OLHE QUE NÃO

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«OS TRABALHADORES ESTÃO UNIDOS E DISPONÍVEIS PARA A LUTA»

Posted by J. Vasco em 18/11/2010

O Olhe Que Não dá hoje início a uma série de entrevistas com dirigentes sindicais e membros de comissões de trabalhadores, que se encontram, neste momento, em intensa fase de preparação da greve geral do próximo dia 24 de Novembro. Para além da participação dos editores do blog, enquanto trabalhadores, na greve, decidiram eles contribuir também para o sucesso dessa grande luta dando voz aos seus mais destacados construtores, que, de resto, sentem e vivem no dia a dia o pulsar real do movimento.

Para conhecermos de mais perto as dinâmicas que o atravessam e que o estruturam, ficamos de seguida com as palavras e as reflexões de Jorge Alves, elemento da comissão de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, como se sabe uma das mais importantes empresas de transportes da malha urbana e suburbana de Lisboa.

 

OLHE QUE NÃO – No âmbito da presente ofensiva geral contra os trabalhadores, plasmada nas várias versões do PEC e na aprovação do OE para 2011, de que forma são e serão afectados especificamente os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa?

JORGE ALVES – Os trabalhadores da nossa empresa, tal como de todas as outras do sector empresarial do estado, sofrem um impacto financeiro muito pesado, quer nos salários, quer nos subsídios de refeição, quer nos abonos de trabalho nocturno. Isto para além do que acontece a todos os outros trabalhadores com o aumento do IVA, da inflação e do IRS.

Dos cortes directos no vencimento e nos subsídios, estimamos que em média os trabalhadores da nossa empresa são roubados em mais de 18%.

Quanto a uma outra importante questão, temos vindo a alertar para que, do ponto de vista dos princípios, esta medida é uma clara violação do direito à livre negociação e à autonomia de cada empresa. Note-se que o salário que temos hoje não foi tirado a ninguém, resulta de uma negociação em que a empresa e os sindicatos acordaram que para um conjunto de tarefas e responsabilidades que os trabalhadores têm merecem em contrapartida uma remuneração determinada, que agora unilateralmente querem alterar.

Reparemos que nos tiram no salário, mas mantêm todas as tarefas e responsabilidades que temos.

OLHE QUE NÃO – Qual é, hoje, a situação real da empresa?

JORGE ALVES – A empresa vive alguma instabilidade, já que o conselho de administração tomou posse há poucos meses e nós achamos que ainda não conhece bem a realidade da empresa para estar a programar as reestruturações que tenciona implementar.

A nossa empresa tem um grave endividamento, resultante do estado nos ter mandado executar um conjunto de obras em seu nome, sendo que a dívida e os encargos dessa dívida correm por conta da nossa empresa.

Também a repartição das verbas dos passes sociais, a não contratualização do serviço público e social que prestamos, têm onerado a nossa empresa em muitos milhões de euros por ano.

OLHE QUE NÃO – E em termos de precariedade, como se caracteriza o Metropolitano de Lisboa?

JORGE ALVES – Podemos dizer que não existe trabalho precário no Metropolitano de Lisboa, embora nos últimos anos as condições de trabalho se tenham vindo a degradar em algumas áreas da empresa, afectando dessa forma alguns trabalhadores no desempenho das suas funções.

OLHE QUE NÃO – Passemos agora à greve geral de dia 24 de Novembro. Tendo em conta a situação da empresa que acabaste de traçar, qual é o grau de mobilização, de disponibilidade para lutar, e de consciência social e política que os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa apresentam?

JORGE ALVES – Os trabalhadores estão unidos e disponíveis para a luta. Têm plena consciência de que os problemas económicos portugueses não podem nem devem ser solucionados com medidas de austeridade impostas por um governo e por uma política que não respeitam quem trabalha.

Os trabalhadores estão indignados com toda esta panóplia de manobras de diversão que o actual governo utiliza para atingir um único fim – o roubo descarado dos trabalhadores.

 OLHE QUE NÃO – Do teu ponto de vista, qual é a perspectiva dos trabalhadores nas assembleias realizadas?

JORGE ALVES – Os trabalhadores sentem-se indignados ao saberem que os seus salários vão ser drasticamente reduzidos pelas medidas impostas pelo governo. Sentem que vão perder poder de compra, que bens recentemente adquiridos poderão ser alvo de devolução aos bancos.

Sentem que podem fazer algo para demonstrar o seu descontentamento com esta situação. Por tudo isto, estão dispostos a lutar.

OLHE QUE NÃO – Sentes que tem havido, por parte da administração e do governo, pressões, chantagens e ameaças, no sentido de quebrar a espinha à luta e à resistência dos trabalhadores?

 JORGE ALVES – Até este momento não é sentida qualquer forma de pressão, chantagem ou ameaça para com a resistência dos trabalhadores. Mas sabemos que com o aproximar do dia de luta nacional isso poderá acontecer.

OLHE QUE NÃO – Qual é a importância que a comissão de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa atribui a esta greve, tanto em relação ao presente como em relação ao futuro, tanto no contexto da empresa como no quadro da luta geral dos trabalhadores portugueses contra o agravamento da exploração?

JORGE ALVES – Esta greve será muito importante para afirmarmos junto do governo e da gestão da empresa que os trabalhadores estão unidos e dispostos a desenvolver todas as acções de luta pela manutenção dos seus direitos. A participação nesta greve será determinante, porque os trabalhadores sentem que os sacrifícios já realizados no passado não tiveram qualquer reflexo positivo no presente nem perspectivam nada de bom para o futuro. Os trabalhadores não podem ser roubados por uma política que não está assente no desenvolvimento do país.

Penso que esta greve vai demonstrar a força e a determinação dos trabalhadores portugueses, vai mostrar ao actual governo a enorme indignação e revolta que os trabalhadores sentem perante estas medidas injustas que muito provavelmente nada irão resolver.

OLHE QUE NÃO – Aumentemos agora a escala, antes de terminar. De que forma vês a luta dos trabalhadores, neste momento, por essa Europa fora? Consideras a presente greve geral como um momento dessa luta mais vasta?

JORGE ALVES – Os cidadãos europeus têm tido jornadas de luta, algumas bem recentes, nas quais reivindicam os seus direitos e apelam à justiça social. A jornada de luta portuguesa não será muito diferente, pois a conjuntura económica actual é semelhante em quase toda a Europa, e os trabalhadores vão demonstrar que o desgoverno da nação não passa despercebido.

OLHE QUE NÃO – Gostarias de deixar, a partir e através do Olhe Que Não, uma mensagem aos trabalhadores portugueses para o dia 24 de Novembro?

JORGE ALVES – Gostava de apelar aos trabalhadores portugueses para que não se acomodem a estas injustiças. Não cruzem os braços, nem atirem a toalha ao chão. Temos de lutar contra a injustiça social, contra a precariedade, contra a má gestão e, sobretudo, por uma política diferente que respeite quem trabalha. Vamos unir-nos e lutar pelos nossos direitos conquistados no passado. Vamos lutar a uma só voz no próximo dia 24 de Novembro. O país é nosso e não vão demover-nos das nossas aspirações a vivermos num país mais justo.

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Uma resposta to “«OS TRABALHADORES ESTÃO UNIDOS E DISPONÍVEIS PARA A LUTA»”

  1. Francisco Jorge said

    somente o meu apoio de reformado, ex-trabalhador da F. Pública; temos de lutar unidos, sem complexos, já que o PS sócras continua autista e exclusivista!

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