OLHE QUE NÃO

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Archive for Julho, 2011

OS PERCALÇOS DA DEMAGOGIA

Posted by * em 31/07/2011

           Hoje, na TVI, dois vistosos demagogos tomaram conta do ecrã (separados apenas por um serviçal, jornalista de nome JM, que quase se baba por estar ladeado de tão elevada companhia): Marcelo Rebelo de Sousa, o gelatina político, fez de conta que questionava Nuno Crato, implodidor-mor do reino, acerca das medidas na Educação. Ia o gelatina fazendo, alegremente, perguntas combinadas e o implodidor ia dando as mesmas e combinadas respostas que já antes tinha dado em entrevistas que-o-primeiro-já-conhecia-assim-como-conhecia-as-respostas-que-o-segundo-repetiria-quando-as-mesmas-perguntas-fossem-feitas e… corria tudo de feição em mais uma operação de marketing político. Mas eis que, depois de perguntar acerca das permanência das cotas na avaliação de professores e de receber a mesmíssima resposta (“é uma regulamentação geral”, “inevitável para que não haja só excelentes”), o gelatina pôs-se a improvisar e saiu com uma bacorada que dizia mais ou menos algo do tipo: “pois, se fosse assim com os estudantes, também só haveria excelentes“, ao que o ministro, mesmo compreendendo a pouca inteligência da afirmação, anuiu (demagogo que é demagogo está sempre disposto a anuir). Mas… mas… perguntamos agora nós…aqui não está a falhar nada? Não há cotas de excelentes e bons atribuídos aos alunos!!! E não fez nem faz nenhuma falta para se poder distinguir os alunos! Imaginem que, agora, o ministério decretasse que haveria um máximo de um excelente para cada quinze alunos.  Só essa medida seria capaz de “impedir que nas turmas todos tivessem excelente”? Ou seja, de acordo com a lógica Marcelistocratense, como actualmente não há cotas na avaliação dos alunos, estes devem andar há anos (todos os alunos de todas as turmas do país)  a ostentar, orgulhosamente, os seus 20 valores a todas as disciplinas. Outra questão: será que uma medida dessas (estabelecer cotas para a nota de excelente atribuídas aos alunos) seria uma medida imprescindível para aumentar a motivação e o empenho dos alunos? Absurdo total, não é? Pois, este absurdo vai ser implementado, em relação aos professores, numa escola perto de si.

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O POEMA DO TEMPO

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

Este fotograma pertence a «Ruínas», um filme de 2009. Só mesmo Manuel Mozos o podia ter realizado. Mozos trabalha no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), organismo da Cinemateca Portuguesa. No ANIM, lida com arquivos, com filmes desaparecidos da circulação comercial, com imagens revolutas, e fundamentalmente estuda essas imagens, trabalha-as com amor de poeta (de realizador) e com rigor de arquivista. Em 1999, realizou uma pequena maravilha apenas com sequências e cenas de filmes cortadas pela censura durante o fascismo. Intitulou-a, modestamente, «Censura: alguns cortes». Modestamente – porque o que poderia surgir, a um olhar descuidado, como uma colagem arbitrária de imagens soltas, assoma antes como um rico e complexo objecto, possuidor de valor estético, de estrutura e de ritmo internos, através do qual podemos ter acesso a alguns aspectos ideológicos do Portugal beato, fascista e salazarento.

Em «Ruínas» há como que uma continuidade, noutros moldes, desta constelação de preocupações. Mozos estudou história e filosofia, e parece habitar nele uma concepção clara de que o processo histórico é uno, integrando nele, transformadamente, momentos do passado. Quando toda a gente – principalmente no mundo das artes – se esfalfa por exibir o que anuncia aos quatro ventos como sendo «o novo» (e cujos resultados são inversamente proporcionais ao esfalfamento empenhado), eis que Manuel Mozos, sem estardalhaços, surge com este «Ruínas» e nos deixa sem palavras.  

«Ruínas» trabalha com o «arquivo» disponível no real. Nele, temos espaços em ruínas (do restaurante panorâmico de Monsanto ao sanatório das Penhas da Saúde, passando, por exemplo, pelo Pomarão, pela Cova do Vapor ou pelo Barreiro), espaços pelos quais passamos, com os quais convivemos, mas que pertencem verdadeiramente a outro tempo. Estão cá e não estão cá. Já não estão cá, mas ainda cá estão. Como pensar esta relação, como filmá-la e dá-la a ver esteticamente? O dispositivo encontrado por Manuel Mozos é deveras interessante. As imagens das ruínas desses espaços são contrapontuadas com o som do tempo em que eles eram vividos no presente. Cartas de gente que habitava esses edifícios, relatórios médicos de tuberculosos, canções de mineiros, entre outras coisas, fazem do som não uma redundância que ilustra e confirma a imagem, mas um elemento que abre o horizonte da dialéctica entre passado e presente. Na sua modéstia e aparente simplicidade, o poema «Ruínas» é grande e roça o genial.   

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PORQUE RECORDAR É VIVER

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

A 10 de Junho de 2010 escrevi isto.

Hoje é dia 27 de Julho de 2011. Passou, portanto, mais de um ano.

Actualizando a data, deixo aqui o mesmo desafio de então aos senhores «democratas»:

«Assim sendo, senhores «democratas», peço-vos, encarecidamente, um enorme favor: cheguem-se à frente, por obséquio, e anunciem-nos todas as novidades – hoje, no dia [27 de Julho de 2011] – sobre o «encerramento de Guantánamo». E não se esqueçam de acrescentar aos vossos «raciocínios» «explicações imparciais» e palavras belas, como é vosso apanágio, sobre a «liberdade», o «mercado», a «democracia», a «dignidade da pessoa humana», blá-blá-blá». 

Atenciosamente.

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A LÍBIA E O BE

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

A Líbia é desde há cinco meses palco de mais uma guerra colonial do imperialismo que conta com a participação da república portuguesa. A marinha de guerra britânica, a aviação da NATO (no futuro próximo, as tropas terrestres francesas, alemãs e americanas), levam diariamente o inferno ao território líbio. O saque das ricas jazidas petrolíferas é o objectivo primordial do imperialismo, objectivo esse embrulhado óbvia e docemente na operação mediática do costume que visa iludir os mesmos do costume: levar a «democracia» à Líbia, acabar com as violações dos direitos humanos, blá-blá-blá.

A Líbia está a ferro e fogo. As infra-estruturas económicas e os equipamentos sociais do país são alvo de destruição diária. Os bombardeamentos da NATO abatem-se cruelmente sobre as ruas de Tripoli e provocam indiscriminadamente vítimas civis. É a lei da bomba que vigora. Os chamados «rebeldes» são afinal forças políticas muito heterogéneas, onde predominam os monárquicos de extrema-direita que pretendem recuar socialmente mais de um século. As jazidas de petróleo de Benghazi estão à guarda, desde o começo, da marinha de guerra britânica e de empresas ocidentais. A negociata precisa de ser salva.

Tudo isto era claro desde o início, mas hoje já não oferece dúvidas a ninguém. O Bloco de Esquerda votou esta moção no Parlamento Europeu, a qual, na prática, abriu as portas à intervenção da NATO na Líbia. Os seus dirigentes de topo têm-se mortificado publicamente pela recusa de reunirem com a troika antes das eleições. Uma posição política correcta é abjurada por supostamente ter prejudicado o score eleitoral do Bloco. Então e a esquerda, pá? Aliás, é impressão minha ou esse exercício público de abjuração nunca foi até agora aplicado à vergonhosa moção sobre a Líbia que aprovaram no Parlamento Europeu? Bloco: então e a esquerda, pá? 

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QUANDO O POVO SE LEVANTA

Posted by J. Vasco em 27/07/2011

 

No Cartaxo, os yuppies do PS, de braço dado com os do PSD, preparam há vários anos a privatização da água, em nome, como sempre, da «modernidade e da democracia». Neste quadro, decidiram aumentar sucessivamente as tarifas da água por um período de 35 anos. Porém, aquilo que mais temem e mais odeiam, a iniciativa popular, desta vez estragou-lhes os planos. A força do povo obrigou o executivo municipal dos yuppies a admitir publicamente rever os tarifários da água. De rabinho entre as pernas, claro, mas com a farronca própria de quem está ao serviço das classes dominantes.

 

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OK, OK, A CULPA É DO PAI NATAL…

Posted by * em 26/07/2011

Nuno Rogeiro em 1982, orador principal em evento Fascista

             Nuno Rogeiro e outros que tais desunham-se para tentar mistificar a carnificina perpetrada por um dos seus em Oslo: a culpa dos actos do elemento de extrema direita é atribuída a vicissitudes individuais, aos desaires familiares, a doenças mentais, ao efeito de uma qualquer droga, à própria Noruega, aos imigrantes, a tudo o que der jeito para camuflar a verdade fundamental. Tudo para não dizer que este acto hediondo se deve ao crescimento da extrema direita, a mesma extrema direita da qual os Nunos Rogeiros, com falinhas mansas ou sem falinhas mansas, fazem parte. Extrema direita que se vai alimentando e crescendo com as fartas refeições que o imperialismo (tão acarinhado pelos acocorados jornalistas da burguesia) lhe vai servindo todos os dias. Extrema direita que é a ponta de lança do ataque contra tudo o que é progressista. Extrema direita que odeia os comunistas porque sabe que apenas os comunistas, filhos da madrugada, lhe fazem frente de modo consequente.

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PROCESSO DE IMPLOSÃO DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL EM RITMO ACELERADO

Posted by * em 20/07/2011

ELITES E ESCUMALHA?

“O ensino tem de formar elites”

Nuno Crato, implodidor-mór

          Fazendo jus à exigência de rigor, Bem podia o ministro propor que todo e qualquer candidato a Ministro da Educação fosse obrigado a prestar um exame acerca das teorias pedagógicas superficialmente retratadas nos “seus” escritos (que, geralmente, se resumem a meras colagens de leituras anglo-saxónicas acerca destes assuntos). Assim, talvez ficasse mais claro o quanto sabe o implodidor-mór acerca das teorias pedagógicas que critica. É que ele copia as críticas às “teorias românticas” mas, na prática, reitera o ecletismo, o empirismo estreito e o desprezo que revelam estas mesmas teorias pedagógicas pela racionalidade e pelo papel do Estado na educação (o que dá muito jeito para a defesa da privatização e elitização do sistema educativo). Pensa ele que critica, mas segue o que de pior elas têm, esquecendo, por outro lado, o seu contributo positivo. E este esquecimento avança a par e passo com pérolas salazarentas, como a identificação sub-reptícia entre constructos teóricos que defendem o não-directivismo e teorias progressistas teoricamente consistentes. Para o implodidor-mór, é tudo a mesma coisa, teoria pedagógica é teoria e está tudo dito, teoria é especulação vazia, pois não é? Claro que, no seu discurso, a luta contra as teorias pedagógicas em geral tem de ser camuflada com loas à “cultura” (entendida como erudição), nem tudo se pode atacar ao mesmo tempo…

          Não basta criticar erros para acertar. Mas que importância tem isto, se o lugarzinho ministerial no edutaguspark já foi conseguido, não é? Toca mas é a formar elites e a ser elite, não é?

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PSD: PARTIDO ESTRANGEIRO?

Posted by * em 15/07/2011

Há que prestar atenção à “evolução” do PSDois em termos de representação de classe: claro que tanto o PS como o PSDois e o CDS-PartidodoPeculato representam interesses burgueses. Mas há que ver que, à medida em que o PS vai tomando para si a defesa dos interesses das camadas da direita portuguesa que o PSDois representava, o partido dos laranjinhas-betinhos-aos-pulinhos está a tornar-se, cada vez mais, o partido de representação directa dos interesses imperialistas em Portugal e, como tal, está a tornar-se um partido, propriamente falando, estrangeiro, embora com actuação em Portugal. Prestem atenção às medidas que este partido vai defendendo/aplicando e verão que não devemos estar muito longe da verdade. E, claro, estas medidas só podiam ser embrulhadas em declarações como as do Ministro das Finanças acerca da “injustiça” das Golden Shares, acerca da importância do “investimento directo estrangeiro” no âmbito das privatizações, etc.

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OLHA QUEM VOLTOU

Posted by J. Vasco em 13/07/2011

A troika colonial está de volta.

Ao serviço da Renault, da Volkswagen e dos compinchas portugueses Américo Amorim, Belmiro & CIA. Vieram a pedido desta gente e pela mão dos seus partidos históricos: PS, PSD e CDS. Supervisionarão a sobre-exploração dos trabalhadores e esse processo organizado de roubo do património público que dá pelo nome de «privatizações». Tratarão de endividar Portugal ainda mais, obrigando-nos a pagar o festim com que os seus senhores se vão enchendo. Virão de mês a mês. Virão sempre. Até um dia.

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ELE PERCEBIA

Posted by J. Vasco em 13/07/2011

«Acabar com as lutas prisionais era um grande objectivo do fascismo. Era uma questão que dava sempre que falar e eles andavam doidos com o facto de o Avante! trazer todas as lutas que se passavam em Peniche e Caxias. Foi para tentar acabar com as lutas prisionais que foram a Peniche alguns dos deputados chamados «liberais». Em Peniche fomos chamados, em separado, para falar com eles, o Blanqui e eu.

Estive quatro ou cinco horas a falar com o Sá-Carneiro. Ele não era parvo. Era mesmo um tipo fino. Mas era um fascista. Simplesmente, era um fascista que achava que os métodos do salazarismo e do caetanismo estavam ultrapassados. No que respeitava à questão dos presos políticos, ele estava de acordo que nós estivéssemos presos, o que achava era que devíamos estar presos noutras condições, que dessem ao fascismo uma face menos hedionda. Durante a conversa, cada vez que eu lhe punha a questão da libertação dos presos políticos, ele perguntava: «O senhor quer sair para a rua para quê? Para continuar a lutar ou para fazer a sua vida?» Eu tinha já orientação do Partido para responder: «Quero ir tratar da minha vida.» E ele voltava à carga: «Mas, uma vez em liberdade, o que é que o senhor vai fazer?» E eu, nada. Desviava a conversa. Enfim, ele era mais inteligente que os outros fascistas e sabia que o regime não se poderia aguentar com a mesma face que tinha tido até então. Ele percebia que mudar a face do fascismo era uma coisa essencial para garantir a continuidade do regime e evitar a revolta.»

Joaquim Pires Jorge, Com uma imensa alegria – Notas autobiográficas, pp. 87-88

 

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DIVIDOCRACIA

Posted by J. Vasco em 12/07/2011

Para ver, reflectir e divulgar:

 

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DO PODER DA RAZÃO À RAZÃO DO PODER

Posted by J. Vasco em 09/07/2011

Para além da trama que apresentam, os policiais (seja sob a forma de romance ou de série televisiva) retratam sempre, através dos seus códigos de género, a sociedade da qual são produto. Ao mesmo tempo que reflectem tendências, valores, tipos, camadas e funções sociais (tudo isto envolvido numa dinâmica global de fundo), não deixam de propor e de avançar com ideais sociais reguladores a realizar no futuro. Nessa articulação lábil, os bons policiais são, a um tempo, um diagnóstico da sociedade e uma proposta para o seu funcionamento ulterior. Ernest Mandel, por exemplo, tem um interessantíssimo estudo sobre o assunto no seu livro Cadáveres Esquisitos, uma circunstanciada análise sociológica do romance policial, leitura a que se dedicava com gosto e afinco. (Leiam, vale muito a pena).

Na dinâmica histórica do policial, Mandel demonstra que um conjunto de romances policiais americanos dos anos 60 do século passado são um libelo acusatório contra o sistema vigente. Se estabelecermos uma rápida comparação com séries como o CSI e afins verificamos que a mudança é de 180º: tais séries servem apenas para justificar o estado de coisas existente, para fazerem a sua apologia e para atribuirem à maldade ou à loucura (individuais, incontroláveis e inexplicáveis) o móbil da criminalidade social.

Mas há outro aspecto interessante. Quem, como eu, acompanhou há mais de vinte anos as séries televisivas (excelentes, de resto) Crime, disse ela e Perry Mason, tem bem presente o traço marcante que as estruturava: o poder da razão. Jessica Fletcher e Perry Mason actuavam por meio da inteligência, do raciocínio (umas vezes dedutivo, outras indutivo), da razão activa. A investigação – ziguezagueante, dialéctica – caminhava para um quadro de totalidade por força da racionalidade humana. Nós, espectadores, éramos partícipes da sua construção; ela não estava dada à partida. A afirmação desta racionalidade activa e dialéctica era de tal ordem que tanto Fletcher como Mason nem sequer eram jovens, muito menos portadores de físicos irrepreensivelmente musculados e sem adiposidades.

Jessica Fletcher, escritora, investigava fora do âmbito policial, retratado impiedosamente como incapaz, boçal e ineficaz. Por vezes, era mesmo tida pela polícia como suspeita. Perry Mason, advogado, resolvia todos os casos na barra do tribunal, onde imperava o poder da argumentação, a validade lógica e a destreza de raciocínio. As imagens eram fornecidas pelas palavras. A verdade não vinha já cozinhada pela polícia: era o advogado que a ia desvelando. Crime, disse ela e Perry Mason eram panegíricos da racionalidade. No plano social, distanciavam-se, à sua maneira, dos poderes instituídos e propunham, no mínimo, um olhar céptico sobre as polícias.

Que diferença em relação ao CSI e afins! Nestes impera o músculo, a juventude pela juventude, o estilo vazio e a irrazão. A polícia é todo-poderosa, o ministério público e os tribunais são um empecilho e um atraso de vida, o laboratório apetrechado da melhor tecnologia resolve tudo (o real fica reduzido aos fragmento isolados que são dados no laboratório). Estas séries são um mero elogio da polícia e do FBI enquanto estruturas necessárias ao bom funcionamento da sociedade burguesa. São a sua justificação. E são o reflexo do irracionalismo promovido pelo neoliberalismo.

Despir o homem de racionalidade crítica, torná-lo um mero consumidor – eis o programa teórico e ideológico do neoliberalismo pós-amodernado. Nos policiais, esse programa manifesta-se na passagem do poder da razão à justificação da razão do poder.

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PIC-NIC CONTRA A PRECARIEDADE

Posted by J. Vasco em 08/07/2011

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“É TÃO BONITO O DISCURSO DO PATRÃO”… OU… “10 MANEIRAS SIMPLES DE MOSTRAR SUBSERVIÊNCIA”… OU… “CÁBULA DO LAMBE-BOTAS”

Posted by * em 08/07/2011

Aqui vão dez pérolas do discurso do patrão para os candidatos a lambe-botas poderem mostrar a sua deferência em relação aos exploradores. É só decorá-las e repeti-las, de diversas maneiras, em toda e qualquer ocasião. Ao repeti-las, fazer um ar grave (como a que faz um António Barreto qualquer ao dizer as suas parvoíces) que é por estas terras, como todos sabem, uma certificação da elevada qualidade de qualquer bacorada proferida.

Cábulas para ser um lambe-botas eficiente:

1)      O lambe-botas deve criticar os trabalhadores por tudo e por nada, apontando-os como os culpados pelos problemas do país (“são preguiçosos”, “não querem trabalhar”, “querem viver acima das suas possibilidades”, etc.);

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2)      O lambe-botas deve criticar os sindicatos (“esses mandriões”, “esses aproveitadores”, etc.). Isto é importante, pois convém atacar este instrumento da luta dos trabalhadores, instrumento que fez com que hoje os trabalhadores, por exemplo, já não trabalhem 14 ou mais horas por dia e tenham direitos dos quais nem os lambe-botas estão pessoalmente dispostos a abdicar;

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3)      O lambe-botas deve dizer que os partidos e os partidos “são todos iguais”, dando a entender que quem luta pela escravidão é igual a quem luta contra a escravidão;

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4)      O lambe-botas deve aproveitar qualquer oportunidade para criticar o 25 de Abril, esta malvada data, que nas palavras de uma tal (certamente também malvada) Sophia seria, vejam só,  o “dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/E livres habitamos a substância do tempo”;

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5)      O lambe-botas deve elogiar, por tudo e por nada, os opinion makers oficiais, idolatrar a sua “genialidade” e exagerar as pequenas diferenças entre os diversos gémeos que aparecem nos meios de comunicação a defender a exploração (o lambe-botas deve fingir, mesmo que não seja fácil, que não nota que comem todos da mesma panelinha e que, na verdade, até são gente com um nível de análise rasteirinho como a relva).

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6)      O lambe-botas deve queixar-se de que “temos licenciados a mais”, de que “isto é um país de doutores”. Esta é uma muito boa maneira de atacar a cultura numa época e num mundo em que o conhecimento é crucial. Particularmente interessante o facto de ser uma ideia falsa e estúpida (e, portanto, isenta da cultura que diz haver em excesso) defendida num país com uma das mais baixas percentagem de licenciados da Europa, um país que apenas está a meio caminho de deixar a situação verdadeiramente vergonhosa em que se encontrava há poucas décadas atrás, em termos de habilitações da sua população. A questão das habilitações e da empregabilidade é uma questão de paradigma: se houver um médico para mil doentes e outro médico desempregado, só “há médicos a mais” se as inteligências raras pensarem que há que baixar as habilitações em vez de alterar a empregabilidade (dando, por exemplo, quinhentos pacientes a cada médico). Não sei de outro país que se queixe de “ter licenciados a mais” (aliás, esta cruzada contra a cultura torna Portugal alvo da risota de outros povos);

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7)      O lambe-botas não deve perder oportunidade de dizer que a saída da crise está no aumento da produtividade, obnubilando a existência das classes, da exploração, etc.;

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8)      Em consonância com o ponto anterior, o lambe-botas deve defender que o desenvolvimento do país depende fundamentalmente do aumento da exportação de mercadorias (quando já há alguns séculos se verifica que os países imperialistas se desenvolvem através da exportação de capital e não de mercadorias, coisa muito diferente);

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9)      O lambe-botas deve queixar-se constantemente de que o Estado é pesado, grande, controla tudo e todos e deve defender uma maior autonomia da “Sociedade Civil” (o lambe-botas deve, caso não se lembre facilmente desta expressão, escrevê-la um papel, já que a referência à “Sociedade Civil”dá um ar chique à indignação). Esta queixa acerca do peso do Estado é uma pérola: a) permite dar a impressão de espírito crítico; b)contribui para a defesa dos interesses do capital e das negociatas das privatizações; c) serve para atacar o Estado Social, os direitos conquistados pelos trabalhadores e defender o sacrossanto poder do(s) mercado(s). Ao usar este discurso, o lambe-botas deve tentar evitar reconhecer que foi exactamente a falta de controlo do(s) mercado(s) que agravou a actual crise do capitalismo (embora a inevitabilidade de crises seja inerente ao próprio sistema capitalista);

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10)  O lambe-botas deve defender a caridadezinha como meio de lidar com o problema da pobreza. Esta também é muito boa: a) permite dar uma ideia de que se é muito bonzinho; b) ajuda a reforçar a ideia de que os pobrezinhos são intrinsecamente inferiores aos demais seres humanos, devem ser vistos mais como objectos da acção alheia do que sujeitos da própria história; c) permite fazer com que, predominantemente, sejam os pobres a ajudar os pobres, libertando os exploradores da chatice de se preocuparem com essa questão (deixando-os com mais tempo para questões mais importantes, como a de continuarem a sua rapina); d) dá um bom lucro a Jumbos e Continentes e outras empresas que parasitam na boa vontade dos ingénuos; e) ajuda os padrecos e a igreja; f) reforça a ideologia da direita mais reaccionária; g) permite substituir a luta pelo fim da pobreza pela ideia de que sempre haverá pobres com quem se poderá eternamente praticar a caridade e ganhar a recompensa celestial merecida; h) permite atacar o Estado e o serviço público, substituindo a noção de direito social conquistado pela noção de benevolente (mas não garantida) condescendência em relação aos coitadinhos. Em relação à ajuda do Estado, o lambe-botas deve mudar de discurso imediatamente e tratar os mesmos pobrezinhos que queria caridadezinhar por “preguiçosos”, “aproveitadores do dinheiro dos nossos impostos”, etc.

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DESCULPE; DISSE «ESQUERDA»?

Posted by J. Vasco em 06/07/2011

«Programa da troika é positivo para Portugal»

Estas palavras foram proferidas a 6 de Maio de 2011 (há apenas dois meses), quando Vieira da Silva era ministro da Economia. Nos tempos próximos, durante os quais o PS vai voltar ao verbalismo de «esquerda» para enganar incautos, é sempre bom tê-las presentes. Elas expressam o essencial da posição do PS sobre as medidas da troika. Agora que Vieira da Silva foi posto à frente da comissão parlamentar que vai acompanhar o cumprimento das medidas da troika, o pedido feito por Cavaco na tomada de posse do governo vai ser levado a bom porto. O pedido, se bem se recordam, era que PS, PSD e CDS pudessem cooperar na implementação do «pacote de austeridade». Ámen.

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