OLHE QUE NÃO

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DIFERENÇAS

Posted by * em 16/02/2010

O partido comunista é o único partido fundado numa  cultura filosófica integral, coerente e sistemática. Para se ser verdadeiramente comunista há que militar, mas também há que, como parte integrante da própria militância, conhecer a história mundial e as realizações culturais de toda a humanidade (filosofia, ciência, arte, etc). E não por uma questão de erudição estéril, mas como momento intrínseco da condição de comunista. Um verdadeiro comunista deve procurar ter uma cultura universal, multifacetada. Torno-me mais comunista quanto mais consciente e culto for. Para os outros partidos, a cultura é erudição complementar, talvez uma vantagem, mas não é uma questão de dever, não é condição inerente a uma militância consequente. Para se ser um “bom militante” de qualquer outro partido, basta vestir a camisola, começar a “politicar” … e “politicar” de modo eficiente.

Para um comunista é ofensivo chamar “carreira política” à sua participação na luta, é um insulto à sua dignidade; para militantes de outros partidos isso é um elogio.

São partidos distintos, participações distintas, dimensões humanas muito, mas muito distintas. Por isso nos orgulhamos de sermos quem somos, de sermos como somos!

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4 Respostas to “DIFERENÇAS”

  1. Pipi da Baixa da Banheira said

    O marxismo-leninismo é o detentor da Visão Verdadeira e os seus prosélitos os únicos que podem ter uma perspectiva/actuação consistente e articulada sobre a realidade histórica e social?!
    Então o critério de verdade que ele reconhece não é a práxis – e não foi precisamente esta que evidenciou a sua falência? O estalinismo foi apenas um “acidente histórico” – ou estava desde sempre inscrito nesse projecto como o resultado da sua própria lógica?
    A democracia cristã (indepentendemente de outros considerandos ou juízos de valor), só para dar um exemplo, não tem uma base teórica e filosófica sólida? O personalismo cristão não tem sido – e é – uma referência doutrinária e ética para a acção política, para a preservação activa dos direitos do homem?
    Já agora, camarada, não assoma no seu texto uma boa dose de dogmatismo – et pour cause ?…

    • ... said

      Um(a) leitor(a) deste texto teve a amabilidade de me escrever um comentário em que, entre várias lições de moral entremeadas com diatribes usuais em casos que tais, me chama a atenção para isto: “A democracia cristã (independentemente de outros considerandos ou juízos de valor), só para dar um exemplo, não tem uma base teórica e filosófica sólida? O personalismo cristão não tem sido – e é – uma referência doutrinária e ética para a acção política, para a preservação activa dos direitos do homem?”.

      Resposta: Olá. Agradeço pelos conselhos e pelo comentário em geral. Em relação à parte do comentário supracitado…sinto muito, mas a democracia cristã não tem uma base filosófica coerente e sistemática…nada na Bíblia, em Agostinho, em Tomás de Aquino, etc. permite defender a democracia burguesa. A visão da democracia cristã, com todo o respeito, é uma amálgama ecléctica de uma visão religiosa (visão teológica, dogmática, teocrática e hierarquizante), com alguns dos elementos democráticos e laicos saídos das revoluções burguesas (e isto no melhor dos casos, porque a democracia cristã foi-se envolvendo em posições tão reaccionárias que fariam corar de vergonha os democratas das revoluções burguesas). A democracia cristã é uma contradição nos termos, é uma manta de retalhos ideológica, uma caldeirada que permite idolatrar Deus e Mammon. Até e um abraço.

  2. Snow said

    A sério? A maior parte dos “comunistas” que conheço não faz a puta ideia do que é o comunismo. Nem a sua filosofia, nem a sua história, nem peva. Alguns ainda tiveram direito a uns seminários de lavagem cerebral.

    Houve ainda alguns que tentaram aprender um pouco mais. Aprenderam que a sua opinião era muito importante mas que se calassem que as decisões já tinham sido sabiamente tomadas. E que se quisessem ajudar fossem pintar paredes.

    O assustador é precisamente essa “cultura filosófica integral, coerente e sistemática”, inquestionável e dogmática. O terrível é descobrir que Ievgeni Zamiatine, no “Nós”, se limitou a colocar em livro os projectos dos engenheiros sociais soviéticos – companheiros de Lenine – do fim da década de 10.

    Uma coisa lhe asseguro: “quanto mais consciente e culta for”, menos comunista será. A não ser, claro, que tenha má índole. Nas três características seguintes, só é possível ter duas em simultâneo: ser comunista, ser culto / inteligente, e ser boa pessoa.

    • Respondo ao mr. Snow com o cuidado com que, se fosse obrigado pelas inesperadas circunstâncias desta vida, tocaria (com uma vara bem comprida) em esterco: com asco e nojo. O mr. Neve-em-inglês começa com a afirmação: “a maior parte dos “comunistas” que conheço não faz a puta ideia do que é o comunismo”, ou seja, coloca aspas no termo “comunistas” por considerar que não são bem comunistas, mas critica-os por serem comunistas. Que prenúncio da lógica potente do mister Snow! Impressionante! Depois, este profundo conhecedor do que chama “a puta ideia do que é o comunismo”, a “sua filosofia”, a “sua história”, a “peva”, arremata o parágrafo dizendo que “alguns ainda tiveram direito a uns seminários de lavagem cerebral”. Antes de mais, o “ainda” apenas deveria ser usado caso o mister Snow quisesse continuar a sequência da enumeração do que os comunistas desconhecem e não no caso de fim de enumeração e mudança de foco de crítica. Mas pronto, não se pode pedir muito. Ficamos, pelo menos, a saber que parte dos incultos comunistas que não sabem nada de nada da “puta ideia do que é o comunismo”, afinal até participa em seminários, onde certamente não devem falar apenas de como jogar poker e fritar batatas. Claro que, como o mister Snow odeia o comunismo e consideraria todo e qualquer seminário comunista uma lavagem cerebral, qualquer seminário comunista seria automaticamente rotulado de, evidentemente, “lavagem cerebral”, pelo que só nos resta reter, após tirar a conotação valorativa inteiramente da responsabilidade do preconceito ideológico do SnowWhite, que afinal, parte dos comunistas até participa em seminários para analisar aquilo que afinal não ocupa um minuto as suas mentes e ao que não dedicam a mínima atenção. Os comunistas teriam este estranho costume de estudar o que não querem conhecer, não certamente por serem acéfalos, mas por terem algum distúrbio neurológico que ainda escapa à etiologia inquisitiva do sr. SnowWhite, que tudo sabe e tem a “peva” e a “puta ideia”.

      O sr. SnowWhite continua a sua coerentíssima acusação, afirmando que alguns dos tais comunistas que estudam-por-não-querer-saber, ainda, cúmulo da fobia à cultura, ainda querem aprender mais! Raios desses comunistas, tão avessos à cultura que eles são! Mas afinal, segundo o sr. coerência, o que os comunistas ávidos-de-cultura-apesar-de-desinteressados-por-ela aprendem é unicamente a ficarem calados e a pintar paredes. Claro que, estando os comunistas a pintar paredes e impedidos de pensar e participar activamente no partido, ficavam os outros que não os comunistas, talvez os marcianos, a pensar por eles, a telecomandar os coitados dos comunistas culturofóbicos, que são tão maus e tão contrários à cultura que são vítimas da própria avidez de aprender. Claro que, segundo a lógica férrea do sr. Snow, os comunistas, para aprenderem, para pensarem e para participarem no movimento comunista, não poderiam aceitar que as decisões fossem tomadas colectivamente e muito menos ajudar a pintar paredes, esse indigno trabalho para qualquer Snowiano, que nunca poderia participar, pensar e pintar paredes simultaneamente. Para este intelectualóide parvo, pintar paredes e qualquer trabalho prático é contraposto ao trabalho intelectual dos snowianos e não é algo que deva ser profundamente respeitado.

      E lá continua o nosso super-herói defensor do capital. Não só alerta a humanidade, com zelo de polícia de choque, para o “terrível” e o “assustador” monstro comunista (o sr. Snow apresenta com prova documental uma obra de ficção, o distópico romance de Zamyátin, escrito nos anos 20), como fecha com chave de ouro com a conhecida tirada da escolha-dois-de-três: “nas (“nas”?) três características seguintes, só é possível ter duas em simultâneo: ser comunista, ser culto / inteligente, e ser boa pessoa”. Como mesmo com muitas horas de esforço cognitivo o sr. Snow dificilmente chegaria sozinho a uma tirada destas, foi buscar, já prontinha, a adaptação ao anticomunismo de conhecidas piadas do tipo “…Deus deu três dádivas aos portugueses: serem portistas, serem inteligentes e serem boas pessoas. Mas, por uma questão de justiça, os Portugueses terão essas três virtudes, mas nenhum deles poderá exercer mais de duas em simultâneo. Por isso, desde então: 1 – Todo o Português que é portista e boa pessoa, não pode ser inteligente; 2 – Todo o Português que é inteligente e portista, não pode ser boa pessoa; 3 – Todo o Português que é inteligente e boa pessoa, jamais poderá ser portista (aqui, é indiferente qual é o clube mencionado. Qualquer adepto pode referir adeptos de um clube adversário)”. Ou seja, assim que algo parece ser minimamente arguto no que o mister Snow escreve, descobre-se logo que a ideia foi roubada! Mas pronto, o sr. Snow não tem ideias originais, mas pelo menos apresenta-as com veemência. Claro que a demonstração de que a tese que defende é verdadeira… prende-se a uma premissa, que apesar de única, é suficientemente forte para, dedutivamente, permitir inferir este veredicto: basta como prova de que assim é, o facto disso ter sido afirmado pelo insigne conhecedor da “peva” e da “puta ideia”, o ilustríssimo sr. Snow. Mas, zeloso e palerma defensor dos exploradores, em pior situação estaria sua excelência, que destas três características, não tem umazinha só que seja.

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