Não estabelecem nenhuns princípios particulares  segundo os quais queiram moldar o movimento proletário.

Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo facto de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo facto de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total.

Os comunistas são, pois, na prática [praktisch], o sector mais decidido, sempre impulsionador, dos partidos operários de todos os países; na teoria, eles têm, sobre a restante massa do proletariado, a vantagem da inteligência das condições, do curso e dos resultados gerais do movimento proletário.

O objectivo mais próximo dos comunistas é o mesmo do que o de todos os restantes partidos proletários: formação do proletariado em classe, derrubamento da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado.

As proposições teóricas dos comunistas não repousam de modo nenhum em ideias, em princípios, que foram inventados ou descobertos por este ou por aquele melhorador do mundo.

São apenas expressões gerais de relações efectivas de uma luta de classes que existe, de um movimento histórico que se processa diante dos nossos olhos.».

 

Karl Marx & Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista, 1848

 

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ASSIM (TAMBÉM) SE VÊ…

Posted by Patrícia B. em 05/05/2010

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OS PASSOS DE COELHONE PELA GRÉCIA

Posted by * em 02/05/2010

A receita “Pedro Passos Coelhone” já foi aplicada…

… na GRÉCIA!

Pode-se mesmo dizer que a actual crise grega é, em grande parte,o resultado da aplicação desta receita de neoliberalismo extremo, a mesma que a burguesia mais reaccionária pretende aplicar a Portugal.

O governo grego de direita de Costas Karamanlis, a “nova democracia”, partido-gémeo do PSD luso, privatizou, desde que assumiu o poder em 2004, tudo o que podia, deixando o Estado grego numa situação de penúria e sem almofadas económico-orçamentais para enfrentar qualquer crise (momento inevitável do funcionamento do sistema capitalista) que pudesse surgir. Trabalhou também arduamente para aumentar a precariedade laboral e diminuir os salários, o que se reflectiu numa retracção da capacidade de compra dos trabalhadores e na consequente deficiente realização das mercadorias produzidas. As grandes manifestações de 2008 ocorreram exactamente como reacção ao rebaixamento do tecto salarial dos funcionários públicos, às reformas nos sistemas de segurança social, etc.

O governo de socialista de direita, do PASOK George Papendreau, partido-gémeo do PS luso, que recebeu um Estado quase falido como herança dos compadres da Nova Democracia, lá vai seguindo os passos dos mais reaccionários, continuando a apostar exactamente no modelo que levou a Grécia à ruína.

Claro que a burguesia aproveita sempre a queda das suas vítimas para desferir os golpes mortais. Por isso, insiste que as privatizações e reformas neoliberais ainda deveriam ser mais abrangentes, que só bebendo o veneno até ao fim é que o doente ficaria mesmo curado.

Mas o que importa o destino dos povos? O que importa a vida dos que trabalham? O importante mesmo é que o carrasco a seguir, o PP-Coelhone, é jovem, diz coisas simpáticas, veste-se bem e até tem uns think tanks (agências de informações privadas, sob a capa de organizações de intervenção social) a trabalhar para ele, não é? Então vamos lá, cantando e rindo até à ruína final.

Posted in Grécia, PP Coelho | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »