Há seres sórdidos neste mundo, que nos fazem quase desacreditar na espécie humana. É o caso de “gente” como Relvas, Passos, Portas, Cavacos, cRatos, etc. Mas depois, por vezes inesperadamente, vemos que afinal há também outras pessoas, geralmente pessoas anónimas, capazes de atos de heroísmo que nos deixam espantados e maravilhados, como se resgatassem a dignidade da lama, do fundo poço ao qual os cRatos deste mundo a atiraram, e a erguessem novamente, luminosa e pura, às alturas. É o caso de uma professora contratada, de nome Andreia Almeida, que estando inscrita para a prova PACCóvia na Escola (abocanhada pela direita) Emídio Navarro, de Almada, entrou e saiu da escola sem fazer a prova, sabendo que, com esta sua recusa, estava a colocar em risco o seu futuro. Disse Andreia Almeida que pedia desculpa aos pais mas não podia compactuar com uma injustiça. Sem me querer pronunciar sobre a questão de a recusa individual em fazer a prova ser ou não o caminho de luta mais correto (uma vez que a luta deve ser coletiva e não individual), há que, de qualquer modo, prestar homenagem a quem teve a coragem de um ato desses. E que diferença de posturas perante os olhos de quem quisesse ver: Andreia Almeida esteve disposta a, em nome de princípios, abdicar do seu futuro como professora; já os vermes que aceitaram ser vigilantes-carrascos de colegas preferiram cumprir um papel indigno e repugnante apenas para não melindrar minimamente o seu conforto PACCóvio.
Que atos deveríamos querer como exemplo de retidão para os nossos filhos? Toda a burguesia pode achar que o ideal a seguir é a sordidez dos cRratos desta vida. São estes os exemplos enaltecidos diariamente na TV e nos jornais. Mas eu prefiro que o meu filho tenha como modelo o luminoso exemplo desta simples professora contratada que, na escola Emídio Navarro de Almada, a 22 de Julho de 2014, aceitou sofrer as pesadas consequências de se ter recusado a compactuar com a injustiça.