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A NORMALIDADE FACULTATIVA

Posted by * em 19/09/2013

O Nuno Crápula é demagogo por vício antigo. Sem a sua dose diária de demagogia sofreria uma abstinência atroz, que procura, a todo o custo, evitar. Este homem de negócios vem agora dizer que criticar a retirada da obrigatoriedade do ensino de inglês no primeiro ciclo seria pretender criar uma “uma tempestade num copo de água”, uma vez que já seria “facultativo” antes desta medida. Ou seja, mais uma vez, tudo a decorrer com “normalidade”.

Já nos acostumámos a que o cRato considere a destruição da escola pública, levada a cabo pela quadrilha confortavelmente instalada no governo, como um processo a decorrer “com toda a normalidade”. Cada nova machadada na escola pública é acompanhada da canção de sereia da “normalidade”. Um início de ano caótico, inúmeras escolas com falta de professores e pessoal auxiliar para um trabalho minimamente eficiente, turmas enormes, turmas misturadas, obras urgentes impedidas, alunos encaminhados quase à força para o ensino privado dos amigos do ministro, injustiça generalizada, a cunha institucionalizada enquanto critério de selecção de docentes, a escola pública em pantanas, destruição de milhares de vidas e de todo o sistema educativo, protestos de professores e encarregados de educação por todo o país: são estes os sinais visíveis dessa “normalidade”. A Normalidadilândia é o país dos sonhos em que vivem os alucinados crAtinos. Esta figura ridícula faz lembrar um psicopata que dissesse continuamente à vítima que está tudo bem, que está tudo normal, que não se agite tanto, que não grite nem sequer reclame, pois está tudo na mais sacrossanta “normalidade”.

A demagogia na referência ao carácter “facultativo” do inglês no primeiro ciclo prende-se com o facto de, se compararmos o que muda com esta medida, serem distintos os elementos que escolhem. Obviamente, se não houver oferta por parte da escola, deixam as famílias de poder optar entre ter ou não inglês.

Vamos ilustrar esta questão através de uma comparação com a existência de refeitórios nas escolas. As escolas têm refeitórios que disponibilizam, obrigatoriamente, refeições aos alunos (que passam o dia inteiro na escola). Os alunos, evidentemente, não são obrigados a usar o refeitório. Agora, imaginem que o ministério, apoiando-se na “não obrigatoriedade” dos alunos irem ao refeitório, retirasse uma outra obrigatoriedade, a das escolas servirem refeições aos alunos (que passam, relembramos, o dia inteiro na escola). E isto, dizendo, hipocritamente, que nada teria mudado, uma vez que já não existiria obrigatoriedade antes. Não seria o cúmulo da falta de vergonha na cara?

Já que hoje estamos em dia de comparações, esta referência do senhor “normalidade” ao carácter facultativo do inglês poderia, mutatis mutandis, comparar-se também a uma retirada da obrigatoriedade de pagamento de salários a trabalhadores, com o argumento segundo o qual, no actual regime o trabalhador (caso o queira) também pode prescindir do salário e trabalhar de graça, pelo que nada mudaria, continuando a ser “facultativo” haver ou não salário. Claro que para este homem de negócios, esta hipotética retirada da obrigatoriedade de pagamento de salários configuraria, certamente, a mais plácida das “normalidades” e qualquer protesto não seria mais do que “uma tempestade num copo de água”.

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