OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Archive for Junho, 2010

ACREDITE SE FOR TROUXA!

Posted by * em 27/06/2010

Declarações como as do amanuense Silva segundo as quais algumas das características dele próprio, amanuense Silva, seriam a honestidade, o dizer sempre a verdade e o cumprimento de promessas, trazem à memória a velhinha falácia circular da petitio principii:

– que fundamentos temos para acreditar no que é afirmado?

– Por ter sido dito pelo amanuense Silva!

– e por que raio teria eu de acreditar no que diz o amanuense Silva?

– Mas voce não está a ver que o homem só diz a verdade?

…E lá voltamos nós ao ponto de partida…

É incrível que tão rasteiro golpe (em que é a própria pessoa, demonstrando até que ponto vai a sua  extraordinária sinceridade e honestidade, a elogiar-se a si mesma enquanto finge que está a fazer uma descrição imparcial) engane pessoas pouco críticas, mas não é preciso muito para convencer os convertidos.

Anúncios

Posted in Génio da banalidade | 1 Comment »

KSENIYA SIMONOVA

Posted by * em 25/06/2010

Kseniya Simonova, ganhadora da edição Ucraniana do Got Talent, faz, usando os dedos numa superfície com areia, uma animação da invasão alemã da Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial,

Obrigado, Eulália

Posted in Kseniya Simonova | 4 Comments »

RESPIRAR

Posted by J. Vasco em 25/06/2010

Neste fim-de-semana andarei por aqui:

Antes que seja Agosto. Antes que não se possa respirar. Antes que estas terras de maravilha se transmutem em Allgarve, essa mercadoria transaccionável, esse mero valor de troca, embrulhado num tacanho e parolo papel de marketing.

Por motivos óbvios, não revelarei o nome deste paraíso. Direi apenas – e já é muito – que fica situado no barlavento algarvio. Direi tão-só – e isso é tudo – que a ele se aplicam estes versos de Sophia:

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Posted in Sophia de Mello Breyner | Com as etiquetas : | 1 Comment »

OS ERROS E OS DIAS

Posted by J. Vasco em 25/06/2010

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

Posted in Camões | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

NÃO ME PEÇAM RAZÕES

Posted by * em 24/06/2010

Luís Cília canta José Saramago:

Não me peçam razões, que não as tenho,

Ou tenho quantas queiram: bem sabemos

Que razões são palavras, nascem todas

Da mansa hipocrisia que aprendemos.

.

Não me peçam razões por que se entenda

A força da maré que me enche o peito,

Este estar mal no mundo e nesta lei:

Não fiz a lei e o mundo não aceito.

.

Não me peçam razões, ou sombra delas,

Deste gosto de amar e destruir:

Nos excessos do ser é que amanhece

A cor da Primavera que há-de vir.

.

Canção criada a partir do poema de José Saramago

“Não me peçam razões”, in “Os Poemas Possíveis”

.

.

Posted in Saramago | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

PARA O JOÃO FERRO, COM MÚSICA

Posted by Patrícia B. em 23/06/2010

Ao João Ferro dedico esta versão musicada da canção Solidaritätslied, de Ernst Busch. A música original data de 1931 e esta é uma versão gravada após a Segunda Guerra Mundial.

A partir de hoje a força desta melodia ficará sempre associada, na minha memória, ao jornalista e camarada João Ferro. Ela representa já os breves momentos em que me cruzei com a sua figura simpática, delicada e cheia de vida e histórias lá dentro. Muitas terão ficado por contar.

“Avante, não esqueçamos a solidariedade

[…]

A manhã, de quem é a manhã?

O mundo, de quem é o mundo?” (E. Busch)

Não esquecerei, meu caro João.

Posted in João Ferro | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

JOÃO FERRO

Posted by J. Vasco em 23/06/2010

«Para os muito maus tempos que, pressinto, se estão aproximando,
serão necessárias novas solidariedades.
Mas não devemos esquecer as antigas…»
(último mail enviado por João Ferro a um seu camarada e amigo)

Faleceu, com 72 anos, o jornalista João Ferro.

Para além de ter sido um dos co-fundadores da SIC, em 1992, e de ter pertencido aos seus quadros durante dez anos, trabalhou também na RTP e na agência noticiosa russa Novosti. Foi jornalista, durante as décadas de 60,70,80 e 90, em vários países do campo socialista, e tinha sobre ele um conhecimento muito amplo, muito vasto e muito profundo. Pertencia ao conselho geral do sindicato dos jornalistas e era membro da Fundação Internacional Racionalista.

A vida tem por vezes destas coisas tristes. Na quinta-feira passada, convidámos o João Ferro para conceder uma entrevista de fundo ao Olhe Que Não. Ele, generoso, aceitou de pronto, sem pensar duas vezes. Disse-nos apenas que teríamos de marcar o dia e a hora da entrevista no fim-de-semana que depois de amanhã começa, porque até lá estava a braços com a preparação de algumas aulas sobre a história da Rússia a leccionar numa universidade sénior. Preparávamo-nos para lhe ligar no próximo sábado.

O ponto de partida para a nossa conversa iria ser o seu último texto publicado (na ocasião, para a SIC Notícias), que deixamos aqui – e que merece ser lido, reflectido e tomado como acicate para ulteriores estudos, discussões e prolongamentos práticos. 

O João Ferro partiu. Mas a sua mensagem fica: novas solidariedades… sem esquecer as antigas. 

Posted in João Ferro | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

O CHARME DISCRETO DA BURGUESIA

Posted by J. Vasco em 23/06/2010

Com honrosas excepções, o leque de jornalistas desportivos que tem hoje assento de privilégio nos meios de comunicação nacionais destaca-se por um pouco recomendável conjunto de predicados: no plano linguístico, reserva ao português (falado e escrito) um trato de polé difícil de qualificar; no plano desportivo, consagra o mais rasteiro senso-comum como metodologia de «análise» dos jogos, e coroa a canalhice, o chico-espertismo e o desrespeito pelos adversários como modo adequado de estar no desporto; finalmente, no plano intelectivo e moral, exibe uma confrangedora boçalidade, uma ignorância a toda a prova e uma impertinência tolinha que quer fazer passar por magnífico desassombro.

Nas últimas semanas, assistimos à actuação polifónica desse coro boçal a propósito da selecção de futebol norte-coreana. Essa massa ignara de «jornalistas» – cujos horizontes mundanos não vão além da Academia de Alcochete e do Centro de Estágios do Seixal; para quem a história portuguesa se resume ao arco temporal que vai de Eusébio a Cristiano Ronaldo, passando por Figo; e para quem a história mundial se reduz a alguns campeonatos do mundo e a deduções futebolísticas de baixa extracção a partir das características etnográficas e antropológicas de cada povo – «explicou-nos» o que era a vida na Coreia do Norte, ou seja, invadiu-nos as casas com dichotes racistas e xenófobos (travestidos de piadolas espirituosas) dirigidos ao povo da Coreia do Norte. Recorrendo à humilhação, à ofensa e ao insulto – e apenas a isso -, espezinharam, através de um conjunto de jogadores de futebol, a dignidade de um povo inteiro, que é coisa que não tem preço e que não se transacciona na bolsa de valores. Riram alarvemente, esses valentões, do facto de os futebolistas norte-coreanos utilizarem ginásios públicos, em vez de recorrerem aos espaços privados, de luxo, disponibilizados pelos hóteis de sete estrelas que albergam várias selecções. Desmultiplicaram-se em apontamentos escarninhos, atingindo a dignidade, o esforço e a entrega dos jogadores de futebol norte-coreanos, sobre o desgosto que, com a sua actuação, estariam a provocar ao «querido líder». Troçaram desdenhosamente da vida de trabalho e de sacrifício de inúmeros cidadãos de um país que não suga nem rouba recursos a outros países, rematando as suas arengas com graçolas deste jaez: «o prémio para os jogadores da Coreia do Norte é terem direito a uma refeição e a não sofrerem maus-tratos».

O pasquim i chegou mesmo a este cúmulo:  «Os norte-coreanos, uma formação de homens esforçados e orientados por uma disciplina quase doentia (nunca fazem faltas e marcam-nas sem excepção no local exacto onde foi a infracção), sentiram o peso da desvantagem e começaram a abrir brechas». «Nunca fazem faltas e marcam-nas sem excepção no local exacto onde foi a infracção». Com efeito, ser honesto é um defeito tão grande, é um traço tão totalitário, não é?

Mas o mais delicioso, apesar de tudo, foram os comentários em torno do regresso a casa dos seleccionados norte-coreanos. O que não lhes aconteceria, em caso de maus resultados!

Ora, como podemos ver, por exemplo, aqui e aqui, depois da eliminação do campeonato do mundo sem ter ganho um único jogo, a selecção francesa foi mimosamente tratada pelos governantes e pelos jornalistas do seu país.  O tema foi ontem objecto de aceso debate no parlamento, meteu ministros ao barulho e o próprio Sarkozy já se pronunciou. E que disseram estas gentes, estes representantes da alta cultura? Defenderam a dignidade dos atletas, reconheceram o seu valor desportivo, falaram das derrotas como parte constitutiva dos jogos de futebol? Não. Disseram coisas elevadas como estas: os jogadores franceses são autênticos «zeros», a selecção gaulesa está empestada de «estrangeiros», a equipa francesa é uma «vergonha». Pedro Rosa Mendes, na crónica de hoje na Antena 1, dizia, ele que agora vive em Paris, que aquilo que foi dito ontem no parlamento francês sobre os jogadores franceses «era irreproduzível nestes microfones». Entretanto, os sectores mais chauvinistas e reaccionários da direita francesa exigem desde já uma depuração de «estrangeiros» na selecção, e apelam a uma recepção da equipa com «ovos e tomates, como antigamente».

Nada disto, como é óbvio, apoquenta a sensibilidade «democrática» dos nossos finos «comentadores» desportivos. Em tudo isto, eles deixam-se apenas levar pelo charme. Pelo charme discreto da burguesia. 

Posted in Charme discreto | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

MEMÓRIA, FUTURO, TRABALHO, EMANCIPAÇÃO

Posted by J. Vasco em 20/06/2010

TEXTO DE MANUEL GUSMÃO ESCRITO NO DIA DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO.

PUBLICADO NO 5 DIAS:

«Saramago é um escritor que se conquistou a si mesmo, que encontrou a sua maneira em pleno percurso. Que fez o seu caminho, caminhando. A fase da sua obra que vai produzir essa maneira que muitos reconhecem como a marca da sua assinatura, vai de 1977, ano fecundo da narrativa em português, em que publica Manual de Pintura e Caligrafia, a 1981, ano em que sai a 1º edição da sua Viagem a Portugal. Entre esses dois anos e esses dois livros, Saramago publicara Objecto quase (1978), “O ouvido” integrado na obra colectiva Poética dos Cinco Sentidos (1979), Levantado do chão (1980) e duas peças de teatro – A noite (1979) e Que farei com este livro? (1980). Se é com Memorial do Convento (1982) que o seu êxito se torna uma evidência, inclusivamente à escala internacional é nessa fase (1977-1981) assistimos à descoberta e invenção do fundamental do dispositivo narrativo que o vai acompanhar ao longo da obra. Manual de Pintura e Caligrafia é na ficção, uma meditação sobre os problemas da representação; a dissociação entre representação e semelhança, preparando assim a desenvoltura na construção dos mundos narrativos na obra posterior. A Viagem a Portugal dá conta da espessura significativa da radicação no território pátrio da ficção de Saramago. Em Levantado do Chão, surge a famosa frase em que várias personagens, inclusivamente o narrador, podem falar; essa frase que é assim dita em diálogo, mostrando essa admirável evidência da socialidade da linguagem. Este romance dispõe já da construção de uma figura de narrador marcado pela “auralidade”, de uma frase articulada por um nítido ritmo sintáctico. E sobretudo começa a funcionar um princípio narrativo que parte de uma negativa ou negação imposta a uma história já contada pelos vencedores ou de qualquer fora por uma historiografia oficial. Essa negatividade marca a relação entre ficção e história no que se poderia considerar a primeira fase da nova maneira de Saramago. Nela conta-se sempre de outra maneira algo que já foi contado, designadamente porque se conta algo que nunca mereceu ser narrado, nomeadamente a história dos servos e dos que transportam a pedra e constroem Mafra. Assim é em Memorial do Convento, Em O ano da morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho segundo Jesus Cristo. Com A jangada de Pedra anuncia-se o que virá a ser um outro dispositivo narrativo, característico de uma segunda fase da maneira “Saramago” que se afirmará inicialmente em Ensaio sobre a Cegueira e Todos os nomes e continuará depois. A este novo dispositivo chamarei de alegoria do presente.
José Saramago morreu. Inicia-se o seu segundo combate ou uma nova fase do seu combate de há muito: a luta pelo reconhecimento pleno da sua obra. A luta pela conquista e fidelização de leitores, pela leitura e releitura dos seus livros. Mas não só dos seus, e sim pela leitura dos grandes do passado ou dos seus contemporâneos: Camões, O padre António Vieira, Almeida Garrett, Camilo e Eça, Jorge de Sena ou Rodrigues Miguéis, numa lista incompleta. Portugal é um país em que historicamente se acumularam atrasos culturais e uma enorme fragilidade das suas instituições culturais. Isso explica em parte que a morte de um escritor seja muitas vezes a sua entrada num limbo da memória, num período de descaso e de esquecimento. O Nobel que ganhou é em relação a esse comportamento do futuro uma protecção simbólica, é certo, mas não suficiente por si só. Um pouco por todo o mundo (não estou a exagerar) foi lido e amado por leitores que, em tempos de derrota e de solidão, reconheceram nele um dos seus, alguém que ocupava o mesmo campo social à escala planetária. Esse facto foi caricaturado por alguns, que atribuíram o seu sucesso a uma “conspiração internacional” de comunistas ou cripto-comunistas.
Agora que morreu, nós temos responsabilidades acrescidas nesse combate. E não é preciso “conspiração” nenhuma. Basta cuidar do nosso património literário e artístico. Ele permaneceu fiel à longa e denegada “tradição dos oprimidos” (Walter Benjamin). Nós que nessa tradição temos vindo, sabemos que a memória é uma condição do desejo de futuro; sabemos que o cuidar da memória integra o longo trabalho da emancipação. Eu sei que há quem deteste palavras como estas – memória, futuro, trabalho, emancipação – , mas que hei-de fazer, ó boas almas, é que ele era um dos nossos.».

ADENDA EM 25/06/2010: ler aqui o artigo de Ricardo Araújo Pereira sobre a ausência de Cavaco no funeral de José Saramago.

Posted in Manuel Gusmão, Saramago | Leave a Comment »

2 NOTÍCIAS, 2 PESSOAS, 2 TAMANHOS DO SER HUMANO

Posted by * em 20/06/2010

Imprensa mundial fala da morte do escritor


Do Chile à Rússia, passando por Israel e pelos EUA, o desaparecimento de José Saramago foi notícia importante.

Com maior ou menor destaque, de forma mais elogiosa ou mais descritiva, a morte de José Saramago foi notícia na imprensa de todo o mundo.


DN, 20/06/2010

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1598136

.

..

.

.

.

.



.

.

Açores: Cavaco Silva visita lagoas e almoça cozido das Furnas


Ponta Delgada, 19 jun (Lusa) — O Presidente da República, Cavaco Silva, visitou hoje as lagoas do Fogo e Furnas, cumprindo parte do prometido à sua chegada quinta-feira a Ponta Delgada para quatro dias de férias na ilha de S. Miguel.

Acompanhado da mulher, filhos, nora e netos, o Chefe de Estado aproveitou o bom tempo que se regista em S. Miguel para apreciar a paisagem do interior da maior ilha açoriana, almoçando o típico “cozido das Furnas”.


DN, 19/06/2010

http://dn.sapo.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=1597744

Obs: Pedimos desculpa, a todos os que conhecem e respeitam Saramago, escritor gigantesco e de importância universal, pela implícita comparação com tão insignificante e reles figura. Realmente, a comparação entre o oceano e o esgoto é, em si mesma, um pouco desrespeitosa para com o oceano. Se isto puder servir de atenuante, diremos que quisemos apenas indicar dois pontos extremos da condição humana.

Posted in Saramago | 4 Comments »

O QUE FALTA FAZER

Posted by * em 19/06/2010

O escritor faleceu.

Fez o que pôde pela literatura, pelo país, pelo mundo …

O país tem ainda uma prova a fazer: tem de demonstrar que merece Saramago!

Posted in Saramago | 1 Comment »

UM ESCRITOR GENIAL NÃO MORRE, DEIXA APENAS DE ESCREVER

Posted by J. Vasco em 19/06/2010

Os meus livros preferidos do enormíssimo e genial escritor José Saramago. Obras-primas que fazem parte da grande literatura de todos os tempos e de todos os lugares e que nunca morrerão. Quem as leu e quem as vier a ler, nunca deixará de ser marcado por gente tão forte e tão inesquecível como Maria de Magdala, como Lídia e Marcenda, como Blimunda e Maria Sara. Obrigado, José!

Posted in Saramago | 2 Comments »

DELÍCIAS DO LIBERALISMO

Posted by J. Vasco em 17/06/2010

«De acordo com decisão do Ministério da Saúde, entre 15 de Junho e 15 de Setembro as unidades hospitalares de Setúbal e do Barreiro vão deixar de ter urgências pediátricas durante a noite. O serviço será nesse período garantido pelo Hospital Garcia de Orta.

A Administração Regional de Saúde diz que a decisão foi tomada devido à escassa procura durante a noite e garante transporte disponível para as crianças e bebés que precisarem de ser deslocados ao Garcia de Orta, “a cerca de 40 quilómetros de Setúbal e do Barreiro”.

Muito apreensiva com o encerramento das urgências pediátricas durante o período nocturno nos próximos meses, a presidente da Câmara de Setúbal lamenta a decisão e diz que “só por desconhecimento da realidade das áreas servidas pelo Hospital de São Bernardo” se pode afirmar que concelhos como Alcácer do Sal, Grândola, Santiago ou Sines estão a 40 quilómetros do Hospital Garcia de Orta».

Quem vir nesta «decisão do Ministério da Saúde» uma simples medida arbitrária e desgarrada – desengane-se. Ela é mais uma peça da consequente política liberal que visa destruir, tijolo a tijolo, o edifício das funções sociais do estado, construído com o impulso da revolução de Abril.

Os caboucos deste edifício são vergastados nos dias de hoje (pelas mãos sujas de PS, PSD e CDS, sob a orientação tutelar da UE) com uma violência sem precedentes. Encerramentos de escolas, de centros de saúde, de maternidades, de urgências hospitalares. Desmantelamento de postos de correio. Fecho de repartições da segurança social. O ramalhete é impressionante, e dele exala o inconfundível aroma das «leis do mercado». Sob a sua sombra, campeia a miséria, a falta de protecção social, o despovoamento do interior do país e uma vaga vertiginosa de emigração.

«Por um segundo podemos perder uma vida». Mas que importância pode ter isso? Os mortos serão, afinal, de famílias «sem estilo», «sem charme», «saloios do interior que nem falar sabem», não é assim? Desejável é que «o mercado» funcione, é que a «lei da oferta e da procura» vigore. Lindo é que o estado «não tutele a vida dos indivíduos», é que quem quer saúde, educação, reformas – que as pague, que não «viva à custa dos subsídios» e da «teta do estado».

Acelera, ambulância, acelera! Esses «40 quilómetros» ainda vão ser tão longos!

Posted in Delícias | Com as etiquetas : , | 1 Comment »

O HOMEM DA CAMISA VERMELHA

Posted by J. Vasco em 17/06/2010

Se há qualquer coisa de grande, de verdadeiramente grande, na cultura estadunidense, essa coisa é o cinema, arte popular por excelência. Dos primórdios de D.W. Griffith – com a introdução da estrutura narrativa; aos contemporâneos Coppola, Scorsese e Cimino – com a complexificação, com a desconstrução e com a subjectivização dessa estrutura, à boa maneira do romance americano.
Nesse pano de fundo cinematográfico, Nicholas Ray, o realizador que se apresentava no plateau envergando sempre a sua mítica camisa vermelha, ocupa um lugar destacadíssimo.
Sobre ele, que assinou autênticas obras-primas, muito haveria a assinalar. Fiquemo-nos hoje, porém, pelo seu filme que mais amo: Johnny Guitar, de 1954, que aliás deu azo à famosa canção, composta de propósito para o filme.
Nada substitui o seu visionamento por inteiro, mas o pedaço acima carrega já muito do seu génio. Reparem na perfeição dos diálogos, autêntico duelo – as frases são como balas, tal a sua precisão e efeito cortante.
Reparem na mise-en-scéne, unidade do barroco e do despojamento, da vertente documental e da exacerbação lírica. Reparem na perfeição dos movimentos de câmara, espelho e antecipação do mais fundo das almas de Vienna e de Johnny. Sterling Hayden e Joan Crawford nunca estiveram tão bem. E depois há aquela frase inadjectivável, de tão bela: «Procurei-te em todos os homens que conheci».
A dado passo do filme, Vienna atira ao empregado do seu saloon: «Keep the wheel spinning, Ed. I like to ear it spin».
Aproveitando esta passagem, dizia João Bénard da Costa, com razão, a propósito do filme: «No fim de cada visão de Johnny Guitar, só me apetece dizer aos projeccionistas: “Keep the film spinning, Ed. I like to see it spin.” Tanto, tanto».

Posted in Nicholas Ray | Com as etiquetas : | 2 Comments »

O IMPERIALISMO EXPLICADO POR KÖHLER

Posted by J. Vasco em 14/06/2010

Esta obra, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, escrita em 1916 e publicada pela primeira vez em 1917, está para a ciência social e política como a teoria da relatividade está para a física, o evolucionismo para a biologia, a Crítica da Razão Pura para a filosofia, ou o D. Quixote para a literatura. Sem o seu estudo é hoje impossível compreender de forma adequada o desenvolvimento concreto da sociedade capitalista.

O presidente da Alemanha, Horst Köhler, decidiu a semana passada, numa entrevista, falar abertamente sobre a ordem burguesa que nos reina. Escutemos as suas preciosas palavras: «A minha opinião é de que, em geral, estamos a caminho de compreender, mesmo de forma ampla na sociedade, que um país com a dimensão do nosso [a Alemanha], orientado para o comércio externo, e por isso também dependente do comércio externo, tem de estar ciente de que, em caso de dúvida, de emergência, uma intervenção militar é também necessária para defender os nossos interesses. Por exemplo, para defender rotas comerciais ou impedir focos de instabilidade regional, que seguramente teriam impacto negativo no comércio, nos postos de trabalho e nos rendimentos».

Köhler aprendeu bem a lúcida lição do general Clausewitz: «a guerra é a continuação da política por outros meios». Mas fundamentalmente pôs a nu uma evidência que o discurso dominante se esforça, a todo o transe, por encobrir: as guerras na era do imperialismo são guerras de saque, guerras de pilhagem dos recursos dos povos do planeta, levadas a cabo pelas burguesias mais poderosas do mundo (simultaneamente, em competição e em concertação). As invasões do Iraque e do Afeganistão, por exemplo, aí estão, diariamente, a atestá-lo.

Consta que os colegas políticos do presidente se sentiram em apuros com este deslize (como dizia alguém, «verdades que doem como murros»). Afinal, é sempre perigoso, ainda que em condensado e em linguagem pouco científica, é verdade, estimular inadvertidamente o interesse dos cidadãos pela obra referida no começo deste post. Sabe-se lá se o diabo não irá tecê-las.

Fiquemos, porém, tranquilos. O discurso hipócrita das «intervenções humanitárias», da «difusão da democracia» e do «combate ao terrorismo» segue dentro de momentos. Numa universidade perto de si, numa livraria já ali à esquina, no quiosque de jornais à sua beira, na televisão da sua sala. 

Posted in Köhler | Com as etiquetas : , , | Leave a Comment »

O MOMENTO CULMINANTE

Posted by J. Vasco em 14/06/2010

Rembrandt, Abraão e Isaac, 1634

Posted in Rembrandt | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

CINCO ANOS PASSADOS SOBRE A MORTE DE QUEM DEU NOME A ESTE BLOG (II)

Posted by J. Vasco em 13/06/2010

Posted in Álvaro Cunhal | Leave a Comment »

CINCO ANOS PASSADOS SOBRE A MORTE DE QUEM DEU NOME A ESTE BLOG (I)

Posted by J. Vasco em 13/06/2010

  

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

 (ÁLVARO CUNHAL, 10 de Novembro de 1913-13 de Junho de 2005)

 

UMA CHAMA NÃO SE PRENDE 

rodeado de paredes
rodeadas de muros altos
que foram depois muralhas
um preso encarcerado
ao longo da terrível década de 50
inteira
Não cedeu.
 
 
 

 

Levado a tribunal
em 3 e 10 de Maio de 1950
só então fica a saber que Militão e Sofia
presos com ele torturados não «falaram»
não cederam E que esse grande patriota Militão
Ribeiro fazendo greve da fome foi morto
Perante o tribunal acusa os seus acusadores
Defende o seu Partido a sua acção
e a sua orientação política
 
 
 

 

Ponto a ponto responde às calúnias
que são os porcos argumentos do ódio
e do terror de estado Ponto a ponto
responde com o orgulho do homem livre
e o vigor da inteligência Responde por si
e pelos seus como quem acusa
e ameaça Ameaça o inimigo que o tem preso
Dos 11 anos seguidos, preso,
14 meses incomunicável,
8 anos em isolamento
E não cedeu Nunca cedeu
Agora na humidade salina da cela
contra o eco do estrondo do mar
que não esquece/e grita/contra a fortaleza
contra a corrente contínua dos dias e das noites
este homem livre é uma chama
uma lâmpara marina
 
 
 

 

Não cede lê e desenha lê
e estuda e escreve este homem livre
que está preso e é uma chama
açoitada pelo vento e pelo silêncio
numa cela
Não cede e escreve
A Questão Agrária
As lutas de classes em Portugal nos fins da Idade Média
e escreve uma tradução do Rei Lear
e escreve
Até Amanhã, camaradas
 
 
 

 

o homem livre encarcerado
fugiu enfim
colectivamente
a 3 de Janeiro de 1960
e nunca mais foi apanhado

 
 
 

 

Manuel Gusmão

   

(de «Três Curtos Discursos em Homenagem Póstuma a Álvaro Cunhal»)

 

poema retirado do Cravo de Abril

Posted in Álvaro Cunhal, Manuel Gusmão | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

SEMÂNTICA ELECTRÓNICA

Posted by J. Vasco em 11/06/2010

Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores,
E sou ordenado,
Enfim — o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
— Mas — diz-me a ordenança —
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens…
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!

                          

 Vitorino Nemésio

Posted in Vitorino Nemésio | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

GUANTÁNAMO: O GRANDE CAMPO DA «LIBERDADE»

Posted by J. Vasco em 10/06/2010

Os amantes do «modo de vida ocidental» e os amigos da «liberdade» e da «democracia» (leia-se: do capitalismo e da exploração), acompanhados pelos sempre ingénuos defensores do «anti-dogmatismo» e do «anti-totalitarismo», andaram afadigados, há cerca de dois anos, a tentar convencer o mundo de que o campo de concentração de Guantánamo se resumia a um triste e passageiro episódio da era de Bush Jr. que seria rapidamente ultrapassado pela boa e virtuosa «democracia» americana, e no caso vertente pelo seu chefe de turno Obama. O código genético da grande «democracia» que o imperialismo constitutivamente é, nos termos das concepções sócio-políticas dessa gente, encarregar-se-ia de pôr tudo no sítio. E diziam-nos e repetiam-nos então, de manhã à noite, que o campo de tortura seria encerrado até 2010.

O paleio, entretanto, acabou. Os homens da propaganda puderam finalmente recolher aos gabinetes, dado que o trabalho de psicologia de massas já tinha feito o seu curso. A grande maioria dos «cidadãos comuns» (jargão que esses senhores adoram empregar), ou já esqueceu o problema, ou está mesmo convencida de que o campo da infâmia está desmantelado.

Assim sendo, senhores «democratas», peço-vos, encarecidamente, um enorme favor: cheguem-se à frente, por obséquio, e anunciem-nos todas as novidades – hoje, no dia 10 de Junho de 2010 – sobre o «encerramento de Guantánamo». E não se esqueçam de acrescentar aos vossos «raciocínios» «explicações imparciais» e palavras belas, como é vosso apanágio, sobre a «liberdade», o «mercado», a «democracia», a «dignidade da pessoa humana», blá-blá-blá. 

(Ou muito me engano, ou vamos mesmo ser brindados apenas com um silêncio sepulcral…) 

Posted in Guantánamo | Com as etiquetas : | 1 Comment »

MILITAROPHILIA

Posted by * em 10/06/2010

O desprezível António Barreto aproveita, neste exacto momento, o dia 10 de Junho, dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas para, ao abrigo de mais um tacho (estes senhores dizem-se oposição ao governo e não se cansam de, permanentemente, ao longo de toda a vida, usar, abusar e lambuzar-se em tachos e cunhas e sinecuras oficiais) … dizíamos nós, o inexcedível António Barreto usa o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas para, ao abrigo de mais um tacho, cantar nojentas loas à defesa militar do colonialismo e entoar enternecidos panegíricos aos mercenários que, parasitando no dinheiro dos contribuintes, estiveram dispostos a matar no Iraque em defesa do imperialismo americano, que não hesitaram em (mais por dinheiro do que por glória) fazer o papel de assassinos de um povo que não conheciam, denegrindo a imagem do seu próprio país. Pois… já o Jörg Paulinho Haider das feiras tem também essa obsessão erótico-fascista em relação aos membros dos órgãos burgueses de repressão e combate. É algo que, não sendo meramente patológico, tem, certamente, algumas características patológicas, além das políticas.

Posted in Militarophilia | 1 Comment »

HEGEL E A ONTOLOGIA

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

    

Para o grande público, José Barata-Moura é sobretudo um grande autor e intérprete de canções infantis que atravessam gerações, um cantor de intervenção, ou ainda o ex-reitor da Universidade de Lisboa.

Menos conhecida desse grande público é a sua continuada, profunda, finíssima e a vários títulos fecunda reflexão filosófica. Ora, sem nenhum grão de exagero e sem nenhum tipo de favor, deve dizer-se que José Barata-Moura é o maior filósofo português, sendo simultaneamente um pensador de craveira mundial.

A sua obra alargou-se agora um pouco mais. Há cerca de um mês foi dada à estampa esta pérola em forma de livrinho: «Estudos sobre a ontologia de Hegel – Ser, Verdade, Contradição»

Por partir de supostos trans-hegelianos, o livro permite, a um tempo, uma penetração enriquecida na dinâmica da filosofia de Hegel e uma recuperação materialista do núcleo racional (a dialéctica) do seu pensamento. Na linha geral que atravessa a obra, há toda uma preocupação por parte de José Barata-Moura de destacar em Hegel a ocupação com «aquilo que é», afinal com aquilo mesmo de que a ontologia trata.

Logo na Introdução, diz-nos José Barata-Moura ao que vem:

«[…] Cada capítulo deste livro forma por si uma unidade. No entanto, as temáticas que se entrecruzam permitem, porventura, divisar, no seu conjunto, uma tentativa de penetração no que se me afiguram ser traços marcantes da ontologia de Hegel – isto é, do respondimento que ele pensa para a pergunta fundadora: que é «aquilo que é»? […]»

Boa leitura.

Posted in Barata-Moura, Hegel, Idealismo Alemão | Com as etiquetas : | 3 Comments »

SOBRE O VELHO DO RESTELO

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

A superficialidade reinante atribui à figura do Velho do Restelo, de ordinário, características que desfiguram por completo a mensagem e o núcleo de valores que Camões, através de tal personagem, condensou na sua criação literária. Por que motivo isto aconteceu? Eis um tema sobre o qual, um dia, pensei escrever. Mas para quê, se o Jorge Carvalheira já o fez, e com a elegância que se sabe? Aqui fica o seu textinho, precioso, retirado do Ladrar à Lua:

«É das figuras mais injuriadas e mais caluniadas do sótão da nossa história. E no entanto o poeta deixou dele uma visão positiva, sem auréolas pintadas nem coroas de louro falso.
Era um velho de
aspeito venerando, tinha um saber real só de experiências feito, e tirou do experto peito anátemas de bom-senso: contra a glória de mandar e a vã cobiça, contra a temeridade que põe em risco a vida, contra as falsas promessas que o povo néscio enganam, contra a vaidade que enleva a fantasia, contra a crueza e feridade a que puseram nome esforço e valentia.
Estas sentenças tais o velho honrado/vociferando estava… E ficou vociferando, e vocifera ainda, enquanto partem as naus da nossa praia das lágrimas.
Tresleram-no desde logo os poderosos do reino, que das misérias alheias sempre encheram a barriga. Crismaram-no de timorato e de cobarde. O néscio povo seguiu-lhes o exemplo, e agora já é tarde para mudar».

Posted in Jorge Carvalheira, Velho do Restelo | Leave a Comment »

ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO!

Posted by J. Vasco em 08/06/2010

Faleceu Rosa Coutinho. Figura maior da Revolução de Abril e da luta pelo socialismo. Homem íntegro, vertical, avesso a mediatismos. Está na altura de se começar a falar dele, de destacar o seu papel ímpar no apoio à luta dos povos colonizados pelo império português. (Será que podes começar a tratar da empresa, Jorge?)

Até sempre, senhor Almirante!

ADENDA: Tal como nos é dito pelo autor,  este livro é dedicado a um milhão de portugueses: soldados, capitães, um general e um almirante. O general deixou-nos há cinco anos, o almirante partiu agora.

Posted in Jorge Carvalheira, Rosa Coutinho | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

YESUDAS

Posted by J. Vasco em 02/06/2010

 

Kattassery Joseph Yesudas tem 70 anos. Canta músicas populares indianas e compõe música clássica indiana, filão artístico com fundas e remotas raízes. Das vinte e uma línguas nacionais faladas na Índia, só não canta em duas delas: o assamês e o caxemira. Uma visita ao seu site oficial pode ser feita, com proveito, aqui.

Posted in Yesudas | Com as etiquetas : | 3 Comments »

PALESTINA INDEPENDENTE

Posted by J. Vasco em 01/06/2010

Posted in Israel, Palestina | Com as etiquetas : | 3 Comments »

ODA A LA EDAD

Posted by J. Vasco em 01/06/2010

Yo no creo en la edad.

Todos los viejos
llevan
en los ojos
un niño,
y los niños
a veces
nos observan
como ancianos profundos.

Mediremos
la vida
por metros o kilómetros
o meses?
Tanto desde que naces?
Cuanto
debes andar
hasta que
como todos
en vez de caminarla por encima
descansemos, debajo de la tierra?

Al hombre, a la mujer
que consumaron
acciones, bondad, fuerza,
cólera, amor, ternura,
a los que verdaderamente
vivos
florecieron
y en su naturaleza maduraron,
no acerquemos nosotros
la medida
del tiempo
que tal vez
es otra cosa, un manto
mineral, un ave
planetaria, una flor,
otra cosa tal vez,
pero no una medida.

Tiempo, metal
o pájaro, flor
de largo pecíolo,
extiéndete
a lo largo
de los hombres,
florécelos
y lávalos
con
agua
abierta
o con sol escondido.
Te proclamo
camino
y no mortaja,
escala
pura
con peldaños
de aire,
traje sinceramente
renovado
por longitudinales
primaveras.

Ahora,
tiempo, te enrollo,
te deposito en mi
caja silvestre
y me voy a pescar
con tu hilo largo
los peces de la aurora!

 

Pablo Neruda

 

Posted in Barata-Moura, Pablo Neruda | Com as etiquetas : | 1 Comment »