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Archive for 10 de Outubro, 2010

A ESCOLA DO PARAÍSO

Posted by J. Vasco em 10/10/2010

Aproveitando a efeméride, vai por aí um alvoroço de publicações de livros novos sobre a república. Ou muito me engano, ou nenhum deles chegará aos calcanhares desta obra-prima de 1960, chamada «A Escola do Paraíso». O autor, José Rodrigues Miguéis (1901-1980), é um dos nomes maiores da literatura portuguesa, e hoje está injustamente esquecido em favor de escribazitos de sétima ou oitava linha entretanto guindados pela crítica de badana a génios da literatura «pós-moderna».

«A Escola do Paraíso» relata os acontecimentos revolucionários de 5 de Outubro de 1910 do ponto de vista de uma criança, Gabriel, provinda de uma família de extracção popular, cujas origens remontam à Galiza. Através dos seus monólogos interiores e da descrição do seu dia-a-dia, temos acesso a um quadro muito completo (rico, contraditório e apaixonante) da sociedade lisboeta do fim da monarquia e dos alvores da república. Sons, cores, cheiros, espaços, ruas, profissões, classes sociais, relacionamentos humanos – estendem-se diante de nós, e permitem-nos, simultaneamente, fruir a dimensão estética da obra e conhecer histórica e sociologicamente a época em apreço. Coisa, acrescente-se, apenas ao alcance dos grandes escritores.  

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PAS DE DEUX

Posted by J. Vasco em 10/10/2010

Norman McLaren (1914-1987), nascido na Escócia, foi um dos mais originais e interessantes cineastas do século XX. Depois de ter passado, como cameramen, pela guerra civil de Espanha, fixou-se no Canadá, e aí desenvolveu um profícuo e paciente trabalho no National Film Board of Canada, nomeadamente na área do filme de animação. Recebeu fortes influências formais de Eisenstein, mas a sua marca de água reside na técnica de pintura directa na película. A primeira divulgação séria e trabalhada da sua obra foi feita, através da televisão, no princípio dos anos 80 do século passado pelo saudoso Vasco Granja. Aqui fica o fabuloso Pas de Deux, de 1968.

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