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PÉROLAS AO AR

Posted by * em 19/12/2010

 

No último Prós e Contras, lá estava a Fátima Campos Ferreira como sempre a tentar conduzir o debate como educadora que põe ordem numa sala de jardim de infância,  “- comportem-se meninos e aprendam telespectadores” (mas ela não é sempre assim, por vezes até se eleva ao nível de professora primária e, dedo em riste, dá raspanetes e “ensina” verdades inolvidável aos telespectadorzinhos);

Estavam presentes o Mister Common Sense (António Barreto) e José Barata-Moura, para além de José Policarpo (que, de modo servil e humilhante, adoram chamar de “Dom”) e Adriano Moreira. E um detalhe mostrou, de modo cristalino, a diferença entre António Barreto, preso a um empirismo rasteiro, sem profundidade nenhuma, que somente se eleva do senso comum ao senso comum, e José Barata-Moura, pessoa inteligente e profunda.

Estava mais uma vez o António Barreto a perorar as verdades lidas de terceiros e mil vezes repetidas, usando o cérebro (sim, deve tê-lo) apenas como correia de transmissão das infindavelmente repetidas ideias dos exploradores, sem o mínimo de reflexão crítica e o segundo, Barata-Moura, alguém que tenta apreender os fenómenos de modo crítico e autónomo, a mostrar como se usa o cérebro para verdadeiramente pensar. Repetia/dizia o António Barreto: não se deve criticar os exploradores nem os especuladores, a culpa é do povo, permitiu que o governo gastasse com o Estado Social, que se endividou, etc, etc e… quem deve, teme(deixando no ar a ideia de que é necessário acabar com o estado social e é necessário explorar mais os trabalhadores, que vivem uma vida de luxo e opulência, e ajudar mais um pouco os coitadinhos dos banqueiros e especuladores financeiros, os capitalistas e quejandos);

Já Barata-Moura levantava questões como: mas quais são as verdadeiras causas da crise? não terá a ver com o capitalismo e com o neo-liberalismo, que tão ordeiramente muitos seguem (como António Barreto)? Será que o endividamento deve ser analisado em abstracto, endividamento em geral? O endividamento pode ser uma necessidade para a captação de fundos necessários ao desenvolvimento económico… ou apenas ser usado para ajudar mais os exploradores e promover a dependência do país. Em relação ao taxativo e palerma “quem deve, teme!” do Mister Common Sense, responde Barata-Moura algo do género: quem teme, deve! Ou seja, é mais importante dizer que devemos por temer do que dizer que tememos por estar a dever!Ninguém entendeu! Não entendeu a professora primária, não entendeu o Mister Common Sense. Lá ficaram as pérolas a pairar no ar e as requentadas ideias de senso comum voltaram, tranquilamente a dominar. Não é fácil ser inteligente e profundo, arriscamo-nos a atirar pérolas ao ar. Claro que é mais fácil fingir cara douta e séria e, com voz grave de professor universitário, dizer um rol de banalidades pouco inteligentes e  repetir as costumeiras mentiras dos exploradores, como faz António Barreto.

Uma resposta to “PÉROLAS AO AR”

  1. Miguel Queiroz said

    É de um obscurantismo impressionante. A comunicação social burguesa brinda-nos constantemente com um desfile interminável singes-savants cujo espirito crítico está ao nível de uma pedra da calçada.
    Abraço

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