OLHE QUE NÃO

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AVISO AO TELESPECTADOR DESPREVENIDO

Posted by J. Vasco em 23/11/2010

Não há um dia do ano em que as coisas não se passem assim. A perspectiva que move os órgãos de comunicação social é sempre igual: zombar do povo, rebaixá-lo, vergá-lo, dobrar-lhe a cerviz. Para isso, omitem as suas lutas, obnubilam-lhe o horizonte, desprezam-no e sufocam-no.

Só não é assim, quando o dia é de greve, quando os trabalhadores, unidos, mostram a sua força e cortam a respiração aos seus exploradores. Aí, repentinamente, tornam-se muito amigos «das pessoas»; preocupam-se ciosamente com «os cidadãos»; desdobram-se em mil cuidados com «os transtornos»  do «contribuinte» nas deslocações para o emprego e com as chatices provocadas pelas consultas desmarcadas. E então correm, em chusma, de microfone nas mãos e de câmaras aos ombros. Correm para os sítios que desprezam nos outros dias todos que não são de greve: o terminal do autocarro, a gare do comboio e do metro, a estação fluvial, a sala de espera do centro de saúde e do hospital público. E fingem que se interessam, e que apoiam, e que oferecem um ombro amigo, e que compreendem. E escondem quem são. E estimulam e acarinham a canalhice, e a falta de princípios, e o individualismo, e a resignação, e a traição. E de seguida, em directo, dão-nos a ver todo este belo cenário que eles próprios produziram, dirigiram e montaram.

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