OLHE QUE NÃO

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DE JOELHOS, A SEGURAR BANDEIRINHAS

Posted by * em 15/05/2010

Suponha que um anjo de fogo

varresse a face da terra

e os homens sacrificados

pedissem perdão.

Não peça.

do poema Segredo, de Carlos Drummond de Andrade

Há um outro povo, para além dos acéfalocândidos agitadores de bandeirinhas, que idolatram ao extremo do ridículo o papa reaccionário, o ex-prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (novo nome da Inquisição), Joseph Ratzinguer. Quem andasse nos transportes veria esse outro povo, um povo digno, altivo, honrado e pouco propenso a ficar de joelhos perante os senhores. Esse povo dizia, sem medo: “em época de crise, dinheiro a rodos para este senhor”, “tanto estorvo só por causa de sua excelência”, “ainda bem que ele não vem todos os dias”, etc. Assim fala o povo que não se ajoelha. É uma honra estar entre este povo.

Nestes dias, muitos foram iguais a si próprios: Ratzinguer atacou os homossexuais, a laicidade do Estado, meteu-se em questões políticas, rezou em latim, convidou os fiéis a obedecerem e a deixarem “imolar-se até à morte” (não se sabe bem por que razão), convocou ao proselitismo militante e defendeu recorrentemente e de modo praticamente explícito os princípios fundamentais da Opus Dei com a mesma veemência com que, nos tempos em que trabalhava como inquisidor-mor do Vaticano, atacava a Teologia da Libertação e toda e qualquer ideia minimamente progressista .

O Génio da Banalidade também foi igualzinho a si próprio: do ar beato e apalermado com que representou Portugal nas cerimónias, às entrevistas em que, com o mesmíssimo ar beato e apalermado, dava conta da sua rendição aos encantos de tão excelsa figura. Explica ele à jornalista que ficou emocionado com o facto de o papa até saber pronunciar  correctamente o nome dos netos, um momento que nunca irá esquecer. “Mas ele já sabia dos nomes?”, perguntou a jornalista. “Não, é que à medida em que eu lhe ia apresentando, eu disse -lhe ‘ é a Mariana´ e  ele ‘ah, é a Mariana´, eu dizia ´o Afonso´ e ele dizia ´o Afonso´…“. Impressionante! Seria apenas cómico, se esta inteligência rara não estivesse a representar o país.

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