OLHE QUE NÃO

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Archive for Janeiro, 2012

A CGTP NÃO ASSINOU O ACORDO DE ATAQUE AOS TRABALHADORES

Posted by * em 31/01/2012

A burguesia e os seus comentadores vendidos criticam a CGTP por não ter assinado o acordo de ataque selvagem aos trabalhadores. Mas uma Central Sindical existe para assinar acordos contra os trabalhadores ou para defender os interesses dos trabalhadores? O que teria Vinicius de Moraes a dizer sobre tudo isto?

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Sera’ teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
.
Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
.
– Loucura! – Gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – Disse o operário
Não podes dar-me o que e’ meu.
.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silencio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
.
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção

(excerto do poema O operário em construção)

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É REACCIONÁRIO CRITICAR “OS POLÍTICOS” SEM CRITICAR A BURGUESIA!

Posted by * em 28/01/2012

Depois de muitos e muitos mails recebidos, anos a fio, com manifestos e abaixo-assinados contra “a classe política e os seus privilégios”, há que iniciar

uma grande campanha de esclarecimento

(pode até ser também através do envio de mails)

que mostre o bê-a-bá a quem inicia lutas sem saber nada ou quase nada do que está a fazer. Há coisas tão básicas, tão básicas, que até dói ver que muitos dos que protestam nem sequer o mais básico conseguem entender. Aqui vão algumas dessas coisinhas muito, muito básicas:

1) Os políticos não são uma classe social (os que enviam mails deveriam começar por estudar o que é uma classe social);

2) Os “políticos” são apenas representantes de classes sociais;

3) Os políticos representam classes diferentes, podem representar os explorados ou os exploradores;

4) Os políticos que nos governam representam os interesses de uma classe social específica, a burguesia;

5) Criticar “os políticos” em geral, é esconder o seu papel de representantes de classes diferentes;

6) A burguesia adora que critiquem “os políticos” em geral, para que ela própria não seja alvo de críticas.

e a conclusão é também básica:

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

Criticar os políticos em geral sem criticar a burguesia não é apenas demonstração de ignorância ou pouca inteligência, é, acima de tudo, uma posição reaccionária. É uma posição de direita que é muito do agrado de toda a burguesia, embora acarinhada de um modo mais exuberante pela vertente mais próxima do nazi-fascismo. Assim, repetimos para que leiam as palavras todas e reflictam um pouco:

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

Esperemos que as “cabecinhas pensadoras” que escrevem mails, para serem enviados aos milhares, a criticar “os políticos” em geral aprendam o bê-a-bá antes de darem conselhos, inventarem soluções, fazerem apelos e escreverem e enviarem mails. É que para os trabalhadores já basta aguentar com a exploração burguesa para ainda por cima terem de aguentar com os mailistas que defendem posições reaccionárias pensando que estão a ser muito progressistas (quer dizer, estamos a dar o benefício da dúvida e a imaginar que a grande maioria dos mailistas são bem intencionados e só a sua ingenuidade os faz defender posições reaccionárias).

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XII CONGRESSO DA CGTP

Posted by J. Vasco em 27/01/2012

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(Clicar na imagem para acompanhar os trabalhos do congresso em directo)

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NÃO DEIXEMOS QUE AS “MAIS-VALIAS” ESCONDAM A MAIS-VALIA

Posted by * em 23/01/2012

A burguesia pode ter ilusões. Mas quando quem pretende superar a ordem burguesa também vive das e nas ilusões burguesas, a coisa torna-se mais preocupante.

Na compreensão da natureza da actual crise, muita gente de esquerda continua presa ao paradigma metafísico de absolutização da esfera de circulação do capital em detrimento da esfera da produção.  Esta posição unilateral manifesta-se no entendimento da crise como algo que ficaria a dever-se exclusivamente à crescente independência do capital financeiro em relação ao capital produtivo. É verdade que este processo de separação ocorre. Aliás, esta é uma característica do imperialismo já referida por Lenin: “É próprio do capitalismo em geral separar a propriedade do capital da sua aplicação à produção, separar o capital-dinheiro do industrial ou produtivo, separar o rentier, que vive apenas dos rendimentos provenientes do capital-dinheiro, do empresário e de todas as pessoas que participam diretamente na gestão do capital. O imperialismo, ou domínio do capital financeiro, é o capitalismo no seu grau superior, em que essa separação adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as demais formas do capital implica o predomínio do rentier e da oligarquia financeira, a situação destacada de uns quantos Estados de “poder” financeiro em relação a todos os restantes.” (V. I. Lenin, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, cap III, O Capital Financeiro e a Oligarquia Financeira).

Porém, Lenin nunca entendeu metafisicamente (ou seja, não-dialecticamente) esta separação como se ela fosse uma separação absoluta entre a esfera da circulação e a esfera produtiva. O capital financeiro é capital e não apenas especulação e jogos no vazio da não-produção. E como capital, o sangue que lhe corre nas veias deve ser sugado, em última instância, à força de trabalho e é em busca desse sangue que o capital se move, mesmo sendo ele capital financeiro, mesmo que se mova em busca desse sangue através de uma infinidade de mediações; o lucro pode surgir na bolsa ou em juros bancários, ou em investimentos, etc., mas a sua verdadeira origem é a mais-valia produzida pela força de trabalho. Não ver isto é permitir que as assim chamadas “mais-valias” mistifiquem, encubram e justifiquem a mais-valia. Há que reparar, no entanto, que enquanto muitos olham para os lucros como se estes surgissem exclusivamente do jogo especulativo, os próprios capitalistas, através das alterações às leis laborais, através da “flexibilização” do mercado laboral (por onde andam agora as melífluas mentiras burguesas acerca da flexisegurança?), através das deslocalizações, através dos ataques às conquistas dos trabalhadores, através da “privataria”, através das guerras económicas e de muitas outras maneiras vão revelando (em parte sem eles próprios perceberem) o que está verdadeiramente em causa e manifestando que a apropriação de mais-valia e a crise estão intrinsecamente ligadas: a crise pode aparecer como descontrolo de ganhos bolsistas, pode estourar em bolhas do mais diverso tipo, pode aparecer por via de obscuras transacções e guerras financeiras, mas não é esse caldo que a prepara, não é dessa esfera que ela vem. Ela vem da exploração do trabalhador e da forma necessariamente descontrolada em que esta obrigatoriamente ocorre, vem do modo como se processa a apropriação da mais-valia num regime caracterizado pela cada vez mais intensa contradição entre produção social e apropriação privada.
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E EIS QUE O BURRO CAVAQUEOU NOVAMENTE

Posted by * em 21/01/2012

E eis que o burro tentou, de novo, improvisar. Quando um burro tenta improvisar e zurrar alguma coisa para além de banalidades decoradas, quando resolve deitar para fora algo do que lhe passa pela cabeça e lhe preenche as cogitações, acaba por não ir muito além de ponderações especistas acerca de felizes sorrisos de vacas. Mas pronto, ruminações há muitas. Mas se esse burro também é reaccionário, ao tentar improvisar acaba por inadvertidamente ofender os que são explorados pela classe a que esse burro serve. O que é, na língua dos donos, uma bad idea. Foi um passo em falso: é que o burro pensa que os demais são todos burros como ele, mas engana-se.

Pois é, Silva, é melhor voltar ao aconchego das banalidades decoradas, não achas? Não te esqueças de Homer Simpson: nunca digas nada sem que tenhas a certeza de que todos pensam o mesmo. Vá lá, tu consegues. Diz só as banalidades costumeiras, está bem? Não tentes cavaquear sem freio para não estragares a cena… faz esse favor, nem que seja só para os exploradores teus patrões ficarem mais descansados, ok? E não te esqueças: não mexer em nada, falar pouco, e pensar pou…quer dizer, quanto ao pensamento podes continuar no nível em que estás, estás a ir bem e a fazer um good work. Força, tu vais conseguir… mas não te esforces em demasia, está bem? Entendido? Como? Fazer um desenho?

Estupefacto acréscimo posterior ao post do dia 21/01/2012:

Como alguns burromaníacos andaram logo a tentar dizer que o burro teria na verdade sido mal entendido e que na verdade é um génio incompreendido, que ele não é tão burro como o povo diz que ele é… eis que o burro, ele mesmo, veio colocar os pontos em cima dos iis e zurrar: sou burro sim, quem é que por aí pensa que eu não sou burro?

O burro decidiu colocar uma cereja no topo dos seus excrementos. Depois de ficar a pensar durante alguns dias, depois de pensar, pensar… o asno decidiu falar para explicar o que queria afinal dizer com a sua burrice. E explicou assim, depois de muito pensar: eu apenas queria dar o meu exemplo pessoal para mostrar a minha preocupação em relação às dificuldades das pessoas!

Inacreditável! Inacreditável até onde a burrice pode ir! E é também inacreditável que tenha havido quem aceitasse esta explicação, nem percebendo que ela é ainda pior do que o que já tinha sido dito antes…

Enfim… estão bem uns para os outros.

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VAMOS LÁ EXPLICAR AO MÁRIO CRESPO COMO SE ELE FOSSE MUITO BURRO

Posted by qmiguel em 17/01/2012

 

 

Exploração:

Um trabalhador x vamos dizer Eu trabalha 8 horas por dia. Consigo trabalham mais 3. Produzem aquilo que se traduz a jusante em 2500 euros\dia. Ganham cada um 500 euros por mês.De frisar que trabalhamos o resto do mês e produzimos o mesmo todos os dias.  No final do mês vem um senhor e fica com o resto.

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A PRODUTIVIDADE, ORA AÍ ESTÁ…

Posted by qmiguel em 17/01/2012

Aí está a “prenda no sapatinho” do capital. Como se nos tempos que correm fosse coisa que rareasse. A musica acaba e as tombam as mascaras: um trabalhador deve dispor do mínimo poder possível sobre a sua vida, não servisse a sua existência apenas para que lhe seja sugado o fruto do seu trabalho.

Férias é coisa para quem dispõe de capital, para os proprietários, esses sim poderão ser livres, cada vez mais livre de sugar o trabalho alheio. Uma jorna organizada onde  procuramos encaixar, entre as fatigantes horas de exploração, um tempinho para estarmos com os nossos é coisa  que não deve depender de quem trabalha para que outro amealhe.  Afinal só precisamos de descansar para “recuperar física e psicologicamente” para que amanhã, ou dentro de 5 minutos, a exploração possa continuar.

Pois sim terão por certo todos os direitos formais, até o de dizer que não, mas nunca em conjunto digamos que de uma forma mais “dinâmica” através de “estruturas para o efeito”, até porque o direito ao seu posto de trabalho passa a estar dependente do mero e unilateral apetite do patrão, que terá apenas que formalmente explicar de que forma alguém é inadaptado, isto quando não lhe apetecer simplesmente extinguir o posto de trabalho em questão (até porque já pode haver outro de “conteúdo funcional idêntico”), nada que nos preocupe pois haverá sempre um “critério relevante”. O “critério relevante”, “estruturas representativas”, “dinamização”, são as novas denominações da mais pura repressão social.  Estamos todos às ordens e a lei é conforme…

Total liberdade, mas liberdade para despedir, para reprimir, para explorar. Nenhuma liberdade para quem produz. Em nome de uma crise para a qual o sistema capitalista não oferece nenhuma possibilidade de superação.

Hoje mais que ontem, uma barricada só tem dois lados.

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VAZYULIN (1932-2012)

Posted by * em 08/01/2012

Faleceu hoje Viktor Alekseevitch Vazyulin,

figura cimeira do pensamento soviético e da luta pela construção do comunismo.

Um pensador de importância universal.

A humanidade terá ainda de percorrer algum caminho histórico antes de que ele seja amplamente conhecido, compreendido e seja reconhecida a sua importância.

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