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Archive for 23 de Setembro, 2012

DESCER OS SALÁRIOS – SEJA POR QUE VIA FOR

Posted by J. Vasco em 23/09/2012

Rui Baptista e seus muchachos começaram cedo o trabalho de sapa no interior das salas de São Bento: o protesto «dos portugueses» dirigir-se-ia afinal, única e exclusivamente, às alterações avançadas pelo governo à TSU. Mais nada. O primeiro-ministro, como não é «cego» nem «surdo», saberia por isso «calibrar» e «modelar» esta medida, senão mesmo abdicar dela, e o mundo poderia voltar, logo a seguir, a ser belo e límpido como dantes. Os sósias do Baptista nas televisões, nas rádios e nos jornais apressaram-se a replicar a converseta, e hoje a imprensa garante-nos a pés juntos que foi passada uma «certidão de óbito» às alterações na TSU.

As mentiras não acabam, é o que se conclui.

As medidas do governo em relação à TSU, diga-se preto no branco, não receberam «certidão de óbito» coisa nenhuma. Estão vivas e para durar – se nós não as derrotarmos. Elas vigorarão, imponentes e poderosas, nas «empresas que criem novos empregos», ou seja, os trabalhadores contratados para novos postos de trabalho, para além dos cortes nos salários e nos subsídios que vão sofrer, descontarão mais 7% para a segurança social. Na verdade, a mexida na TSU é um antiquíssimo sonho da burguesia, especialmente vindo ao de cima (com indisfarçada excitação) durante a última campanha eleitoral. Com efeito, o significado das recentes escaramuçazitas entre a burguesia exportadora e a burguesia mais dependente do mercado interno não pode ser nem exagerado, nem absolutizado. Elas são somente momentos de disputa inter-burguesa pela apropriação e pela distribuição da mais-valia produzida pelos trabalhadores. Não mais do que isso. Ao mesmo tempo, a mascarada serviu às mil maravilhas aos capitalistas para vituperar, mais uma vez, «os políticos», cavalgando a onda de protestos e criando a imagem de que também eles são atingidos pela política («incompetente») do governo. O estado como aparelho ao serviço de uma classe permanece assim, para a grande maioria, longe da vista.

Por outro lado, o governo não recuou um milímetro que fosse no seu objectivo principal: a descida dos salários, seja por que via for. É esse o grande alvo da burguesia e é nisso que estão apostadas as troikas – a caseira e a internacional. Depois de 30 anos de desindustrialização, o país não tem uma base produtiva onde se possam incorporar inovações tecnológicas. É neste quadro que a sucção de mais-valia é feita assentar na descida  dos salários dos trabalhadores, na retirada de direitos fundamentais e no aumento dos horários e do número de dias de trabalho. Resumindo: no aumento da exploração.

Só a luta dos trabalhadores poderá inverter o cenário que está montado. E ela vai crescer, intensificar-se e ganhar força. Até se tornar imparável. Até se tornar invencível.

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