OLHE QUE NÃO

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Archive for Outubro, 2011

NO MEIO DO CAMINHO

Posted by J. Vasco em 31/10/2011

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei  que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

1928

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (31 de Outubro de 1902-17 de Agosto de 1987)

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IAKOV FOMITCH ASKIN

Posted by J. Vasco em 30/10/2011

O que mais impressiona nos chamados meios «cultos» é a sobranceira ignorância com que falam da história soviética, em geral. Em relação à cultura e à produção científica, em particular, o caso torna-se ainda mais gritante. Não certamente devido à barreira linguística e à falta de traduções portuguesas de obras soviéticas de peso (apesar de tudo, um problema real), mas sobretudo pelo preconceito rasteiro que povoa a mentalidade desse meio. Proclamam a validade do espírito crítico e praticam o mais destemperado obscurantismo.

Já aqui se falou de Ilyenkov. E de Vazyulin. Hoje far-se-á referência a Iakov Fomitch Askin (1926-1997), filósofo soviético com uma vasta e profundíssima obra. Grande parte do seu trabalho foi dedicada ao problema do tempo, estruturado sempre em diálogo com o avanço das ciências particulares da natureza. De assinalável interesse e relevância reveste-se a interpretação materialista da teoria da relatividade de Einstein que é avançada neste precioso livro. O tempo não é um receptáculo absoluto subsistente para lá da matéria.  Ele é uma forma da matéria, forma que expressa o seu devir a um tempo uno e múltiplo.

«A essência do tempo não se encontra determinada por nenhuma forma concreta de movimento, mas antes pelo que é inerente ao movimento da matéria no seu conjunto: o processo de transformação, de devir» (p. 149).

Esta edição uruguaia de 1968, com tradução directa do russo de Augusto Vidal Roget, é excelente. Ignorar, hoje, os contributos da filosofia soviética não a belisca minimamente. Só desprestigia os ignorantes.

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O PESO MORTO DA HISTÓRIA

Posted by J. Vasco em 30/10/2011

«Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, cobardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história.»

(CONTINUAR A LER AQUI)

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA”

Posted by qmiguel em 29/10/2011

 

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A EUROPA E O FUTURO

Posted by ines f. em 24/10/2011

Aparentemente, a União Europeia aprovou, sem que nenhum jornal tenha feito disso capa (deve ser pela falta de interesse jornalístico da questão…), no passado dia 11 de Julho, um novo tratado que estabelece o Mecanismo de Estabilidade Europeu, nova instituição supostamente criada para «salvar a zona euro» (nem eles fazem outra coisa) dos seus problemas financeiros, criando um fundo de «resgate» a ser utilizado pelas economias que dele necessitem. Claro que,como seria de esperar, este tão bem intencionado tratado tem muito que se lhe diga. Para além de se pôr assim em marcha um mecanismo gigantesco – avaliado para já em 700 mil milhões de euros, mas com carta branca para se reaprovisionar nos cofres dos estados membros quando assim lhe aprouver – de transferência do dinheiro dos Estados (dos cidadãos) para o Capital, o traço distintivo deste precioso desenvolvimento europeu é, nada mais nada menos, do que a sua completa imunidade perante a lei. Sim, é mesmo isso. O MEE está completamente acima da lei: ninguém o pode processar, investigar ou acusar do que quer que seja, mas, pelo contrário, ele pode processar, investigar, acusar todos os estados signatários e penhorar os seus bens financeiros ou patrimoniais.

Resumindo, a Europa vai passar a ser governada de facto (pois quem estabelece as leis económico-financeiras governa) por uma entidade não-eleita sem qualquer responsabilidade legal. Ou seja, a burguesia decidiu definitivamente cuspir nas suas próprias ficções democráticas. Brilhante, não?

(Para mais informação, o texto do tratado em inglês em http://consilium.europa.eu/media/1216793/esm%20treaty%20en.pdf)

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DEFENDER OS EXPLORADORES, FINGINDO QUE SE ESTÁ A CRITICÁ-LOS

Posted by * em 23/10/2011

Os exploradores sabem que a exploração capitalista exige também o controle das mentes. Eis duas das muitas maneiras de manipular a mente dos trabalhadores e defender os exploradores. Estas duas maneiras são importantes, porque, com elas, os explorados são levados a pensar que os defensores da exploração são os que melhor podem conduzir a revolta contra esta. Pretende-se assim evitar que os explorados se juntem aos que verdadeiramente lutam contra a exploração. E não raro, os explorados mais ingénuos atiram-se, alienada e esperançosamente, às bocas dos “bonzinhos” leões:

Modo Cavaquista: fingir que se tem muita pena dos explorados e verter uma lágrima quanto à “ultrapassagem de limites”. Além de servir de válvula de escape para a indignação das massas trabalhadoras, esta posição garante ao seu protagonista o “amor do povo”. Assim, canaliza-se a revolta e fortalece-se a carreira. Nada mau, não é?

Modo Marcelorebelista: “criticar” a forma para melhor elogiar o conteúdo. Critica-se a “falta de comunicação” para dar a entender que a exploração, se fosse bem explicada, até seria reconhecida como algo que traria uma imensa felicidade aos coitados dos ignaros trabalhadores, que pouco sabem de coisas que requerem a sapiente palavra do “professor”. Esta posição faz passar a ideia não apenas de que se é muito inteligente mas também a de que se está a ser isento, uma vez que não se critica só o que dizem aqueles que lutam contra a exploração, mas “também” aqueles que exploram.

Às vítimas dos bandidos critica-se o serem como são (e portanto, culpados, em última instância, por tudo e mais alguma coisa), mas… elogia-se o penteado.

Aos bandidos elogia-se o serem como são, mas critica-se o penteado (e o discurso). Assim se forja a ideia de neutralidade e isenção… e os parvos, como sempre, engolem.

As posições acima apresentadas são as posições dos mais hipócritas e egoístas defensores da exploração. Uma atitude crítica em relação a elas pode servir de critério quanto a saber se os trabalhadores têm ou não o mínimo de consciência de classe.

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OS BÁRBAROS PERDERAM A VERGONHA

Posted by qmiguel em 23/10/2011

Vivemos num contexto de agravamento das agressões imperialistas e do aprofundamento da militarização e destruição capitalista. O povo Líbio sofre hoje desse mesmo mal, amanhã outros se seguirão sobretudo no continente africano. A promessa de mudança que a eleição de Obama trouxe ao coração dos mais desatentos desvaneceu-se em pouco tempo, e este lidera mesmo uma intensificação brutal do domínio imperial e da proliferação do carácter bélico do mesmo. Nada disto é novo.

O meu ponto aqui prende-se com a forma e com a relação das acções militares bárbaras com os comuns dos mortais. Estas são agora mediadas por uma vanguarda de jornalistas e de meios de comunicação ao serviço dos mais pútridos interesses. De tal forma que o que ontem seria interdito hoje pode ser claramente dito à boca cheia. O jornal Libération revelou a já famosa “proposta” do Conselho Nacional de Transição ao estado francês, na qual em troca do apoio incondicional e permanente deste último ser-lhe-à oferecido nada mais do que o controlo de 35% da produção petrolífera do país. O que há alguns anos as fileiras anti-imperialistas tentavam demonstrar acerca da guerra do Iraque (para não recuarmos mais que isso) e que os escribas pró-americanos negavam a pé juntos faz hoje a capa dos jornais, não como polémica, mas como normalidade.

A questão assume contornos ainda mais assustadores quando o secretário de estado do comércio francês Pierre Lelouche decide apaparicar algumas dezenas de grandes empresários franceses e levá-los numa visita de estudo (económico, claro) a uma Líbia em guerra. A função era, claro está, fazer com que estes partícipassem na “reconstrução” daquele país, curiosamente destruído em grande parte por forças militares que dependem do seu colega de governo do ministério da defesa. Curiosas lógicas. Mas num clima de austeridade como o que começa a ser imposto pelo governo francês, em que não podemos contratar professores e em que os operários terão de aceitar ser explorados por mais alguns bons anos antes de se poderem reformar, a questão levantada pelos meios de comunicação não se prende com a justeza da guerra, com o sofrimento do povo Líbio, nem tão pouco com as consequências que as medidas de austeridade terão sobre o povo francês, a questão que a imprensa francesa levantou prende-se com o enorme esforço financeiro que a intervenção “humanitária” na Líbia representou para o orçamento do estado francês. Face a este muy liberal questionamento o ministro francês da defesa Alain Juppé (este sim, carrasco de facto do povo Líbio) não esteve por menos e retorquiu: “A intervenção francesa na Líbia é um investimento no futuro”. As baixas civis, a bárbara intromissão num país alheio e a miséria de um povo são para o governo francês um investimento no futuro. . . Nada nos poderia ajudar a provar mais facilmente o carácter destrutivo do modo de produção capitalista. Em nome dos mais universais valores chacinam-se os mais concretos seres humanos. As mãos dos governantes capitalistas (portugueses incluídos) estão hoje como no passado manchadas do mais real sangue humano. A diferença é que hoje querem que aceitemos isso, querem poder mostrar-nos os cadáveres das suas presas nas primeiras páginas dos jornais, e que aceitemos os seus motivos, os seus “investimentos no futuro” como algo de razoável. A exploração capitalista está cada vez mais comprometida com a aniquilação da Humanidade.

 

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NOS 140 ANOS DA COMUNA DE PARIS

Posted by qmiguel em 23/10/2011

No ano em que se comemora os 140 anos da comuna de paris não poderiamos passar sem deixar a nossa homenagem a este acontecimento maior da história da humanidade.

“Os princípios da comuna são eternos e não podem ser destruídos. Eles ressurgirão sempre de novo até que a classe operária se emancipe.” K.Marx

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MEMÓRIAS DE UM TIPÓGRAFO CLANDESTINO

Posted by J. Vasco em 22/10/2011

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MAIOTE A FERRO E FOGO

Posted by qmiguel em 20/10/2011

Na ilha de Mayotte (território francês ao largo de Moçambique) a população local é vitima da mais vil especulação capitalista. As grandes superfícies comerciais inflacionam o preço dos mais basicos produtos alimentares atirando um povo inteiro para a mais negra fome e miséria. Os alimentos mais básicos num Carrefour, Casino, ou Intermarché da ilha podem chegar facilmente a 3 ou 4 vezes o preço do mesmo produto numa superfície da mesma empresa em Paris!.

Após sucessivas greves gerais, e votados à mais ignóbil ignorância por parte dos media e da classe política burguesa da “metrópole” (que tem “falhado” no seu papel de “mediador” entre grandes comerciantes e populações), o movimento entra hoje no seu 24º dia. O clima de guerra civil instala-se a pouco e pouco na ilha (barricadas, confrontos com as autoridades, retaliações…). Durante a noite a polícia e seguranças privados defendem os hipermercados da fúria de uma multidão esfomeada (tendo o governo francês  mobilizado ja parte do exército para a região). A economia da ilha encontra-se devastada pelas sucessivas políticas neo-liberais e anti-populares.

Sarkozy estará concentrado no seu mais jovem rebento, e o PS, mais preocupado com o acelerar das medidas de austeridade, lançou apenas um breve apelo à calma.

Entretanto o povo de Maiote passa fome e sai à rua…

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A VULGARIDADE DA VULGARIDADE (OU O SUBNEOLIBERALISMO)

Posted by * em 17/10/2011

Se o neoliberalismo era já uma corrente teórica que dificilmente merecia o nome de teórica, uma vez que não se preocupava minimamente com a apreensão teórica da essência dos processos que pretensamente abordava, a corrente dos seguidores serôdios do neoliberalismo (entre os quais se inclui o imaturo e pouco inteligente primeiro-ministro, eterno rapazola jota-laranjinha, carreirista contumaz e carteirista ocasional, e o yes-man mister Bean que dá pela designação de “ministro das finanças”, robot fiel e acrítico de tudo o que seja organização financeira do capital internacional), dizíamos, esta corrente dos seguidores serôdios (embora imaturos) de uma corrente que já em si é superficial e pouco ou nada dada a reflexões teóricas, é, nada mais nada menos, do que a vulgaridade da vulgaridade, ou algo apenas classificável entre os dejectos teóricos e o lixo irreciclável. Colocar o destino de um povo inteiro nas patas de tais cipaios é das maiores loucuras de que é capaz o ser humano.

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TEMPO DE LUTA E DE UNIDADE

Posted by qmiguel em 17/10/2011

A CGTP-IN e a UGT começaram hoje a discutir a possibilidade de uma greve geral. Esta, a verificar-se, marcará o início da contra-ofensiva dos trabalhadores face à agressão bárbara contra as suas conquistas. Hoje mais que ontem “todos seremos poucos”, cabe a cada trabalhador, a cada cidadão não deixar a resposta por mãos alheias e fazer tudo aquilo que esteja ao seu alcance para que a sua vida e a do seu próximo não bascule para a mais negra das depressões. Não nos enganemos, a única resposta real à actual situação económica e ao ataque vil do capital só poderá vir dos trabalhadores eles mesmos, da sua determinação e da sua luta comum. É hora de começar a construir colectivamente um futuro diferente com a consciência de que à partida nada está ganho ou perdido e de que o novo capítulo de luta que começaremos a escrever em breve exigirá toda a nossa determinação e imaginação colectiva. Devemos tomar consciência de que, daqui em diante,  face à barabaridade com que nos defrontamos, a luta não deve conhecer limites.

 

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ACERCA DOS ACAMPAMENTOS EM MEIO URBANO…

Posted by ines f. em 16/10/2011

…um pequeno contributo para a reflexão…

Agora, estão a mostrar mais um aspecto das suas posição e prática políticas, atribuindo a política bárbara que leva o povo e a juventude à indigência a todos os partidos em geral (…) Claro que não demonstram quem beneficia com esta política; também não mostram os verdadeiros inimigos, que são os monopólios, os capitalistas.

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RELATOS DE UMA DEMOCRACIA PLURAL

Posted by qmiguel em 16/10/2011

Vivendo faz já alguns anos na ilustre capital francesa, impôs-se-me como uma inevitabilidade prática adquirir um exemplar francês de algumas obras de Karl Marx (Sagrada Família, Ideologia Alemã entre outras) . Conhecendo a ofensiva ideológica corrente no mercado de edição (algo não exclusivo das terras gaulesas) não me ocorreu no entanto  que um autor como Marx pudesse também ser alvo de uma ostensiva hostilização editorial, como a minha experiência comprovou.

Parti então à procura, verificando primeiro nas livrarias mais centrais, depois então nas maiores e finalmente em qualquer livraria que encontrasse. A minha longa procura permitiu-me ter uma visão mais lúcida sobre a divulgação da obra de Karl Marx. Encontramos portanto (quando encontramos algo…) o Manifesto do Partido Comunista, alguns volumes do Capital, e as obras dedicadas especificamente à situação francesa (Guerra Civil em França, 18 Brumário….), assim como edições duvidosas (estilo brochuras) de recolhas de textos parciais, a que os editores muitas vezes dão títulos de gosto e tecnicidade duvidosas. Esta colheita impõe-se como regra livraria após livraria e mistura-se com uma quantidade de bibliografia secundária duvidosa (por vezes abundante), a título de exemplo, numa das maiores e mais concorridas livrarias do centro é possível encontrar uma edição em vários CDs\DVDs de um conjunto de lições sobre Marx da autoria de Luc Ferry (cujos dotes de especialista na questão são no mínimo duvidosos, isto sem querer entrar em processos de intenção) , uma edição do Capital em BD (…), mas nem sinal de qualquer obra do pensador alemão de cunho “mais” filosófico.

Finalmente aconselhei-me com quem conheçe realmente o meio editorial francês e se interessa por estes assuntos. Disseram-me que é difícil encontrar tais livros, mas lá me indicaram uma livraria especializada na questão (uma “sobrevivente”).  Chegado à tal livraria, e verificando que era realmente “especializada”, a resposta que obtive foi algo do género: “há anos que não o vejo” (em relação à Ideologia Alemã), e um “tive-o realmente há cerca de um ano, mas foi-se rapidamente” (em relação à Sagrada Família), entre outras desilusões. Quanto às prespectivas futuras da minha demanda, não me sossegou minimamente.

Creio que a descrito espelha bem  a tragicidade da situação do mercado editorial, que não creio ser pior em França do que em muitos dos países vizinhos. Creio ser preocupante a inexistência material de tais obras. Já me tinha apercebido da gravidade da situação quando procurei outros autores marxistas, ditos menores. O que sucede é uma absoluta e silênciosa ocultação de obras de tal cariz. Muitas vezes editoras outrora mais progressistas guardam os direitos de tradução de certos autores recusando-se a reeditá-los ou a deixar que se reedite. Passo aqui em puro testemunho o vivido de uma situação problemática e  de consequências provavelmente graves.

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QUANTO MAIS CALADO MAIS ROUBADO

Posted by J. Vasco em 16/10/2011

Os capitalistas exploram-te até ao tutano.

O governo e os comentadores a soldo enxovalham-te por cima e dizem que és de brandos costumes e mansinho. Que vais aceitar tudo a bem dos mercados.

Acorda. Agarra a história. Constrói o futuro.

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DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Posted by J. Vasco em 16/10/2011

Que é uma época histórica?

É a tendência essencial de uma etapa do processo histórico. Como tendência, contém em si os elementos que a retardam, contrariam e impedem de se desenvolver. A sua efectivação histórica, por conseguinte, não tem um arco temporal definido à partida. Depende de condições objectivas e da prática social total. Depende dos choques de classe que se dão na sociedade. A época histórica é mesmo composta por momentos que se movem em sentido oposto à sua direcção essencial. A história é isso: o ritmo e o movimento dessas contradições.

O momento de reacção que vivemos está integrado num quadro geral de maior fôlego: a época das revoluções proletárias, da passagem revolucionária do capitalismo ao socialismo. Sem ter presentes estas coordenadas estruturantes e essenciais, não será possível compreender adequadamente os tempos que atravessamos. A burguesia, em crise económica mas senhora do domínio político, pretende desesperadamente retardar, contrariar e se possível impedir a consumação da tendência essencial da nossa época histórica.

Novas camadas sociais e novos sujeitos políticos chegam à luta. Falsos trabalhadores «independentes», atomizados pelo pós-fordismo e pela sua ideologia; camadas intermédias das chamadas profissões liberais; intelectuais atirados para a precariedade – sentem na pele os efeitos do sistema e começam a acordar de um longo sono paralisante para a vida política. Chegam com inúmeras ilusões e debilidades políticas, sem hábitos de organização colectiva e com preconceitos arreigados contra a «política». O seu ódio à organização colectiva e aos partidos funda-se no enquadramento atomizado do seu mundo laboral. Sabem o que não querem, mas falece-lhes uma perspectiva histórica determinada. A noção de época histórica está ausente do seu horizonte.

É da maior importância que se mantenham na luta e que radicalizem o protesto.

Simultaneamente, porém, é necessário dizer que os limites históricos da sua acção e dos seus objectivos são cada vez mais nítidos. A «espontaneidade», o apartidarismo e a ausência de objectivos históricos determinados levam a becos sem saída e a uma consequente neutralização do movimento. A falta de organizações revolucionárias implantadas na estrutura produtiva (núcleo da exploração capitalista) e a inorganicidade dos movimentos políticos não permitem dar consequência e consumação às tendências históricas de uma época.

O principal mérito histórico das organizações revolucionárias de classe dos trabalhadores portugueses foi a consciência histórica de que deram mostras ao longo do tempo. Sabendo que a história avança por saltos, não ignoram que a preparação para tais saltos é prolongada e exige corredores de fundo. Se nos reportarmos aos últimos 35 anos, precisamos de reconhecer que souberam manter o navio no meio das maiores tempestades (nacionais e internacionais). Legam às gerações vindouras um solo firme para enraizarem a luta e boas perspectivas de a desenvolver.

É esse o caminho, ontem como hoje: organizar a luta e ter presente a época histórica que atravessamos. Construir um longo processo de resistência e preparar os novos saltos.

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REVELADOR

Posted by J. Vasco em 15/10/2011

Há três dias, o advogado José Maria Martins (recuso-me a fazer ligações para o texto fascista que bolçou) escreveu estes mimos: «Os tipos do PCP são intoleráveis»,  «O PCP deveria ser ilegalizado porque é uma força de bloqueio, acéfala, irracional, golpista», «Ilegalizar o PCP seria higienizar Portugal».

No dia 9 de Setembro, António Ribeiro Ferreira (também me recuso a remeter o leitor para o texto) largou esta prosa: «Há uns anos, muitos, Maldonado Gonelha disse que era preciso partir a espinha aos sindicatos. Na altura discutia-se a unicidade sindical e a criação de uma central alternativa à Intersindical comunista. Hoje, em 2011, com o país numa emergência nacional é urgente não só repetir a frase como pô-la em prática».

O ambiente social contra-revolucionário em que vivemos enquadra na perfeição opinações como estas. Não admira, pois, que provocadores fascistas como Martins ou Ferreira escrevam o que escrevem. O que é mais revelador em termos políticos é vermos muito boa gente da auto-proclamada «esquerda democrática» ou dos sectores «autonomistas» a partilhar com eles a sanha fascista contra o PCP e a CGTP.

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ESTADO DE EXCEPÇÃO

Posted by J. Vasco em 15/10/2011

A decisão do juiz do Tribunal do Comércio de Lisboa, datada de 11 de Outubro, dizia isto, preto no branco: «determino a suspensão da liquidação e partilha até à realização da assembleia de credores designada para o próximo dia 5.12.2011. Notifique, sendo desde já e pelo meio mais expedito o Sr. Administrador da Insolvência». Estas frases, na prática, permitiam a viabilização da TNC, pela qual os trabalhadores da empresa travam uma dura e prolongada luta desde o início do verão passado.

 No dia seguinte, o «Sr. Administrador da Insolvência», supõe-se que notificado «pelo meio mais expedito», convocou 200 agentes da PSP, 10 carrinhas e 8 reboques (tudo pertencente à polícia), dirigiu-se ao Campus da Justiça no Parque das Nações, onde os trabalhadores em luta haviam estacionado 40 camiões da empresa, e mandou-os rebocar. Tudo isto pela calada da noite, à 1 hora da manhã. Logo depois, a operação patronal conduzida pelas «forças da ordem» rumou às instalações da TNC em Alverca e roubou todo o material da empresa.

É a isto que os ideólogos do sistema e os seus papagaios chamam o «estado de direito democrático». Os trabalhadores conscientes, esses, conhecem-no bem: é o permanente «estado de excepção» que a burguesia, através do seu Estado de classe, decreta e lhes impõe diariamente. Ao longo de 36 anos de contra-revolução a cantiga não tem sido outra. Na Lisnave, na Sorefame ou nos milhares de empresas pilhadas e a seguir encerradas pelos vários «Sr. Administrador da Insolvência».

Em todos estes processos, quem lá esteve sempre, de dia e de noite, à chuva, ao frio e ao sol; quem animou cada uma dessas lutas; quem apanhou os cacos, cerrou fileiras e organizou a resistência – foram os militantes comunistas: trabalhadores dessas empresas, dirigentes sindicais ou moradores nas regiões. É uma história de tenacidade que os órgãos de comunicação escondem e querem calar. É uma história de fraternidade e de camaradagem de que qualquer filisteu (encontre-se ele num retiro ecológico-espiritual no campo ou mergulhado na frenética vida intelectual da academia) nunca sequer ouviu falar. É uma história que explica a imorredoura implantação do PCP no seio da classe operária.

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catasTRÓIKA

Posted by * em 14/10/2011

A fuga em frente do capitalismo faz lembrar um comboio a descarrilar. Não adianta que obriguem a maioria dos passageiros (os trabalhadores) a apertar mais o cinto, a suster a respiração, a deixar de comer… isso pode servir aos interesses dos passageiros de primeira classe, mas nada disso detém o descarrilamento do comboio…

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BANDIDAGEM PURA!

Posted by * em 14/10/2011

É o Nuno Crápula em todo o seu fulgor! No mesmo momento em que o governo anuncia mais um imenso ataque aos trabalhadores e uma despudorada apropriação dos salários, o ministério da DESeducação anuncia (discretamente) que não apenas não vai reduzir os subsídios dados aos bandidos das escolas e colégios privados mas vai até aumentar essa entrega do dinheiro do povo aos mafiosos: um aumento de cinco mil euros por turma, que se juntam aos muitos milhares que eles já nos sugam. Dinheiro dos impostos, canalizado directamente para o bolso dos canalhas que fazem da educação um negócio. Isto é bandidagem pura, mesmo que milhares de palermas “apolíticos” nos furem diariamente os ouvidos com os usuais gritos “temos de contribuir!”, “temos de contribuir!”.

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SOBRE AS MISÉRIAS DA MICROFÍSICA DO PODER

Posted by J. Vasco em 12/10/2011

 

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O ANIVERSÁRIO

Posted by J. Vasco em 12/10/2011

Marc Chagall, O Aniversário, 1915

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MARXISMO CRÍTICO

Posted by J. Vasco em 10/10/2011

Alguns dos membros da Red Roja, em Espanha, lançaram um novo projecto. Chama-se Marxismo Crítico – Praxis, conciencia y libertad.

Disponibiliza estudos de filosofia, de economia e de psicologia. Tem textos de análise da actualidade, uma biblioteca de clássicos do marxismo, filmes e crítica cinematográfica. Num tempo que prima pelo menosprezo da razão e por derivas anti-teóricas de variada extracção – é obra.

Vale a pena visitá-lo e ir acompanhando o que por lá se vai publicando. AQUI.

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EM WASHINGTON, EM BRUXELAS E NAS MAIS IMPORTANTES CAPITAIS OCIDENTAIS

Posted by J. Vasco em 10/10/2011

Bombardeamentos «democráticos» da NATO sobre hospitais líbios. Em nome da «democracia», dos «direitos humanos» e da «liberdade». Do «modo de vida ocidental». Com a cumplicidade da social-democracia europeia e do jornalismo «livre e independente».

 

«Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime o seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 («O conflito das faculdades»), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando diz: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efectivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.».

Domenico Losurdo, Sete pontos acerca da Líbia

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SECRETÁRIO DE ESTADO DA BARBÁRIE

Posted by J. Vasco em 09/10/2011

 

O poltrão que encabeça a secretaria de estado da barbárie (ou comissão liquidatária da cultura) anunciou ontem que o governo vai acabar com as entradas gratuitas aos domingos na rede de museus nacionais. A justificação para avançar com a medida («a falta de receitas geradas pelos museus») é tão estúpida que impressiona. Não se está mesmo a ver que a frequência dos museus, a partir de agora, vai aumentar vertiginosamente aos domingos, fazendo disparar as receitas de bilheteira?

Para além do incontrolável arrivismo que impulsiona Viegas, as coisas acabam por fazer mais sentido do que à primeira vista parece. A cultura, para Viegas, não passa de uma aguadilha indistinta que, a par dos «livros», mistura «viagens», «requintes», «gozos» e «prazeres». É sabido que o povo não tem «gosto», nem «estilo», nem «requinte». Muito menos dinheiro para os adquirir, que são coisas de compra e venda. Ser «culto» está-lhe por isso vedado. Mas se não podes comer, diz o ditado, consola-te ao menos vendo os outros comer.

Vai daí, como bom samaritano, Viegas decidiu há uns anos, através de um execrável programa de televisão, exibir ao povo o «requinte», o «gozo» e os «prazeres», isto é, a «cultura». Para quê museus, com efeito? Ele e os seus convidados eram a própria «cultura» em exibição e em movimento: conversavam, riam (requintadamente), fumavam charutos, bebiam vinhos «requintados», picavam um petisco (seria «gourmet»?)…

Em termos de videirice e de desprezo pelo povo, nada mudou. É tudo um problema de escala. Nesses anos, Viegas tinha um estúdio de televisão para brincar à «cultura». Hoje tem uma secretaria de estado para semear a barbárie.

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UM MINISTRO, UMA MISSÃO, UM DESASTRE…

Posted by * em 09/10/2011

O ministro Vítor Gaspar, defensor acérrimo das medidas neoliberais que os patrões americanos lhe ensinaram, “pretende” promover o desenvolvimento do país com medidas recessivas; aumentar a eficiência do Estado através da sua quase completa destruição; promover a justiça atacando as vítimas do sistema; melhorar a sociedade através da instituição da lei da selva. Este Mr. Mean, este Mr.Quean diz que para curar o doente há que lhe administrar doses cavalares de veneno… Onde será que já vimos este filme?

Poderíamos ser levados a crer que estamos perante (nas palavras de Ricardo Araújo Pereira) um simples “tótó”. Mas não nos devemos esquecer de que este “tótó” está a serviço de Sua Alteza o Capital. A sua missão é a de criar as condições para a maximização da exploração dos trabalhadores pelo capital. E tal como Johnny English, sendo tótó ou não, vai levando a cabo a sua missão com êxito. Isto é… enquanto os trabalhadores permitirem que os usem como figurantes nesta tragicomédia.

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ONDE COMEÇA? ONDE ACABA?

Posted by J. Vasco em 08/10/2011

A Sonata Opus 57 de Beethoven, mais conhecida por «Appassionata», exige do intérprete, a um tempo, alto grau de virtuosismo técnico e  agudíssima inteligência interpretativa. Exige que o virtuosismo seja o meio de materializar a paleta de sentimentos, ideias e representações que dão nervo ao trecho musical. Valentina Lisitsa, ucraniana, é a reunião incarnada destes dois elementos. O diálogo que estabelece com o piano, o conhecimento do pormenor de que dá mostras, a emoção (in)contida que pulsa em cada movimento seu, fazem de Valentina Lisitsa uma digna sucessora de Claudio Arrau, Arthur Rubinstein, Glenn Gould ou Sviatoslav Richter na execução da «Appassionata». No final, a mesma interrogação permanece: onde começa o piano e onde acaba Valentina Lisitsa?

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MÁRIO ALBERTO (1925-2011)

Posted by J. Vasco em 07/10/2011

«Escrevi o texto que se segue em 29 de Dezembro de 2006, quando o Mário Alberto (ai como ele detestava que o soares também se chamasse mário alberto, com minúsculas, claro…), por razões físicas, se afastou do  convívio diário com amigos e meros conhecidos. Um comunicador como mais nenhum, contador de estórias exemplar, desbocado e violento quando necessário. Deixa a sua marca no teatro e nas artes plásticas. Um grande artista:

 

“Hoje, subi a minha Avenida da Liberdade. O meu passeio público sempre foi por ali: pela esquerda e a subir até ao Parque – Parque Mayer com teatros e coristas, com actores e com cantores, com floristas e matraquilhos, com tirinhos, com artistas e tintinhos.

Hoje, subi a minha Avenida e, vejam lá, não vi o Mário Alberto. Não sei por anda o Mário Alberto, nem o seu Parque – Parque Mayer, etc e muito tal.”»

 

 Sebastião Fagundes

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