OLHE QUE NÃO

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PONTO FINAL

Posted by J. Vasco em 31/05/2011

Em nome da «lisura» e da «clareza», o Jorge Carvalheira vem pôr um «ponto de ordem» na mesa.

Pela parte que me toca, depois de algumas observações, porei também um ponto final nesta discussão.

Em relação ao tema do «ódio a Sócrates» e minudências afins, deixo a barganha para os jugulentos, para os arrastados e para o Pitta. A coisa, superficial e irrelevante, parece ser muito adequada a estas pessoas de alto nível, cada uma mais coberta de verniz «democrático» e de «esquerda» do que a outra. Sinceramente, interessa-me mais, em política, perceber que grandes tendências sociais ela expressa, que classes sociais se enfrentam em cada momento, qual a correlação entre elas nos planos económico, social e institucional. É este o cerne da luta política. Por mais ruído que se faça, sem isto não se perceberá muito do que se passa. E o tempo pode então ser dedicado a discutir o «ódio a Sócrates» e afins.

Weimar, Hitler e os comunistas. O Jorge diz que não comparou nada e que não identificou nada com ninguém. Volte-se a ler o texto. Tirem-se depois as conclusões. Repito: é falsa a ideia de que os comunistas tenham levado os «eleitores» alemães «ao engano», dizendo que os social-democratas eram «piores» que os nazis. Completamente falso. O ódio a Weimar e à social-democracia era espontâneo (e justificado) por parte de grandes camadas de trabalhadores (comunistas, socialistas, sem-partido, etc). Nada do que viesse podia ser tão mau, pensavam muitos deles. Os comunistas, neste contexto, foram os primeiros a alertar para o perigo nazi e foram as suas primeiras vítimas. Mesmo no auge da política de «classe contra classe» do VI Congresso da  IC, em 1928, nunca foi abandonada a posição de aliança com as bases social-democratas, isolando as suas cúpulas, elas sim em namoro declarado com fascistas e nazis. De fora da historiografia oficial, soprada por mil e um canais, ficam sempre as posições vergonhosas da social-democracia europeia nesta matéria.

Por último, o PS e o PSD. Aqui o Jorge Carvalheira quase nada diz. Se há tantas e tão profundas diferenças entre ambos, por que razão se entenderam em PEC’s e orçamentos ao longo dos anos? Por que motivo comungam ambos das teses neoliberais? Por que mantêm ambos Portugal em guerras imperialistas um pouco por todo o mundo? Por que defendem ambos a  submissão à UE e as políticas de desindustrialização, de liquidação da agricultura e de abate da frota pesqueira? Mais: por que razão assinaram ambos (com o CDS) o memorandum da troika, que é o programa comum com que de facto concorrem às eleições – programa que prevê mais privatizações, despedimentos, desinvestimento na economia, machadadas nos direitos dos trabalhadores, descida de salários e de pensões, etc?

Enquanto o Jorge se esfalfa por encontrar no PS um baluarte do «estado social», a sua direcção não sofre de estados de alma desse tipo. Como aparelho político da burguesia (ao lado de outros, como o PSD e o CDS, que representam outros segmentos dela e que entre si concorrem no âmbito de uma unidade de fundo), a direcção do PS já fez as suas opções com clareza e sabe bem quem representa. É por isso que todos os dias se apresenta publicamente disposta a dialogar, a estabelecer acordos e até a governar com… o PSD e o CDS. (Nem um comentário sobre esta questão de fundo…)

É neste contexto que o Jorge malha nos comunistas e os acusa de não distinguirem o PS do PSD e de não impedirem a destruição do «edifício democrático saído de Abril». A noite escura é ou não é uma noite sem saída? 

    

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