OLHE QUE NÃO

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Archive for Outubro, 2010

É JÁ NESTE FIM-DE-SEMANA

Posted by Patrícia B. em 29/10/2010

Dê um pulo a Serpa!

 

III Encontro Internacional Civilização ou Barbárie. Os desafios do mundo contemporâneo.

Com a participação dos dois homens aqui da casa: Jyoti Gomes e J. Vasco e mais uns quantos amigos.

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UM GENUÍNO SENTIDO DE IGUALDADE, UMA RIGOROSA DEMOCRATICIDADE

Posted by J. Vasco em 23/10/2010

O lado explosivo da questão. Com a devida vénia a Manuel Raposo.

 

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SIM… QUANTOS ANOS, QUANTO TEMPO?

Posted by J. Vasco em 23/10/2010

How many roads must a man walk down
Before you call him a man ?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand ?
Yes, how many times must the cannon balls fly
Before they’re forever banned ?
The answer my friend is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, how many years can a mountain exist
Before it’s washed to the sea ?
Yes, how many years can some people exist
Before they’re allowed to be free ?
Yes, how many times can a man turn his head
Pretending he just doesn’t see ?
The answer my friend is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, how many times must a man look up
Before he can see the sky ?
Yes, how many ears must one man have
Before he can hear people cry ?
Yes, how many deaths will it take till he knows
That too many people have died ?
The answer my friend is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

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SOBRE O GRANDE IDEALISMO ALEMÃO

Posted by J. Vasco em 23/10/2010

Foi dado à estampa, há cerca de um ano, este interessantíssimo estudo do académico grego Nectarios Limnatis, radicado nos EUA, sobre o idealismo alemão.

O livro intitula-se «German Idealism And The Problem Of Knowledge», e acompanha, do ponto de vista lógico e no plano histórico, a passagem do idealismo subjectivo de Kant ao idealismo objectivo de Hegel.

Nectarios Limnatis oferece-nos uma bem fundamentada análise, quase sempre elaborada em filigrana, das filosofias de Kant, de Fichte, de Schelling e de Hegel. Tem o enorme mérito de mostrar os vínculos necessários (não-arbitrários) que as relacionam, que as estruturam e que possibilitam o desenvolvimento e a transformação de umas nas outras, ou melhor: a transformação do idealismo kantiano no idealismo de Hegel.

O caminho não estava fatalmente determinado à partida. Mas o pôr em marcha certos aspectos da doutrina de Kant, não poderia, nem no plano lógico nem no plano histórico, ter outro desfecho que o sistema hegeliano. Hegel levou o idealismo ao seu limite máximo, nele integrando como seu momento dialéctico a própria objectividade material.

Clique aqui para ter acesso ao livro.

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O OLHE QUE NÃO À ESCUTA (II)…

Posted by J. Vasco em 21/10/2010

  

Novas de França

O Miguel Queiroz volta à antena. Mais uma vez, furando o cerco informativo montado pelos media do sistema, faculta-nos um relato vivo e objectivo dos acontecimentos, possibilitando-nos uma compreensão mais completa e mais adequada da intensa luta de classes que decorre em França. Ainda não sabemos para que lado acabará por pender a balança: para o lado da burguesia ou para o lado dos trabalhadores. O certo é que esta contradição, o motor da história, terá um desenlace. O certo, também, é que a radicalização das medidas repressivas do governo demonstra à saciedade a pujança do movimento operário francês. Que não se rende, que avança – e que, neste momento, fazendo jus à sua tradição revolucionária, se coloca à cabeça do movimento operário na Europa. Obrigado, Miguel! Até já…

«Camarada,

Depois de mais um dia de trabalho, de uma manifestação à porta do senado (onde se acumulam carrinhas do corpo de intervenção) e de uma visita breve ao piquete de greve da minha faculdade apresso-me a relatar o que temos vivido desde domingo. O movimento continua vivo e forte. Exemplo disso foi a manif de ontem, terça, onde 3 milhões e meio de pessoas estiveram na rua, atingindo números record em Marselha e Paris. Já foram 3  as vezes em que fomos mais de 3 milhões na rua no espaço de apenas uma semana. Não será por isso estranho que uma das palavras mais ouvidas na acção de ontem fosse “Greve Geral”. A questão continua no entanto delicada junto da CGT: Georges Seguy apela hoje no L’Humanité de forma algo velada a “que se deixe a gestão da greve aos trabalhadores”.  Leia o resto deste artigo »

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O OLHE QUE NÃO À ESCUTA…

Posted by J. Vasco em 17/10/2010

Novas de França

O nosso camarada e amigo Miguel Queiroz, a viver em Paris, deixou aqui um importante testemunho sobre o enquadramento geral, a dinâmica e o horizonte imediato dos acontecimentos desta semana vividos em França. O relato é extraordinariamente vivo, claro, rigoroso e sintético. Capta, em primeira mão, o essencial e mostra-nos tudo aquilo a que não temos acesso através dos meios de comunicação do sistema. Obrigado, Miguel! A antena está aberta. Continuaremos à escuta…

«Camarada,

          Por Paris vivem-se tempos de luta, greves, manifestações, demonstrações de grande coragem por parte da classe operária. Terça fomos 3 milhões e meio na rua, no domingo outros tantos, na próxima terça há nova manifestação. Entretanto múltiplas greves sectoriais continuam a ser reconduzidas desde terça passada: caminhos de ferro, transportes públicos, portos, refinarias (onde os trabalhadores conseguiram parar todas as refinarias do país, nada menos que 12), educação (em certas regiões), alguns sectores da função pública e os camionistas aderem dentro de meia hora ao movimento. Tendo citado apenas os sectores mais estratégicos. Entretanto os estudantes aderiram ao movimento tendo fechado entre 500 e mil liceus na última semana (amanhã de manhã saberemos melhor como segue o movimento a este nível).
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A «ESTABILIDADE» (DO CAPITAL) É A INSTABILIDADE DAS NOSSAS VIDAS

Posted by J. Vasco em 17/10/2010

No próximo dia 24 de Novembro, os trabalhadores portugueses avançam para a greve geral. Engrossaremos a torrente de lutas, protestos e greves que têm varrido a Europa desde a Primavera passada. Contra a exploração capitalista; contra a intensificação do esbulho patronal a propósito da crise; contra a descida dos salários, a subida vertiginosa do custo de vida e a retirada de direitos. Pelo fortalecimento da resistência organizada dos trabalhadores à brutal ofensiva da burguesia; pelo crescimento da consciência social e política dos trabalhadores; pela preparação de novas lutas (mais fortes, mais coesas, mais conscientes, imparáveis) contra a «estabilidade» do capital, que é a instabilidade das nossas vidas. Ao trabalho, camaradas!

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DE PROFUNDIS

Posted by * em 14/10/2010

 

 

 

“– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa, senão que era a voz da sombra que passava?”

Platão, República, livro VII

“Rezar é a melhor maneira de não fazer nada e ainda achar que os demais devem agradecer a ajuda”

Felizmente, os mineiros chilenos saíram ilesos das profundezas em que se encontravam. Mas é de arrepiar a sem-vergonhice com que o governo de direita de Sebastián Piñeras e a sem-vergonhice com que os padrecos e o padreco-mor parasitaram na desgraça destes mineiros. E deu resultado: ele era loas ao governo, ele era demonstrações de chauvinismo nacionalista e hino nacional cantado com o presidente e os exploradores, ele era a subserviência política mais abjecta. Em relação aos padrecos, ele era envio de terços, ele era t-shirts com propaganda vaticanense, ele era apropriação petulante e descarada dos louros do resgate que outros levaram a cabo. Já em relação aos sindicatos e forças de esquerda, os únicos que sempre se bateram por melhores condições de trabalho para os mineiros… nada!

Todos viram os esforços para trazer os mineiros à superfície? Pois, desengane-se quem pensou que foi o esforço humano que os trouxe à superfície. Não, não  foram os homens, foi Deus, foi Jesus (será que não foi o Pai Natal nem o Noddy nem o Saci-pererê?). Quer dizer, por essa lógica, o tal Deus não ajudou antes os mineiros que têm morrido séculos e séculos a fio por essas minas afora porque, pura e simplesmente, não quis ajudar ou não se interessou pelo assunto. Enfim!

Os mineiros, felizmente, já cá estão. Mas muito têm ainda de fazer os trabalhadores chilenos para virem à superfície.


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VÊ LÁ COMO VENHO EU…

Posted by J. Vasco em 13/10/2010

Dedicado aos 33 mineiros do Atacama (que representam os mineiros de todo o mundo):


Nas minas de Aljustrel
Tralalalalalalala
Morreram muitos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Trago a cabeça aberta…
Tralalalalalalala
Que me abriu uma barreira, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Trago a camisa rota…
Tralalalalalalala
E sangue de um camarada, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…
Tralalalalalalala
Santa Barbara bendita…
Tralalalalalalala
Padroeira dos mineiros, vê lá!
Vê lá companheiro, vê lá!
Vê lá como venho eu…

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LÉNINE E A FILOSOFIA

Posted by J. Vasco em 13/10/2010

José Barata-Moura lançou, há um mês, mais um grande livro de filosofia a juntar à sua vasta obra. Intitula-se «Sobre Lénine e a filosofia. A reivindicação de uma ontologia materialista dialéctica com projecto», e é, depois do anterior, de que aqui demos notícia, o segundo a ser dado à estampa este ano.

O trabalho de auscultação da relação de Lénine com a filosofia é realizado, por Barata-Moura, em filigrana. O cotejo crítico, que atravessa o livro de fio a pavio, entre «Materialismo e Empiriocriticismo», de 1908, e os conspectos, constantes dos «Cadernos Filosóficos», sobre a filosofia de Hegel, que remontam a 1914, desmontam uma ideia que faz carreira entre grande parte da marxologia ocidental, segundo a qual haveria dois Lénines: o desconhecedor da dialéctica, tosco «materialista», na primeira obra; e o renegado do «materialismo», já conhecedor da dialéctica por intermédio da «descoberta» de Hegel, nos «Cadernos Filosóficos». Na verdade, como no-lo mostra Barata-Moura, o que há é um solo comum entre os dois momentos, a partir do qual as preocupações e núcleos temáticos do primeiro vão, em processo, recebendo aprofundamentos e desenvolvimentos.

Outro aspecto interessante a destacar no livro é o tema da prática. Se em Lénine ele aparece decisivamente tratado, no plano da teoria do conhecimento, enquanto critério da verdade (muito embora não esgote esse critério), deve salientar-se que há também uma abordagem da prática em Lénine, não menos capital, enquanto agente material da transformação material da realidade (seja no plano do trabalho, da aplicação técnica da ciência, ou da luta política).

Uma chamada de atenção parece-me merecer ainda a diferença de tratamento que, para Lénine, deve ser estabelecida entre a luta política, no plano estratégico e táctico, e a luta filosófica. Não que uma não interfira na outra. Mas até que ponto a relação entre uma e outra é complexamente mediada, mostra-nos a especificidade da abordagem que cada uma recebe por parte de Lénine. É assim que um menchevique como Plekhánov está mais próximo do materialismo marxista do que um bolchevique como Lunatchárski. José Barata-Moura, com minúcia, conduz-nos por estes intrincados meandros. 

Finalmente, a questão central que dá ritmo e teor determinado ao livro: a perspectiva ontológica. José Barata-Moura, como é seu timbre, não abdica de a convocar. Ainda que Lénine não tenha dado ao problema um tratamento isolado, circunscrito e autónomo, a verdade é que a perspectiva sobre o estatuto do ser, a demanda sobre aquilo que é, comandam e determinam toda a abordagem leniniana. Sem ontologia, sem compreensão de aquilo que é, não se chega sequer a perceber de forma adequada a economia, a política, a transformação,  a revolução. Lénine sabia-o – e, por isso mesmo, a persepctiva ontológica perpassa e inunda toda a sua obra. Lénine sabia-o – e, por isso mesmo, o estudo da filosofia foi sempre uma preocupação constante ao longo da sua vida.

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O EPÍLOGO DA FARSA APROXIMA-SE

Posted by J. Vasco em 12/10/2010

Eanes, Soares e Sampaio deram ontem o seu contributo conjunto para a farsa que está em cena há alguns meses, montada em torno de pretensas clivagens profundas entre PS e PSD (os patuscos do costume morderam o isco, pela milésima primeira vez, e não se cansam, nunca se cansam, de encontrar, «apesar de tudo, diferenças entre eles»). Fazendo uso de um tom dramático e quase apocalíptico, fustigaram as «dissensões entre PS e PSD», apelaram ao «sentido de responsabilidade», e clamaram por um entendimento entre «os dois grandes partidos» para a aprovação do orçamento.

Cabe perguntar: alguma vez, em trinta e cinco e anos, estes partidos deixaram de dar as mãos para aprofundar a exploração capitalista e para fazer avançar a contra-revolução? Quem aprovou, sempre, os orçamentos de estado, consoante as necessidades aritméticas de cada momento?

O epílogo da farsa está, entretanto, próximo. Virá com a aprovação de mais um orçamento que penaliza fortemente as condições de vida dos trabalhadores.

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ÁGUAS QUE O VERÃO FECHAM

Posted by J. Vasco em 11/10/2010

Que a música, ou qualquer expressão artística, não se esgota na sempre necessária mestria técnica, prova-o um momento como o que segue, marcado pela interacção inteligente, pela cumplicidade e pela genuinidade. Isto não o compreenderá a cultura dominante do pós-modernismo, que navega no vazio e no formalismo oco.  

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A ESCOLA DO PARAÍSO

Posted by J. Vasco em 10/10/2010

Aproveitando a efeméride, vai por aí um alvoroço de publicações de livros novos sobre a república. Ou muito me engano, ou nenhum deles chegará aos calcanhares desta obra-prima de 1960, chamada «A Escola do Paraíso». O autor, José Rodrigues Miguéis (1901-1980), é um dos nomes maiores da literatura portuguesa, e hoje está injustamente esquecido em favor de escribazitos de sétima ou oitava linha entretanto guindados pela crítica de badana a génios da literatura «pós-moderna».

«A Escola do Paraíso» relata os acontecimentos revolucionários de 5 de Outubro de 1910 do ponto de vista de uma criança, Gabriel, provinda de uma família de extracção popular, cujas origens remontam à Galiza. Através dos seus monólogos interiores e da descrição do seu dia-a-dia, temos acesso a um quadro muito completo (rico, contraditório e apaixonante) da sociedade lisboeta do fim da monarquia e dos alvores da república. Sons, cores, cheiros, espaços, ruas, profissões, classes sociais, relacionamentos humanos – estendem-se diante de nós, e permitem-nos, simultaneamente, fruir a dimensão estética da obra e conhecer histórica e sociologicamente a época em apreço. Coisa, acrescente-se, apenas ao alcance dos grandes escritores.  

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PAS DE DEUX

Posted by J. Vasco em 10/10/2010

Norman McLaren (1914-1987), nascido na Escócia, foi um dos mais originais e interessantes cineastas do século XX. Depois de ter passado, como cameramen, pela guerra civil de Espanha, fixou-se no Canadá, e aí desenvolveu um profícuo e paciente trabalho no National Film Board of Canada, nomeadamente na área do filme de animação. Recebeu fortes influências formais de Eisenstein, mas a sua marca de água reside na técnica de pintura directa na película. A primeira divulgação séria e trabalhada da sua obra foi feita, através da televisão, no princípio dos anos 80 do século passado pelo saudoso Vasco Granja. Aqui fica o fabuloso Pas de Deux, de 1968.

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AS ELITES AGRADECEM

Posted by J. Vasco em 08/10/2010

Ainda bem que não é um «dogmático» a dizer isto. Imaginem que tinha sido…

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A HISTÓRIA CONTADA ÀS CRIANÇAS

Posted by J. Vasco em 06/10/2010

«Portugal: um presente com passado». Trata-se de um manual de História e Geografia de Portugal, respeitante ao 5º ano da escolaridade obrigatória (se não contabilizarmos alunos repetentes, crianças entre os 9 e os 11 anos), e foi adoptado em várias escolas do país. Os autores são Júlio Coelho e Sebastião Marques, a edição é dos próprios, mas é a Leya Sebenta que o comercializa.

Abrimo-lo na p. 138 e, sobre a chegada portuguesa à Índia, lemos o seguinte:

«De início, os Portugueses foram bem recebidos mas, por causa das intrigas feitas pelos comerciantes árabes, que receavam perder o comércio das especiarias, passaram a ser hostilizados e não foi possível fazer qualquer acordo comercial com o samorim (rei) de Calecut.

Vasco da Gama regressou a Portugal em 1499.

D. Manuel ficou satisfeito com esta viagem de Vasco da Gama, mas, conhecedor da hostilidade demonstrada pelo samorim de Calecut, decidiu impor o domínio português no Oriente e no comércio das especiarias».

Nunca se trata aqui de tornar simples e acessível o que é complexo, tarefa que compete ao ensino para crianças. Só se vislumbra vontade de estimular o mito e de criar ranço nos espíritos. Malandros dos «comerciantes árabes», com as suas «intrigas»!

Rimos ou choramos?

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VASCO PULIDO VALENTE: ASSINADO E REGISTADO NO LIVRO DE ACTAS

Posted by J. Vasco em 05/10/2010

Importa, em todos os fenómenos da vida social, perceber a partir de que ponto de vista se exerce a crítica. É o que permite apurar o teor e os objectivos determinados dessa crítica.

É possível criticar Kant, por exemplo, tanto de um ponto de vista materialista, como de um ponto de vista idealista. No primeiro caso, reconhece-se-lhe o mérito de conferir um estatuto de independência ôntica à realidade objectiva, apontando-lhe porém a debilidade de a considerar incógnita e incognoscível. No segundo, o idealismo mais consequente e mais radical aponta-lhe sobretudo a inaceitável concessão ao materialismo que representa o reconhecimento da objectividade material da coisa em si.

Também é possível criticar o capitalismo – recorrendo a outro exemplo -, tanto do ponto de vista aristocrático, monárquico, feudalizante, tardo-romântico, quanto a partir de posições progressistas, proletárias, socialistas, comunistas.

Detenhamo-nos agora no caso da república portuguesa, uma das primeiras da Europa.

O movimento operário critica-a não por ser república, mas pelo seu conteúdo burguês, limitado, amputado, por ser uma república burguesa, estruturada portanto para, dentro de uma moldura republicana, garantir a vigência da exploração capitalista.  Criticando-a de um ponto de vista de classe, simultaneamente transporta e carreia, através dessa crítica, o ponto de vista mais universalista de todos: o da humanidade social.

Em relação ao campo reaccionário (dos monárquicos, aos fascistas, passando por toda a gama diversa de direitistas com que a história nos foi presenteando), a crítica é dirigida não ao carácter burguês, mas ao próprio republicanismo da república, republicanismo tendencialmente universalista. Os reaccionários não podem conceber, sequer, que o fundamento da soberania resida no povo, que os cargos públicos sejam electivos e os seus titulares amovíveis, que não haja privilégios de casta, que os cidadãos sejam iguais em direitos e perante a  lei. Contudo, o que os desgosta mais na república portuguesa é a chamada questão social, a emergência, ainda que dentro de limites bem apertados e de conteúdo político muito débil, do movimento autónomo dos trabalhadores.

É neste quadro que surge e se constrói a interpretação fascista da república portuguesa. O seu objectivo era, a um tempo, legitimar, no plano ideológico, a construção do estado fascista, e, no plano prático, reprimir, e se possível liquidar, o movimento operário organizado, com vistas a afastar o perigo da revolução social e a proporcionar à burguesia, de uma forma mais estável e fortalecida, a extracção e a apropriação de mais-valia. E é assim que os fascistas, irmanados com os monárquicos, criam uma imagem da república como estado «jacobino», como reino da «violência» e do «arbítrio», como «caos social e político» onde impera a «perseguição», a «vigilância», a «intolerância» e a «fúria». Não era preciso pôr cobro a «isto», a este ambiente de «psicose social»?

Vasco Pulido Valente não é grande historiador, como se sabe: escreve um arremedo de livritos, rabisca umas croniquetas, e bolça, de ordinário, o seu profundo ódio anti-comunista. Mas Vasco Pulido Valente sabe que textos invoca, o que significam e que funções sociais e políticas concitam. E por isso não é inocente a convocação da figura de Salazar a que procede na sua diatribe contra a república portuguesa, publicada no Público do último sábado, dia 2 de Outubro. Para que fique registado no livro de actas, com a sua assinatura indelével, transcrevamos as exactas palavras de Vasco Pulido Valente: «Como dizia Salazar, “simultânea ou sucessivamente” meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.».

A visão de Salazar e dos fascistas sobre a república – eis o melhor de que é capaz Vasco Pulido Valente. 

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DE QUEM? PARA QUEM? CONTRA QUEM?

Posted by J. Vasco em 05/10/2010

«Então chegou a república. Ganhavam os homens doze ou treze vinténs, e as mulheres menos de metade, como de costume. Comiam ambos o mesmo pão de bagaço, os mesmos farrapos de couve, os mesmos talos. A república veio despachada de Lisboa, andou de terra em terra pelo telégrafo, se o havia, recomendou-se pela imprensa, se a sabiam ler, pelo passar de boca em boca, que sempre foi o mais fácil. O trono caíra, o altar dizia que por ora não era este reino o seu mundo, o latifúndio percebeu tudo e deixou-se estar, e um litro de azeite custava mais de dois mil réis, dez vezes a jorna de um homem.

Viva a república, Viva. Patrão, quanto é o jornal agora, Deixa ver, o que os outros pagarem, pago eu também, fala com o feitor (…)

Já lá vai adiante o esquadrão da guarda, amorosa filha desta república, ainda os cavalos tremem e a espuma fica pelo ar em flocos repartida, e agora passa-se à segunda fase do plano de batalha, é ir por montes e montados em rusga e caça aos trabalhadores que andam incitando os outros à rebelião e greve, deixando os trabalhos agrícolas parados e o gado sem pastores, e assim foram presos trinta e três deles, com os principais instigadores, que deram entrada nas prisões militares. Assim os levaram, como a récua de burros albardados de açoites, pancadas e dichotes vários, filhos da puta, vê lá onde é que vais dar com os cornos, viva a guarda da república, viva a república da guarda (…)».

José Saramago, Levantado do Chão, Editorial Caminho, 4ª ed., 1980, pp. 33 e 35

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A LEI QUE LIBERTA

Posted by J. Vasco em 03/10/2010

A dogmática do liberalismo é hoje servida em doses tais; os seus recauchutados ídolos e bezerros de ouro oferecidos para esperada adoração perpétua com uma insistência tal; a sua liturgia sacra entoada por um tão estridente coro – que mesmo as perspectivas que visam manter e reforçar o sistema capitalista, mas que entretanto não se enquadram em todos os seus aspectos no liberalismo tout court, vêem-se atiradas para o reino da nocividade e da subversão.

É assim que não é de admirar que um destes dias um cura, por exemplo, como o «oitocentesco» Lacordaire venha a ser considerado, pelos liberalóides de turno, um «perigoso socialista». Muito embora, durante a sua vida, se tenha dedicado à defesa paciente e sem hesitações da ordem vigente, não hão-de perdoar ao presbítero tê-los posto a nu, particularmente ter ousado desmascarar, com frases simples, a falsidade da «liberdade» burguesa que diariamente apregoam, seja a partir da cátedra, do pasquim ou do ministério: «entre o forte e o fraco, entre o rico e o pobre, entre o amo e o servo, é a liberdade que oprime e a lei que liberta» («entre le fort et le faible, entre le riche et le pauvre, entre le maître et le serviteur, c’ est la liberté qui opprimme et la loi qui affranchit»)

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AS MÚSICAS DESTA NOITE

Posted by Patrícia B. em 02/10/2010

Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se ousava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.
 
(Chico Buarque e Vinicius de Moraes, voz de Cristina Motta)

Meio bicho e fogo

Parte o navio
Para o labirinto
Sai o navio
De fio vermelhoVai ardendo
A linha de água
E o combustível
Vem do temporal

E afogarei
No amor que vier
Eu afogarei
Sou tão impuro
E tudo sai do navio
Para o labirinto
Para mim

Que tonto
E difícil
Um mítico corpo
Meio bicho e fogo
Minotauro bomba

Prestes a rebentar
Da cega mordo
O navio afundar
Sobre o temporal

E afogarei
No amor que vier
Eu afogarei
Sou tão impuro
E tudo sai do navio
Para o labirinto
Para mim

Para o labirinto
Para fim

Para o labirinto
Para mim

(Governo, música de Miguel Pedro, letra e voz de valter hugo mãe)

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