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Archive for the ‘Idealismo Alemão’ Category

SOBRE O GRANDE IDEALISMO ALEMÃO

Posted by J. Vasco em 23/10/2010

Foi dado à estampa, há cerca de um ano, este interessantíssimo estudo do académico grego Nectarios Limnatis, radicado nos EUA, sobre o idealismo alemão.

O livro intitula-se «German Idealism And The Problem Of Knowledge», e acompanha, do ponto de vista lógico e no plano histórico, a passagem do idealismo subjectivo de Kant ao idealismo objectivo de Hegel.

Nectarios Limnatis oferece-nos uma bem fundamentada análise, quase sempre elaborada em filigrana, das filosofias de Kant, de Fichte, de Schelling e de Hegel. Tem o enorme mérito de mostrar os vínculos necessários (não-arbitrários) que as relacionam, que as estruturam e que possibilitam o desenvolvimento e a transformação de umas nas outras, ou melhor: a transformação do idealismo kantiano no idealismo de Hegel.

O caminho não estava fatalmente determinado à partida. Mas o pôr em marcha certos aspectos da doutrina de Kant, não poderia, nem no plano lógico nem no plano histórico, ter outro desfecho que o sistema hegeliano. Hegel levou o idealismo ao seu limite máximo, nele integrando como seu momento dialéctico a própria objectividade material.

Clique aqui para ter acesso ao livro.

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DO USO PRÓPRIO DA RAZÃO

Posted by J. Vasco em 20/09/2010

«A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtarir-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame».

(Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura, Fundação Calouste Gulbenkian, p. 5)

Dizia Hegel que, sem Espinosa, não havia filosofia.

Podemos também dizer que, sem Kant (1724-1804), não pode haver filosofia.

Kant é o grande filósofo da revolução francesa. No seu cantinho de Königsberg, acompanhava os acontecimentos gauleses com entusiasmo, pois identificava no sucesso da grande revolução burguesa do século XVIII o progresso da humanidade, o progresso da razão.

Vejam o excerto citado. Como é fácil, hoje, dizer que tudo se deve submeter à crítica, como é ocioso afirmar que é a razão – e não qualquer poder externo a ela (o governante, o cura, o síndico) – que deve comandar o viver humano e enformar as relações comunitárias. Se hoje é assim – na altura não o era: que é isso, senhor filósofo, de querer transformar o mundo e a vida a partir de um fundamento racional? Há, a demonstrar o contrário, todo o peso da tradição já provada pela experiência, que tão boas mostras de dar conta do recado tem dado…

Kant é hoje «ensinado» (tanto no ensino secundário, como nas universidades), expurgado da corrente viva do seu pensamento. Apresentam-no como se de uma morta e apodrecida terceira via, entre o «empirismo» e o «racionalismo», se tratasse. Embotam-lhe o gume crítico e o núcleo revolucionário.

Porém, o mais dramático, por parte desses «professores», é papaguearem frases grandíloquas sobre o uso próprio da razão, mas matarem à nascença, nos seus alunos, qualquer semente de espírito crítico que principie a assomar. Proclamam-se kantianos, mas praticam a idolatria.

Os argumentos e as opiniões valem pelo seu conteúdo, pelo bem fundado do seu teor, pela adequação que carreiam em relação à realidade objectiva – e nunca pelos pergaminhos, por mais imponentes que pareçam, de quem os manifesta e de quem as expende.  

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HEGEL E A ONTOLOGIA

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

    

Para o grande público, José Barata-Moura é sobretudo um grande autor e intérprete de canções infantis que atravessam gerações, um cantor de intervenção, ou ainda o ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Menos conhecida desse grande público é a sua continuada, profunda, finíssima e a vários títulos fecunda reflexão filosófica. Ora, sem nenhum grão de exagero e sem nenhum tipo de favor, deve dizer-se que José Barata-Moura é o maior filósofo português, sendo simultaneamente um pensador de craveira mundial.

A sua obra alargou-se agora um pouco mais. Há cerca de um mês foi dada à estampa esta pérola em forma de livrinho: «Estudos sobre a ontologia de Hegel – Ser, Verdade, Contradição»

Por partir de supostos trans-hegelianos, o livro permite, a um tempo, uma penetração enriquecida na dinâmica da filosofia de Hegel e uma recuperação materialista do núcleo racional (a dialéctica) do seu pensamento. Na linha geral que atravessa a obra, há toda uma preocupação por parte de José Barata-Moura de destacar em Hegel a ocupação com «aquilo que é», afinal com aquilo mesmo de que a ontologia trata.

Logo na Introdução, diz-nos José Barata-Moura ao que vem:

«[…] Cada capítulo deste livro forma por si uma unidade. No entanto, as temáticas que se entrecruzam permitem, porventura, divisar, no seu conjunto, uma tentativa de penetração no que se me afiguram ser traços marcantes da ontologia de Hegel – isto é, do respondimento que ele pensa para a pergunta fundadora: que é «aquilo que é»? […]»

Boa leitura.

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