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ESTADO DE EXCEPÇÃO

Posted by J. Vasco em 15/10/2011

A decisão do juiz do Tribunal do Comércio de Lisboa, datada de 11 de Outubro, dizia isto, preto no branco: «determino a suspensão da liquidação e partilha até à realização da assembleia de credores designada para o próximo dia 5.12.2011. Notifique, sendo desde já e pelo meio mais expedito o Sr. Administrador da Insolvência». Estas frases, na prática, permitiam a viabilização da TNC, pela qual os trabalhadores da empresa travam uma dura e prolongada luta desde o início do verão passado.

 No dia seguinte, o «Sr. Administrador da Insolvência», supõe-se que notificado «pelo meio mais expedito», convocou 200 agentes da PSP, 10 carrinhas e 8 reboques (tudo pertencente à polícia), dirigiu-se ao Campus da Justiça no Parque das Nações, onde os trabalhadores em luta haviam estacionado 40 camiões da empresa, e mandou-os rebocar. Tudo isto pela calada da noite, à 1 hora da manhã. Logo depois, a operação patronal conduzida pelas «forças da ordem» rumou às instalações da TNC em Alverca e roubou todo o material da empresa.

É a isto que os ideólogos do sistema e os seus papagaios chamam o «estado de direito democrático». Os trabalhadores conscientes, esses, conhecem-no bem: é o permanente «estado de excepção» que a burguesia, através do seu Estado de classe, decreta e lhes impõe diariamente. Ao longo de 36 anos de contra-revolução a cantiga não tem sido outra. Na Lisnave, na Sorefame ou nos milhares de empresas pilhadas e a seguir encerradas pelos vários «Sr. Administrador da Insolvência».

Em todos estes processos, quem lá esteve sempre, de dia e de noite, à chuva, ao frio e ao sol; quem animou cada uma dessas lutas; quem apanhou os cacos, cerrou fileiras e organizou a resistência – foram os militantes comunistas: trabalhadores dessas empresas, dirigentes sindicais ou moradores nas regiões. É uma história de tenacidade que os órgãos de comunicação escondem e querem calar. É uma história de fraternidade e de camaradagem de que qualquer filisteu (encontre-se ele num retiro ecológico-espiritual no campo ou mergulhado na frenética vida intelectual da academia) nunca sequer ouviu falar. É uma história que explica a imorredoura implantação do PCP no seio da classe operária.

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