OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Archive for 9 de Fevereiro, 2012

O SOBRINHO DA TIA

Posted by * em 09/02/2012

Assim que o american boy ofendeu os trabalhadores portugueses chamando-os de “piegas”, apareceu logo uma estranha e ridícula forma de protesto: alguns ofendidos não acharam melhor forma de protestar do que… chamarem-se a si próprios de…”piegas“! Dizem que é ironia, que é “protesto” e coisa e tal. Mas uma coisa é certa: não é um “protesto” que prime pela inteligência. Pelo contrário, apenas repete e implicitamente corrobora o que o american boy disse. O tal menino-velho-de-cabeça, o tal que gostava de professores maus, pode até dizer, com sarcasmo: – olha, eles confirmam o que lhes chamei.

Já se torna uma moda assustadora essa a de, os que protestam, chamarem-se a si próprios ora de piegas, ora de palermas, ora de parvos, de perguntar coisas idiotas como “- estás a ver escrito estúpido na minha testa?”, “- achas que sou parvo?” e coisas desse tipo. Talvez já esteja na hora de, em vez de insinuar que quem ofende os trabalhadores tem razão, olharmos bem nos olhos de todos os american boys e dizermos: – PIEGAS É A TUA TIA, PARASITA!

Posted in * | Leave a Comment »

O ESTATUTO DO IDEAL

Posted by J. Vasco em 09/02/2012

Já aqui, várias vezes, dissemos: a filosofia soviética é uma mina de preciosidades à espera de um trabalho de pesquisa sério, paciente e sistemático. Por aqui vamos apenas dando conta, sem regularidade, de algumas pérolas que nos surgem pelo caminho.

É claro que a boçalidade reinante apresenta a produção filosófica soviética, mesmo sem com ela ter o mais pálido contacto, como escalracho a clamar por remoção preventiva. E a seguir oferece dela um quadro pálido, cinzento, monocolor. A diversidade é, porém, a verdadeira marca de água dos autores soviéticos. Diversidade que assume algumas vezes os contornos da oposição e da contradição – e isto se nos reportarmos somente ao campo do marxismo, que é o que aqui nos interessa.

Confrontar a obra de David Dubrovsky com a de Evald Ilyenkov é deveras estimulante. Detêm-se ambos sobre o estatuto do ideal, mas a partir de posições bem distintas. Ilyenkov vê o ideal como algo que extravasa o conteúdo subjectivo da consciência, posição que, no quadro do seu pensamento, pretende evitar uma limitação kantiana. Ilyenkov considera que a realidade humano-social é a razão realizada, objectivada, e portanto o ideal tem uma feição objectiva. Dubrovsky, não negando a estrutura social, inter-subjectiva, do ideal (bem pelo contrário), considera-o no entanto, essencialmente, uma realidade interna, subjectiva, considera-o enquanto reflexo mental de múltiplas determinações da realidade e do organismo humano.

Há quem considere tudo isto desinteressante, demasiado árido, longe dos problemas mais candentes. No entanto, talvez não seja totalmente descabido tomar em mãos uma análise mais cuidada destes problemas. Por um lado, para dar conta das raízes sociais, complexamente mediadas, que se expressavam nestas diferentes posições filosóficas. Por outro lado, porque a partir delas, como num leque que se abre, surgem temas tão fundamentais como, por exemplo, a teoria do reflexo, o estatuto do valor, ou o fundamento da transformação social e política.

 

Aceder aqui a The Problem of the Ideal

Posted in David Dubrovsky | Com as etiquetas : , | 2 Comments »