OLHE QUE NÃO

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CORRO SEMPRE EM DIRECÇÃO AO MAR

Posted by J. Vasco em 19/03/2010

Les quatre cents coups é um dos grandes filmes de François Truffaut. Um dos mais celebrados, também – e justamente.

«Quatre cents coups» é uma expressão idiomática francesa que anda perto do dito português «trinta por uma linha».

Antoine Doinel, na verdade, tanto recebe quatrocentos golpes, se adoptarmos uma tradução mais à letra do título do filme, como faz trinta por uma linha para fugir ao autoritarismo escolar, à indiferença familiar e à hostilidade envolvente.

O paralítico final do filme é coisa apenas ao alcance dos génios. (Satyajit Ray, que Jyoti Gomes já aqui recordou, ficou tão impressionado com ele que haveria de utilizar um dispositivo semelhante para o final do seu belíssimo filme «feminista» Charulata). Ali está tudo, em condensado: o sofrimento, a comoção, a esperança, a desesperança, a alegria, a tristeza. Tudo em suspenso. Momento de alívio, sim, mas como será o futuro?

E depois há todo o plano-sequência da fuga, longo, cumulativo, como a música indiana.

Para onde foges, Antoine?

Não sei, corro sempre em direcção ao mar.

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