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LUTA DE MASSAS, CULTO DA ESPONTANEIDADE E NECESSIDADE DE ORGANIZAÇÕES REVOLUCIONÁRIAS. BREVE APONTAMENTO SOBRE O EGIPTO

Posted by J. Vasco em 02/02/2011

As primeiras palavras deste post são dirigidas ao heróico povo trabalhador do Egipto. A última semana demonstrou toda a sua coragem, bravura e iniciativa histórica.

O incêndio revolucionário que percorreu o Magrebe coloca África no palco do século XXI. É bom que os mais distraídos, para não mencionar sequer os inveterados eurocêntricos, apetrechem as suas perspectivas estratégicas com o poderoso e nascente movimento social do martirizado continente africano. Ele terá um papel decisivo nas vagas revolucionárias do futuro.

É também de saudar, no quadro em curso, a luta específica das mulheres magrebinas, que começam a trazer para a ribalta as suas reivindicações e que engrossam as fileiras da luta mais geral contra a tirania.

Os acontecimentos do norte de África e de parte do Médio Oriente, se outros exemplos faltassem, colocam na ordem do dia a perspectiva fundamental de que é a luta de massas – uma luta gigantesca, movida por milhões de indivíduos e pelo embate de classes – que decide do avanço ou do retrocesso históricos. Senhor Fukuyama: fim da história é a tua tia, pá!  

Dito isto, interessa também referir que os acontecimentos do Magrebe levantam duas outras candentes questões, que se articulam e intersectam: a espontaneidade das massas e a organização revolucionária. Mais precisamente demonstram à saciedade que sem a presença e sem o enraizamento social de uma organização revolucionária forte e lúcida, a espontaneidade e o heroísmo das massas são conduzidos para um beco sem saída e facilmente domesticáveis pelas diversas correntes do «partido da ordem».

Neste momento, os EUA apostam, simultaneamente, em dois cavalos. No sempre fiel Mubarak, paixão antiga; e no não menos fiel Baradei, parceiro de muitas ocasiões. Sem uma organização revolucionária apta a dirigir as transformações necessárias e possíveis, sem um partido revolucionário apetrechado de teoria e de força social prática – é de temer que a luta do povo egípcio acabe encarrulada pelos dois cavalos americanos, próceres da exploração capitalista.

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