OLHE QUE NÃO

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ENTREVISTA A PERIKLIS PAVLIDIS

Posted by J. Vasco em 29/12/2010

Como prometêramos, publicamos no Olhe Que Não a entrevista de fundo que Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nos concedeu há um mês, nas vésperas da greve geral de 24 de Novembro. Ao contrário do que então dissemos, acabámos por não dividir a entrevista em módulos. Fazêmo-la chegar ao leitor por inteiro, sem interrupções na sequência da leitura.

Periklis Pavlidis é professor assistente de Filosofia da Educação na Universidade Aristóteles, de Tessalónica. Cursou História na URSS, como aluno da MGU, tendo-se licenciado em 1991. Doutorou-se em 1994, na mesma Universidade, em Filosofia. É membro da International “Logic of History” School, centro internacional de estudos marxistas agrupado em torno da obra do filósofo soviético Viktor Vaziulin. Tem um livro publicado sobre o fenómeno da burocracia na URSS.

Frontal e directo, Periklis Pavlidis partilhou connosco as suas análises, opiniões e perspectivas, e a entrevista contém basto material para reflectir, meditar e discutir. É com essa esperança, a de que a reflexão e o debate continuem, que a deixamos ao dispor dos leitores. 

 

OLHE QUE NÃO – Descreve-nos a situação económica e social da Grécia neste último ano.

PERIKLIS PAVLIDIS – É uma situação que se caracteriza por uma rápida e profunda deterioração das condições de vida da grande maioria da população.

O gradual declínio da economia grega no quadro da União Europeia, devido à aguda competição com as economias mais fortes; a contracção do potencial produtivo do país; o enorme deficit comercial (em Agosto de 2010 chegou aos 14, 4 biliões de euros); a escandalosa política dos governos burgueses para fortalecer por via de programas financeiros os grandes negócios – tudo isto levou a um gigantesco aumento da dívida pública, a qual, a 31 de Dezembro de 2009, atingiu a soma de 298 524 milhões de euros, o que corresponde a 124,3% do PIB.

Devo acrescentar que já em Junho de 2010 a dívida pública atingiu o valor de 316 954 milhões de euros, e que, de acordo com a revista Economist, espera-se que chegue aos 150% do PIB em 2014.

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«VAI SER UMA GRANDE LUTA»

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

A entrevista de hoje, véspera da greve geral, é com José Reizinho, coordenador da comissão de trabalhadores da CP. Oferecemos aos nossos leitores mais um retrato de uma grande empresa de transportes, desta feita de dimensão nacional. Apresentando especificidades, não deixa no entanto de ser atravessada pelos efeitos nefastos da agressiva política de recuperação capitalista que atinge todos os sectores de actividade.

José Reizinho demonstra uma consciência aguda da necessidade de aprofundar os laços de classe entre os trabalhadores. As lutas futuras, duras e prolongadas, assim o exigem. 

  

OLHE QUE NÃO – No quadro geral do agravamento das condições de vida dos trabalhadores portugueses, qual é a situação particular da CP?

JOSÉ REIZINHO – Na minha perspectiva, para caracterizar a situação actual da CP é necessário recuar alguns anos e apreender a política de privatização gradual da empresa que tem vindo a ser seguida.

OLHE QUE NÃO – Essa política de privatização agravou-se recentemente?

JOSÉ REIZINHO – Sim, sim. A pretexto da crise financeira deram-se decisivos passos em direcção à privatização do transporte ferroviário. Invocando sempre «a crise» e «as dificuldades económicas», criaram-se condições a vários níveis para essa privatização.

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OUSADOS NO PENSAMENTO E NA ACÇÃO

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

«Pela ocasião da greve geral de 24 de Novembro em Portugal, desejo-vos, de todo o coração, que tenham um enorme sucesso, que seja o início de um nível novo de uma luta de classes decisiva no vosso país. A crise global do capitalismo, a miséria e o sofrimento de milhões de trabalhadores exigem que nos transcendamos a nós mesmos para nos tornarmos ousados no pensamento e na acção.

Envio aos camaradas em Portugal, ao povo em luta pelo mais nobre objectivo na história, em luta pela libertação do trabalho assalariado, pelo comunismo, os meus calorosos cumprimentos.».

Periklis Pavlidis

* O Olhe Que Não tem o privilégio de ter entrevistado Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nas vésperas da greve geral de amanhã. A entrevista dá-nos conta da aguda luta de classes em curso na Grécia desde há um ano. Pela extensão da entrevista, publicá-la-emos em vários módulos ao longo da próxima semana. O excerto acima transcrito corresponde às palavras finais que Periklis Pavlidis entendeu dirigir-nos.

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«UM GANHO PRECIOSO NA CONSCIÊNCIA DE CLASSE DOS TRABALHADORES DA CARRIS E NA SUA CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO PARA AS LUTAS FUTURAS»

Posted by J. Vasco em 20/11/2010

Manuel Leal é membro do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), ambas estruturas filiadas na CGTP, e responsável pela acção sindical na Carris, mais uma das grandes empresas de transporte urbano da área metropolitana de Lisboa.

A entrevista que concedeu ao Olhe Que Não, em vésperas da greve geral de dia 24 de Novembro, prima pela clareza e pelo profundo conhecimento de que dá mostras da realidade da vida laboral na Carris. Vale a pena acompanhar as suas análises, assim como, a partir da experiência recente na Carris, é imperioso atentar seriamente na importância que Manuel Leal atribui à elevação da consciência política e de classe dos trabalhadores: «este nível de consciência que os trabalhadores ganharam parece-nos ser um ganho enorme em termos do presente e em termos do futuro»

OLHE QUE NÃO – Para o dia 24 de Novembro está marcada uma greve geral. Face à situação da Carris, quais são os motivos desta greve na empresa? Como se posiciona o STRUP em relação a ela?

MANUEL LEAL – Antes de mais, penso que vale a pena referir que o desencadear da actual ofensiva contra os trabalhadores a nível nacional, e por tabela contra os trabalhadores da Carris, veio confirmar as posições sucessivas de denúncia, feitas por nós ao longo dos anos, da acção dos sindicatos da UGT,  secundados pelos chamados sindicatos independentes.

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«OS TRABALHADORES ESTÃO UNIDOS E DISPONÍVEIS PARA A LUTA»

Posted by J. Vasco em 18/11/2010

O Olhe Que Não dá hoje início a uma série de entrevistas com dirigentes sindicais e membros de comissões de trabalhadores, que se encontram, neste momento, em intensa fase de preparação da greve geral do próximo dia 24 de Novembro. Para além da participação dos editores do blog, enquanto trabalhadores, na greve, decidiram eles contribuir também para o sucesso dessa grande luta dando voz aos seus mais destacados construtores, que, de resto, sentem e vivem no dia a dia o pulsar real do movimento.

Para conhecermos de mais perto as dinâmicas que o atravessam e que o estruturam, ficamos de seguida com as palavras e as reflexões de Jorge Alves, elemento da comissão de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, como se sabe uma das mais importantes empresas de transportes da malha urbana e suburbana de Lisboa.

 

OLHE QUE NÃO – No âmbito da presente ofensiva geral contra os trabalhadores, plasmada nas várias versões do PEC e na aprovação do OE para 2011, de que forma são e serão afectados especificamente os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa?

JORGE ALVES – Os trabalhadores da nossa empresa, tal como de todas as outras do sector empresarial do estado, sofrem um impacto financeiro muito pesado, quer nos salários, quer nos subsídios de refeição, quer nos abonos de trabalho nocturno. Isto para além do que acontece a todos os outros trabalhadores com o aumento do IVA, da inflação e do IRS.

Dos cortes directos no vencimento e nos subsídios, estimamos que em média os trabalhadores da nossa empresa são roubados em mais de 18%.

Quanto a uma outra importante questão, temos vindo a alertar para que, do ponto de vista dos princípios, esta medida é uma clara violação do direito à livre negociação e à autonomia de cada empresa. Note-se que o salário que temos hoje não foi tirado a ninguém, resulta de uma negociação em que a empresa e os sindicatos acordaram que para um conjunto de tarefas e responsabilidades que os trabalhadores têm merecem em contrapartida uma remuneração determinada, que agora unilateralmente querem alterar.

Reparemos que nos tiram no salário, mas mantêm todas as tarefas e responsabilidades que temos.

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