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QUE NINGUÉM FIQUE EM CASA

Posted by ines f. em 18/06/2012

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LEITURAS MATINAIS

Posted by ines f. em 07/02/2012

Não é que não esteja habituada às maravilhas que semanalmente me reserva a leitura do Humanité. Mas, ainda assim, não pude evitar a surpresa ao deparar-me, esta manhã, com um artigo intitulado «La République communiste de Badiou». Aparentemente, Alain Badiou fez uma nova tradução da República de Platão. Não. Afinal é uma adaptação. Uma tradução-adaptação da República de Platão, revista à luz do século XXI, uma interpretação que releva, nas palavras do próprio, de uma fidelidade superior à obra, fidelidade que se caracterisa superiormente pelo desprezo absoluto pelo texto e contexto de uma obra que se pretende (citando agora o autor da recensão) inserir no contexto filosófico do nosso tempo. Desde logo, o esforço parece-me supérfluo – não vejo em que medida é que um dos textos fundadores da filosofia possa alguma vez ter estado des-inserido do nosso contexto. Mas enfim, continuemos, que a empresa é de monta. Assim, sempre na esperança da dita inserção, Badiou decidiu substituir os conceitos de Platão pelos seus próprios : a receita é garantida, sobretudo quando os seus próprios são aqueles que melhor se integram no discurso filosófico da moda. Ora, nem mais : a Alma passa a ser o Sujeito, Deus, o Grande Outro (…) , a Ideia do Bem…a Verdade. E assim, como por magia, a «a ascensção da alma para o Bem» torna-se «a integração do Sujeito numa Verdade». Como se a perspectiva histórica não estivesse já pelas ruas da amargura, os alunos de Badiou podem agora ler a República, sem terem de sair, por um minuto que seja, do aparelho conceptual a que estão habituados, confirmação suprema do seu eterno presente e das suas místicas certezas pós-fenomenológicas. Regojizo-me com o facto de que, pelo menos por agora, os desejos do jornalista não sejam exauridos e a dita obra não seja integrada nos programas do Secundário. Mas melhores momentos se seguem : a modernização conceptual revela-se insuficiente , é necessário proceder à modernização propriamente lexical : teremos então o prazer de encontrar belas expressões como «bagnole» ou «le mec Thésée» (algo que em português se poderia traduzir como «chaço» e «o puto Teseu», respectivamente). Temos Sócrates a citar Estaline, Freud e Mallarmé. Temos a alegoria da caverna computodorizada. Temos até uma mulher como personagem principal (Adimanto torna-se Amantha). Um mimo para a ideologia burguesa pós-moderna de Saint-Germain-des-Près, certamente escandalizada com a ausência de paridade do corpus platónico. No fim disto, não sei o que é mais grave : se o entusiasmo demonstrado nas páginas do Humanité por este momento de profundo desprezo pela História, se a absoluto desinteresse intelectual e cultural de uma tarefa que se propõe actualizar o que nunca deixou de ser actual (na medida em que é parte de uma cultura e momento do seu desenvolvimento), veiculando assim uma noção de actualidade ao nível da MTV, se o facto de Alain Badiou, (auto)-proclamada figura de destaque da esquerda da esquerda francesa, achar que basta mudar uns conceitos para que a filosofia de Platão se torne expressão de um qualquer pensamento marxista, neste caso, o seu.

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A EUROPA E O FUTURO

Posted by ines f. em 24/10/2011

Aparentemente, a União Europeia aprovou, sem que nenhum jornal tenha feito disso capa (deve ser pela falta de interesse jornalístico da questão…), no passado dia 11 de Julho, um novo tratado que estabelece o Mecanismo de Estabilidade Europeu, nova instituição supostamente criada para «salvar a zona euro» (nem eles fazem outra coisa) dos seus problemas financeiros, criando um fundo de «resgate» a ser utilizado pelas economias que dele necessitem. Claro que,como seria de esperar, este tão bem intencionado tratado tem muito que se lhe diga. Para além de se pôr assim em marcha um mecanismo gigantesco – avaliado para já em 700 mil milhões de euros, mas com carta branca para se reaprovisionar nos cofres dos estados membros quando assim lhe aprouver – de transferência do dinheiro dos Estados (dos cidadãos) para o Capital, o traço distintivo deste precioso desenvolvimento europeu é, nada mais nada menos, do que a sua completa imunidade perante a lei. Sim, é mesmo isso. O MEE está completamente acima da lei: ninguém o pode processar, investigar ou acusar do que quer que seja, mas, pelo contrário, ele pode processar, investigar, acusar todos os estados signatários e penhorar os seus bens financeiros ou patrimoniais.

Resumindo, a Europa vai passar a ser governada de facto (pois quem estabelece as leis económico-financeiras governa) por uma entidade não-eleita sem qualquer responsabilidade legal. Ou seja, a burguesia decidiu definitivamente cuspir nas suas próprias ficções democráticas. Brilhante, não?

(Para mais informação, o texto do tratado em inglês em http://consilium.europa.eu/media/1216793/esm%20treaty%20en.pdf)

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ACERCA DOS ACAMPAMENTOS EM MEIO URBANO…

Posted by ines f. em 16/10/2011

…um pequeno contributo para a reflexão…

Agora, estão a mostrar mais um aspecto das suas posição e prática políticas, atribuindo a política bárbara que leva o povo e a juventude à indigência a todos os partidos em geral (…) Claro que não demonstram quem beneficia com esta política; também não mostram os verdadeiros inimigos, que são os monopólios, os capitalistas.

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