OLHE QUE NÃO

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Posts Tagged ‘luta dos trabalhadores’

CÃES DE GUARDA

Posted by qmiguel em 05/12/2012

caesdeguarda

São estes que aparecem na fotografia mas há centenas deles espalhados por  essas redações, estúdios de televisão, universidades… Servem para te explicar que a exploração não só é aceitável como é mesmo inevitável, e que nenhuma sociedade se poderá construir sem que alguém acumule o trabalho que outro produziu. Servem para deturpar a história, para a reinventar, para a contorcer até caber na narrativa oficial do sistema. Servem para que os capitalistas possam dormir descansados, para que amanhã te explorem de novo, para que não chegue até quem trabalha uma mensagem de luta por um mundo mais justo. Dependem directamente de quem te explora e de quem te oprime, devem a esses a sua sobrevivência, e são esses que defendem. Provavelmente nunca antes em democracia houve uma tal hegemonia ideológica dos meios de produção e difusão do conhecimento e da opinião como hoje.

Hoje eles vão dormir descansados, e quem fica com o fruto do teu trabalho vai dormir mais descansado porque eles existem.

E tu como vais dormir hoje?

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PODEROSA

Posted by J. Vasco em 16/11/2012

É preciso sublinhar e divulgar este facto da maneira mais veemente: ontem, os trabalhadores realizaram a maior e mais poderosa greve geral dos últimos 20 anos.

No sector privado, por exemplo, houve importantes avanços em termos de número de grevistas e de elevação da consciência social e política dos trabalhadores. Tudo isto foi feito com enormes doses de coragem, de camaradagem e de capacidade de organização. Um trabalho aturado, difícil e paciente (nalguns casos, de anos e anos) que os media do regime e a opinião que deles depende (ambos dominantes) se esforçam por desprezar, abafar e esconder.

O alto significado político desta greve geral também ficou patente nas concentrações, desfiles e manifestações que se realizaram por todo o país, incluindo nas ilhas, e que contaram com uma forte mobilização dos trabalhadores.

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SHOTGUNS, ROTTWEILLERS E GÁS PIMENTA

Posted by J. Vasco em 15/11/2012

Há uma violência de que nunca se fala: a violência exercida sobre os piquetes de greve.

Ela dá-se pela calada da noite e pela madrugada fora, enquanto muitos dormem os seus soninhos de anjo e outros projectam em blogs e afins a «revolução sem burocratas» que virá. Ela exerce-se impunemente longe das câmaras de televisão e do olhar atento de comentadores e analistas. Percebe-se porquê. Ela recai sobre essa coisa pouco interessante, a classe trabalhadora, que alguns garantiam que já não existia, que «os critérios jornalísticos» não cobrem e que o bom filisteu despreza e odeia. Pior: nos piquetes encontram-se os mais desprezíveis elementos da classe trabalhadora: os sindicalizados. Assim sendo, como pode esta violência incomodar o bom coração que vive em paz com a sua consciência?

Na Vimeca, a carga a quatro tempos sobre o piquete impediu-o de contactar os trabalhadores, que é o seu objectivo, previsto de resto na própria lei. Na primeira investida policial, a chefe da PSP Célia Gomes (a senhora fez questão de anunciar ao piquete que não era uma «simples agente», mas sim uma «chefe») ripa do seu cassetete e, envergando-o ao contrário, desfere com a zona metálica do punho um golpe na cabeça de um jovem elemento do piquete de greve. Foi chamada uma ambulância ao local, o jovem dirigiu-se ao hospital para receber tratamento e apresentou queixa da agente da polícia. Há um tempo, no Chiado, um gesto idêntico fez cair uma jornalista por terra. Nessa ocasião, um coro de indignação fez-se sentir – e bem. Mas quando a repressão sobre os piquetes acontece – tudo tranquilo.

Depois de mais três cargas (uma delas atingiu também o deputado Bruno Dias, do PCP), o piquete de greve não esmoreceu e acabou por se sentar em frente do portão das instalações da Vimeca. A linha policial aí formada continuava a impedir o contacto com os trabalhadores da empresa.

Foram então chamados reforços. Um piquete de cerca de 50 pessoas foi brindado com 10 carrinhas do corpo de intervenção cheias de robotcops e rottweillers. Havia snippers empunhando shotguns. Este dispositivo impressionante para um grupo de 50 pessoas é eloquente e fala por si. Na manifestação de 15 de Setembro – a dos abraços à polícia -, para uma Avenida de Berna a abarrotar e uma Praça de Espanha bem compostinha havia 6 carrinhas destas. O que é que incomoda a sério o sistema?

O piquete foi cercado por todos os lados e, presa de tão violento aparato, obrigado, contra a lei, a desmobilizar. Concertados com os patrões da Vimeca, os membros do corpo de intervenção, de shotgun em punho e rottweillers pela trela, fizeram escoar a saída de autocarros por um portão dos fundos das instalações da empresa. A lei foi abertamente violada, mas o domínio do capital escorreitamente garantido. É o que interessa. A negociata precisa de ser salva. (Há duas semanas, registe-se, já tinha acontecido isto).

Por fim, um dos membros do corpo de intervenção, quando as pessoas já se encontravam nas respectivas viaturas para abandonar o local, saca de um frasquinho de gás pimenta e despeja-o sobre os olhos de um jovem que tinha integrado o piquete de greve. Sem qualquer explicação. Furtou-se a ser identificado, mas a presença de um advogado da CGTP obrigou a que o chefe da força policial facultasse o nome do herói.

Ontem, este tipo de situações, com maior ou menor variação, repetiu-se de norte a sul (na Pampilhosa, por exemplo, o piquete de greve foi recebido a tiro pela GNR; num dos piquetes da Carris, um trabalhador foi detido pela polícia, etc, etc, etc). Poucos parecem interessados nisto. Mas é todo este conjunto de ameaças, perigos e obstáculos que os trabalhadores, quando se levantam numa luta, têm de enfrentar. Ameças, perigos e obstáculos silenciados por uns e ignorados por muitos. A greve geral de 14 de Novembro foi um enorme momento de luta dos trabalhadores. A sua coragem, abnegação e capacidade de organização foram decisivas. Outros momentos, mais fortes ainda, se seguirão.

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A HORA É DE LUTA

Posted by J. Vasco em 13/11/2012

 

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NÃO VAI FALTAR CORAGEM

Posted by J. Vasco em 13/11/2012

 

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NEM UMA SÓ ENGRENAGEM

Posted by J. Vasco em 13/11/2012

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À GREVE, COM CORAGEM!

Posted by J. Vasco em 13/11/2012

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ESTE NÃO É O ORÇAMENTO DE QUEM TRABALHA

Posted by qmiguel em 31/10/2012

Porque este não é o orçamento de quem trabalha.

Porque o aprovam mostrando que não têm respeito por qualquer principio democrático.

Porque fogem dos trabalhadores como do diabo da cruz.

Porque te fazem a vida num inferno.

Porque esta crise não é a tua.

Porque vão buscar aos teus bolsos o dinheiro para os cofres da banca.

Porque urge rasgar o pacto de agressão e tomar em nossas mãos o rumo das nossas vidas.

Porque só na rua se pode travar esta política.

Porque te obrigam a pagar a crise do capital.

Porque podemos acabar com a exploração.

Porque o capitalismo não é reformável.

Porque não há bandeira sem luta, dia 14 a greve é a tua arma.

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A RUA DO CONSUMO CRUZA SEMPRE COM A AVENIDA DA PRODUÇÃO

Posted by qmiguel em 24/10/2012

       Chegado ao fim do meu trajecto nos transportes subo para respirar a manhã da cidade em ebulição. Uma esquina, ora outra, e deparo-me então com uma multidão ordeira disposta numa fila que se estendia por um quarteirão inteiro. Do outro lado da estrada um grupo diferente protestava contrastando com a ordem da fila disposta à sua frente. Como as minhas manhãs são de difícil acesso, sobretudo para o meu cérebro, procuro compreender calmamente o porquê de tamanha agitação. Facilmente num golpe de vista identifico um signo que me é familiar: Apple; faço mais um esforço e começo a notar na composição social dos indivíduos que compõem a fila: claramente abastados, jovens dinâmicos “futuros empreendedores” penso eu para mim mesmo porque as minhas manhãs são também o território preferido dos meus preconceitos. Entre os dinâmicos futuros jovens empreendedores consigo distinguir, a espaços, alguns sem-abrigo: uma especialidade que nos é oferecida pela burguesia parisiense. Trabalho então com três contradições ao mesmo tempo, demasiado para a minha mente ainda anestesiada. Começo a ouvir as reivindicações dos que, do outro lado, protestam, já circundados pela muy cortês Companhia Republicana de Segurança (CRS). A maioria dos que se encontram na fila procuram ignorar o protesto, alguns esboçam um insulto que não consigo perceber claramente.

           Chego-me então perto dos que compoêm a fila junto à porta, sobretudo porque me estão mais próximos mas também porque os simpáticos polícias tornam já mais dificil o contacto com os manifestantes. Entre muita roupa de marca e a vontade febril de surfar na crista da onda da sociedade de consumo (?) dizem-me não compreender o porquê da manifestação, nem de que se trata, nem porque estariam ali neste dia. Entretanto como vou acordando já consigo ouvir as renvindicações dos manifestantes e mais importante compreender o que reclamam: trabalho. São antigos empregados da Apple vítimas de uma qualquer “reestruturação” desse templo da inovação (?), afinal “re-inventar a nossa forma de viver” deve ter danos colaterais deste tipo. A fila dos consumidores libidinais essa continua serena, só não consigo perceber o porquê destes contarem entre as suas fileiras com um número considerável de sem-abrigo, desta vez não me vou contentar com uma evasiva e abordo um deles: diz-me que foram pagos para estarem ali, que estão apenas a guardar lugar para consumidores retardatários que asseguraram desta maneira um lugar na fila. “Quão mais libidinal pode ser o consumo?”, pergunto-me. Bem me parecia que o poder de compra dos sem-abrigos não ia a par com as ambições comerciais da Apple, afinal “reinventar a forma como vivemos” sim, tudo bem, mas não para todos. Enojado cruzo a estrada aproximo-me dos manifestantes, grito-lhes qualquer coisa que os encoraje e sigo porque já estou atrasado para outras lutas.

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NA TROMBA DOS BUFOS

Posted by J. Vasco em 13/10/2012

 

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A TERRA TREME

Posted by J. Vasco em 30/09/2012

Lisboa, 29 de Setembro de 2012

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SÁBADO: TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR AO TERREIRO DO PAÇO

Posted by J. Vasco em 27/09/2012

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WILL NEVER WALK ALONE

Posted by J. Vasco em 27/09/2012

ESTOCOLMO

BILBAO

GOTEMBURGO

 

Pela Europa fora, os estivadores fizeram paralisações e manifestações de solidariedade com os seus camaradas portugueses que, sofrendo pressões e ameaças diárias, travam uma corajosa greve contra a privatização e a destruição do sector portuário. Uma bofetada na cara de todos os filisteus bem pensantes que sopram aos quatro ventos que a dimensão internacional da luta só existe por obra e graça dos «movimentos sociais».

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INTRODUÇÃO DO MARXISMO EM PORTUGAL

Posted by J. Vasco em 27/09/2012

O Grupo de Estudos Marxistas, em parceria com a Biblioteca-Museu República e Resistência, organiza durante o mês de Outubro um ciclo de conferências sobre a introdução do marxismo em Portugal. As sessões realizam-se todas as segundas-feiras entre 1 e 22 de Outubro, às 18h30. A entrada é livre. No Espaço Grandella, Estrada de Benfica, 419.

PROGRAMA:

1ª sessão – 1 de Outubro. Manuel Dias Duarte – «Das origens ao início dos anos 20».

2ª sessão – 8 de Outubro. João Arsénio Nunes – «Carlos Rates e Bento Gonçalves»;
                                     Domingos Abrantes – «Dos anos 30 em diante».

3ª sessão – 15 de Outubro. Manuel Dias Duarte – «Bento de Jesus Caraça».

4ª sessão – 22 de Outubro. Carlos Bastien – «Armando Castro».

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O GOVERNO MENTE

Posted by J. Vasco em 25/09/2012

CGTP-IN ESCLARECE INTERPRETAÇÃO RELATIVA AOS CORTES DOS SUBSÍDIOS

«As recentes declarações, designadamente do Primeiro-ministro, sobre algumas medidas em discussão na reunião de ontem do Conselho Permanente de Concertação Social, terão provocado alguns erros de interpretação junto da população, que aliás têm solicitado junto da central os respectivos esclarecimentos, considerando por isso a CGTP-IN pertinente e relevante esclarecer.

O Governo está a fazer um jogo de palavras para enganar os portugueses aos quais roubou os subsídios de férias e de natal de 2012.

Quando fala em devolver o Governo mente, porque não vai devolver coisa nenhuma.

O que quer dizer é, simplesmente, que em 2013, pretende sonegar um subsídio, dos dois que tinha decidido retirar e o Tribunal Constitucional anulou por inconstitucionalidade.

Em circunstância alguma o Governo prevê devolver, de facto, os valores roubados aos referidos cidadãos.

Esta é a conclusão da CGTP-IN, pelo que consideramos uma afronta aos trabalhadores que o Governo se permita, a propósito de uma matéria sensível e vital, lançar a confusão e criar falsas expectativas junto dos trabalhadores, reformados e pensionistas, atingidos por tal medida no corrente ano.

O Governo deve esclarecer de forma rigorosa esta questão e abster-se de tais manipulações na tentativa de suavizar as medidas que se prepara para impor nos próximos tempos».

 

DIF/CGTP-IN
Lisboa, 25.09.2012

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DESCER OS SALÁRIOS – SEJA POR QUE VIA FOR

Posted by J. Vasco em 23/09/2012

Rui Baptista e seus muchachos começaram cedo o trabalho de sapa no interior das salas de São Bento: o protesto «dos portugueses» dirigir-se-ia afinal, única e exclusivamente, às alterações avançadas pelo governo à TSU. Mais nada. O primeiro-ministro, como não é «cego» nem «surdo», saberia por isso «calibrar» e «modelar» esta medida, senão mesmo abdicar dela, e o mundo poderia voltar, logo a seguir, a ser belo e límpido como dantes. Os sósias do Baptista nas televisões, nas rádios e nos jornais apressaram-se a replicar a converseta, e hoje a imprensa garante-nos a pés juntos que foi passada uma «certidão de óbito» às alterações na TSU.

As mentiras não acabam, é o que se conclui.

As medidas do governo em relação à TSU, diga-se preto no branco, não receberam «certidão de óbito» coisa nenhuma. Estão vivas e para durar – se nós não as derrotarmos. Elas vigorarão, imponentes e poderosas, nas «empresas que criem novos empregos», ou seja, os trabalhadores contratados para novos postos de trabalho, para além dos cortes nos salários e nos subsídios que vão sofrer, descontarão mais 7% para a segurança social. Na verdade, a mexida na TSU é um antiquíssimo sonho da burguesia, especialmente vindo ao de cima (com indisfarçada excitação) durante a última campanha eleitoral. Com efeito, o significado das recentes escaramuçazitas entre a burguesia exportadora e a burguesia mais dependente do mercado interno não pode ser nem exagerado, nem absolutizado. Elas são somente momentos de disputa inter-burguesa pela apropriação e pela distribuição da mais-valia produzida pelos trabalhadores. Não mais do que isso. Ao mesmo tempo, a mascarada serviu às mil maravilhas aos capitalistas para vituperar, mais uma vez, «os políticos», cavalgando a onda de protestos e criando a imagem de que também eles são atingidos pela política («incompetente») do governo. O estado como aparelho ao serviço de uma classe permanece assim, para a grande maioria, longe da vista.

Por outro lado, o governo não recuou um milímetro que fosse no seu objectivo principal: a descida dos salários, seja por que via for. É esse o grande alvo da burguesia e é nisso que estão apostadas as troikas – a caseira e a internacional. Depois de 30 anos de desindustrialização, o país não tem uma base produtiva onde se possam incorporar inovações tecnológicas. É neste quadro que a sucção de mais-valia é feita assentar na descida  dos salários dos trabalhadores, na retirada de direitos fundamentais e no aumento dos horários e do número de dias de trabalho. Resumindo: no aumento da exploração.

Só a luta dos trabalhadores poderá inverter o cenário que está montado. E ela vai crescer, intensificar-se e ganhar força. Até se tornar imparável. Até se tornar invencível.

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QUE NINGUÉM FIQUE EM CASA

Posted by ines f. em 18/06/2012

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GRÉCIA: O CAMINHO É E NÃO É SEMPRE EM FRENTE

Posted by qmiguel em 05/06/2012

Dentro de alguns dias a Grécia vai a votos. Que podemos esperar? É anunciada a vitória do Syriza, isto é da franja mais radical da Social-Democracia grega que a pulso toma o lugar do Pasok e recompõe as forças de governação da esquerda do sistema (capitalista). Não é portanto de espantar que tenha vindo a lume que uma antiga ministra da economia do Pasok (sim de um governo Papandreou) se tenha aliado ao Syriza. São pormenores, mas são pormenores que contam: esta última foi responsável pelo primeiro plano de austeridade (de 2009 se não estou em erro). O que esperar desta Social-Democracia recomposta? é difícil antever algo mais que capitulação face aos fundamentos ideológicos que regem a Europa. Membro do Partido de Esquerda Europeu o Syriza tem vindo a demonstrar uma hostilidade crescente para com o KKE (Partido Comunista Grego) e para com as forças progressistas que procuram fazer frente às forças do capital europeu e grego. Poderão objectar que não: que esta esquerda dita radical está apostada em defender os interesses dos trabalhadores e do povo grego, que as esperanças depositadas num governo do Syriza são justificadas e que a política será necessariamente anti-austeridade e anti-troika. A questão que se impõe então é até onde estão prontos a ir? A dúvida legítima impõe-se, ela também: será que um partido como o Syriza, que apoia os fundamentos desta construção europeia, a mesma construção que permitiu o ascendente do capital europeu, a consequente repressão e austeridade que a classe trabalhadora e os povos hoje sofrem, terá como prioridade fundamental os interesses mais profundos da classe trabalhadora, ou capitulará perante os fundamentos da construção com a qual está (e quer estar) comprometido? Basta pensar que a não rejeição do MES manieta a política econômica e financeira de qualquer governo grego, basta lembrar que formações que compõem o Syriza apoiam o tratado de Maastricht etc… As prioridades parecem estar bem estabelecidas se atendermos à hostilidade desta formação para com o KKE e à proximidade  crescente que vai ganhando com a burguesia (grande) grega. A vontade de formar um governo verdadeiramente patriótico e progressista não parece ser uma realidade (até pelo presente envenenado que lançou na direção do seu pretenso aliado). Querer “salvar a Europa” é tão megalômano como abstractamente bonito, mas a questão é: Salvar a Europa para quem? Uma crítica cuidada da construção europeia faz qualquer um chegar à conclusão de quando a social-democracia grega diz que quer salvar a Europa o que está realmente a dizer é que quer salvar o sistema do capitalismo europeu tal como o conhecemos. Este processo de “salvamento” reveste-se é sabido, tanto de ganhos pontuais para os trabalhadores (que, enquadrados devidamente, nunca são de desprezar) como de ganhos estruturais para os capitalistas. Em última a análise estarão dispostos a sacrificar os interesses dos trabalhadores gregos para “salvar” a Europa ( isto é o sistema do capitalismo). A verdade é que politicamente o Syriza concorre para salvar o sistema capitalista (em geral, mas também na sua declinação particular actual – aliança da burguesia grega com a burguesia europeia). A questão que sobra é: quanto tempo até o povo grego ver deitadas por terra as suas ilusões de uma superação peremptória da actual situação política e econômica ?  Em nada as eleições de domingo serão um corolário concreto, elas são apenas mais uma etapa na luta do povo grego.

Passemos ao KKE, partido que tem sido alvo da fúria de toda a burguesia europeia, da calunia de todos os meios de comunicação, e do desdém de todo e qualquer intelectual pequeno-burguês encantado com a perspectiva auto-ilusória de uma reforma (isto é de que tudo mude para que no fundo os fundamentos e o rumo concreto não mude). O porquê de tais pruridos é facilmente explicável pela influência deste junto da classe trabalhadora grega e pelo seu já heroico papel na resistência face às actuais políticas.  A unidade é, e será certamente, a tarefa que se impõe neste momento ao KKE, trazer a unidade o que pode ser trazido e combater aquilo que fizer frente aos interesses profundos dos trabalhadores gregos respondendo concretamente aos desafios das novas realidades que se-lhe vão abrindo a cada momento. Sem ganhar a confiança dos trabalhadores e do povo grego, sem que estes vejam nele uma formação responsável capaz de caminhar ao lado da classe trabalhadora e de elevar a sua consciência, sem o esforço profundo de construção de tal unidade nenhuma solução é possível. Os comunistas gregos terão de estar à altura da complexidade dos acontecimentos. Os meandros da táctica podem facilmente fazer ruir a estratégia. Mais do que ninguém estes estarão conscientes dos problemas e das condições concretas da tarefa que se lhes apresenta e não se nos configura prescrever receitas abstractas e polidas para a sua luta. Se a táctica é questionável a estratégia é firme e a solidariedade é um dever. De uma coisa podemos ter a certeza: nenhuma solução transformadora é possível para a Grécia sem o KKE, tão simplesmente porque nenhuma solução é possível fora da luta de massas. Ser solidário também é confiar que os comunistas gregos encontrarão o seu caminho e imprimirão à sua luta a direcção necessária para a superação da actual crise. 

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26 DE MAIO: CONSTRUIR UMA MURALHA DE AÇO CONTRA A TROIKA

Posted by J. Vasco em 20/05/2012

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LONGE DA VISTA

Posted by J. Vasco em 24/03/2012

 

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MUITO ANTES DE SUBIR AO CHIADO

Posted by J. Vasco em 24/03/2012

Os principais meios de comunicação social, mesmo contra a sua vontade, não puderam deixar de difundir a repugnante carga policial fascista do Chiado. Mas esforçaram-se, do mesmo passo, por circunscrever o dia de greve geral (e a brutal repressão que sobre ele recaiu) à manada de robocops que investiu Chiado acima, atingindo tudo o que mexesse. A pequena burguesia intelectualizada suspirou, lamentou os acontecimentos e a seguir indignou-se. Afinal de contas, isto é uma perturbação da «democracia». É preciso corrigir os «excessos» e regressar à «ordem natural das coisas», a ordem que sobre nós reina: os trabalhadores que vendam a sua força de trabalho e os capitalistas que se apropriem da mais-valia sob a forma de lucro.

E no entanto, lá onde a exploração pulsa na sua face mais crua, lá onde o afrontamento entre exploradores e explorados se dá corpo a corpo, lá onde a coragem e a solidariedade não são palavras ocas mas forças sociais em acção, imperou no dia 22 de Março a violência mais brutal, mais impiedosa e não menos sistemática. Longe dos holofotes e fora da consideração da opinião «bem pensante», os piquetes de greve, de Norte a Sul do país, provaram mais uma vez o inconfundível sabor do estado de excepção.

As forças policiais actuaram na luta de classes como aquilo que são: um braço armado da burguesia. Violando a lei da greve, impediram que os piquetes contactassem os trabalhadores e carregaram sobre eles sempre que um amarelo decidia furar a greve. Em cada caso, actuaram abertamente segundo os interesses das administrações das empresas. (Cada trabalhador e sindicalista que integra um piquete de greve tem uma noção mil vezes mais nítida do carácter do Estado como aparelho de repressão de uma classe sobre outras do que o mais distinto dos professores universitários que enche centos de páginas com ficções acerca do Estado enquanto «organizador do bem comum»).

No piquete de greve da Vimeca, em Queluz de Baixo, um dos polícias, quando confrontado com a violação da lei a que estava a proceder, saiu-se com uma tirada que veríamos ser politicamente racionalizada pelo deputado fascista João Almeida, do CDS, na Assembleia da República: estava ali a proteger a «liberdade de quem queria trabalhar». Ao início da madrugada, um polícia da mesma força que actuou na Vimeca dirigiu-se a duas jovens do piquete de greve, para começo de conversa, prometendo-lhes umas bastonadas lá para o meio da noite. O mesmo polícia, em tom de ódio, disse que as pessoas que compunham o piquete não estavam a fazer mais do que «figurinhas». O ódio e a provocação sucediam-se. O oficial que dirigia as forças policiais fez-se acompanhar de um pingalim que brandia de cada vez que tartamudeava as orientações dos capatazes da administração da empresa. Os mesmos capatazes da administração, de resto, que tinham o seu piquete anti-greve montado à entrada das instalações e que o utilizavam como arma de condicionamento dos trabalhadores com o apoio da polícia.

A força policial, em conluio com os patrões da Vimeca, instalou-se no local muito antes da chegada do piquete, com o objectivo de impedir a sua formação. Transportaram grades para os portões e queriam colocar as pessoas atrás delas. A resistência do piquete travou esse objectivo. O cordão policial, finalmente, passou a noite a investir sobre o piquete de greve.

É este o regime em que vivemos. Foi assim, mais uma vez, de Norte a Sul.

Milhares de homens e mulheres lutam com coragem, determinação e inteligência. Não merecem as preocupações do filisteu «bem pensante» nem a atenção dos meios de comunicação, ainda que sejam eles quem mais sofre na pele a violência burguesa. Mas estão lá. Sempre. E dão a conhecer aos trabalhadores toda a sua força, quando se juntam e organizam. Dão corpo à luta mais bela de todas: a luta pela emancipação humana, pelo fim da exploração capitalista. Porque sabem que o fascismo é uma toupeira que sobe à superfície, enfrentam-no no local mesmo em que a essência do capitalismo se determina. Enfrentam-no, com todos os custos que isso acarreta, cá em baixo, muito antes de ele subir ao Chiado.

Central da Vimeca, Queluz de Baixo, 22 de Março de 2012

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NÃO DEIXES QUE TE PAPEM. LUTA

Posted by J. Vasco em 21/03/2012

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PARA ALÉM DO MEDO

Posted by J. Vasco em 21/03/2012

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FAZER FRENTE

Posted by J. Vasco em 21/03/2012

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A GREVE É GERAL

Posted by qmiguel em 18/03/2012

Existe um momento em que temos de tomar o nosso futuro nas nossas mãos. Não “vamos” à greve, construímo-la pela nossa luta, no nosso local de trabalho.  A greve é geral e são os trabalhadores como eu e tu que a fazem:

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O FMI NÃO MANDA AQUI

Posted by J. Vasco em 19/02/2012

Passos Coelho em Gouveia - NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA

O betinho do Coelho, paladino da extorsão da mais-valia, apostado em infernizar a vida de milhões de trabalhadores para garantir o sagrado lucro do patronato, foi recebido com vaias em Gouveia, que volta às suas fortes tradições de luta dos anos 30 e 40 do século passado. «O FMI não manda aqui», gritaram os manifestantes, compostos por trabalhadores e sindicalistas da Citroën de Mangualde, membros das comissões de utentes contra o pagamento das portagens e massas populares atingidas pelas políticas neoliberais.

É preciso receber esta gente desta forma, onde quer que vá. Não lhes dar um minuto de descanso, sequer. É preciso fortalecer os protestos e ampliá-los. A luta vai continuar e vai crescer.

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TERREIRO DO PAÇO, TERREIRO DO POVO (II)

Posted by J. Vasco em 10/02/2012

É JÁ AMANHÃ: MANIFESTAÇÃO NACIONAL, 15H, NO TERREIRO DO POVO

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TERREIRO DO PAÇO, TERREIRO DO POVO

Posted by J. Vasco em 08/02/2012

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XII CONGRESSO DA CGTP

Posted by J. Vasco em 27/01/2012

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(Clicar na imagem para acompanhar os trabalhos do congresso em directo)

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A PRODUTIVIDADE, ORA AÍ ESTÁ…

Posted by qmiguel em 17/01/2012

Aí está a “prenda no sapatinho” do capital. Como se nos tempos que correm fosse coisa que rareasse. A musica acaba e as tombam as mascaras: um trabalhador deve dispor do mínimo poder possível sobre a sua vida, não servisse a sua existência apenas para que lhe seja sugado o fruto do seu trabalho.

Férias é coisa para quem dispõe de capital, para os proprietários, esses sim poderão ser livres, cada vez mais livre de sugar o trabalho alheio. Uma jorna organizada onde  procuramos encaixar, entre as fatigantes horas de exploração, um tempinho para estarmos com os nossos é coisa  que não deve depender de quem trabalha para que outro amealhe.  Afinal só precisamos de descansar para “recuperar física e psicologicamente” para que amanhã, ou dentro de 5 minutos, a exploração possa continuar.

Pois sim terão por certo todos os direitos formais, até o de dizer que não, mas nunca em conjunto digamos que de uma forma mais “dinâmica” através de “estruturas para o efeito”, até porque o direito ao seu posto de trabalho passa a estar dependente do mero e unilateral apetite do patrão, que terá apenas que formalmente explicar de que forma alguém é inadaptado, isto quando não lhe apetecer simplesmente extinguir o posto de trabalho em questão (até porque já pode haver outro de “conteúdo funcional idêntico”), nada que nos preocupe pois haverá sempre um “critério relevante”. O “critério relevante”, “estruturas representativas”, “dinamização”, são as novas denominações da mais pura repressão social.  Estamos todos às ordens e a lei é conforme…

Total liberdade, mas liberdade para despedir, para reprimir, para explorar. Nenhuma liberdade para quem produz. Em nome de uma crise para a qual o sistema capitalista não oferece nenhuma possibilidade de superação.

Hoje mais que ontem, uma barricada só tem dois lados.

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA” (II)

Posted by qmiguel em 11/12/2011

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LUMINOSA

Posted by J. Vasco em 23/11/2011

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A FORÇA DA GREVE GERAL

Posted by J. Vasco em 23/11/2011

 

ACOMPANHA, DIVULGA, PARTICIPA.

(clicar na imagem)

 

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TODOS AOS PIQUETES!

Posted by J. Vasco em 18/11/2011

Gerd Arntz Web Archive, por amabilidade do Pedro Pousada, há um ano

 

Retomam-se aqui as palavras de há um ano:

«Os piquetes de greve são elementos fundamentais da luta dos trabalhadores contra a repressão e contra os boicotes dos amarelos. São escolas de resistência e de organização. Terão nas lutas futuras um papel cada vez mais decisivo. E, senhores burgueses e respectivos lacaios (fardados ou não), podeis tremer: os piquetes alargar-se-ão amplamente, multiplicar-se-ão, consolidar-se-ão e fortalecer-se-ão. Até à vitória final».

 

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ABRE OS OLHOS E OLHA, ABRE OS BRAÇOS E LUTA

Posted by J. Vasco em 18/11/2011

 

A burguesia bem tenta que assim não seja. Tenta por todos os meios. As televisões não passam, os jornais não falam, a universidade dá alento a «sociólogos» marca Villaverde Cabral que decretaram o fim da classe operária nos anos 80 e que propõem o fim do 1º de Maio no ano de 2011.  Mas a verdade é que os trabalhadores levantam-se, organizam-se e lutam. A verdade é que as organizações de classe dos trabalhadores – perseverantes, actuantes, firmes, com saber histórico e ligação às massas – reúnem, debatem, esclarecem e mobilizam. E não desfalecem. E não desistem. E organizam.

A greve geral é a força dos trabalhadores. É a demonstração de que não são objectos passivos, às ordens do capital, mas sujeitos conscientes capazes de se emanciparem (e com eles a humanidade) e de determinarem a história.

VIVA A GREVE GERAL! 

 

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O PESO MORTO DA HISTÓRIA

Posted by J. Vasco em 30/10/2011

«Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, cobardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história.»

(CONTINUAR A LER AQUI)

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NOS 140 ANOS DA COMUNA DE PARIS

Posted by qmiguel em 23/10/2011

No ano em que se comemora os 140 anos da comuna de paris não poderiamos passar sem deixar a nossa homenagem a este acontecimento maior da história da humanidade.

“Os princípios da comuna são eternos e não podem ser destruídos. Eles ressurgirão sempre de novo até que a classe operária se emancipe.” K.Marx

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QUANTO MAIS CALADO MAIS ROUBADO

Posted by J. Vasco em 16/10/2011

Os capitalistas exploram-te até ao tutano.

O governo e os comentadores a soldo enxovalham-te por cima e dizem que és de brandos costumes e mansinho. Que vais aceitar tudo a bem dos mercados.

Acorda. Agarra a história. Constrói o futuro.

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DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Posted by J. Vasco em 16/10/2011

Que é uma época histórica?

É a tendência essencial de uma etapa do processo histórico. Como tendência, contém em si os elementos que a retardam, contrariam e impedem de se desenvolver. A sua efectivação histórica, por conseguinte, não tem um arco temporal definido à partida. Depende de condições objectivas e da prática social total. Depende dos choques de classe que se dão na sociedade. A época histórica é mesmo composta por momentos que se movem em sentido oposto à sua direcção essencial. A história é isso: o ritmo e o movimento dessas contradições.

O momento de reacção que vivemos está integrado num quadro geral de maior fôlego: a época das revoluções proletárias, da passagem revolucionária do capitalismo ao socialismo. Sem ter presentes estas coordenadas estruturantes e essenciais, não será possível compreender adequadamente os tempos que atravessamos. A burguesia, em crise económica mas senhora do domínio político, pretende desesperadamente retardar, contrariar e se possível impedir a consumação da tendência essencial da nossa época histórica.

Novas camadas sociais e novos sujeitos políticos chegam à luta. Falsos trabalhadores «independentes», atomizados pelo pós-fordismo e pela sua ideologia; camadas intermédias das chamadas profissões liberais; intelectuais atirados para a precariedade – sentem na pele os efeitos do sistema e começam a acordar de um longo sono paralisante para a vida política. Chegam com inúmeras ilusões e debilidades políticas, sem hábitos de organização colectiva e com preconceitos arreigados contra a «política». O seu ódio à organização colectiva e aos partidos funda-se no enquadramento atomizado do seu mundo laboral. Sabem o que não querem, mas falece-lhes uma perspectiva histórica determinada. A noção de época histórica está ausente do seu horizonte.

É da maior importância que se mantenham na luta e que radicalizem o protesto.

Simultaneamente, porém, é necessário dizer que os limites históricos da sua acção e dos seus objectivos são cada vez mais nítidos. A «espontaneidade», o apartidarismo e a ausência de objectivos históricos determinados levam a becos sem saída e a uma consequente neutralização do movimento. A falta de organizações revolucionárias implantadas na estrutura produtiva (núcleo da exploração capitalista) e a inorganicidade dos movimentos políticos não permitem dar consequência e consumação às tendências históricas de uma época.

O principal mérito histórico das organizações revolucionárias de classe dos trabalhadores portugueses foi a consciência histórica de que deram mostras ao longo do tempo. Sabendo que a história avança por saltos, não ignoram que a preparação para tais saltos é prolongada e exige corredores de fundo. Se nos reportarmos aos últimos 35 anos, precisamos de reconhecer que souberam manter o navio no meio das maiores tempestades (nacionais e internacionais). Legam às gerações vindouras um solo firme para enraizarem a luta e boas perspectivas de a desenvolver.

É esse o caminho, ontem como hoje: organizar a luta e ter presente a época histórica que atravessamos. Construir um longo processo de resistência e preparar os novos saltos.

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ESTADO DE EXCEPÇÃO

Posted by J. Vasco em 15/10/2011

A decisão do juiz do Tribunal do Comércio de Lisboa, datada de 11 de Outubro, dizia isto, preto no branco: «determino a suspensão da liquidação e partilha até à realização da assembleia de credores designada para o próximo dia 5.12.2011. Notifique, sendo desde já e pelo meio mais expedito o Sr. Administrador da Insolvência». Estas frases, na prática, permitiam a viabilização da TNC, pela qual os trabalhadores da empresa travam uma dura e prolongada luta desde o início do verão passado.

 No dia seguinte, o «Sr. Administrador da Insolvência», supõe-se que notificado «pelo meio mais expedito», convocou 200 agentes da PSP, 10 carrinhas e 8 reboques (tudo pertencente à polícia), dirigiu-se ao Campus da Justiça no Parque das Nações, onde os trabalhadores em luta haviam estacionado 40 camiões da empresa, e mandou-os rebocar. Tudo isto pela calada da noite, à 1 hora da manhã. Logo depois, a operação patronal conduzida pelas «forças da ordem» rumou às instalações da TNC em Alverca e roubou todo o material da empresa.

É a isto que os ideólogos do sistema e os seus papagaios chamam o «estado de direito democrático». Os trabalhadores conscientes, esses, conhecem-no bem: é o permanente «estado de excepção» que a burguesia, através do seu Estado de classe, decreta e lhes impõe diariamente. Ao longo de 36 anos de contra-revolução a cantiga não tem sido outra. Na Lisnave, na Sorefame ou nos milhares de empresas pilhadas e a seguir encerradas pelos vários «Sr. Administrador da Insolvência».

Em todos estes processos, quem lá esteve sempre, de dia e de noite, à chuva, ao frio e ao sol; quem animou cada uma dessas lutas; quem apanhou os cacos, cerrou fileiras e organizou a resistência – foram os militantes comunistas: trabalhadores dessas empresas, dirigentes sindicais ou moradores nas regiões. É uma história de tenacidade que os órgãos de comunicação escondem e querem calar. É uma história de fraternidade e de camaradagem de que qualquer filisteu (encontre-se ele num retiro ecológico-espiritual no campo ou mergulhado na frenética vida intelectual da academia) nunca sequer ouviu falar. É uma história que explica a imorredoura implantação do PCP no seio da classe operária.

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QUANDO O POVO SE LEVANTA

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

 

No Cartaxo, os yuppies do PS, de braço dado com os do PSD, preparam há vários anos a privatização da água, em nome, como sempre, da «modernidade e da democracia». Neste quadro, decidiram aumentar sucessivamente as tarifas da água por um período de 35 anos. Porém, aquilo que mais temem e mais odeiam, a iniciativa popular, desta vez estragou-lhes os planos. A força do povo obrigou o executivo municipal dos yuppies a admitir publicamente rever os tarifários da água. De rabinho entre as pernas, claro, mas com a farronca própria de quem está ao serviço das classes dominantes.

 

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PIC-NIC CONTRA A PRECARIEDADE

Posted by J. Vasco em 08/07/2011

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A LUTA CONTINUA

Posted by J. Vasco em 23/06/2011

Cerca de 700 operários dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo participaram ontem no mais concorrido plenário dos últimos anos. Estão em causa 380 despedimentos decididos pela administração e a subsequente precarização dos postos de trabalho que sobrarem com a privatização da empresa. As sub-contratações tratarão do resto e atirarão os trabalhadores direitinhos para o século XIX. É isto que o capitalismo tem para oferecer: miséria e exploração. Para responder à situação, o plenário decidiu marcar uma greve para o próximo dia 29. Os trabalhadores mostram-se dispostos a lutar e a comissão de trabalhadores prometeu que «as coisas não vão ficar assim».

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TEMPOS QUE VÊM

Posted by J. Vasco em 18/06/2011

Une Chambre en Ville, 1982, Realização: Jacques Demy

A troika externa e a troika interna vão mover-nos uma guerra sem quartel nos tempos próximos. A resposta à pergunta «quem ganha a quem?» não está dada à partida, nem escrita nas estrelas. Cabe-nos cerrar fileiras, usar a inteligência, ter coragem, e lutar. Para que os tempos que vêm não sejam das troikas, mas sejam nossos.

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AO ZÉ, AO PEDRO E AO PAULO

Posted by J. Vasco em 01/06/2011

Por Rafael Fortes, em A Ira dos Mansos.

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DE CRIADOS DOMÉSTICOS A TRABALHADORES ASSALARIADOS

Posted by J. Vasco em 15/05/2011

Divulguem e apareçam!

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PRIMEIRO DE MAIO (III)

Posted by J. Vasco em 01/05/2011

«Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! Um homem só não vale nada! Ouve-se como que um gemido soltado por dezenas de bocas, e os camponeses atiram-se para diante.»

Manuel da Fonseca, Seara de Vento

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PRIMEIRO DE MAIO (II)

Posted by J. Vasco em 01/05/2011

Diego Rivera, Desfile do 1º de Maio em Moscovo, 1956

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QUE MENTIA, MENTIA, MENTIA

Posted by J. Vasco em 11/02/2011

«Estive toda a noite com os camaradas ferroviários, numa estação do Rossio praticamente deserta. A partir das 22h30 não circularam comboios, das 5h00 às 9h00 só cerca de metade dos mínimos, com uma adesão esmagadora. Uma noite entremeada com muitas gargalhadas, enquanto iamos vendo as notícias que davam na televisão que mentia, mentia, mentia. Enfim. Uma grande luta. Que vai continuar!»

Manuel Gouveia, via Facebook

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LUTA DE MASSAS, CULTO DA ESPONTANEIDADE E NECESSIDADE DE ORGANIZAÇÕES REVOLUCIONÁRIAS. BREVE APONTAMENTO SOBRE O EGIPTO

Posted by J. Vasco em 02/02/2011

As primeiras palavras deste post são dirigidas ao heróico povo trabalhador do Egipto. A última semana demonstrou toda a sua coragem, bravura e iniciativa histórica.

O incêndio revolucionário que percorreu o Magrebe coloca África no palco do século XXI. É bom que os mais distraídos, para não mencionar sequer os inveterados eurocêntricos, apetrechem as suas perspectivas estratégicas com o poderoso e nascente movimento social do martirizado continente africano. Ele terá um papel decisivo nas vagas revolucionárias do futuro.

É também de saudar, no quadro em curso, a luta específica das mulheres magrebinas, que começam a trazer para a ribalta as suas reivindicações e que engrossam as fileiras da luta mais geral contra a tirania.

Os acontecimentos do norte de África e de parte do Médio Oriente, se outros exemplos faltassem, colocam na ordem do dia a perspectiva fundamental de que é a luta de massas – uma luta gigantesca, movida por milhões de indivíduos e pelo embate de classes – que decide do avanço ou do retrocesso históricos. Senhor Fukuyama: fim da história é a tua tia, pá!  

Dito isto, interessa também referir que os acontecimentos do Magrebe levantam duas outras candentes questões, que se articulam e intersectam: a espontaneidade das massas e a organização revolucionária. Mais precisamente demonstram à saciedade que sem a presença e sem o enraizamento social de uma organização revolucionária forte e lúcida, a espontaneidade e o heroísmo das massas são conduzidos para um beco sem saída e facilmente domesticáveis pelas diversas correntes do «partido da ordem».

Neste momento, os EUA apostam, simultaneamente, em dois cavalos. No sempre fiel Mubarak, paixão antiga; e no não menos fiel Baradei, parceiro de muitas ocasiões. Sem uma organização revolucionária apta a dirigir as transformações necessárias e possíveis, sem um partido revolucionário apetrechado de teoria e de força social prática – é de temer que a luta do povo egípcio acabe encarrulada pelos dois cavalos americanos, próceres da exploração capitalista.

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