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Archive for the ‘Crise permanente’ Category

A EUROPA E O FUTURO

Posted by ines f. em 24/10/2011

Aparentemente, a União Europeia aprovou, sem que nenhum jornal tenha feito disso capa (deve ser pela falta de interesse jornalístico da questão…), no passado dia 11 de Julho, um novo tratado que estabelece o Mecanismo de Estabilidade Europeu, nova instituição supostamente criada para «salvar a zona euro» (nem eles fazem outra coisa) dos seus problemas financeiros, criando um fundo de «resgate» a ser utilizado pelas economias que dele necessitem. Claro que,como seria de esperar, este tão bem intencionado tratado tem muito que se lhe diga. Para além de se pôr assim em marcha um mecanismo gigantesco – avaliado para já em 700 mil milhões de euros, mas com carta branca para se reaprovisionar nos cofres dos estados membros quando assim lhe aprouver – de transferência do dinheiro dos Estados (dos cidadãos) para o Capital, o traço distintivo deste precioso desenvolvimento europeu é, nada mais nada menos, do que a sua completa imunidade perante a lei. Sim, é mesmo isso. O MEE está completamente acima da lei: ninguém o pode processar, investigar ou acusar do que quer que seja, mas, pelo contrário, ele pode processar, investigar, acusar todos os estados signatários e penhorar os seus bens financeiros ou patrimoniais.

Resumindo, a Europa vai passar a ser governada de facto (pois quem estabelece as leis económico-financeiras governa) por uma entidade não-eleita sem qualquer responsabilidade legal. Ou seja, a burguesia decidiu definitivamente cuspir nas suas próprias ficções democráticas. Brilhante, não?

(Para mais informação, o texto do tratado em inglês em http://consilium.europa.eu/media/1216793/esm%20treaty%20en.pdf)

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CRISE PERMANENTE

Posted by * em 14/05/2010

Desengane-se quem pensar que às crises sempre se seguirão alegres períodos de estabilidade e crescimento. O padrão da sequencialidade das crises também se altera no tempo:

1720: quebra na Grã-Bretanha, em Dezembro.

1825 : tem início o ciclo periódico das crises propriamente capitalistas.

1882: França entra em crise económica.

1901: crise de Wall Street.

1906: crise de Wall Street.

1919: crise de Wall Street.

1929: quinta-feira negra em Wall Street.

1937: crise de Wall Street.

1973: crise do petróleo.

1987: Wall Street desmorona no dia 19 de Outubro.

1990: crise deflacionaria, com início no Japão.

1997: crise com início em Hong Kong.

1998: Agosto negro na Rússia.

2000: primeira grande crise da bolsa electrónica (Nasdaq).

2001: índice Dow Jones sofre a maior perda, em pontos, da sua história.

2002: crise iniciada com o caso Enron. A Crise alastra-se pelo mundo e prolonga-se no tempo.

2008: crise dos “subprime” propaga-se aos mercados financeiros americanos e mundiais.

O que se verifica, se analisarmos as crises quanto às suas causas, sequencialidade, dimensão e prolongamento e quisermos estabelecer a sua lei de formação, é que a tendência global é a de o tempo entre crises ir diminuindo. Além disto, cada nova crise tem uma maior repercussão a nível mundial e prolonga-se mais no tempo. É verdade que Marx afirmava que não havia crises permanente, uma vez que as crises são períodos temporários de ajustamento do próprio capitalismo. Mas o capitalismo pode bem levar-nos a uma situação de CRISE PERMANENTE, no sentido de o capitalismo enquanto sistema entrar numa crise global insanável no seio do próprio capitalismo.

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