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Archive for the ‘Barata-Moura’ Category

TOTALIDADE E CONTRADIÇÃO

Posted by J. Vasco em 01/06/2012

Imprescindível livro de José Barata-Moura sobre a dialéctica, saído há apenas dois meses. Trata-se da edição revista e aumentada da 1ª edição publicada em 1977.

Muito ao jeito de um idealismo subjectivo com sedimentado e longo curso, há quem reduza a dialéctica a um equipamento cognoscitivo de organização sofisticada do acontecer histórico e social. Uma concepção mais rica, mais concreta e mais dialéctica da própria dialéctica obriga no entanto a considerar o problema de um outro modo (materialista). Como nos mostra José Barata-Moura, a dialéctica é um processo real, um processo de compreensão e um processo de actuação. Sendo que não se trata aqui de compartimentos estanques que se relacionam externamente, mas de um totalidade concreta e contraditória que tem como condição e como campo de acolhimento a objectividade material.

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O NEGÓCIO DA CARIDADEZINHA

Posted by J. Vasco em 20/11/2011

 

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou em Vila Real, neste sábado, que o Governo vai devolver às misericórdias os hospitais públicos que foram nacionalizados depois do 25 de Abril de 1974».

via Público

 

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LÉNINE E A FILOSOFIA

Posted by J. Vasco em 15/11/2011

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PÉROLAS AO AR

Posted by * em 19/12/2010

 

No último Prós e Contras, lá estava a Fátima Campos Ferreira como sempre a tentar conduzir o debate como educadora que põe ordem numa sala de jardim de infância,  “- comportem-se meninos e aprendam telespectadores” (mas ela não é sempre assim, por vezes até se eleva ao nível de professora primária e, dedo em riste, dá raspanetes e “ensina” verdades inolvidável aos telespectadorzinhos);

Estavam presentes o Mister Common Sense (António Barreto) e José Barata-Moura, para além de José Policarpo (que, de modo servil e humilhante, adoram chamar de “Dom”) e Adriano Moreira. E um detalhe mostrou, de modo cristalino, a diferença entre António Barreto, preso a um empirismo rasteiro, sem profundidade nenhuma, que somente se eleva do senso comum ao senso comum, e José Barata-Moura, pessoa inteligente e profunda.

Estava mais uma vez o António Barreto a perorar as verdades lidas de terceiros e mil vezes repetidas, usando o cérebro (sim, deve tê-lo) apenas como correia de transmissão das infindavelmente repetidas ideias dos exploradores, sem o mínimo de reflexão crítica e o segundo, Barata-Moura, alguém que tenta apreender os fenómenos de modo crítico e autónomo, a mostrar como se usa o cérebro para verdadeiramente pensar. Repetia/dizia o António Barreto: não se deve criticar os exploradores nem os especuladores, a culpa é do povo, permitiu que o governo gastasse com o Estado Social, que se endividou, etc, etc e… quem deve, teme(deixando no ar a ideia de que é necessário acabar com o estado social e é necessário explorar mais os trabalhadores, que vivem uma vida de luxo e opulência, e ajudar mais um pouco os coitadinhos dos banqueiros e especuladores financeiros, os capitalistas e quejandos);

Já Barata-Moura levantava questões como: mas quais são as verdadeiras causas da crise? não terá a ver com o capitalismo e com o neo-liberalismo, que tão ordeiramente muitos seguem (como António Barreto)? Será que o endividamento deve ser analisado em abstracto, endividamento em geral? O endividamento pode ser uma necessidade para a captação de fundos necessários ao desenvolvimento económico… ou apenas ser usado para ajudar mais os exploradores e promover a dependência do país. Em relação ao taxativo e palerma “quem deve, teme!” do Mister Common Sense, responde Barata-Moura algo do género: quem teme, deve! Ou seja, é mais importante dizer que devemos por temer do que dizer que tememos por estar a dever!Ninguém entendeu! Não entendeu a professora primária, não entendeu o Mister Common Sense. Lá ficaram as pérolas a pairar no ar e as requentadas ideias de senso comum voltaram, tranquilamente a dominar. Não é fácil ser inteligente e profundo, arriscamo-nos a atirar pérolas ao ar. Claro que é mais fácil fingir cara douta e séria e, com voz grave de professor universitário, dizer um rol de banalidades pouco inteligentes e  repetir as costumeiras mentiras dos exploradores, como faz António Barreto.

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AS BARBAS NÃO FAZEM MAL A NINGUÉM

Posted by J. Vasco em 07/12/2010

Ouvir aqui «Madalena», de José Barata-Moura (depois de «Joana Come a Papa»)

Madalena senhora corajosa
quando vê um cão
serena e toda majestosa
faz-lhe festas com a mão
Madalena sentada não chega os pés ao chão

Madalena menina traquinas
quando vê um gato
corre logo a esconder-se numa esquina
dá-lhe com o sapato
Madalena olha que isso não se faz ao gato

Madalena perde o ar valentão
se ao pé de mim vem
não tem medo do gato nem do cão
ai, mas de mim tem
Madalena as barbas não fazem mal a ninguém

*A grande beleza e originalidade do cancioneiro infantil de José Barata-Moura está em que as crianças não são vistas nem tratadas como serzinhos idiotas e atrasados, mas como agentes portadores de sentimentos próprios e de dignidade aos quais há que atender.

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LÉNINE E A FILOSOFIA

Posted by J. Vasco em 13/10/2010

José Barata-Moura lançou, há um mês, mais um grande livro de filosofia a juntar à sua vasta obra. Intitula-se «Sobre Lénine e a filosofia. A reivindicação de uma ontologia materialista dialéctica com projecto», e é, depois do anterior, de que aqui demos notícia, o segundo a ser dado à estampa este ano.

O trabalho de auscultação da relação de Lénine com a filosofia é realizado, por Barata-Moura, em filigrana. O cotejo crítico, que atravessa o livro de fio a pavio, entre «Materialismo e Empiriocriticismo», de 1908, e os conspectos, constantes dos «Cadernos Filosóficos», sobre a filosofia de Hegel, que remontam a 1914, desmontam uma ideia que faz carreira entre grande parte da marxologia ocidental, segundo a qual haveria dois Lénines: o desconhecedor da dialéctica, tosco «materialista», na primeira obra; e o renegado do «materialismo», já conhecedor da dialéctica por intermédio da «descoberta» de Hegel, nos «Cadernos Filosóficos». Na verdade, como no-lo mostra Barata-Moura, o que há é um solo comum entre os dois momentos, a partir do qual as preocupações e núcleos temáticos do primeiro vão, em processo, recebendo aprofundamentos e desenvolvimentos.

Outro aspecto interessante a destacar no livro é o tema da prática. Se em Lénine ele aparece decisivamente tratado, no plano da teoria do conhecimento, enquanto critério da verdade (muito embora não esgote esse critério), deve salientar-se que há também uma abordagem da prática em Lénine, não menos capital, enquanto agente material da transformação material da realidade (seja no plano do trabalho, da aplicação técnica da ciência, ou da luta política).

Uma chamada de atenção parece-me merecer ainda a diferença de tratamento que, para Lénine, deve ser estabelecida entre a luta política, no plano estratégico e táctico, e a luta filosófica. Não que uma não interfira na outra. Mas até que ponto a relação entre uma e outra é complexamente mediada, mostra-nos a especificidade da abordagem que cada uma recebe por parte de Lénine. É assim que um menchevique como Plekhánov está mais próximo do materialismo marxista do que um bolchevique como Lunatchárski. José Barata-Moura, com minúcia, conduz-nos por estes intrincados meandros. 

Finalmente, a questão central que dá ritmo e teor determinado ao livro: a perspectiva ontológica. José Barata-Moura, como é seu timbre, não abdica de a convocar. Ainda que Lénine não tenha dado ao problema um tratamento isolado, circunscrito e autónomo, a verdade é que a perspectiva sobre o estatuto do ser, a demanda sobre aquilo que é, comandam e determinam toda a abordagem leniniana. Sem ontologia, sem compreensão de aquilo que é, não se chega sequer a perceber de forma adequada a economia, a política, a transformação,  a revolução. Lénine sabia-o – e, por isso mesmo, a persepctiva ontológica perpassa e inunda toda a sua obra. Lénine sabia-o – e, por isso mesmo, o estudo da filosofia foi sempre uma preocupação constante ao longo da sua vida.

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HEGEL E A ONTOLOGIA

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

    

Para o grande público, José Barata-Moura é sobretudo um grande autor e intérprete de canções infantis que atravessam gerações, um cantor de intervenção, ou ainda o ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Menos conhecida desse grande público é a sua continuada, profunda, finíssima e a vários títulos fecunda reflexão filosófica. Ora, sem nenhum grão de exagero e sem nenhum tipo de favor, deve dizer-se que José Barata-Moura é o maior filósofo português, sendo simultaneamente um pensador de craveira mundial.

A sua obra alargou-se agora um pouco mais. Há cerca de um mês foi dada à estampa esta pérola em forma de livrinho: «Estudos sobre a ontologia de Hegel – Ser, Verdade, Contradição»

Por partir de supostos trans-hegelianos, o livro permite, a um tempo, uma penetração enriquecida na dinâmica da filosofia de Hegel e uma recuperação materialista do núcleo racional (a dialéctica) do seu pensamento. Na linha geral que atravessa a obra, há toda uma preocupação por parte de José Barata-Moura de destacar em Hegel a ocupação com «aquilo que é», afinal com aquilo mesmo de que a ontologia trata.

Logo na Introdução, diz-nos José Barata-Moura ao que vem:

«[…] Cada capítulo deste livro forma por si uma unidade. No entanto, as temáticas que se entrecruzam permitem, porventura, divisar, no seu conjunto, uma tentativa de penetração no que se me afiguram ser traços marcantes da ontologia de Hegel – isto é, do respondimento que ele pensa para a pergunta fundadora: que é «aquilo que é»? […]»

Boa leitura.

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ODA A LA EDAD

Posted by J. Vasco em 01/06/2010

Yo no creo en la edad.

Todos los viejos
llevan
en los ojos
un niño,
y los niños
a veces
nos observan
como ancianos profundos.

Mediremos
la vida
por metros o kilómetros
o meses?
Tanto desde que naces?
Cuanto
debes andar
hasta que
como todos
en vez de caminarla por encima
descansemos, debajo de la tierra?

Al hombre, a la mujer
que consumaron
acciones, bondad, fuerza,
cólera, amor, ternura,
a los que verdaderamente
vivos
florecieron
y en su naturaleza maduraron,
no acerquemos nosotros
la medida
del tiempo
que tal vez
es otra cosa, un manto
mineral, un ave
planetaria, una flor,
otra cosa tal vez,
pero no una medida.

Tiempo, metal
o pájaro, flor
de largo pecíolo,
extiéndete
a lo largo
de los hombres,
florécelos
y lávalos
con
agua
abierta
o con sol escondido.
Te proclamo
camino
y no mortaja,
escala
pura
con peldaños
de aire,
traje sinceramente
renovado
por longitudinales
primaveras.

Ahora,
tiempo, te enrollo,
te deposito en mi
caja silvestre
y me voy a pescar
con tu hilo largo
los peces de la aurora!

 

Pablo Neruda

 

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HÁ CANÇÕES QUE MARCAM

Posted by * em 26/02/2010

 

 

(Acerca de algumas das profundas marcas que José Barata-Moura,

de modo singelo e despretensioso, nos vai deixando no coração)

 

O Manel tinha uma bola,

tinha

uma bola de verdade.

 

Mas…

por falta de atenção…

de cuidado…

de tento…

de tino…

de cautela…

de vigilância…

 

deu-lhe uma dentada

um

cão!


 

Olha a bola Manel!

Olha a bola!

Olha…

 

a bola…

foi-se embora

 

e nunca mais ninguém a viu,

nunca mais….

nunca… de nunca mais…



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