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Archive for the ‘Álvaro Cunhal’ Category

UM SÁBIO JURISTA DA CONTRA-REVOLUÇÃO

Posted by J. Vasco em 19/02/2012

«Freitas do Amaral faz uma confissão esclarecedora: que, na hora H [do golpe spinolista de 28 de Setembro de 1974], foi ele quem redigiu o projecto de declaração de estado de sítio no distrito de Lisboa, tal como, na preparação do golpe Palma Carlos, fora ele com Veiga Simão quem elaborara o projecto de «Programa do Governo Provisório», que deveria ser imposto por Spínola ao novo Governo Provisório a formar após a vitória do golpe.

«Uma vez mais, no 28 de Setembro, Spínola teve em Freitas do Amaral qualificado e dedicado colaborador.

«Vejam-se estes sábios juristas da contra-revolução. A sabedoria com que invocam «o direito» e a «lei» para justificar a ilegalidade e o abuso do poder.

«Confissão feita. Registe-se.».

Álvaro Cunhal, A verdade e a mentira na revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se), p. 163.

É preciso ter memória. De delfim de Marcelo Caetano a sábio jurista da contra-revolução, Freitas do Amaral outra coisa não fez da sua vida que dar expressão político-institucional aos interesses do grande capital português. Conspirou com Sá-Carneiro, Soares e Spínola, disputou a organização do partido fascista com o PPD nos dias seguintes à revolução, sonhou com a ilegalização do PCP e da CGTP até 1986, quando concorreu às eleições presidenciais com uma base de apoio saudosa do 24 de Abril. Hoje, institucionalizada a contra-revolução, passeia-se pelos seus três partidos e procura uma coordenação ideológica para eles. Que é o mesmo que dizer: serve os mesmos interesses em condições históricas novas.

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93 ANOS DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO (III)

Posted by J. Vasco em 07/11/2010

«O século XX não foi o século do “fim do comunismo” (…), mas sim o século do “princípio do comunismo” como concretização e edificação de uma nova sociedade para o bem do ser humano».

 

Álvaro Cunhal, O Comunismo Hoje e Amanhã, Maio de 1993

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CINCO ANOS PASSADOS SOBRE A MORTE DE QUEM DEU NOME A ESTE BLOG (II)

Posted by J. Vasco em 13/06/2010

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CINCO ANOS PASSADOS SOBRE A MORTE DE QUEM DEU NOME A ESTE BLOG (I)

Posted by J. Vasco em 13/06/2010

  

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

 (ÁLVARO CUNHAL, 10 de Novembro de 1913-13 de Junho de 2005)

 

UMA CHAMA NÃO SE PRENDE 

rodeado de paredes
rodeadas de muros altos
que foram depois muralhas
um preso encarcerado
ao longo da terrível década de 50
inteira
Não cedeu.
 
 
 

 

Levado a tribunal
em 3 e 10 de Maio de 1950
só então fica a saber que Militão e Sofia
presos com ele torturados não «falaram»
não cederam E que esse grande patriota Militão
Ribeiro fazendo greve da fome foi morto
Perante o tribunal acusa os seus acusadores
Defende o seu Partido a sua acção
e a sua orientação política
 
 
 

 

Ponto a ponto responde às calúnias
que são os porcos argumentos do ódio
e do terror de estado Ponto a ponto
responde com o orgulho do homem livre
e o vigor da inteligência Responde por si
e pelos seus como quem acusa
e ameaça Ameaça o inimigo que o tem preso
Dos 11 anos seguidos, preso,
14 meses incomunicável,
8 anos em isolamento
E não cedeu Nunca cedeu
Agora na humidade salina da cela
contra o eco do estrondo do mar
que não esquece/e grita/contra a fortaleza
contra a corrente contínua dos dias e das noites
este homem livre é uma chama
uma lâmpara marina
 
 
 

 

Não cede lê e desenha lê
e estuda e escreve este homem livre
que está preso e é uma chama
açoitada pelo vento e pelo silêncio
numa cela
Não cede e escreve
A Questão Agrária
As lutas de classes em Portugal nos fins da Idade Média
e escreve uma tradução do Rei Lear
e escreve
Até Amanhã, camaradas
 
 
 

 

o homem livre encarcerado
fugiu enfim
colectivamente
a 3 de Janeiro de 1960
e nunca mais foi apanhado

 
 
 

 

Manuel Gusmão

   

(de «Três Curtos Discursos em Homenagem Póstuma a Álvaro Cunhal»)

 

poema retirado do Cravo de Abril

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POR MUITO ESCÂNDALO QUE PROVOQUE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

(Álvaro Cunhal)

 

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