OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Archive for Setembro, 2010

QUE FAREI QUANDO TUDO ARDE?

Posted by J. Vasco em 24/09/2010

Dezarrezoado amor, dentro em meu peito
tem guerra com a razão. Amor, que jaz
i já de muitos dias, manda e faz
tudo o que quer, a torto e a direito.

Não espera razões, tudo é despeito,
tudo soberba e força, faz, desfaz,
sem respeito nenhum, e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.

Doutra parte a razão tempos espia,
espia ocasiões de tarde em tarde,
que ajunta o tempo: em fim vem o seu dia.

Então não tem lugar certo onde aguarde
amor; trata treições, que não confia
nem dos seus. Que farei quando tudo arde?

Francisco Sá de Miranda, 1481-1558, introdutor do soneto em Portugal

Anúncios

Posted in Sá de Miranda | Com as etiquetas : | 1 Comment »

O HERÓI DO «SOCIALISMO DEMOCRÁTICO»

Posted by J. Vasco em 23/09/2010

«Não era uma desgraça que o FMI viesse a Portugal»

Posted in * QUASE SEM COMENTÁRIOS, FIGURAS | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

O FIM DO ENSINO RECORRENTE

Posted by J. Vasco em 22/09/2010

Na semana passada, foi tomada pelo governo uma medida criminosa: acabar com o ensino recorrente. Qualquer adulto que pretenda, já a partir deste ano lectivo, inscrever-se no ensino básico ou no ensino secundário, poderá apenas fazê-lo ou nos cursos EFA (Educação e Formação de Adultos), ou num processo de reconhecimento, certificação e validação de competências (RVCC), ambos ofertas no âmbito do programa Novas Oportunidades. No primeiro caso, entre outras coisas interessantes, ouvirá falar do funcionamento técnico de um aspirador ou de um telemóvel; no segundo, certificará competências que adquiriu ao longo da vida, algumas de entre elas, muito possivelmente, o manuseio de um aspirador ou de um telemóvel. Note-se que nada disto, em si mesmo, é mau. Pelo contrário: o reconhecimento e a certificação de competências que muitos cidadãos adquiriram fora do contexto escolar é um bem que se deve intensificar e alargar, e, de certo modo, é mesmo uma obrigação da sociedade para com os seus membros (nesse sentido, as Novas Oportunidades até pecam por serem demasiado timoratas).

O problema está todo em absolutizar este ramo, abandonando a outra vertente, ou seja, desistindo do ensino escolarizado tradicional, constituído pelos saberes formais transmitidos secularmente (já para não falar da sua completa inexistência no seio mesmo quer dos cursos EFA, quer do processo de RVCC). Em lugar de se elevar o maior número de cidadãos aos patamares do cultivo científico dos saberes, tornando-o socialmente acessível, aprofunda-se o fosso entre os escolarizados e os não escolarizados.

O governo dos patrões, moço de recados do FMI, justificou este crime com a lei da oferta e da procura. Ainda que este fosse o critério a seguir para estruturar a educação de um país, um aspecto ficará sempre por resolver: quando um homem ou uma mulher  (unzinho ou umazinha que seja) de quarenta ou cinquenta anos, com uma vida de trabalho no lombo, sem escolaridade maior que o ensino primário ou preparatório, quiserem um dia aprender a sério ou geografia, ou biologia, ou física, ou literatura portuguesa, ou matemática, ou uma língua estrangeira, ou iniciar um percurso escolar sólido – quando esse homem ou essa mulher quiserem entregar-se a alguma destas coisas e recorrerem, para o efeito, a uma escola, o que terão? O que os espera? O funcionamento do aspirador e do telemóvel. Tudo coisas dignas, registe-se sempre. Em todo o caso, demasiado curtas para quem deseja o verdadeiro saber. 

Posted in Ministério da Deseducação | Leave a Comment »

NÃO CANSE O PENSAMENTO DE GUIAR-ME, DONDE NUNCA DE LÁ POSSA TORNAR-ME

Posted by J. Vasco em 22/09/2010

Evald Vasilyevich Ilyenkov (1924-1979)

«Entendo o pensar como a componente ideial da actividade real das pessoas em sociedade transformando simultaneamente, pelo seu trabalho, a natureza e a própria sociedade». (Lógica Dialéctica, Introdução)

Evald Ilyenkov é um dos grandes filósofos do século XX.

Personagem trágica (suicidou-se), de recorte entre o brechtiano e o shakespeariano, elevou e desenvolveu o pensamento marxista soviético a partir da herança hegeliana, nomeadamente a partir do seu núcleo racional: a dialéctica. No seu trabalho teórico em território marxista, notam-se também fortes ressonâncias de Espinosa, por quem Ilyenkov, de resto, nutria uma especial admiração.

A sua vasta obra (consultar aqui alguns dos títulos disponíveis em inglês) começou a ser conhecida no ocidente, nomeadamente em Inglaterra e em França, a partir de meados dos anos 80 do século passado. Já é tempo de ser traduzida para português. Os seus estudos sobre a consciência, sobre o problema do ideial e da ideia, sobre a lógica de «O Capital» – são inestimáveis para quem não desiste de pensar as realidades em movimento, num horizonte de transformação.

Posted in Ilyenkov | Com as etiquetas : , | 1 Comment »

UM SOCIÓLOGO MUITO CÁ DE CASA

Posted by J. Vasco em 21/09/2010

«Contrariamente ao que sucedeu em boa parte da modernidade, a classe

trabalhadora parece ter sofrido uma perda de capacidade na mobilização social e

sindical nas últimas décadas. Assim, assumimos como propósito analisar o papel do

universo simbólico-ideológico na construção desse cenário das classes trabalhadoras

ocidentais. Em suma, procuraremos identificar algumas das principais linguagens

simbólico-ideológicas de classe que têm conformado grande parte da subjectividade

assalariada nas últimas décadas».

 

 

* Para quem não saiba e queira estar presente: o ICS fica mesmo ao lado do ISCTE

Posted in João Aguiar | Com as etiquetas : , , , | 1 Comment »

DO USO PRÓPRIO DA RAZÃO

Posted by J. Vasco em 20/09/2010

«A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtarir-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame».

(Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura, Fundação Calouste Gulbenkian, p. 5)

Dizia Hegel que, sem Espinosa, não havia filosofia.

Podemos também dizer que, sem Kant (1724-1804), não pode haver filosofia.

Kant é o grande filósofo da revolução francesa. No seu cantinho de Königsberg, acompanhava os acontecimentos gauleses com entusiasmo, pois identificava no sucesso da grande revolução burguesa do século XVIII o progresso da humanidade, o progresso da razão.

Vejam o excerto citado. Como é fácil, hoje, dizer que tudo se deve submeter à crítica, como é ocioso afirmar que é a razão – e não qualquer poder externo a ela (o governante, o cura, o síndico) – que deve comandar o viver humano e enformar as relações comunitárias. Se hoje é assim – na altura não o era: que é isso, senhor filósofo, de querer transformar o mundo e a vida a partir de um fundamento racional? Há, a demonstrar o contrário, todo o peso da tradição já provada pela experiência, que tão boas mostras de dar conta do recado tem dado…

Kant é hoje «ensinado» (tanto no ensino secundário, como nas universidades), expurgado da corrente viva do seu pensamento. Apresentam-no como se de uma morta e apodrecida terceira via, entre o «empirismo» e o «racionalismo», se tratasse. Embotam-lhe o gume crítico e o núcleo revolucionário.

Porém, o mais dramático, por parte desses «professores», é papaguearem frases grandíloquas sobre o uso próprio da razão, mas matarem à nascença, nos seus alunos, qualquer semente de espírito crítico que principie a assomar. Proclamam-se kantianos, mas praticam a idolatria.

Os argumentos e as opiniões valem pelo seu conteúdo, pelo bem fundado do seu teor, pela adequação que carreiam em relação à realidade objectiva – e nunca pelos pergaminhos, por mais imponentes que pareçam, de quem os manifesta e de quem as expende.  

Posted in Idealismo Alemão, Kant | Com as etiquetas : | 1 Comment »

PARA A PATRÍCIA B. ET POUR CAUSE (II)

Posted by J. Vasco em 19/09/2010

Aqui pelo estaminé, este tem sido o post mais visitado no último mês.

Falta, entretanto, dar sequência à Aula e ao Ensaio. Eis a noite de estreia:

Degas, A estrela, ou a dançarina em cena, 1878

Posted in Degas | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

OS «HOMENS DA LUTA» E A LUTA DOS HOMENS

Posted by J. Vasco em 17/09/2010

Atente-se, por um momento, neste par de pseudo-truões. É um produto típico, acabado, da «sociedade do espectáculo», um emblema reluzente da cultura pós-moderna.

Integrar no reino e no circuito do «espectáculo», da mercadoria, do valor, qualquer dimensão da existência é uma lógica objectiva do capitalismo, desdobrada, no âmbito do mesmo processo, em dois tabuleiros: o da necessidade de acumulação de capital e de reprodução alargada do sistema, por um lado; e, por outro lado, no plano subjectivo (político, ideológico, volitivo, afectivo), o da neutralização e domesticação dos elementos e forças sociais susceptíveis de transformarem revolucionariamente o modo vigente de produzir e reproduzir o viver em comunidade.  

Chega a ser enternecedor ver os donos e os directores de programação das televisões, reaccionarões de alto coturno sempre pródigos na condenação liminar das verdadeiras lutas populares, a acarinhar e  a estimular as façanhas provocadoras e ofensivas das vidas duras dos trabalhadores, protagonizadas pela dupla de bobos, afinal instrumento dos seus interesses.

Mas desenganem-se, amigos. Por muito que tentem folclorizar e ridicularizar o «velho», «relho» e «ultrapassado» movimento organizado de homens e mulheres que labutam pela emancipação humana  (com o intuito de o tornar inofensivo e «aceitável», porquanto enquadrado e enquadrável na estrutura regulada do «espectáculo»), a verdade é que a vossa decadência não triunfará sobre o que é vivo. Convém não confundir os «homens da luta» com a LUTA DOS HOMENS.

Posted in FIGURAS | Com as etiquetas : , | 2 Comments »

TODOS À RUA A 20 DE NOVEMBRO DE 2010

Posted by J. Vasco em 14/09/2010

Posted in Nato | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

11 DE SETEMBRO DE 1973

Posted by J. Vasco em 11/09/2010

Realização: Ken Loach

Posted in Chile, Ken Loach | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

EU NÃO CANTO POR CANTAR

Posted by J. Vasco em 11/09/2010

Manifiesto, Victor Jara

Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon,

tiene corazon de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas,
aqui se encajo mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.
 

 

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morira cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una alondra
hasta el fondo de la tierra.
 

 

Ahi donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre sera cancion nueva.

Posted in Victor Jara | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

OS CONSTRUTORES

Posted by J. Vasco em 11/09/2010

ou… uma das dimensões da praxis transformadora

Fernand Léger, Os construtores, 1950

Posted in Fernand Léger | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

LA LUTTE, BIEN SUR!

Posted by J. Vasco em 09/09/2010

Qual foi a resposta dos trabalhadores franceses, há três dias, aos intentos patronais de aumentar a idade da reforma dos 60 para os 62 anos de idade? Vergar-se perante as «inevitabilidades»? «Compreender» a necessidade de «contenção orçamental»? Aceitar a destruição do «estado social» em nome da sua «defesa»? Sorrir perante o aumento da exploração capitalista? Não. Foi a da luta retumbante (greve, cerca de 2 milhões de manifestantes), a da verdadeira luta à francesa, a da mobilização popular organizada e combativa, que bebe o seu vigor na tradição revolucionária de 1789, de 1848 e de 1871. Os trabalhadores franceses são fortemente politizados, conscientes, e os sindicatos de classe, apesar de inúmeras contradições, nunca perderam implantação no terreno, têm força e mantêm perspectivas de luta. Será esta grande luta nacional (nacional na forma, internacional no conteúdo) suficiente para fazer recuar o governo burguês de França? Veremos. Certo é que, sem luta, a derrota já estaria hoje consumada. A dos trabalhadores franceses – e a dos restantes trabalhadores europeus.

Posted in França | Com as etiquetas : | 4 Comments »

ARRÁBIDA: QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ…

Posted by J. Vasco em 07/09/2010

Veja-se aqui, nesta galeria de 18 fotografias, no que se tem vindo a tornar o que já foi este paraíso:

Posted in * QUASE SEM COMENTÁRIOS, Arrábida | Leave a Comment »

NO CANEIRO

Posted by J. Vasco em 07/09/2010

Não deixou de ser com pasmo que, por acidente, assisti ontem ao arremedo de programita televisivo que a cavalgadura da fotografia, todas as semanas, toscamente, chefia. Não haverá muito a dizer sobre o que ali se passou, a não ser que aquele estúdio se tornou num nauseabundo caneiro. A tentativa de lavagem das figuras de Carlos Cruz e dos seus amigos poderosos, já depois de condenados, atingiu um patamar de indignidade que dificilmente se poderia imaginar. Vejam os meios de que esta gentalha dispõe!

Para a posteridade, registemos apenas os nomes dos rastejantes que carregaram ontem, para o caneiro, a lixívia Neoblanc e que se destacaram pela fúria com que mergulharam nela a esfregona: Marinho e Pinto, burguês encapotado, Daniel Oliveira, escuteiro-mirim do BE e «democrata» de relevo, José Manuel Fernandes, falso jornalista estipendidado pelas embaixadas de Israel e dos EUA, e Fátima Campos Ferreira, a já citada burgessa de serviço.

NOTA: Com todo o respeito que me merece o passado de Adelino Granja, a verdade é que neste processo Casa Pia ele revelou-se um homem moralmente derrotado e inclinado para o oportunismo. Percebe-se finalmente por que motivo, a partir de determinada altura, rompeu Pedro Namora com ele.

ADENDA A 8 DE SETEMBRO DE 2010: clicar aqui para ler o artigo de Manuel António Pina no Jornal de Notícias de hoje.

Posted in Prosélita | 2 Comments »

RI, IRENE

Posted by J. Vasco em 03/09/2010

Dedicado a Irene Lisboa e a Maria Velho da Costa

Vinicius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho no tema “feminista” Irene 

Posted in Irene, Maria Creuza, Toquinho, Vinicius de Moraes | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

O MUNDO E O FUTURO EM TRÊS DIAS

Posted by J. Vasco em 03/09/2010

Começa hoje, e estende-se até domingo, a edição da Festa do Avante de 2010. Teatro, cinema, música, desporto, gastronomia, debates e intervenção política (nacional e internacional), convívio fraterno – tudo isto será a marca desta festa, erguida e mantida a funcionar pelo trabalho voluntário de milhares de militantes e simpatizantes comunistas. Como de costume, durante o certame viver-se-ão rasgos de futuro e estarão presentes no recinto os quatro cantos do mundo.

Os editores do Olhe Que Não marcarão presença nesta iniciativa inigualável. Boa festa a todos!

Posted in Festa do Avante | 3 Comments »