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UM MAR DE GENTE

Posted by J. Vasco em 29/05/2010

Dia 29 de Maio de 2010. Um grande dia na história do movimento operário português. Um marco na epopeia emancipadora que é a luta dos trabalhadores. Uma bofetada de luva branca nos resignados, nos derrotados, nos individualistas, nos que medem o mundo pela pobre, distorcida e snob bitola do liofilizado mundo da comunicação social dominante.

Quem não esteve na grandiosa manifestação desta tarde, infelizmente só terá notícia dela através de um canto obscuro de jornal, de um rodapé manhoso na televisão, ou de um ruído inaudível da rádio. Quando não – ficando irremedivelmente separado de um confronto directo com as imagens da manifestação – através das «sábias», «desinteressadas» e «ponderadas» «explicações» de «politólogos», «analistas» e «comentadores» de serviço que pululam pelos média. Quando não, coisa que acabo de confirmar num noticiário televisivo, através dos comentários do dirigente da central «sindical» amarela e das declarações da ministra do patronato.

Quem lá esteve, viu um mar de gente inundar as ruas de Lisboa: a Artilharia Um, a António Augusto Aguiar, o Marquês de Pombal, a Avenida da Liberdade, os Restauradores. Um mar de gente com mais de 300 mil pessoas. Gente que não estava lá para aplaudir e desfilar passivamente, mas que, unindo vontades e mobilizando forças e energias, mostrou a quem quis ver uma combativa e firme disposição de lutar contra o capitalismo, de endurecer a resistência e de vencer. Acrescentando desta forma um elo mais à cadeia dourada de lutas europeias que os trabalhadores gregos iniciaram. Foi a maior manifestação em Portugal nas últimas décadas.

Mas a manifestação revestiu-se de uma importância ainda maior, se atendermos ao facto de que à crise estrutural do capitalismo no que toca à reprodução do capital não corresponde uma crise de dominação da burguesia – como aliás aqui, na caixa de comentários deste post, o João Aguiar já teve oportunidade de sublinhar. Só com a luta organizada de massas pode a burguesia ver a sua dominação posta em cheque. Só com a luta de massas em torno da defesa dos direitos sociais e políticos dos trabalhadores, hoje alvo de um ataque violentíssimo, pode a perspectiva socialista abrir-se e inscrever-se no leque de possibilidades a realizar que o presente para diante de si projecta.

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4 Respostas to “UM MAR DE GENTE”

  1. Miguel Queiroz said

    300 mil ? Uma primeira vitória e uma grande notícia para quem está longe (por cá fomos 1 milhão na rua o que parece ser uma derrota para a comunicação social, e para o governo que chegou mesmo a dizer que os fracos números da mobilização legitimavam as medidas do mesmo,enfim realidades diferentes)

    Uma segunda palavra para congratular este ilustre estabelecimento, podem esperar visitas regulares, este pequeno “colectivo” virtual está de parabéns.

    Termino com um abraço para todos que se traduz naturalmente no apoio necessário para as batalhas que agora começam.

    • J. Vasco said

      Obrigado, Miguel.
      Volta sempre, tens as portas abertas.
      Aqui como aí, a mesma luta. Estão connosco como nós estamos convosco.
      Força! Até já.

  2. João Valente Aguiar said

    A crise estrutural do capitalismo (expressa na tendência para a queda da taxa de lucro) não só obrigou a burguesia a financeirizar ainda mais a economia (procurando obscurecer e adiar os problemas de lucratividade na esfera produtiva), como obrigou-a a modificar o processo de trabalho (pensemos no toyotismo) e certas modalidades ideológicas apensas, no que concerne à contratação de força de trabalho. Aí, a tese dos colaboradores, na criação de culturas de inovação, da formação ao longo da vida, do empreendedorismo, da persistência no uso dos talentos e competências, etc. são um sem-número de possibilidades ideológicas que a burguesia utiliza. Utiliza e que lhe tem ampliado a dominação ideológica junto da classe trabalhadora, nomeadamente em segmentos mais jovens e onde o movimento sindical de classe é diminuto.

    Neste quadro de tentativa de fazer cair a crise económica do capital sobre as costas e as vidas dos trabalhadores e, com isso, tb aproveitarem para ampliar a dominação (económica e ideológica) sobre os trabalhadores, a burguesia sabe que a mobilização colectiva e organizada da classe trabalhadora é algo manifestamente indesejável. Daí aquelas declarações vergonhosas do senhorito Proença, da ministra do trabalho ou dos media. Esta enorme manifestação mostra a insatisfação dos trabalhadores e mostra tb a necessidade de se prosseguir a luta de massas. Só esta poderá unir os trabalhadores e levá-los à vitória.

    Um grande abraço!

  3. albina fonseca said

    hoje, este artigo “um mar de gente” fez-me lembrar as histórias da Mafalda.Porquê?Porquê?
    Este mar de Gente, (mais os que não foram) não mudam o rumo do barco em que navegamos.
    Quando calmamente vejo esta imagem, entendo que o Povo não esquece, mas perdoa.
    Não basta ter um mar de gente, é preciso que esse mesmo mar, continue forte e coeso, dando validade à sua luta, até que chegue a bom porto.
    Já Lenine havia dito”…por mais duras que sejam as provações que caiam sobre nós,a fera agonizante do imperialismo internacional parecerá e o socialismo vencerá em todo o mundo.”
    … Antes com agora, devemos continuar ao lado do “Mar” mesmo que ele não veja o porto de abrigo.

    saudações,
    albina

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