OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Archive for 26 de Fevereiro, 2010

CARMEN

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Prosper Mérimée escreveu o conto «Carmen» em 1846. Bizet adaptou-o para ópera 30 anos mais tarde. A partir daí, essa cigana, Carmen, correu o mundo e as suas cantorias tornaram-se celebérrimas, chegando ao ponto de serem utilizadas, há alguns anos, pela publicidade.
Mas o verdadeiro escândalo estava para chegar. Em 1954, Otto Preminger, realizador austríaco de feitio insuportável, licenciado em direito e em filosofia, à época a viver nos EUA, iria cometer o maior dos pecados, a ousadia mais celerada, o sacrilégio mais insuportável: filmar Carmen só com actores negros. Preminger criou uma verdadeira obra-prima, «Carmen Jones» de sua graça, e deu-nos a conhecer os magníficos Dorothy Dandridge e Harry Belafonte. Para além da mestria propriamente fílmica (nunca houve um trabalho com a grua como em Carmen Jones!), o filme está cheio de pormenores inteligentes e mesmo geniais. Apenas a título de exemplo: o toureiro Escamillo da ópera de Bizet é aqui o pugilista Husker Miller.
Como pano de fundo de Carmen Jones, através do tom operático dos seus cantos e dos movimentos dos seus corpos – vemos afinal, pela mão de Otto Preminger, a complexa realidade social dos negros nos EUA dos anos 50. Uma prova de como o realismo se insinua, emerge e vive através dos atalhos mais íngremes, sinuosos e insuspeitados.

Anúncios

Posted in Otto Preminger | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

COPPOLA

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Um dos maiores artistas do século XX: Francis Ford Coppola.
Nas décadas de 80 e 90 do século passado, o seu génio não teve limites. Apenas a título de exemplo: «Rain People», «Rumble Fish», «The Godfather», «Apocalypse Now», «One from the heart» (esta pérola é das coisas mais belas que se pode ver. Vê-se com um misto de pasmo, de deslumbramento, e de comoção viva. É o raccord universal, a arte total, a fusão, através do cinema, da música, do teatro, da pintura e do bailado. Conta com os sons e com as vozes dos inesquecíveis Tom Waits e Crystal Gayle).
O ano de 1984 é o ano de «Cotton Club». Grande filme, a muitos títulos. Quem queira conhecer minimamente a história dos EUA no século XX não o pode dispensar. Está lá tudo – política, cultura, economia, questão racial, etc.
Agarrem-se às cadeiras. Em 2:24 vamos assistir a um muito peculiar pedido de casamento.
Por aqui se percebe de onde vem Michael Jackson. Percebem-se ao mesmo tempo vários dos seus limites político-sociais, na involução que marcou o seu percurso.
«Cotton Club» decorre nas décadas de 30 e 40 do século passado, no Harlem. Os maiores músicos, dançarinos e cantores desse tempo eram negros, que tocavam em clubes nocturnos (contactavam musicalmente com alguns judeus, que, por atacado, enriqueceram o seu Klezmer). Depois de um dia de escravização dos negros, os brancos endinheirados iam assistir a essas estrondosas sessões de jazz, de dança e de canto. O acesso era reservado a brancos. Os artistas negros eram obrigados a entrar pelas traseiras. Em 1940 (e em 50, 60, 70, ainda 80…). Para que fique registado.

Posted in Coppola | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

ONDE SE FALA DE DIGNIDADE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Posted in Nina Simone | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

POR MUITO ESCÂNDALO QUE PROVOQUE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

(Álvaro Cunhal)

 

Posted in Álvaro Cunhal | Com as etiquetas : , , | 2 Comments »

HÁ CANÇÕES QUE MARCAM

Posted by * em 26/02/2010

 

 

(Acerca de algumas das profundas marcas que José Barata-Moura,

de modo singelo e despretensioso, nos vai deixando no coração)

 

O Manel tinha uma bola,

tinha

uma bola de verdade.

 

Mas…

por falta de atenção…

de cuidado…

de tento…

de tino…

de cautela…

de vigilância…

 

deu-lhe uma dentada

um

cão!


 

Olha a bola Manel!

Olha a bola!

Olha…

 

a bola…

foi-se embora

 

e nunca mais ninguém a viu,

nunca mais….

nunca… de nunca mais…



Posted in Barata-Moura | 1 Comment »

MADRUGADA

Posted by * em 26/02/2010

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

 

(Sophia Mello Breyner Andresen)

Posted in Sophia de Mello Breyner | Com as etiquetas : | Leave a Comment »