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O IMPERIALISMO EXPLICADO POR KÖHLER

Posted by J. Vasco em 14/06/2010

Esta obra, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, escrita em 1916 e publicada pela primeira vez em 1917, está para a ciência social e política como a teoria da relatividade está para a física, o evolucionismo para a biologia, a Crítica da Razão Pura para a filosofia, ou o D. Quixote para a literatura. Sem o seu estudo é hoje impossível compreender de forma adequada o desenvolvimento concreto da sociedade capitalista.

O presidente da Alemanha, Horst Köhler, decidiu a semana passada, numa entrevista, falar abertamente sobre a ordem burguesa que nos reina. Escutemos as suas preciosas palavras: «A minha opinião é de que, em geral, estamos a caminho de compreender, mesmo de forma ampla na sociedade, que um país com a dimensão do nosso [a Alemanha], orientado para o comércio externo, e por isso também dependente do comércio externo, tem de estar ciente de que, em caso de dúvida, de emergência, uma intervenção militar é também necessária para defender os nossos interesses. Por exemplo, para defender rotas comerciais ou impedir focos de instabilidade regional, que seguramente teriam impacto negativo no comércio, nos postos de trabalho e nos rendimentos».

Köhler aprendeu bem a lúcida lição do general Clausewitz: «a guerra é a continuação da política por outros meios». Mas fundamentalmente pôs a nu uma evidência que o discurso dominante se esforça, a todo o transe, por encobrir: as guerras na era do imperialismo são guerras de saque, guerras de pilhagem dos recursos dos povos do planeta, levadas a cabo pelas burguesias mais poderosas do mundo (simultaneamente, em competição e em concertação). As invasões do Iraque e do Afeganistão, por exemplo, aí estão, diariamente, a atestá-lo.

Consta que os colegas políticos do presidente se sentiram em apuros com este deslize (como dizia alguém, «verdades que doem como murros»). Afinal, é sempre perigoso, ainda que em condensado e em linguagem pouco científica, é verdade, estimular inadvertidamente o interesse dos cidadãos pela obra referida no começo deste post. Sabe-se lá se o diabo não irá tecê-las.

Fiquemos, porém, tranquilos. O discurso hipócrita das «intervenções humanitárias», da «difusão da democracia» e do «combate ao terrorismo» segue dentro de momentos. Numa universidade perto de si, numa livraria já ali à esquina, no quiosque de jornais à sua beira, na televisão da sua sala. 

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