OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Posts Tagged ‘luta dos trabalhadores’

DEPOIS DAS ELEIÇÕES

Posted by J. Vasco em 24/01/2011

 

A vitória de Cavaco vai favorecer o grande objectivo a curto prazo da burguesia portuguesa: um governo de coligação, «estável, forte e de consenso alargado», entre PS, PSD e CDS. Vai ser a comissão de serviço do FMI em Portugal (como, de resto, nunca deixou de ser, embora com outros arranjos).

Cá estaremos, para o que der e vier. Somos corredores de fundo, vimos do fundo do tempo e não abandonamos o nosso posto.  

A luta continua!

Posted in PP, PP Coelho, Presidenciais, PS e PSD: partidos colaços | Com as etiquetas : | 1 Comment »

MARINHA GRANDE, 18 DE JANEIRO DE 1934: UM ASSALTO AOS CÉUS

Posted by J. Vasco em 18/01/2011

O ano de 1934 começava sob a égide do Estatuto do Trabalho Nacional, então entrado em vigor. Era um documento inspirado no fascismo italiano, liquidador dos sindicatos de classe.

Como resposta à situação, há 77 anos, na Marinha Grande, o dia começava com a bandeira vermelha a drapejar e com o soviete decretado pela classe operária, que havia tomado o controlo da vila, a estação de correios e o posto da GNR. «Todos como um só, sob uma voz camarada, se lançaram de novo ao ataque na ânsia de quebrar as algemas Salazaristas». A perspectiva de uma greve geral insurreccional, que varresse o país de norte a sul e instaurasse o poder proletário, foi gorada – houve apenas algumas movimentações em Almada, em Sines e em Silves. A ditadura do proletariado, na Marinha Grande, durou um dia. O assalto aos céus foi facilmente esmagado pelo estado fascista e abateu-se sobre os insurrectos uma repressão implacável. Contudo, a sua abnegação, o ódio à exploração de classe, a luta pela emancipação humana – esses permanecem vivos, são imortais. 
 

Posted in 18 de Janeiro | Com as etiquetas : , , | 1 Comment »

O QUE ESTÁ EM JOGO NAS PRESIDENCIAIS

Posted by J. Vasco em 10/01/2011

Qual é a grande questão que se coloca na eleição presidencial do próximo dia 23 de Janeiro?

A cartilha dominante, soprada aos quatro ventos por um monolítico coro de «comentadores» encartados, de reaccionários de direita e de «radicais» da «esquerda» chique (de extracção «autonomista», ou de obediência social-democrata), garante-nos de dia e de noite que se trata de eleger um homem para um cargo unipessoal. E por aqui se ficam, presos nesta «lógica» férrea. Nada mais há do que eleger um homem, sair de cena e deixar que ele aja por nós, esperando que seja «competente», «justo», «solidário», «interventivo», «isento», blá-blá-blá. O contexto social que envolve a eleição e para o qual ela se dirige; os conflitos e as contradições políticas em presença; o conteúdo e o programa político de cada candidato; as forças sociais que são por eles chamadas a intervir e a defender os seus interesses – tudo isto (no fundo, as questões verdadeiramente capitais que estão em jogo a 23 de Janeiro) é olímpica, mas não desinteressadamente, ignorado e posto debaixo do tapete pelo nosso coro, em favor de barganhas em torno das mais rasteiras aritméticas de bolso e insignificâncias afins.

No dia 23 de Janeiro de 2011, o que se vai decidir é se a luta dos trabalhadores e do povo tem na presidência da república um órgão que com ela se identifica, dando-lhe com isso força institucional, peso político e maior capacidade de resistência para as grandes lutas futuras; ou se, pelo contrário, a presidência da república, mancomunada com São Bento, será, como até aqui, um pilar político da burguesia e um farol das privatizações, dos PEC’s, da destruição das conquistas dos trabalhadores e das guerras coloniais chefiadas pela NATO.

Apenas a candidatura de Francisco Lopes se encontra em medida de cumprir o primeiro desígnio. Por se assumir como um projecto político definido, claramente em ruptura com a agenda burguesa; por encontrar as suas raízes e o seu horizonte no movimento operário e popular; ao contrário de todas as outras candidaturas, que pedem votos para eleger um qualquer «grande homem», por concitar a acção própria das grandes massas, não vendo na sua eleição um fim pessoal, esgotado em si próprio: «Com toda a confiança, dirijo-me aos trabalhadores e ao povo de Portugal: é preciso transformar desânimos e resignações em esperança combativa. Confiem nas vossas próprias forças! Mobilizem a vossa vontade, energia e capacidades!» (Francisco Lopes, declaração de candidatura, 10 de Setembro de 2010).
   

Posted in Francisco Lopes | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

ENTREVISTA A PERIKLIS PAVLIDIS

Posted by J. Vasco em 29/12/2010

Como prometêramos, publicamos no Olhe Que Não a entrevista de fundo que Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nos concedeu há um mês, nas vésperas da greve geral de 24 de Novembro. Ao contrário do que então dissemos, acabámos por não dividir a entrevista em módulos. Fazêmo-la chegar ao leitor por inteiro, sem interrupções na sequência da leitura.

Periklis Pavlidis é professor assistente de Filosofia da Educação na Universidade Aristóteles, de Tessalónica. Cursou História na URSS, como aluno da MGU, tendo-se licenciado em 1991. Doutorou-se em 1994, na mesma Universidade, em Filosofia. É membro da International “Logic of History” School, centro internacional de estudos marxistas agrupado em torno da obra do filósofo soviético Viktor Vaziulin. Tem um livro publicado sobre o fenómeno da burocracia na URSS.

Frontal e directo, Periklis Pavlidis partilhou connosco as suas análises, opiniões e perspectivas, e a entrevista contém basto material para reflectir, meditar e discutir. É com essa esperança, a de que a reflexão e o debate continuem, que a deixamos ao dispor dos leitores. 

 

OLHE QUE NÃO – Descreve-nos a situação económica e social da Grécia neste último ano.

PERIKLIS PAVLIDIS – É uma situação que se caracteriza por uma rápida e profunda deterioração das condições de vida da grande maioria da população.

O gradual declínio da economia grega no quadro da União Europeia, devido à aguda competição com as economias mais fortes; a contracção do potencial produtivo do país; o enorme deficit comercial (em Agosto de 2010 chegou aos 14, 4 biliões de euros); a escandalosa política dos governos burgueses para fortalecer por via de programas financeiros os grandes negócios – tudo isto levou a um gigantesco aumento da dívida pública, a qual, a 31 de Dezembro de 2009, atingiu a soma de 298 524 milhões de euros, o que corresponde a 124,3% do PIB.

Devo acrescentar que já em Junho de 2010 a dívida pública atingiu o valor de 316 954 milhões de euros, e que, de acordo com a revista Economist, espera-se que chegue aos 150% do PIB em 2014.

Leia o resto deste artigo »

Posted in Grécia, Periklis Pavlidis | Com as etiquetas : , , , , | Leave a Comment »

NOS PIQUETES

Posted by J. Vasco em 24/11/2010

CTT, CABO RUIVO, MADRUGADA DE DIA 24 DE NOVEMBRO

Os piquetes de greve são elementos fundamentais da luta dos trabalhadores contra a repressão e contra os boicotes dos amarelos. São escolas de resistência e de organização. Terão nas lutas futuras um papel cada vez mais decisivo. E, senhores burgueses e respectivos lacaios (fardados ou não), podeis tremer: os piquetes alargar-se-ão amplamente, multiplicar-se-ão, consolidar-se-ão e fortalecer-se-ão. Até à vitória final.

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | 3 Comments »

GRATIDÃO

Posted by * em 24/11/2010

Os autores do blog prestam homenagem, neste início de Greve Geral, a estes heróis do povo trabalhador, os sindicalistas combativos que, com indescritível dedicação e à custa de enormes esforços e sacrifícios, lutam diariamente contra a exploração, contra a burguesia, suportando corajosamente os ataques, as perseguições e as calúnias demagógicas dos defensores da exploração. Nós sabemos quem odeia os sindicatos e as razões por que os odeiam. Mas também sabemos quem os respeita e quem percebe que os sindicatos são a força colectiva dos trabalhadores. A nossa sincera gratidão aos sindicalistas combativos, estas pessoas que se transcendem quotidianamente, que roçam o que de mais humano o ser humano tem.

Posted in Greve Geral, Sindicatos | Com as etiquetas : | 3 Comments »

«VAI SER UMA GRANDE LUTA»

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

A entrevista de hoje, véspera da greve geral, é com José Reizinho, coordenador da comissão de trabalhadores da CP. Oferecemos aos nossos leitores mais um retrato de uma grande empresa de transportes, desta feita de dimensão nacional. Apresentando especificidades, não deixa no entanto de ser atravessada pelos efeitos nefastos da agressiva política de recuperação capitalista que atinge todos os sectores de actividade.

José Reizinho demonstra uma consciência aguda da necessidade de aprofundar os laços de classe entre os trabalhadores. As lutas futuras, duras e prolongadas, assim o exigem. 

  

OLHE QUE NÃO – No quadro geral do agravamento das condições de vida dos trabalhadores portugueses, qual é a situação particular da CP?

JOSÉ REIZINHO – Na minha perspectiva, para caracterizar a situação actual da CP é necessário recuar alguns anos e apreender a política de privatização gradual da empresa que tem vindo a ser seguida.

OLHE QUE NÃO – Essa política de privatização agravou-se recentemente?

JOSÉ REIZINHO – Sim, sim. A pretexto da crise financeira deram-se decisivos passos em direcção à privatização do transporte ferroviário. Invocando sempre «a crise» e «as dificuldades económicas», criaram-se condições a vários níveis para essa privatização.

Leia o resto deste artigo »

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

OUSADOS NO PENSAMENTO E NA ACÇÃO

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

«Pela ocasião da greve geral de 24 de Novembro em Portugal, desejo-vos, de todo o coração, que tenham um enorme sucesso, que seja o início de um nível novo de uma luta de classes decisiva no vosso país. A crise global do capitalismo, a miséria e o sofrimento de milhões de trabalhadores exigem que nos transcendamos a nós mesmos para nos tornarmos ousados no pensamento e na acção.

Envio aos camaradas em Portugal, ao povo em luta pelo mais nobre objectivo na história, em luta pela libertação do trabalho assalariado, pelo comunismo, os meus calorosos cumprimentos.».

Periklis Pavlidis

* O Olhe Que Não tem o privilégio de ter entrevistado Periklis Pavlidis, professor universitário grego, nas vésperas da greve geral de amanhã. A entrevista dá-nos conta da aguda luta de classes em curso na Grécia desde há um ano. Pela extensão da entrevista, publicá-la-emos em vários módulos ao longo da próxima semana. O excerto acima transcrito corresponde às palavras finais que Periklis Pavlidis entendeu dirigir-nos.

Posted in Grécia, Greve Geral, Periklis Pavlidis | Com as etiquetas : , , , | 1 Comment »

A GREVE GERAL EM MARCHA (IV)

Posted by J. Vasco em 22/11/2010

LISBOA, CASTELO DE S. JORGE, 22 DE NOVEMBRO DE 2010

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | 2 Comments »

«UM GANHO PRECIOSO NA CONSCIÊNCIA DE CLASSE DOS TRABALHADORES DA CARRIS E NA SUA CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO PARA AS LUTAS FUTURAS»

Posted by J. Vasco em 20/11/2010

Manuel Leal é membro do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), ambas estruturas filiadas na CGTP, e responsável pela acção sindical na Carris, mais uma das grandes empresas de transporte urbano da área metropolitana de Lisboa.

A entrevista que concedeu ao Olhe Que Não, em vésperas da greve geral de dia 24 de Novembro, prima pela clareza e pelo profundo conhecimento de que dá mostras da realidade da vida laboral na Carris. Vale a pena acompanhar as suas análises, assim como, a partir da experiência recente na Carris, é imperioso atentar seriamente na importância que Manuel Leal atribui à elevação da consciência política e de classe dos trabalhadores: «este nível de consciência que os trabalhadores ganharam parece-nos ser um ganho enorme em termos do presente e em termos do futuro»

OLHE QUE NÃO – Para o dia 24 de Novembro está marcada uma greve geral. Face à situação da Carris, quais são os motivos desta greve na empresa? Como se posiciona o STRUP em relação a ela?

MANUEL LEAL – Antes de mais, penso que vale a pena referir que o desencadear da actual ofensiva contra os trabalhadores a nível nacional, e por tabela contra os trabalhadores da Carris, veio confirmar as posições sucessivas de denúncia, feitas por nós ao longo dos anos, da acção dos sindicatos da UGT,  secundados pelos chamados sindicatos independentes.

Leia o resto deste artigo »

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

«OS TRABALHADORES ESTÃO UNIDOS E DISPONÍVEIS PARA A LUTA»

Posted by J. Vasco em 18/11/2010

O Olhe Que Não dá hoje início a uma série de entrevistas com dirigentes sindicais e membros de comissões de trabalhadores, que se encontram, neste momento, em intensa fase de preparação da greve geral do próximo dia 24 de Novembro. Para além da participação dos editores do blog, enquanto trabalhadores, na greve, decidiram eles contribuir também para o sucesso dessa grande luta dando voz aos seus mais destacados construtores, que, de resto, sentem e vivem no dia a dia o pulsar real do movimento.

Para conhecermos de mais perto as dinâmicas que o atravessam e que o estruturam, ficamos de seguida com as palavras e as reflexões de Jorge Alves, elemento da comissão de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, como se sabe uma das mais importantes empresas de transportes da malha urbana e suburbana de Lisboa.

 

OLHE QUE NÃO – No âmbito da presente ofensiva geral contra os trabalhadores, plasmada nas várias versões do PEC e na aprovação do OE para 2011, de que forma são e serão afectados especificamente os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa?

JORGE ALVES – Os trabalhadores da nossa empresa, tal como de todas as outras do sector empresarial do estado, sofrem um impacto financeiro muito pesado, quer nos salários, quer nos subsídios de refeição, quer nos abonos de trabalho nocturno. Isto para além do que acontece a todos os outros trabalhadores com o aumento do IVA, da inflação e do IRS.

Dos cortes directos no vencimento e nos subsídios, estimamos que em média os trabalhadores da nossa empresa são roubados em mais de 18%.

Quanto a uma outra importante questão, temos vindo a alertar para que, do ponto de vista dos princípios, esta medida é uma clara violação do direito à livre negociação e à autonomia de cada empresa. Note-se que o salário que temos hoje não foi tirado a ninguém, resulta de uma negociação em que a empresa e os sindicatos acordaram que para um conjunto de tarefas e responsabilidades que os trabalhadores têm merecem em contrapartida uma remuneração determinada, que agora unilateralmente querem alterar.

Reparemos que nos tiram no salário, mas mantêm todas as tarefas e responsabilidades que temos.

Leia o resto deste artigo »

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : , | 1 Comment »

A GREVE GERAL EM MARCHA (III)

Posted by J. Vasco em 18/11/2010

AMADORA, 18 DE NOVEMBRO DE 2010

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

A GREVE GERAL EM MARCHA (II)

Posted by J. Vasco em 18/11/2010

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

A GREVE GERAL EM MARCHA

Posted by J. Vasco em 12/11/2010

LISBOA, 12 DE NOVEMBRO DE 2010

aqui

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | 1 Comment »

UM GENUÍNO SENTIDO DE IGUALDADE, UMA RIGOROSA DEMOCRATICIDADE

Posted by J. Vasco em 23/10/2010

O lado explosivo da questão. Com a devida vénia a Manuel Raposo.

 

Posted in Chile, Mineiros | Com as etiquetas : | 2 Comments »

O OLHE QUE NÃO À ESCUTA (II)…

Posted by J. Vasco em 21/10/2010

  

Novas de França

O Miguel Queiroz volta à antena. Mais uma vez, furando o cerco informativo montado pelos media do sistema, faculta-nos um relato vivo e objectivo dos acontecimentos, possibilitando-nos uma compreensão mais completa e mais adequada da intensa luta de classes que decorre em França. Ainda não sabemos para que lado acabará por pender a balança: para o lado da burguesia ou para o lado dos trabalhadores. O certo é que esta contradição, o motor da história, terá um desenlace. O certo, também, é que a radicalização das medidas repressivas do governo demonstra à saciedade a pujança do movimento operário francês. Que não se rende, que avança – e que, neste momento, fazendo jus à sua tradição revolucionária, se coloca à cabeça do movimento operário na Europa. Obrigado, Miguel! Até já…

«Camarada,

Depois de mais um dia de trabalho, de uma manifestação à porta do senado (onde se acumulam carrinhas do corpo de intervenção) e de uma visita breve ao piquete de greve da minha faculdade apresso-me a relatar o que temos vivido desde domingo. O movimento continua vivo e forte. Exemplo disso foi a manif de ontem, terça, onde 3 milhões e meio de pessoas estiveram na rua, atingindo números record em Marselha e Paris. Já foram 3  as vezes em que fomos mais de 3 milhões na rua no espaço de apenas uma semana. Não será por isso estranho que uma das palavras mais ouvidas na acção de ontem fosse “Greve Geral”. A questão continua no entanto delicada junto da CGT: Georges Seguy apela hoje no L’Humanité de forma algo velada a “que se deixe a gestão da greve aos trabalhadores”.  Leia o resto deste artigo »

Posted in França, Miguel Queiroz | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

O OLHE QUE NÃO À ESCUTA…

Posted by J. Vasco em 17/10/2010

Novas de França

O nosso camarada e amigo Miguel Queiroz, a viver em Paris, deixou aqui um importante testemunho sobre o enquadramento geral, a dinâmica e o horizonte imediato dos acontecimentos desta semana vividos em França. O relato é extraordinariamente vivo, claro, rigoroso e sintético. Capta, em primeira mão, o essencial e mostra-nos tudo aquilo a que não temos acesso através dos meios de comunicação do sistema. Obrigado, Miguel! A antena está aberta. Continuaremos à escuta…

«Camarada,

          Por Paris vivem-se tempos de luta, greves, manifestações, demonstrações de grande coragem por parte da classe operária. Terça fomos 3 milhões e meio na rua, no domingo outros tantos, na próxima terça há nova manifestação. Entretanto múltiplas greves sectoriais continuam a ser reconduzidas desde terça passada: caminhos de ferro, transportes públicos, portos, refinarias (onde os trabalhadores conseguiram parar todas as refinarias do país, nada menos que 12), educação (em certas regiões), alguns sectores da função pública e os camionistas aderem dentro de meia hora ao movimento. Tendo citado apenas os sectores mais estratégicos. Entretanto os estudantes aderiram ao movimento tendo fechado entre 500 e mil liceus na última semana (amanhã de manhã saberemos melhor como segue o movimento a este nível).
Leia o resto deste artigo »

Posted in França, Miguel Queiroz | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

A «ESTABILIDADE» (DO CAPITAL) É A INSTABILIDADE DAS NOSSAS VIDAS

Posted by J. Vasco em 17/10/2010

No próximo dia 24 de Novembro, os trabalhadores portugueses avançam para a greve geral. Engrossaremos a torrente de lutas, protestos e greves que têm varrido a Europa desde a Primavera passada. Contra a exploração capitalista; contra a intensificação do esbulho patronal a propósito da crise; contra a descida dos salários, a subida vertiginosa do custo de vida e a retirada de direitos. Pelo fortalecimento da resistência organizada dos trabalhadores à brutal ofensiva da burguesia; pelo crescimento da consciência social e política dos trabalhadores; pela preparação de novas lutas (mais fortes, mais coesas, mais conscientes, imparáveis) contra a «estabilidade» do capital, que é a instabilidade das nossas vidas. Ao trabalho, camaradas!

Posted in Greve Geral | Com as etiquetas : | 4 Comments »

VÊ LÁ COMO VENHO EU…

Posted by J. Vasco em 13/10/2010

Dedicado aos 33 mineiros do Atacama (que representam os mineiros de todo o mundo):


Nas minas de Aljustrel
Tralalalalalalala
Morreram muitos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Trago a cabeça aberta…
Tralalalalalalala
Que me abriu uma barreira, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Trago a camisa rota…
Tralalalalalalala
E sangue de um camarada, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Santa Barbara bendita…
Tralalalalalalala
Padroeira dos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…

Posted in Chile, Mineiros | Com as etiquetas : , | 1 Comment »

UM SOCIÓLOGO MUITO CÁ DE CASA

Posted by J. Vasco em 21/09/2010

«Contrariamente ao que sucedeu em boa parte da modernidade, a classe

trabalhadora parece ter sofrido uma perda de capacidade na mobilização social e

sindical nas últimas décadas. Assim, assumimos como propósito analisar o papel do

universo simbólico-ideológico na construção desse cenário das classes trabalhadoras

ocidentais. Em suma, procuraremos identificar algumas das principais linguagens

simbólico-ideológicas de classe que têm conformado grande parte da subjectividade

assalariada nas últimas décadas».

 

 

* Para quem não saiba e queira estar presente: o ICS fica mesmo ao lado do ISCTE

Posted in João Aguiar | Com as etiquetas : , , , | 1 Comment »

OS «HOMENS DA LUTA» E A LUTA DOS HOMENS

Posted by J. Vasco em 17/09/2010

Atente-se, por um momento, neste par de pseudo-truões. É um produto típico, acabado, da «sociedade do espectáculo», um emblema reluzente da cultura pós-moderna.

Integrar no reino e no circuito do «espectáculo», da mercadoria, do valor, qualquer dimensão da existência é uma lógica objectiva do capitalismo, desdobrada, no âmbito do mesmo processo, em dois tabuleiros: o da necessidade de acumulação de capital e de reprodução alargada do sistema, por um lado; e, por outro lado, no plano subjectivo (político, ideológico, volitivo, afectivo), o da neutralização e domesticação dos elementos e forças sociais susceptíveis de transformarem revolucionariamente o modo vigente de produzir e reproduzir o viver em comunidade.  

Chega a ser enternecedor ver os donos e os directores de programação das televisões, reaccionarões de alto coturno sempre pródigos na condenação liminar das verdadeiras lutas populares, a acarinhar e  a estimular as façanhas provocadoras e ofensivas das vidas duras dos trabalhadores, protagonizadas pela dupla de bobos, afinal instrumento dos seus interesses.

Mas desenganem-se, amigos. Por muito que tentem folclorizar e ridicularizar o «velho», «relho» e «ultrapassado» movimento organizado de homens e mulheres que labutam pela emancipação humana  (com o intuito de o tornar inofensivo e «aceitável», porquanto enquadrado e enquadrável na estrutura regulada do «espectáculo»), a verdade é que a vossa decadência não triunfará sobre o que é vivo. Convém não confundir os «homens da luta» com a LUTA DOS HOMENS.

Posted in FIGURAS | Com as etiquetas : , | 2 Comments »

LA LUTTE, BIEN SUR!

Posted by J. Vasco em 09/09/2010

Qual foi a resposta dos trabalhadores franceses, há três dias, aos intentos patronais de aumentar a idade da reforma dos 60 para os 62 anos de idade? Vergar-se perante as «inevitabilidades»? «Compreender» a necessidade de «contenção orçamental»? Aceitar a destruição do «estado social» em nome da sua «defesa»? Sorrir perante o aumento da exploração capitalista? Não. Foi a da luta retumbante (greve, cerca de 2 milhões de manifestantes), a da verdadeira luta à francesa, a da mobilização popular organizada e combativa, que bebe o seu vigor na tradição revolucionária de 1789, de 1848 e de 1871. Os trabalhadores franceses são fortemente politizados, conscientes, e os sindicatos de classe, apesar de inúmeras contradições, nunca perderam implantação no terreno, têm força e mantêm perspectivas de luta. Será esta grande luta nacional (nacional na forma, internacional no conteúdo) suficiente para fazer recuar o governo burguês de França? Veremos. Certo é que, sem luta, a derrota já estaria hoje consumada. A dos trabalhadores franceses – e a dos restantes trabalhadores europeus.

Posted in França | Com as etiquetas : | 4 Comments »

CONTINUAR DE CABEÇA ERGUIDA, SEMEAR O FUTURO

Posted by J. Vasco em 08/07/2010

Posted in * | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

TAPAR O SOL COM A PENEIRA

Posted by J. Vasco em 02/07/2010

Chegam-nos imagens da greve geral da função pública de dia 8 de Junho, em Espanha.

Constituem, no fundo, a prova cabal – como os liberais nos afiançam de noite e de dia, num coro de mil e um tons – de que «terminou a luta de classes»; de que desapareceu a ditadura de uma classe sobre outras (seja sob a forma democrática, seja sob a forma autoritária); de que o que vigora em toda a linha é «a democracia», entendida nos abstractos termos do liberalismo enquanto espaço higienizado de racionalidade argumentativa, fora, além e acima dos conflitos sociais pontuados pela exploração capitalista.

Entenda-se: nada do que estas imagens mostram pode ser surpreendente, se tivermos a coragem e a lucidez de olhar de frente a complexidade do real e de perceber que a luta de classes não terminou, de que vivemos um momento de ofensiva burguesa, visando a manutenção do seu domínio. Também não surpreende que os think tankers do sistema difundam urbi et orbi a propaganda barata da «democracia», da «liberdade» (de exploração) e do «respeito pelo indivíduo», no preciso momento em que as forças armadas do capital torturam, matam e pilham em guerras coloniais no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, na Colômbia, na Jugoslávia e um pouco por todo o globo terrestre. É mesmo essa, no fim de contas, a sua função. O que verdadeiramente surpreende é que algumas boas almas emprenhem pelos ouvidos, ruminem este digest de rasteira extracção, e sigam empenhadas, cantando e rindo, com o coração em sobressalto, na «qualidade da democracia», na «participação dos cidadãos na vida democrática» e na promoção do «dinamismo do mercado». Ridículas essas boas almas, ao tentarem tapar o sol com a peneira.   

Posted in * | Com as etiquetas : | 3 Comments »

A VOZ DO DONO NÃO APAGARÁ A VERDADE

Posted by J. Vasco em 31/05/2010

Diego Rivera, Desfile do 1º de Maio em Moscovo, 1956

 

A cobertura e a difusão mediáticas da manifestação de dia 29 de Maio foram vergonhosas. A Lusa falou em centenas de participantes e teve a réplica devida por parte da TSF, que acriticamente reproduziu a mentira à saciedade. O órgão central da SONAE reservou um espacinho da primeira página de dia 30 para se referir à manifestação, ocupando-a, em mais de cinquenta por cento do espaço, com a cara de Ronaldo como chamada para uma entrevista com a personagem. E o inefável Nuno Sá Lourenço, esse escriba direitista sempre disponível para a infâmia, chegou à «conclusão» de que a iniciativa foi um fracasso e de que não «havia condições» para a greve geral. A televisão, essa, utilizou a técnica conhecida de fechar os planos para impedir uma percepção adequada da amplitude e da dimensão real da manifestação.

Tudo isto é um sinal claro de fragilidade e de receio por parte da burguesia. Estas medidas são sinal de fraqueza – e não de força. A luta expande-se, ganha dimensão internacional. Há, por isso mesmo, que continuá-la e que aprofundá-la.

NOTA: Para tomar contacto com as «centenas» de manifestantes, CONSULTAR AQUI UMA GALERIA DE FOTOS DA MANIFESTAÇÃO.

Posted in Diego Rivera, Voz do dono | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

UM MAR DE GENTE

Posted by J. Vasco em 29/05/2010

Dia 29 de Maio de 2010. Um grande dia na história do movimento operário português. Um marco na epopeia emancipadora que é a luta dos trabalhadores. Uma bofetada de luva branca nos resignados, nos derrotados, nos individualistas, nos que medem o mundo pela pobre, distorcida e snob bitola do liofilizado mundo da comunicação social dominante.

Quem não esteve na grandiosa manifestação desta tarde, infelizmente só terá notícia dela através de um canto obscuro de jornal, de um rodapé manhoso na televisão, ou de um ruído inaudível da rádio. Quando não – ficando irremedivelmente separado de um confronto directo com as imagens da manifestação – através das «sábias», «desinteressadas» e «ponderadas» «explicações» de «politólogos», «analistas» e «comentadores» de serviço que pululam pelos média. Quando não, coisa que acabo de confirmar num noticiário televisivo, através dos comentários do dirigente da central «sindical» amarela e das declarações da ministra do patronato.

Quem lá esteve, viu um mar de gente inundar as ruas de Lisboa: a Artilharia Um, a António Augusto Aguiar, o Marquês de Pombal, a Avenida da Liberdade, os Restauradores. Um mar de gente com mais de 300 mil pessoas. Gente que não estava lá para aplaudir e desfilar passivamente, mas que, unindo vontades e mobilizando forças e energias, mostrou a quem quis ver uma combativa e firme disposição de lutar contra o capitalismo, de endurecer a resistência e de vencer. Acrescentando desta forma um elo mais à cadeia dourada de lutas europeias que os trabalhadores gregos iniciaram. Foi a maior manifestação em Portugal nas últimas décadas.

Mas a manifestação revestiu-se de uma importância ainda maior, se atendermos ao facto de que à crise estrutural do capitalismo no que toca à reprodução do capital não corresponde uma crise de dominação da burguesia – como aliás aqui, na caixa de comentários deste post, o João Aguiar já teve oportunidade de sublinhar. Só com a luta organizada de massas pode a burguesia ver a sua dominação posta em cheque. Só com a luta de massas em torno da defesa dos direitos sociais e políticos dos trabalhadores, hoje alvo de um ataque violentíssimo, pode a perspectiva socialista abrir-se e inscrever-se no leque de possibilidades a realizar que o presente para diante de si projecta.

Posted in Mar de gente | Com as etiquetas : | 4 Comments »

SEREIAS

Posted by * em 29/05/2010

Que interessante: uma manif gigantesca faz com que venha imediatamente a burguesia e o seu governo com falinhas mansas! A mesmíssima burguesia que explora sem dó nem piedade e fala arrogantemente com e dos trabalhadores e das suas representações sindicais e políticas. A mesma burguesia, as mesmas figuras, os mesmos bandidos, aparecem agora a emitir um canto suave e singelo de sereia, a falar de diálogo, concertação e pactos e coisas que tais. Não nos surpreendem. Sabemos bem o que faz com que os bandidos recuem, sabemos por que razão recuam, sob que condições recuam. Não nos misturamos com bandidos nem confiamos neles. As sereias não conseguiram enganar Ulisses, não conseguem também enganar Lisboa. Uma das versões acerca do nome de Lisboa, relaciona o nome Olissipo com Ulisses/ Odisseu.  Claro que as sereias são as mesmas. Mas podem as sereias fartar-se de hannahmontanar e tonycarreirar, que não vamos em cantigas, músicas, tangos ou tangas! Portugueses e gregos na mesma luta!

Posted in Sereias | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

SABEDORIA GREGA (II)

Posted by J. Vasco em 18/05/2010

15 de Maio de 2010, Atenas.

A televisão não mostra, os jornais não falam. Avante, Grécia!

Posted in Grécia | Com as etiquetas : , , | Leave a Comment »

SABEDORIA GREGA

Posted by J. Vasco em 17/05/2010

15 de Maio de 2010, Atenas.

A televisão não mostra, os jornais não falam. Avante, Grécia!

Posted in Grécia | Com as etiquetas : , , | Leave a Comment »

ERGUER A CABEÇA

Posted by J. Vasco em 12/05/2010

Posted in * | Com as etiquetas : | 3 Comments »

LÁ DO ALTO DA ACRÓPOLE PARA O MUNDO

Posted by J. Vasco em 05/05/2010

«Em que relação se encontram os comunistas com os proletários em geral?

Os comunistas não são nenhum partido particular face aos outros partidos operários.

Não têm nenhuns interesses separados dos interesses do proletariado todo.

Não estabelecem nenhuns princípios particulares  segundo os quais queiram moldar o movimento proletário.

Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo facto de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo facto de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total.

Os comunistas são, pois, na prática [praktisch], o sector mais decidido, sempre impulsionador, dos partidos operários de todos os países; na teoria, eles têm, sobre a restante massa do proletariado, a vantagem da inteligência das condições, do curso e dos resultados gerais do movimento proletário.

O objectivo mais próximo dos comunistas é o mesmo do que o de todos os restantes partidos proletários: formação do proletariado em classe, derrubamento da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado.

As proposições teóricas dos comunistas não repousam de modo nenhum em ideias, em princípios, que foram inventados ou descobertos por este ou por aquele melhorador do mundo.

São apenas expressões gerais de relações efectivas de uma luta de classes que existe, de um movimento histórico que se processa diante dos nossos olhos.».

 

Karl Marx & Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista, 1848

 

Posted in Grécia | Com as etiquetas : , | 2 Comments »

ASSIM (TAMBÉM) SE VÊ…

Posted by Patrícia B. em 05/05/2010

Posted in Grécia | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

O QUE É O PAÍS?

Posted by Patrícia B. em 30/04/2010

Já não há palavras para descrever o estado lastimável a que chegaram as mais tristes figuras deste país. E, não, o país não é o país dos senhores Passos Coelho e José Sócrates, porque para eles, pelos vistos, “o país”, como referem para nunca se comprometerem com palavras dirigidas às pessoas, ao povo (ai, que termo escandaloso, antiquado, sectário) que é quem realmente é afectado com este estado de miséria a que assistimos.

Ontem à noite, na Sic Notícias, Valter Lemos era entrevistado e dizia que a razão desta vergonhosa diminuição do subsídio de desemprego era a “saída mais rápida da situação de desempregado”. Pois, um desempregado a ganhar 75% do seu último salário já nem chega a sair da situação de desempregado porque apenas não consegue sobreviver!

O jornalista interrompia e dizia: “mas o subsídio de desemprego não é nenhuma regalia, o trabalhador descontou para ter esse direito…” Aqui está o jornalismo a cumprir a sua função principal: informar! Uma simples informação que ainda não chegou a todos, que ainda não chegou principalmente a quem tem mais possibilidades de estudar os compêndios de economia, de ler os tais dossiês e não o faz…propositadamente.

Paulo Portas é agora o visionário, a inteligência que comanda, o que está sempre pronto a antecipar ideologicamente todas as medidas, desde que sejam contra os pobres, os trabalhadores, os desempregados, os imigrantes, e, claro, a favor da lavoura, do mar, dos submarinos, das armas, da segurança dos senhores que por aí andam.

Paulo Rangel, qual Portas renovado, fala do “espírito patriótico” que sente ao ver os maiores responsáveis por esta tão desmedida medida reunidos em nome do… País! Lamento, mas o que as pessoas que dependem do seu trabalho para viver e dos subsídios para durante alguns meses sobreviverem porque foram despedidos, o que estas pessoas sentem é o contrário do patriotismo, é a revolta e a indignação por partilharem a mesma terra e o mesmo ar com estas tristes figuras.

Amanhã vamos todos para a rua! 1º de Maio, dia do trabalhador, a nós não nos param!

Posted in * | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

A RUA

Posted by J. Vasco em 25/04/2010

A poesia está na rua, Maria Helena Vieira da Silva

Posted in 25 de abril, Vieira da Silva | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

NOJO, SÓ NOJO, SIMPLESMENTE NOJO

Posted by J. Vasco em 16/04/2010

Domingo passado, hora de almoço.

Olhemos bem de perto este casal de desempregados do Vale do Ave (olhemo-lo, hoje, somente a ele, contemos apenas o seu caso, deixemos de lado, por momentos, aquele, da Azambuja, ou o outro, além, de Santo Tirso, ou esse aí, aí mesmo, da Covilhã, ou ainda aqueloutro, da Amadora… ou não será antes de Guimarães, ou de Ovar, ou de Faro, ou de Coimbra?). Os vizinhos da terra, mais novos, sem infantes, já partiram há um ano, meses depois da fábrica ter sido encerrada pela administração, as máquinas roubadas pelo Sr. CEO com o beneplácito do estado português, e os lucros, claro, tranferidos para uma conta na Suíça (a Suíça lava mais branco), ou para um off-shore perto de nós: uns foram para Espanha, tentar a sorte na laranja, na vinha, na construção civil – nunca mais se soube deles; outros abalaram para Andorra, a empregarem-se no comércio – como será que hão-de estar? 

O nosso casal, quasi-cinquentões ambos, dois filhos a estudar (e a comer, e a vestir, e a levar ao médico), recebe agora, por junto, um poucochinho menos de 1000 euros de subsídio de desemprego, após dezenas de anos de trabalho e de descontos. Os horários e os ritmos de trabalho nunca foram brandos, antes pelo contrário: «a produtividade, ora aí está». Os salários que auferiram durante esse tempo foram, como é bom de ver, aqueles salários «competitivos» próprios de qualquer «economia de mercado» que premeia o «mérito» e a «excelência». Em bom português, salários de miséria que são o correlato necessário, incontornável, inescapável, forçoso, dos lucros gigantescos dos Belmiros, dos Amorins, dos Berardos, dos Espírito Santo, e tutti quanti. E das «migalhas» generosas que eles dispensam aos seus homens de mão do PS, PSD e CDS, seja como ministros de turno, ou como gestores de ronda.

Mas voltemos ao almoço de domingo do nosso casal de desempregados, que já vai arrefecendo. 

O cozido que calmamente degustam foi confeccionado com os produtos do horto, que ainda lhes vai valendo.

O televisor está ligado, transmitindo a sessão de encerramento do trigésimo-não-sei-das-quantas-congresso-do-PPD/PSD. O gauleiter recém-entronizado, um tal de Passos Coelho, yuppie betinho com olhos de carneirinho mal morto, espécie de Ken (para quem não saiba: o namorado da Barbie) arrivista e sem escrúpulos, dá largas a todo o seu ódio de classe, espraia-se, com indisfarçável gozo, em carícias, promessas de amor e juras de fidelidade à burguesia, e em humilhações e ataques contra os pobres. Depois de propor congelamentos de salários, mais privatizações (o que será que sobra, depois do PEC?), e a revisão constitucional (será por ainda lá estar o serviço nacional de saúde, a educação tendencialmente gratuita, enfim, ainda algumas marcas da revolução de Abril?), depois de tudo isto, dizia-se, o snob Coelho condensou finalmente o seu mais alto pensamento político, como que dirigindo-se directamente ao nosso casal de «privilegiados»: «os que recebem subsídio de desemprego têm de retribuir com trabalho para a comunidade». Ah, valentão!

                                                            

É nojo, só nojo, simplesmente nojo, que estes trastes reaccionários provocam. Limitam-se a dar expressão política aos preconceitos mais fascistóides do senso-comum, tentando com isso dividir para reinar, tentando com isso virar o pobre contra o miserável. 

Sejamos, no entanto, pacientes, e reponhamos a verdade: o subsídio de desemprego é resultado de descontos que, mensalmente, os trabalhadores fazem para a segurança social. É um direito (conquistado pela luta, senhores snobs, arrancado na luta, senhores yuppies), não é nem uma benesse, nem uma esmola (de que vocês tanto gostam, senhores «democratas» de pacotilha, para manter pobres os pobres). Não é destempero orçamental, nem dádiva do governo-mãos-abertas para ganhar eleições, como dizem os liberalóides. Repete-se: é um direito. Aliás, enquanto regime contributivo, funciona como uma espécie de seguro (nalguns países tem mesmo esse nome), a lógica é idêntica à de um seguro.

Que esta coisa fascistóide, liberal em toda a linha, a que o tal de Passos Coelho preside tenha como nome «partido social-democrata» é coisa que já não é da ordem da comédia, mas da tragédia. É a continuação da mentira que enforma, determina e pontua a sua política direitista, elitista e reaccionária. Política que promove, aprofunda e torna sem saída a situação dos casais desempregados – agora sim, falemos deles – da Azambuja, de Santo Tirso, da Covilhã, da Amadora, de Guimarães, de Ovar, de Faro, de Coimbra…

O casal do Vale do Ave, depois do almoço de domingo, continua até hoje na mesma. Com efeito, o centro de emprego da sua área de residência tem empregos a rodos para dar e vender. A 2 euros à hora. A recibos verdes. Algumas horitas por semana. Como dizia o outro: «é fazer as contas». 

 

AVISO: quem quiser consultar as condições de acesso a outro insuportável «privilégio» dos pobres, o Rendimento Social de Inserção, pode fazê-lo aqui. Vejam como o país não pode mais suportar estes elevados «desmandos orçamentais» com «quem não quer trabalhar», e, para além da pobreza material, exibe sobretudo uma aguda e persistente «pobreza de espírito», promotora da visão «subsídio-dependente» e da pedinchice ao «paizinho-estado-que-dá-tudo». Quem não estaria disposto a trocar de vida com estes «privilegiados», hã? Quem?

 

Posted in Nojo, PP Coelho | Com as etiquetas : , , , | 2 Comments »

SER PRECÁRIO

Posted by J. Vasco em 11/03/2010

«Ser precário é ser pau para toda a colher. Ser precário é não poder ter ofício. Ser precário é eventualmente fazer estágios de profissionalização para animar as estatísticas do governo. Ser precário é não ter a certeza de arranjar trabalho amanhã. Ser precário é não ter direito ao subsídio de desemprego, mesmo quando já se trabalhou muito e agora não se tem trabalho. Ser precário é ser obrigado a fazer descontos mesmo quando não se ganhou dinheiro. Ser precário é receber um salário de miséria e engrossar o cabedal das empresas de trabalho temporário, muitas delas nas mãos dos boys e dos manda-chuvas dos grandes partidos. Ser precário é não ser contabilizado nas já extensas listas dos desempregados. Ser precário é trabalhar sem contrato e poder sempre ser despedido sem justa causa. Ser precário é estar sistematicamente «à experiência», por muito comprovadamente experiente que se seja. Ser precário é ser tratado como um profissional liberal quando se vive abaixo de cão. Ser precário é, quase sempre, não escolher ser precário. Ser precário é ter um livro de recibos verdes para evitar milagrosamente que os empregadores tenham de assumir qualquer responsabilidade na construção e manutenção da cadeia de produção da riqueza. Ser precário é não poder ter filhos, porque os patrões não gostam de grávidas, nem de mães competentes, nem de pais demasiado presentes. Ser precário é ser tratado como gado, mas sem ração assegurada. Ser precário é tapar os pequenos e os grandes buracos do capitalismo. Ser precário é não ter a certeza de poder pagar a renda, é ter a certeza de que o dinheiro não dá para todas as facturas. Ser precário é ter de comer menos e menos vezes por dia, excepto quando a família ou os amigos se compadecem. Ser precário é engolir a raiva, é chorar às escondidas para não dar nas vistas, é ter medo de ser etiquetado de rebelde, é ter pânico de que esse rótulo motive a perda de um emprego medíocre mas tão difícil de arranjar. Ser precário é ter vontade de ir para a rua gritar. Ser precário é ser obrigado a ir para a rua gritar. Ser precário é decidir ir para a rua gritar. No dia 1 de Maio. Com todos os outros companheiros precários que por aí andam escondidos. Com todos os que, revoltados com a crescente injustiça social e o aumento exponencial das hostes do precariado, se juntam ao desfile do MAY DAY. Ser precário é, de súbito, ter consciência de que se todos dermos as mãos e batermos os pés, O MUNDO TREME.».

(Texto retirado do movimento/iniciativa May Day)

 

Posted in * | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

«O SÉCULO PASSADO»

Posted by J. Vasco em 11/03/2010

Em 2004, por alturas das comemorações dos 30 anos da revolução de Abril, o inenarrável Durão Barroso disse que o país estava de tanga porque a revolução portuguesa tinha vindo interromper e destruir o crescimento económico dos chamados «anos dourados» do capitalismo. O ambiente social e político já tinha recuado de tal forma em 2004, que estas posições começaram enfim a ver a luz do dia e a ganhar direito de cidade no seio dos próprios órgãos saídos da revolução.

Seis anos passados, Fernando Pinto, director executivo (CEO, no linguajar yuppie) da TAP Portugal, veio a terreiro largar esta pérola: «eu considero que greves é algo do século passado».

Tem o homem razão.

Com efeito, foi no século XX que, nos países capitalistas, através de lutas duríssimas, os trabalhadores conquistaram o direito à greve. Foi no século XX que, nos países capitalistas, com a pressão da revolução social e através de muitas greves, os trabalhadores conquistaram vários direitos sociais: as oito horas de trabalho, as férias pagas, a segurança social, a consagração das funções sociais do estado, o próprio sufrágio universal (o princípio uma pessoa-um voto). (É de crer que nem o mais raivoso anti-comunista esteja disposto a abdicar, para si, destas aquisições históricas do movimento operário). Foi ainda no século XX que o pressuposto básico da greve, o movimento organizado dos trabalhadores, se fortaleceu, consolidou e avançou, tendo chegado ao ponto de levar a cabo uma revolução social que não só efectivou e consagrou direitos, como iniciou a tarefa de erguer um novo modo de produzir e reproduzir o viver comunitário: o socialismo. Tudo isto influenciou decisivamente o surgimento e o desenvolvimento das lutas de libertação dos povos colonizados (Ásia, África, América Latina). Tudo isto foi no século XX, o tal «século passado» de que fala o sr. CEO com um misto de desprezo e de nervoso miudinho.

Percebe-se que assim seja. Fernando Pinto (e Ricardo Salgado, e Belmiro, e Jerónimo Martins, e Américo Amorim, e os representantes políticos dos seus interesses: PS, PSD e CDS-PP) quer voltar aos séculos anteriores ao «século passado». Nos seus sonhos, ele imagina e projecta uma sociedade pré-século XX: uma sociedade com trabalho escravo, sem horários, sem direito à greve, sem organização dos trabalhadores, sem sindicatos, sem a ameaça da sempre presente revolução social, sem o perigo do socialismo. Ele queixa-se do século XX, não em nome do século XXI, não em nome do futuro – mas antes em nome do passado, em nome dos séculos XIX, XVIII, XVII , XVI.

Não terá sorte. Por muito grande, intensa e violenta que seja – e é-o, de facto – a ofensiva social, económica e política da burguesia; por muito que o ambiente político envolvente seja – e é-o, com efeito – propício ao florescer e desabrochar das posições mais retrógradas e reaccionárias – a verdade é que não nos quebrarão a espinha.

Na luta do, e no, presente, o passado é parte e momento da luta.  

Pela nossa parte, ergueremos sempre bem alto a bandeira do «século passado».

Não porque tenhamos em vista um idílico regresso ao passado. Mas porque foi no século XX que se iniciou a luta decisiva, implacável, pelo futuro. Que outros continuaram. Que nós continuaremos. Que outros continuarão.

A despeito da vontadinha do sr. CEO. 

 

Posted in Século passado | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

DE SOL A SOL

Posted by J. Vasco em 05/03/2010

Para protecção dos trabalhadores envolvidos, não se mencionarão os seus nomes, nem o da directora que os insultou, nem o da escola pública em que a situação ocorreu. Limitar-me-ei a descrever o essencial da situação, que reflecte, de resto, o que se passa pelo país fora.

Os trabalhadores em causa, técnicos superiores, trabalham oito horas por dia. Não têm estatuto de funcionários públicos, mas a avaliação do SIADAP já lhes foi imposta. As sugestões constantes de que são incompetentes, trabalham pouco e são desinteressados sucedem-se. Em várias reuniões, a directora da escola elogiou o regime de recibos verdes que vigora no privado – tanto em relação aos técnicos, como no que se refere ao corpo docente.

Ontem, numa reunião particular com uma trabalhadora com o objectivo de estabelecer competências a atingir no âmbito do SIADAP, reincidiu nos impropérios, e acrescentou esta pérola: «vocês não vestem a camisola. Isto é para cumprir as metas, não é para fazer horários de oito horas por dia. Se for preciso ficam aqui a trabalhar até às quatro da manhã, ou trabalham de sol a sol. E nem pensem em horas extraordinárias – porque eu não pago».

Quanto à fibra salazarenta da senhora, que até convive mal com o nome da própria escola de que é directora (o patrono é um escritor de esquerda) – estamos conversados. Qualquer pessoa com mais de quarenta anos em Portugal sabe o que significava trabalhar de sol a sol e sabe o que custou conquistar o horário de trabalho de oito horas.

Quanto à gravidade de que se reveste esta atitude em termos institucionais – nunca estaremos conversados o suficiente. Lembremos tão-só que um organismo público é um órgão do sistema constitucional português, saído da revolução de Abril. A constituição que temos já não é a de 2 de Abril de 1976. Mas mesmo depois de todas as desfigurações reaccionárias de que foi sendo alvo ao longo dos últimos 34 anos, ainda hoje ela não consagra o trabalho de sol a sol. Não porque a burguesia e os seus representantes políticos não o quisessem, mas porque os trabalhadores organizados, até aqui, o conseguiram impedir.

Mas a guarda não pode baixar. Eles andam aí. E andam aí porque a situação objectiva assim o permite, porque a burguesia está na ofensiva desde 1989-91.

Esta situação não é uma raridade no panorama laboral português. Ao contrário do que nos querem vender alguns patuscos, é o pão nosso de cada dia.   

Desenho de João Abel Manta

Posted in João Abel Manta, Sol a sol | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

POR MUITO ESCÂNDALO QUE PROVOQUE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

(Álvaro Cunhal)

 

Posted in Álvaro Cunhal | Com as etiquetas : , , | 2 Comments »