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Archive for 15 de Março, 2010

DIZ QUE FOI UMA ESPÉCIE DE CONGRESSO

Posted by J. Vasco em 15/03/2010

Para aqueles que se reúnem em torno de um programa político revolucionário de transformação da sociedade, os congressos partidários supõem e concitam todo um empenhamento efectivo na teoria, na penetração pensante da dinâmica objectiva e contraditória da realidade social. Como dizia um bem conhecido homem calvo, «sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário».

Nos dias que correm – e não por acaso -, a este esforço de fundamentar a acção política num conhecimento teórico adequado da essência da realidade objectiva sobre a qual se intervém é-lhe atribuído, pelos filisteus, pelos opinion makers e pelos intelectuais on the rocks (isto é, de whisky na mão e de pedra na cabeça), um mimoso conjunto de apodos: «dogmatismo», «sectarismo», «teoreticismo», «cinzentismo». Numa versão mais expedita e expeditiva, esse esforço teórico é desta forma arrumado: «a cassete».

A isto opõem eles, por exemplo… os congressos do PPD/PSD, esse conclave televisionado de patuscos.

Aí, com efeito, não paira um grão de preocupação com a apreensão teórica da realidade (como Jyoti Gomes já mostrou aqui e aqui, a burguesia pode dar-se ao luxo de, para continuar a explorar, actuar apenas ao nível da superfície da sociedade). O que aí prevalece – e muito mais quando as hostes se agrupam, arrumam e rearranjam para «governar Portugal» – é o dichote, e a boçalidade, e a calúnia, e a sugestãozinha mal disfarçada, e a ambição e vaidade pessoais, e o disparate, e a estupidez pura e dura. Nenhuma ideia política clara e definida, nenhuma linha de rumo fundamentada e rica de conteúdo (mesmo do ponto de vista burguês) – nada. Apenas a ambição do poleiro; somente a reactualização do «Compromisso Portugal»; tão-só a vontade de espezinhar os trabalhadores e de servir com orgulho e com recompensas os capitalistas (redesenhando o estado ao sabor dos interesses burgueses, dando hoje a primazia a um determinado grupo económico, amanhã a outro e depois de amanhã talvez a um terceiro, mas, no conjunto, consolidando, fortalecendo e centralizando os seus interesses específicos de classe). «Pensar Portugal», dizia a consigna do congresso do PPD/PSD. Que pândegos!

E a comunicação social pela-se por isto. Promove, aplaude e elogia o ambiente alarve. E recomenda-o. E lá nos vai ensinando: isto sim, é «democracia», «liberdade», «espontaneidade», «desassombro», «coragem». Aquilo não, que é «dogmatismo», «sectarismo», «teoreticismo».

Pois!

 

* Os comentários sobre a chamada Lei da Rolha são dispensáveis. O Tempo das Cerejas desmonstrou aqui à saciedade que as sanções disciplinares (existentes em qualquer associação política, em geral) no PPD/PSD já existiam antes. Assim como no PS do «anti-estalinista» Canas, provedor das empresas de trabalho temporário, esses bastiões da democracia e do progresso social. 

 

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SALIF KEITA

Posted by J. Vasco em 15/03/2010

Salif Keita é um virtuoso músico e cantor do Mali, com 60 anos. Albino, sinal de azar na cultura Mandinka, sofreu na pele o ostracismo e a maldição, agravados por ser descendente da família imperial do Mali, situação que, por questões de berço, o deveria afastar do mundo da música. Aqui fica o admirável Fôlon.

Fôlon, é té nyinika
Fôlon, né té nyinika
Fôlon, a toun bé kè t’ni dén
Fôlon, ko kow koun bé kè
Fôlon, môgow ma koté

Kouma diougou bé môgo mi kono
Hèrè bi môgo mi kono
Kongo bé môgo mi laaaaa
Fôlon, kow ko koun bi la
Fôlon, é koun té sé kô fô.

Sissan, é bé nyinika
Sissan, né bé nyinika
Sissan, an bé bè nyinika
Sissan, ko kow koun bé kè
Sissan, môgow ma ko bala

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