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Archive for the ‘Líbia’ Category

OS BÁRBAROS PERDERAM A VERGONHA

Posted by qmiguel em 23/10/2011

Vivemos num contexto de agravamento das agressões imperialistas e do aprofundamento da militarização e destruição capitalista. O povo Líbio sofre hoje desse mesmo mal, amanhã outros se seguirão sobretudo no continente africano. A promessa de mudança que a eleição de Obama trouxe ao coração dos mais desatentos desvaneceu-se em pouco tempo, e este lidera mesmo uma intensificação brutal do domínio imperial e da proliferação do carácter bélico do mesmo. Nada disto é novo.

O meu ponto aqui prende-se com a forma e com a relação das acções militares bárbaras com os comuns dos mortais. Estas são agora mediadas por uma vanguarda de jornalistas e de meios de comunicação ao serviço dos mais pútridos interesses. De tal forma que o que ontem seria interdito hoje pode ser claramente dito à boca cheia. O jornal Libération revelou a já famosa “proposta” do Conselho Nacional de Transição ao estado francês, na qual em troca do apoio incondicional e permanente deste último ser-lhe-à oferecido nada mais do que o controlo de 35% da produção petrolífera do país. O que há alguns anos as fileiras anti-imperialistas tentavam demonstrar acerca da guerra do Iraque (para não recuarmos mais que isso) e que os escribas pró-americanos negavam a pé juntos faz hoje a capa dos jornais, não como polémica, mas como normalidade.

A questão assume contornos ainda mais assustadores quando o secretário de estado do comércio francês Pierre Lelouche decide apaparicar algumas dezenas de grandes empresários franceses e levá-los numa visita de estudo (económico, claro) a uma Líbia em guerra. A função era, claro está, fazer com que estes partícipassem na “reconstrução” daquele país, curiosamente destruído em grande parte por forças militares que dependem do seu colega de governo do ministério da defesa. Curiosas lógicas. Mas num clima de austeridade como o que começa a ser imposto pelo governo francês, em que não podemos contratar professores e em que os operários terão de aceitar ser explorados por mais alguns bons anos antes de se poderem reformar, a questão levantada pelos meios de comunicação não se prende com a justeza da guerra, com o sofrimento do povo Líbio, nem tão pouco com as consequências que as medidas de austeridade terão sobre o povo francês, a questão que a imprensa francesa levantou prende-se com o enorme esforço financeiro que a intervenção “humanitária” na Líbia representou para o orçamento do estado francês. Face a este muy liberal questionamento o ministro francês da defesa Alain Juppé (este sim, carrasco de facto do povo Líbio) não esteve por menos e retorquiu: “A intervenção francesa na Líbia é um investimento no futuro”. As baixas civis, a bárbara intromissão num país alheio e a miséria de um povo são para o governo francês um investimento no futuro. . . Nada nos poderia ajudar a provar mais facilmente o carácter destrutivo do modo de produção capitalista. Em nome dos mais universais valores chacinam-se os mais concretos seres humanos. As mãos dos governantes capitalistas (portugueses incluídos) estão hoje como no passado manchadas do mais real sangue humano. A diferença é que hoje querem que aceitemos isso, querem poder mostrar-nos os cadáveres das suas presas nas primeiras páginas dos jornais, e que aceitemos os seus motivos, os seus “investimentos no futuro” como algo de razoável. A exploração capitalista está cada vez mais comprometida com a aniquilação da Humanidade.

 

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EM WASHINGTON, EM BRUXELAS E NAS MAIS IMPORTANTES CAPITAIS OCIDENTAIS

Posted by J. Vasco em 10/10/2011

Bombardeamentos «democráticos» da NATO sobre hospitais líbios. Em nome da «democracia», dos «direitos humanos» e da «liberdade». Do «modo de vida ocidental». Com a cumplicidade da social-democracia europeia e do jornalismo «livre e independente».

 

«Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime o seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 («O conflito das faculdades»), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando diz: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efectivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.».

Domenico Losurdo, Sete pontos acerca da Líbia

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A LÍBIA E O BE

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

A Líbia é desde há cinco meses palco de mais uma guerra colonial do imperialismo que conta com a participação da república portuguesa. A marinha de guerra britânica, a aviação da NATO (no futuro próximo, as tropas terrestres francesas, alemãs e americanas), levam diariamente o inferno ao território líbio. O saque das ricas jazidas petrolíferas é o objectivo primordial do imperialismo, objectivo esse embrulhado óbvia e docemente na operação mediática do costume que visa iludir os mesmos do costume: levar a «democracia» à Líbia, acabar com as violações dos direitos humanos, blá-blá-blá.

A Líbia está a ferro e fogo. As infra-estruturas económicas e os equipamentos sociais do país são alvo de destruição diária. Os bombardeamentos da NATO abatem-se cruelmente sobre as ruas de Tripoli e provocam indiscriminadamente vítimas civis. É a lei da bomba que vigora. Os chamados «rebeldes» são afinal forças políticas muito heterogéneas, onde predominam os monárquicos de extrema-direita que pretendem recuar socialmente mais de um século. As jazidas de petróleo de Benghazi estão à guarda, desde o começo, da marinha de guerra britânica e de empresas ocidentais. A negociata precisa de ser salva.

Tudo isto era claro desde o início, mas hoje já não oferece dúvidas a ninguém. O Bloco de Esquerda votou esta moção no Parlamento Europeu, a qual, na prática, abriu as portas à intervenção da NATO na Líbia. Os seus dirigentes de topo têm-se mortificado publicamente pela recusa de reunirem com a troika antes das eleições. Uma posição política correcta é abjurada por supostamente ter prejudicado o score eleitoral do Bloco. Então e a esquerda, pá? Aliás, é impressão minha ou esse exercício público de abjuração nunca foi até agora aplicado à vergonhosa moção sobre a Líbia que aprovaram no Parlamento Europeu? Bloco: então e a esquerda, pá? 

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