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Archive for 14 de Fevereiro, 2010

EXPORTAÇÕES

Posted by * em 14/02/2010

Às vezes, os interesses tolhem os mais simples conhecimentos, adquiridos nos bancos escolares. Senão, vejamos: qual é o motor característico do desenvolvimento capitalista na época actual? A exportação de mercadorias ou a exportação de capital? “É a exportação de mercadorias!”, grita a burguesia lusa, o seu douto presidente, o seu governo, os seus ideólogos, num mercantilismo serôdio e unânime. Pronto, pronto, esta “ignorância” é compreensível. Afinal a passagem do capitalismo mundial à sua fase imperialista ocorreu há pouco mais de um século, a burguesia lusa ainda não teve tempo de actualizar os seus conhecimentos… É difícil acreditar que é só mesmo ignorância, mas não é de substimar a capacidade anticognitiva de quem tem palavra e poder.

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FIGURAS, FIGURINHAS, FIGURÕES

Posted by * em 14/02/2010

 

Aviso: este é um post de ficção.

Qualquer semelhança com a realidade, seria mera e indesejável coincidência, uma vez que, como é fácil observar, nada há em comum com o que sabemos ser a realidade.

 

 

O “GÉNIO DA BANALIDADE”

Nenhuma ideia original, por mais tímida que tenha sido, aflorou daquele encéfalo…o máximo que fez foi citar outros mais capazes. Fora do país, quase ninguém da sua especialidade conhece uma ideia sua enquanto economista, no seu ramo de “investigação” este amanuense é um zero à esquerda. Haverá alguma colectânea ou enciclopédia estrangeira da especialidade em que apareça o seu nome? Claro que não, embora ele se esforce por aparecer como uma sumidade quase interplanetária. Como é fácil enganar os simples do condado…

Faz lembrar, de tão parecido, o Mr. Chance (Peter Sellers), do filme Being There (Com os nomes “Bem-vindo Mr. Chance”, em Portugal e “Muito além do jardim”, no Brasil”), de 1979. Neste filme, um jardineiro, cuja parca inteligência era apimentada por uma vasta ignorância, passa a ser visto por todos como um génio, de tal modo, que até os seus silêncios são considerados geniais. Qualquer observação sua acerca do estado do tempo ou das plantas do jardim é escrutinada ao pormenor, fazendo adivinhar mil e um segundos sentidos (muitas vezes incompreensíveis para o próprio Mr. Chance) acerca das questões mais prementes com que a humanidade se defronta. Claro que começa a subir pela escada do poder, influenciando decisões políticas ao mais alto nível.

Como referido, o Mr. Chance de Portugal, o senhor Gardener luso, gosta dos silêncios e tabus. Nutre-se deles por ter visto que funcionava este baixo truque de marketing político e também para travestir de grandiosidade a sua pequenez, para evitar mostrar o quão oco é. Nos tabus ele junta o útil ao agradável. Quando fala, é apenas para, com ar circunspecto, ponderado, como se estivesse a proferir uma verdade nova, fruto de cogitações prolongadas… dizer uma qualquer trivialidade. Este actor apenas se sente em casa quando repete as suas banalidades. Segue escrupulosamente a máxima de Homer Simpson: “Nunca digas qualquer coisa a não ser que tenhas certeza que todos pensam o mesmo”.

Este ser plastificado evita falar de modo explícito, tanto por calculismo, como por não ter ideias originais. Gosta de apelar, com ar solene (ar estudado, ensaiado),  aos velhos e rasteiros embustes mil vezes repetidos pelos ideólogos burgueses mais abjectos: gosta, por exemplo, de mascarar, através de elogios à “autonomia”, “liberdade”, “iniciativa”, etc., a defesa da desresponsabilização do Estado, a apologia da luta de todos contra todos, o elogio ao “Laissezfaire”. Afinal, a sua noção de responsabilidade social do Estado cinge-se ao que aprendeu nos bancos escolares da escola salazarista acerca da bem-aventurança da caridadezinha cristã, acerca da necessidade de apoio aos menos favorecidos. Não aprendeu mais, só pode repetir o que aprendeu.

Devido à sua banalidade crónica, uma entrevista com ele levaria ao resultado mais tedioso do mundo, a não ser para os que se maravilham com a banalidade:

“- O que o Sr. Doutor deseja para Portugal?

– Desejo um Portugal mais desenvolvido, é desejável que Portugal se desenvolva.

– E além disso?

– Desejo um País mais culto, ao nível dos demais países europeus.

– E, já agora, um Portugal mais justo e solidário?

– Sim, devemos fazer de Portugal um país mais justo e solidário.

– E não acha que cada um deve dar a sua contribuição?

– Cada português pode e deve dar a sua contribuição para melhorar o país…

– AARRGGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…………………..

Ah, como qualquer político de direita, está sempre disposto a atraiçoar os seus em nome da carreira…

O “GELATINA”

Nenhuma profundidade…e o mais desavergonhado oportunismo e maquiavelismo político provinciano. Delicia-se com o próprio umbigo. Ocupa-se pessoalmente, de modo quase patológico, da publicidade adamastorenha aos seus feitos (desde as acertadas decisões tomadas e previsões confirmadas, até ao facto de quase não dormir, à leitura de centenas de livros por dia e noite e muito, muito mais, que o homem é um deus na terra, se duvidar, pergunte-lhe  que ele, humildemente, confirmará). Deleita-se com as  suas acrobacias argumentativas em defesa dos exploradores, habilidades retiradas da lista de falácias dos manuais de retórica dos tempos de estudante. Tem uma tal obsessão  pela manipulação ideológica, que não apenas a exercita constantemente (para não perder o jeito), mas também tenta difundir as  suas “técnicas” fundamentais. Assim, explica todo e qualquer desaire dos exploradores como um “problema de comunicação”. Dá a entender, de um modo inacreditavelmente descarado, que (havendo força política e sabendo aproveitar o kairos) pode ser levada a cabo qualquer política reaccionária, desde  que se saiba como “fazê-la passar”. Adora  apresentar, de modo redutor e  deturpador, fenómenos complexos como se fossem fenómenos comezinhos, do quotidiano. Recreia-se, por exemplo, a comparar o funcionamento da economia (fenómeno complexo e em que há exploradores e explorados), ao dia-a-dia de uma família (fenómeno essencialmente distinto), a comparar questões políticas com questões futebolísticas, etc. Cumpre afincadamente a sua função pública de “redutor cultural”, desobrigando o filisteu da necessidade de conhecer e de pensar pela própria cabeça. Ao nível de uma conversa de cozinha, “explica” o que qualquer esporádico leitor de jornais saberia (desde o que de mais noticiado vai acontecendo no país, até coisas ignoradas como o facto de da Espanha ser uma monarquia e Dublin ser a capital da Irlanda). Pelo meio, vai dando receitas, que podem ir de como beber vinho do Porto a como curar unhas encravadas. Como os ingénuos  sorvem, gota a gota, cada iluminada palavra sua (como se ela fosse um mantra que fizesse claro o que até aqui era nebuloso) torna-se, este  oportunistazito, ele próprio, um facto político….não porque faça análise política com o mínimo de profundidade, mas pela sua influência sobre os pacóvios. Com estas qualidades todas, tem futuro. Pode até chegar a presidente.

O “PAI”

O seu erro foi pensar, preso no seu egocentrismo e vaidade, que tinha alguma importância própria. Não percebeu que foi apenas um alarve, ufano e carlucciano brinquedo de quem manda no mundo, instrumento que, ao deixar de ser útil, evidenciou o seu real valor…

(Essas coisas são sempre constrangedoras, até para quem discorda da pessoa)

O PALHAÇO DA ILHA

Está para o Ser Humano como o Zé cabra está para Mozart. É um bandido vulgar, porco, ordinário, com negócios e interesses e tendências tenebrosas. Quando cair, deixará os seu acólitos no seu lugar. Quando estes, por fim, caírem também, talvez… aos poucos…se comece a descobrir a podridão escondida…e muitos dos eternos inocentes que hoje o elogiam dirão, admiradíssimos, alguns até estarrecidos:

“- quem diria, não? -Sim, quem diria que isto acontecia!!!”

O FASCISTAZINHO

Menino bem, penteado à Hitler (só falta o bigodinho), carinha lavada, gosta dos fortes, de repetir que é de direita, e de fazer pose de adulto e sério e poderoso, de visitar esquadras e quartéis. Também gosta do dinheirinho e do luxo, tendo de se conter para não dar asas a esse desejo, que lhe pode prejudicar a carreira (o que nem sempre consegue, tamanha é a vontade). Este Haider luso, que não tem vergonha da demagogia populista mais rasteira, é o que os brasileiros chamariam um verdadeiro cara-de-pau (descobriu que ser cara-de-pau é importante para subir na vida e na política). Não se inibe, sequer, de furtar documentos secretos do Estado, coisa que, em outro país, lhe garantiria, no mínimo, largos anos de prisão. Ele não se importa, tem amigos, sabe segredos, tem cordelinhos para mexer. O importante é crescer e ter sucesso. Engole a saliva, mas lá vai asinha, boininha comprada para o efeito, pelas feiras, passinho rápido, alvos dentes, olhar à cata das câmeras, beijar e abraçar airosamente quem despreza. A sua capacidade cognitiva resume-se ao famoso esquema 1-2-3: “Portugal tem 3 problemas: primeiro…; segundo…; terceiro…” e lá vai ele desfiando o velho esquema superficial, contado pelos dedos, cada coisinha na sua gavetinha, para não confundir nem se confundir, truque mil vezes repetido para gáudio dos simples. Pensa através de esquemas, factores e linhas vectoriais com setinhas, o que, se não garante profundidade, pelo menos garante clareza. Outro dos truquezinhos que descobriu foi o do que atrelando o partido a tudo o que acontece, aumenta as hipóteses de o nome do mesmo ficar gravado nas mentes. Assim, liga tudo o que for possível, insistente e recorrentemente, à repetição infinita do nome do partido. Tudo o que acontece no país, desde o mudar das estações ao mais ínfimo acontecimento nos corredores da assembleia, acontece em função do seu partido, contra o seu partido ou por obra e graça do seu partido, o Universo inteiro é uma confirmação da justeza da linha do seu partido. Não se importa em repetir Ad infinitum este truquezinho demagogo à frente de todos, quantos mais melhor, que vergonha é coisa que aprendeu a vencer, em prol da carreira. E lá vai ele, carinha lavada, mais uma vez enumerando: “o meu partido defende quatro coisas: primeiro…”

Obs:

Esta lista de caracterizações pode levar a pensar que somos uns meros aprendizes na patriótica, difícil e elevada arte da “fulanização”. É verdade que há experientes professores nestas lides: PSD, PP e PS não fazem outra coisa. Nada de críticas de fundo entre eles, nada de crítica séria entre estes partidos “da esfera da governação”, apenas esgrimem críticas conjunturais e pessoais, não vá o diabo tecê-las. Podem fazer correr rios de tinta apenas para tratar de casos de alguém que disse que alguém disse que alguém ouviu que alguém teria dito. É verdade que esta obsessão pela conjuntura, versão política dos mexericos da imprensa rosa (ou laranja), separa a mentalidade de direita da mentalidade de esquerda. O que, fundamentalmente, preocupa PSD, PS ou PP, é saber quem deveria estar no poder. A direita, como direita que é, não consegue ir além desta mentalidade tacanha (quem quer explorar, tem de aceitar ser pouco profundo).

Apesar de dever conhecer bem a plêiade de personagens ilustres da vida nacional, a esquerda não deve ficar por aí, pela crítica pessoal, pela simples “fulanização”, pela abordagem apenas conjuntural. O que importa mesmo é mudar a política numa estratégia fundamentada no conhecimento da lógica do processo histórico. E isto numa perspectiva não apenas local ou nacional mas também mundial.

A “fulanização” é coisa pouca. A ideia acerca do seu poder corrosivo é largamente exagerada. As críticas  meramente pessoais são até uma maneira eficaz de justificar a política de quem se critica: para “resolver” os problemas bastaria ter uma pessoa honesta, idónea, credível. Bastaria mudar as moscas…

 

 

 

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