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Archive for the ‘Bloco de Esquerda’ Category

A LÍBIA E O BE

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

A Líbia é desde há cinco meses palco de mais uma guerra colonial do imperialismo que conta com a participação da república portuguesa. A marinha de guerra britânica, a aviação da NATO (no futuro próximo, as tropas terrestres francesas, alemãs e americanas), levam diariamente o inferno ao território líbio. O saque das ricas jazidas petrolíferas é o objectivo primordial do imperialismo, objectivo esse embrulhado óbvia e docemente na operação mediática do costume que visa iludir os mesmos do costume: levar a «democracia» à Líbia, acabar com as violações dos direitos humanos, blá-blá-blá.

A Líbia está a ferro e fogo. As infra-estruturas económicas e os equipamentos sociais do país são alvo de destruição diária. Os bombardeamentos da NATO abatem-se cruelmente sobre as ruas de Tripoli e provocam indiscriminadamente vítimas civis. É a lei da bomba que vigora. Os chamados «rebeldes» são afinal forças políticas muito heterogéneas, onde predominam os monárquicos de extrema-direita que pretendem recuar socialmente mais de um século. As jazidas de petróleo de Benghazi estão à guarda, desde o começo, da marinha de guerra britânica e de empresas ocidentais. A negociata precisa de ser salva.

Tudo isto era claro desde o início, mas hoje já não oferece dúvidas a ninguém. O Bloco de Esquerda votou esta moção no Parlamento Europeu, a qual, na prática, abriu as portas à intervenção da NATO na Líbia. Os seus dirigentes de topo têm-se mortificado publicamente pela recusa de reunirem com a troika antes das eleições. Uma posição política correcta é abjurada por supostamente ter prejudicado o score eleitoral do Bloco. Então e a esquerda, pá? Aliás, é impressão minha ou esse exercício público de abjuração nunca foi até agora aplicado à vergonhosa moção sobre a Líbia que aprovaram no Parlamento Europeu? Bloco: então e a esquerda, pá? 

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O “EFEITO SOARES”

Posted by * em 22/06/2011

Chamaremos “EFEITO SOARES” à situação de quem, como Mário Soares, é levado aos ombros pelas classes dominantes e, de repente, perde esse apoio devido a outros valores “mais altos se alevantarem” para quem deu o apoio. Durante a maré alta, quando tudo são elogios e elogios, inebriados com o apoio, levados em ombros, os apoiados pensam que se elevam com a sua própria força e a força da sua própria importância. Cessado o apoio, há uma queda inesperada e um travo amargo de “injustiça”. Mário Soares sentiu isso nas presidenciais em que participou: o “herói de Carlucci”, afinal, já tinha cumprido o seu papel e não mais era necessário. O Bloco de Esquerda, pese todo o respeito que possamos ter para com uma força de esquerda, e sem querer exagerar na comparação com o desprezível Mário Soares, também experimentou o “EFEITO SOARES” nas últimas eleições.

O BE foi apaparicado durante todos estes anos, numa tentativa de diminuir a força da esquerda revolucionária, o PCP. Tendo o intento dado frutos mais do que mirrados e estando em causa interesses maiores, a comunicação social burguesa começou a dar menos publicidade à esquerda caviar. Assim que viu diminuir um pouco este apoio, eis que o BE despenca do altar. Agora, o BE está numa encruzilhada: para colocar as coisas nos termos em que o próprio Francisco Louçã as colocou, tem de escolher entre princípios e votos. Mas o bloco já se acostumou aos votos e chora tanto os votos perdidos que, como disse Francisco Louça com palavras ligeiramente menos directas, se hoje o BE tivesse de escolher entre princípios e votos, teria visto muito do que fez “com outros olhos”: em vez de manter os princípios (malditos princípios que levaram à perda de votos), iria ao encontro do seu eleitorado e dos queridos votos fugidios.

O BE é um saco de gatos, com várias tendências que se mostram coesas enquanto tudo vai bem e se engalfinham assim que a maré de votos desce. A tendência social-democrata burguesa ganha força dentro do partido. No momento em que há que escolher entre princípios e votos, o BE prepara-se para dar um abraço ainda mais apertado à social-democracia burguesa, um abraço que, em parte, é já um abraço que o BE dá a si próprio.

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