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Archive for the ‘Charlie Chaplin’ Category

O MAIOR BAILARINO DO MUNDO

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

A obra de Charles Spencer Chaplin é já hoje tão clássica como as grandes tragédias de Eurípides e de Sófocles. Assim como «Medeia», «Electra», «Rei Édipo» ou «Antígona», peças escritas há cerca de 2500 anos, provocam na sensibilidade dos homens e mulheres do século XXI uma funda comoção e um inexplicável pasmo – também a cinematografia de Chaplin não deixará de acometer o espectador de séculos ulteriores de um estrepitoso abalo interior.

[Ao contrário do que muitos pensam, o carácter imorredouro destas obras não se fica a dever a um qualquer arcano divino, a um não menos misterioso, evanescente e atmosférico «inefável», e muito menos – tese que ganha curso do mais sofisticado academismo ao mais irreflectido senso comum – ao seu carácter supostamente «intemporal» ou «atemporal». Muito pelo contrário: é o enraizamento histórico-temporal dessas obras que lhes permite transitar temporalmente no processo histórico. A história é uma totalidade processual em aberto. Nenhuma época histórica nasce e se desenvolve do vazio. Cada época histórica é uma fase de desenvolvimento do processo histórico (sempre inacabado, infinito), e carrega, transformadamente, elementos e aspectos do passado, já que o novo só é novo a partir da transformação do velho. É, por conseguinte, a capacidade que uma obra mostra de captar o mais essencial do seu tempo; é a capacidade que tem de se enraizar na temporalidade histórica (e não a de lhe fugir) – o elemento mais determinante e mais decisivo para que se possa materializar a possibilidade de transcender a sua época histórica e de transitar para outras. O facto de a sobrevivência de uma obra implicar que cada sociedade determinada valorize aspectos diferentes dela, significa apenas que essa obra conseguiu reflectir toda a riqueza do seu tempo, e, obviamente, que algumas das características e preocupações desse tempo persistem e subsistem (ainda que de forma transformada)].

Chaplin foi um homem que atravessou a sua conturbada época guiado por um profundo sentimento de humanismo. Nascido na Londres operária do East End, nunca perdeu a ligação às suas raizes, e todos os seus filmes reflectem uma umbilical identificação com o homem pobre, modesto, avesso ao vedetismo, aos títulos e honrarias.

A obra de Chaplin é genial. Por isso mesmo, as possibilidades de análise que ela oferece são inesgotáveis – e jamais se encerrarão. Hoje gostaria, muito simplesmente, de sublinhar o talentosíssimo bailarino e dançarino que Chaplin era. Um talento, no entanto, que não se reduzia a um efeito de estilo, mas que acentuava e que dava sofisticação aos grandes sentimentos e dilemas humanos que Chaplin se propunha retratar. Deliciem-se com estas duas sequências, a primeira de «Luzes da Cidade» e a segunda de «Tempos Modernos»:

NOTA: para um conhecimento mais concreto da vida de Charles Chaplin, ainda é proveitoso ler o livro (injustamente esquecido) «La vie de Charlot», de Georges Sadoul .

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93 ANOS DA REVOLUÇÃO DE OUTUBRO (III)

Posted by J. Vasco em 07/11/2010

«O século XX não foi o século do “fim do comunismo” (…), mas sim o século do “princípio do comunismo” como concretização e edificação de uma nova sociedade para o bem do ser humano».

 

Álvaro Cunhal, O Comunismo Hoje e Amanhã, Maio de 1993

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