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Archive for 20 de Dezembro, 2010

OPERAÇÃO GLÁDIO, PAI NATAL E BRUXAS

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

O jornalista João Paulo Guerra estreia-se no romance. A propósito dele, fala-nos da Operação Gládio, do Pai Natal e de bruxas. Ouçamo-lo:

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UM BARBEIRO MUITO POPULAR

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

 

Com um abraço ao meu tio Arlindo

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O «FRANCISCO»

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

Há duas semanas, o corropio em torno de Sá-Carneiro montou arraiais nos média nacionais. A burguesia portuguesa, ávida de um salvador sebastiânico de recorte autoritário, convocou os seus escribas e ofereceu-nos dúzias de hagiografias políticas do «Francisco», esse eminente membro da muito «azul» linhagem Lumbrales. Maria João Avillez, como de costume, destacou-se na tarefa, que, de resto, executou com gosto e com galhardia.

Antes de desmontarmos uma das principais mentiras que a senhora tentou, pela enésima vez, pôr a circular, recordemos estas palavras de Freitas do Amaral que aqui trouxemos no dia 10 de Março de 2010:

«(…)Isto levou-nos, aliás, a rejeitar a integração em bloco do aparelho local da ANP no nosso partido, que nos foi oferecida por alguns dos seus ex-dirigentes nacionais (através de listas com nomes, moradas, telefones e tudo) – o que representou da nossa parte um belo acto de coerência e idealismo, mas que não foi recompensado pelos deuses: esse aparelho acabou por se passar quase todo para o PPD, que não teve dúvida em o aceitar, depois de riscados alguns nomes mais conhecidos, com o que ganhou definitivamente a primazia sobre nós em implantação local.»

Pela boca de quem sabe, temos a prova cabal (se quiséssemos abstrair dos próprios acontecimentos de 74-75) de que os segmentos mais fanatizados do fascismo português se congregaram no PPD de Sá-Carneiro e aí lutaram, no quadro da situação democrática alcançada com o 25 de Abril, contra o novo regime. Luta, aliás, que, entre todo o tipo de conspirações e de contactos com o estrangeiro, incluiu bombismo, terrorismo, homicídios, etc.

Sá-Carneiro, por mais «alas liberais» que lhe queiram arranjar, era membro da Assembleia Nacional fascista. Era eleito pelas listas do partido fascista. O seu fito era salvar a burguesia portuguesa do calvário de uma revolução, e por isso, dentro das baias do regime, procurava uma saída airosa junto dos jovens lobos tecnocratas. Tudo isto – é sempre bom sublinhar e repetir -, no quadro do próprio regime fascista.

Agora, a grande tese que Avillez quer traficar: Sá-Carneiro queria acabar com o Conselho da Revolução e afastar os militares da vida política, ou seja, «entregá-la ao poder civil». O desejo de Sá-Carneiro extinguir o Conselho da Revolução é-nos servido pela jornalista in abstractum, como se fosse uma incondicionada posição de princípio que não guardasse qualquer ligação concreta com o contexto político da época e com a respectiva correlação de forças político-militar. Mas ainda que não atendêssemos a essa colocação adequada do problema, refutaríamos a mentira de Avillez (a de que Sá-Carneiro queria afastar os militares da «política») dizendo o seguinte:

Sá Carneiro conspirou desde a primeira hora contra a revolução portuguesa com um militar de recorte fascista e prussiano, Spínola; foi com um militar, Spínola, que procurou ilegalizar o PCP e que participou no golpe Palma Carlos; foi com um militar, Spínola, que preparou a mascarada da «Maioria Silenciosa» e do 28 de Setembro, que tinha como objectivo, justamente, atribuir plenos poderes ao mesmo Spínola e referendar uma constituição que não abarcasse o partido comunista; foi com militares, entre os quais Spínola, que animou vários bandos contra-revolucionários; foi com militares que deu o seu contributo para o 25 de Novembro e que pediu, consequentemente, o afastamento do PCP e dos comunistas em directo na televisão; finalmente, foi um militar reaccionaríssimo, Soares Carneiro (vejam aí em baixo o autocolante da campanha), que Sá-Carneiro decidiu apoiar nas presidenciais de 1980, dizem as más línguas que para subverter a constituição e referendar uma nova. Más línguas, claro…

  

Pois é, Maria João, a história que nos pretende vender pode ser interessante. Tem é um pequeno problema: é falsa de ponta a ponta.

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O MAIOR BAILARINO DO MUNDO

Posted by J. Vasco em 20/12/2010

A obra de Charles Spencer Chaplin é já hoje tão clássica como as grandes tragédias de Eurípides e de Sófocles. Assim como «Medeia», «Electra», «Rei Édipo» ou «Antígona», peças escritas há cerca de 2500 anos, provocam na sensibilidade dos homens e mulheres do século XXI uma funda comoção e um inexplicável pasmo – também a cinematografia de Chaplin não deixará de acometer o espectador de séculos ulteriores de um estrepitoso abalo interior.

[Ao contrário do que muitos pensam, o carácter imorredouro destas obras não se fica a dever a um qualquer arcano divino, a um não menos misterioso, evanescente e atmosférico «inefável», e muito menos – tese que ganha curso do mais sofisticado academismo ao mais irreflectido senso comum – ao seu carácter supostamente «intemporal» ou «atemporal». Muito pelo contrário: é o enraizamento histórico-temporal dessas obras que lhes permite transitar temporalmente no processo histórico. A história é uma totalidade processual em aberto. Nenhuma época histórica nasce e se desenvolve do vazio. Cada época histórica é uma fase de desenvolvimento do processo histórico (sempre inacabado, infinito), e carrega, transformadamente, elementos e aspectos do passado, já que o novo só é novo a partir da transformação do velho. É, por conseguinte, a capacidade que uma obra mostra de captar o mais essencial do seu tempo; é a capacidade que tem de se enraizar na temporalidade histórica (e não a de lhe fugir) – o elemento mais determinante e mais decisivo para que se possa materializar a possibilidade de transcender a sua época histórica e de transitar para outras. O facto de a sobrevivência de uma obra implicar que cada sociedade determinada valorize aspectos diferentes dela, significa apenas que essa obra conseguiu reflectir toda a riqueza do seu tempo, e, obviamente, que algumas das características e preocupações desse tempo persistem e subsistem (ainda que de forma transformada)].

Chaplin foi um homem que atravessou a sua conturbada época guiado por um profundo sentimento de humanismo. Nascido na Londres operária do East End, nunca perdeu a ligação às suas raizes, e todos os seus filmes reflectem uma umbilical identificação com o homem pobre, modesto, avesso ao vedetismo, aos títulos e honrarias.

A obra de Chaplin é genial. Por isso mesmo, as possibilidades de análise que ela oferece são inesgotáveis – e jamais se encerrarão. Hoje gostaria, muito simplesmente, de sublinhar o talentosíssimo bailarino e dançarino que Chaplin era. Um talento, no entanto, que não se reduzia a um efeito de estilo, mas que acentuava e que dava sofisticação aos grandes sentimentos e dilemas humanos que Chaplin se propunha retratar. Deliciem-se com estas duas sequências, a primeira de «Luzes da Cidade» e a segunda de «Tempos Modernos»:

NOTA: para um conhecimento mais concreto da vida de Charles Chaplin, ainda é proveitoso ler o livro (injustamente esquecido) «La vie de Charlot», de Georges Sadoul .

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