OLHE QUE NÃO

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DA DESEDUCAÇÃO EM PORTUGAL

Posted by * em 21/05/2014

1) O que pensariam de um professor, de qualquer avaliador, que se recusasse a mostrar os enunciados das provas que usou para avaliar os alunos? Que não permitisse a ninguém ver os testes e exames que usou? Seria isto demonstração de rigor? Seria isto sequer legal? Pois bem, a Cambridge School, com quem um certo businessman que detém o papel de implodidor da escola pública portuguesa fez a negociata de colocar a escola pública à disposição (escolas, professores, etc.) para ganhar umas massas servindo-se da escola pública enquanto a ajuda a destruir, pode fazer isto na maior das impunidades. Os exames devem ser sempre publicados para escrutínio geral, em alguns países até são publicados em jornais e não só na internet. Mas os amiguinhos do cRato nem deixaram sequer que os próprios professores avaliadores de inglês ficassem com um exemplar. Afinal, o “segredo é a alma do negócio”.

2) O que fazem os países europeus que não aplicam as teorias retrógradas salazarentas que não consideram que seja através de autoritarismo, decorebas e exames precoces que se melhora a qualidade do ensino? Educam e protegem as suas crianças de tenra idade e fazem-nas ser ensinadas, educadas e avaliadas pelos professores que as conhecem bem, que as ensinam, educam e motivam sem stresses e sem terapias de choque. O que faz um crápula, que mais parece um daqueles pais energúmenos que acham que se o filho de tenra idade não estuda isto seria apenas “falta de porrada”? Esse malcheiroso tentaria implementar uma educação autoritária, obrigaria as crianças a terapias de choque e a exames precoces, a contrapelo de toda e qualquer pedagogia minimamente avançada.

3) O que faria qualquer pessoa de bem e minimamente inteligente que quisesse avaliar as pedagogias não-diretivas? Faria uma avaliação minimamente dialética, mostrando que as pedagogias não-diretivas enfermam de um menosprezo pouco consistente em relação ao necessário papel do professor e da lecionação dos conteúdos, que utopicamente absolutizam a autonomia dos alunos e a entendem como algo já dado (e não como uma construção paulatina da autonomia) mas…fá-lo-iam sem negar a importância da construção paulatina da autonomia, sem cair na dicotomia educação autoritária/educação não diretiva. O que faz um salazarento que mais parece um fanático de madraça taliban? Para este, o ideal é a porrada psicológica, é mostrar aos catraios que têm de tremer de pânico perante os estudos, é…porrada psicológica e decoreba, obrigá-los a decorar” e repetir mantras. Perante a dicotomia que as pedagogias não-diretivas não superam, a tal dicotomia educação autoritária/educação não diretiva, o salazarento apenas escolhe o outro polo da dicotomia, o polo da educação autoritária.

4) O que faria qualquer pessoa de bem e minimamente inteligente que quisesse avaliar a importância de Rousseau na história da pedagogia? Estudaria a fundo e globalmente as ideias do filósofo e separaria dialeticamente o trigo do joio, mostrando que, apesar das contradições de Rousseau e dele estar na origem de muitas ideias utópicas caras às pedagogias da não-diretividade, deu um inegável e importantíssimo contributo histórico para a teoria da pedagogia, ao mostrar, por exemplo, a importância da compreensão da especificidade das faixas etárias, das razões da  motivação e da autonomia (apesar de Rousseau, tal como as pedagogias não-diretivas, não ver essa autonomia enquanto construção na qual o papel do professor e a lecionação de conteúdos, a par do desenvolvimento de competências, é de fundamental relevância). O que faz um salazarento-americanizado, apenas capaz de dicotomias maniqueístas? Recolhe umas quantas ideias de uns quantos amigos businessmen-americanos-metidos-no-negócio-da-educação e, sem conhecer Rousseau para além do que sobre ele leu e copiou à pressa a partir de dicionários temáticos e a partir dos textos vomitados pelos gurus businessmen-americanos-metidos-no-negócio-da-educação, cose o que copiou num texto de estudante pouco conhecedor, num texto risível em que a unilateralidade predomina e, munido dessa gosma superficial tenta atirar Rousseau total e globalmente para o lixo. Sem sequer compreender minimamente o filósofo criticado! A gosma salazarento-americanizada foi, como sabem, um livrinho deplorável e maniqueísta acerca do “eduquês”, um excremento que fez as delícias de outros salazarentos igualmente ignorantes, superficiais e adoradores de business-na-área-da-educação. Mais valia ter continuado a copiar, de manuais ou da internet, alguns dos milhares de exemplos de aplicação da matemática ao quotidiano e reuni-los em livros de popularização da matemática. Pelo menos isso tinha alguma utilidade que se visse. Agora… aventurar-se na teoria da pedagogia e na filosofia? Nããã, isso já não está ao alcance de businessmen-copiadores, lamentamos.

E esse tipo e o seu bando têm nas mãos o rumo da educação em Portugal…

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3 Respostas to “DA DESEDUCAÇÃO EM PORTUGAL”

  1. […] DA DESEDUCAÇÃO EM PORTUGAL […]

  2. […] DA DESEDUCAÇÃO EM PORTUGAL […]

  3. Subscrevo! sem mais nem menos.

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