OLHE QUE NÃO

olhequenao.wordpress.com

Archive for Fevereiro, 2010

A TAL «VAGA DE FUNDO»

Posted by J. Vasco em 27/02/2010

«Foi por aí, por esses tempos de exílio parisiense, que Jorge Jardim terá tido uma ideia fulminante para envolver a Igreja na dinâmica de reacção interna aos comunistas. Conhecia bem o arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva, e escreve uma carta de denúncia ao COPCON, revelando que o prelado ia a um congresso ao Brasil e que se preparava para transportar divisas para fora do país. É enviado de imediato um batalhão para o aeroporto e o bispo vive alguns dos momentos mais humilhantes da sua vida: é revistado e, para tal, obrigado a despir-se. «Foi genial, porque assim que regressou do Brasil, D. Francisco Maria organizou de imediato uma manifestação em Braga contra o Partido Comunista. Jorge Jardim estava convencido, e bem, que tinha de ser algo humilhante que o fizesse reagir, como, de facto, veio a acontecer», recorda Sanches Osório.»

(Eduardo Dâmaso, A invasão spinolista, Fenda, p. 58)

Anúncios

Posted in Vaga de fundo | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

FRACA COLHEITA, CONTUDO

Posted by J. Vasco em 27/02/2010

«Sete dias depois do 25 de Novembro, aliás, o Exército apressou-se a tentar recolher as armas distribuídas e desencadeou uma gigantesca operação stop em que envolveu diversas unidades, incluindo os fuzileiros. Foram apreendidas vinte e oito espingardas G-3, duas Kalashnikov, cinco espingardas Winchester automáticas, dezanove pistolas de guerra, quarenta e sete granadas de mão defensivas, setenta e cinco espingardas de caça, setenta carregadores de G-3, cocktails molotov, outras munições, punhais, matracas e fardas camufladas. Fraca colheita, contudo, perante a dimensão que a entrega de armas a civis tinha assumido».

(Eduardo Dâmaso, A invasão spinolista, Fenda, p. 44)

Posted in Colheita | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

A VERDADE É QUE AS METRALHADORAS TINHAM DESAPARECIDO

Posted by J. Vasco em 27/02/2010

«Todavia, a distribuição das G-3 não se tinha circunscrito ao PS. O próprio fundador e então dirigente do PPD, Emídio Guerreiro, garantia abertamente nos tempos do PREC que estava em condições de «dispor de mil homens em armas», sem especificar, porém, de que armas falava. A verdade é que as metralhadoras tinham desaparecido aos milhares dos depósitos militares de Beirolas, de Sacavém e de Tancos».

(Eduardo Dâmaso, A invasão spinolista, Fenda, p. 44)

Posted in Verdade | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

CARMEN

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Prosper Mérimée escreveu o conto «Carmen» em 1846. Bizet adaptou-o para ópera 30 anos mais tarde. A partir daí, essa cigana, Carmen, correu o mundo e as suas cantorias tornaram-se celebérrimas, chegando ao ponto de serem utilizadas, há alguns anos, pela publicidade.
Mas o verdadeiro escândalo estava para chegar. Em 1954, Otto Preminger, realizador austríaco de feitio insuportável, licenciado em direito e em filosofia, à época a viver nos EUA, iria cometer o maior dos pecados, a ousadia mais celerada, o sacrilégio mais insuportável: filmar Carmen só com actores negros. Preminger criou uma verdadeira obra-prima, «Carmen Jones» de sua graça, e deu-nos a conhecer os magníficos Dorothy Dandridge e Harry Belafonte. Para além da mestria propriamente fílmica (nunca houve um trabalho com a grua como em Carmen Jones!), o filme está cheio de pormenores inteligentes e mesmo geniais. Apenas a título de exemplo: o toureiro Escamillo da ópera de Bizet é aqui o pugilista Husker Miller.
Como pano de fundo de Carmen Jones, através do tom operático dos seus cantos e dos movimentos dos seus corpos – vemos afinal, pela mão de Otto Preminger, a complexa realidade social dos negros nos EUA dos anos 50. Uma prova de como o realismo se insinua, emerge e vive através dos atalhos mais íngremes, sinuosos e insuspeitados.

Posted in Otto Preminger | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

COPPOLA

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Um dos maiores artistas do século XX: Francis Ford Coppola.
Nas décadas de 80 e 90 do século passado, o seu génio não teve limites. Apenas a título de exemplo: «Rain People», «Rumble Fish», «The Godfather», «Apocalypse Now», «One from the heart» (esta pérola é das coisas mais belas que se pode ver. Vê-se com um misto de pasmo, de deslumbramento, e de comoção viva. É o raccord universal, a arte total, a fusão, através do cinema, da música, do teatro, da pintura e do bailado. Conta com os sons e com as vozes dos inesquecíveis Tom Waits e Crystal Gayle).
O ano de 1984 é o ano de «Cotton Club». Grande filme, a muitos títulos. Quem queira conhecer minimamente a história dos EUA no século XX não o pode dispensar. Está lá tudo – política, cultura, economia, questão racial, etc.
Agarrem-se às cadeiras. Em 2:24 vamos assistir a um muito peculiar pedido de casamento.
Por aqui se percebe de onde vem Michael Jackson. Percebem-se ao mesmo tempo vários dos seus limites político-sociais, na involução que marcou o seu percurso.
«Cotton Club» decorre nas décadas de 30 e 40 do século passado, no Harlem. Os maiores músicos, dançarinos e cantores desse tempo eram negros, que tocavam em clubes nocturnos (contactavam musicalmente com alguns judeus, que, por atacado, enriqueceram o seu Klezmer). Depois de um dia de escravização dos negros, os brancos endinheirados iam assistir a essas estrondosas sessões de jazz, de dança e de canto. O acesso era reservado a brancos. Os artistas negros eram obrigados a entrar pelas traseiras. Em 1940 (e em 50, 60, 70, ainda 80…). Para que fique registado.

Posted in Coppola | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

ONDE SE FALA DE DIGNIDADE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

Posted in Nina Simone | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

POR MUITO ESCÂNDALO QUE PROVOQUE

Posted by J. Vasco em 26/02/2010

«Por muito escândalo que as posições do nosso partido continuem a provocar nas boas almas que gostariam de ter a certeza da eternidade do capitalismo, nós continuamos a afirmar, convictos, que a luta dos trabalhadores e dos povos continua a desenvolver-se e conduzirá o mundo a retomar o curso de grandes transformações revolucionárias que no essencial são a marca do século XX na história. Por muito escândalo que a nossa afirmação provoque nessas boas almas, continuamos a afirmar, convictos, que por muitas voltas que o mundo dê será o socialismo e o comunismo, e não o capitalismo, o futuro da humanidade».

(Álvaro Cunhal)

 

Posted in Álvaro Cunhal | Com as etiquetas : , , | 2 Comments »

HÁ CANÇÕES QUE MARCAM

Posted by * em 26/02/2010

 

 

(Acerca de algumas das profundas marcas que José Barata-Moura,

de modo singelo e despretensioso, nos vai deixando no coração)

 

O Manel tinha uma bola,

tinha

uma bola de verdade.

 

Mas…

por falta de atenção…

de cuidado…

de tento…

de tino…

de cautela…

de vigilância…

 

deu-lhe uma dentada

um

cão!


 

Olha a bola Manel!

Olha a bola!

Olha…

 

a bola…

foi-se embora

 

e nunca mais ninguém a viu,

nunca mais….

nunca… de nunca mais…



Posted in Barata-Moura | 1 Comment »

MADRUGADA

Posted by * em 26/02/2010

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

 

(Sophia Mello Breyner Andresen)

Posted in Sophia de Mello Breyner | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

EM TEMPOS DE TGV, VAMOS RECORDAR SATYAJIT RAY

Posted by * em 24/02/2010

Posted in Satyajit Ray | Com as etiquetas : | 1 Comment »

TAMBÉM DENTRO DE NÓS

Posted by * em 21/02/2010

DO POVO BUSCAMOS A FORÇA

Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

(Agostinho Neto)

MUSSUNDA AMIGO

Lembras-te?

Da tristeza daqueles tempos

em que íamos

comprar mangas

e lastimar o destino

das mulheres da Funda

dos nossos cantos de lamento

dos nossos desesperos

e das nuvens dos nossos olhos

Lembras-te?

Para aqui estou eu

Mussunda amigo

A vida a ti a devo

à mesma dedicação ao mesmo amor

com que me salvaste do abraço

da jibóia

à tua força

que transforma os destinos dos homens

A ti Mussunda amigo

a ti devo a vida

E escrevo versos que não entendes

compreendes a minha angústia?

(Agostinho Neto)



Posted in Agostinho Neto | Com as etiquetas : | 4 Comments »

MANOS LOIZOS

Posted by * em 20/02/2010

Posted in Manos Loizos | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

MEMÓRIA DE ELEFANTE

Posted by * em 20/02/2010

NÃO NOS ESQUECEMOS:

  • De como David Justino ofendia, diariamente, os professores a torto e a direito dizendo, por exemplo (e sempre com ar de gozo), que aquilo que os professores contratados queriam era um emprego para o qual não tinham competência e que o ministério da educação não era um centro de emprego, que se juntassem em grupos e criassem empresas.
  • Da tentativa, por parte do PSD e através do mesmo Desprezível David Justino, de impor uma Lei de Bases da Educação que substituísse “o paradigma da Escola da Igualdade pelo da Escola da Liberdade”,  o que, na verdade, foi um ataque nunca visto ao ensino público, para delícia dos interesses privados.

(uns bandidos não nos devem fazer esquecer os outros)

Posted in * | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

GERALDO VANDRÉ

Posted by * em 20/02/2010

Posted in Geraldo Vandré | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

THOSE WINTER SUNDAYS (ROBERT HAYDEN)

Posted by * em 19/02/2010

THOSE WINTER SUNDAYS

Sundays too my father got up early

And put his clothes on in the blueblack cold,

then with cracked hands that ached

from labor in the weekday weather made

banked fires blaze. No one ever thanked him.

I’d wake and hear the cold splintering, breaking.

When the rooms were warm, he’d call,

and slowly I would rise and dress,

fearing the chronic angers of that house,

Speaking indifferently to him,

who had driven out the cold

and polished my good shoes as well.

What did I know, what did I know

of love’s austere and lonely offices?

Robert Hayden


AQUELES DOMINGOS DE INVERNO

Mesmo aos domingos o meu pai levantava-se cedo

e vestia a roupa sob o frio negrazulado,

depois, com as mãos gretadas, doridas

do trabalho da semana fria, acendia

a lareira. Nunca ninguém lhe agradeceu.

Eu acordava e ouvia o frio crepitar, a quebrar-se.

Com as salas já aquecidas, ele chamava-me,

e lentamente eu levantava-me e vestia-me,

receoso das crónicas iras daquela casa,

Falava indiferentemente com ele,

que tinha afastado o frio

e também engraxado os meus melhores sapatos.

Que sabia eu, que sabia eu

dos austeros e solitários ritos do amor?

Robert Hayden


Posted in Hayden | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

AS IDEIAS JOVENS

Posted by * em 16/02/2010

Claro que a idade das ideias não está directamente relacionada com a sua veracidade e importância, mas… já que a direita acusa os comunistas de seguirem ideias antiquadas, há que recordar o óbvio: a direita segue ideias muito mais antigas do que as ideias marxistas. A defesa do capitalismo surgiu há mais tempo do que a defesa marxista do comunismo. Já a ideologia religiosa, essa, tem milénios. Como ousam esses senhores falar do marxismo como algo antiquado, se defendem ideias muito mais antigas? Se o critério da relevância, veracidade e consistência das ideias fosse, como eles afirmam ser, a idade das ideias…também os bateríamos neste aspecto!

Posted in * | Com as etiquetas : | 4 Comments »

DIFERENÇAS

Posted by * em 16/02/2010

O partido comunista é o único partido fundado numa  cultura filosófica integral, coerente e sistemática. Para se ser verdadeiramente comunista há que militar, mas também há que, como parte integrante da própria militância, conhecer a história mundial e as realizações culturais de toda a humanidade (filosofia, ciência, arte, etc). E não por uma questão de erudição estéril, mas como momento intrínseco da condição de comunista. Um verdadeiro comunista deve procurar ter uma cultura universal, multifacetada. Torno-me mais comunista quanto mais consciente e culto for. Para os outros partidos, a cultura é erudição complementar, talvez uma vantagem, mas não é uma questão de dever, não é condição inerente a uma militância consequente. Para se ser um “bom militante” de qualquer outro partido, basta vestir a camisola, começar a “politicar” … e “politicar” de modo eficiente.

Para um comunista é ofensivo chamar “carreira política” à sua participação na luta, é um insulto à sua dignidade; para militantes de outros partidos isso é um elogio.

São partidos distintos, participações distintas, dimensões humanas muito, mas muito distintas. Por isso nos orgulhamos de sermos quem somos, de sermos como somos!

Posted in * | Com as etiquetas : | 4 Comments »

SARAMAGO

Posted by * em 16/02/2010

A tacanhez lusa sempre detestou Saramago… Ainda engoliram (a custo) o Nobel, porque afinal “o tipo é português”…mas nunca gostaram de alguém que ousou erguer-se acima da mediania pátria. O ódio mantém-se, espera só por novas oportunidades…Cuidado, escritor!

Posted in Saramago | 1 Comment »

O QUE TU QUERES SEI EU!

Posted by * em 15/02/2010

MENTIRAS QUE OS EXPLORADOS ENGOLEM:

Para a mentira ser segura/ e atingir profundidade,/ deve trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade

(António Aleixo)


“O POVO VIVE NA MISÉRIA PORQUE É ROUBADO PELOS POLÍTICOS!”

É uma das mentiras preferidas da burguesia. Tem várias vantagens: em primeiro lugar, junta, sob o termo “povo”, os explorados e os exploradores. Depois, contrapõe este “povo” aos políticos, desviando a atenção e a raiva dos explorados, que em vez de se concentrarem na luta contra a exploração, concentram-se na luta contra “os privilegiados”. No entanto, se duplicarmos ou triplicarmos o salário de todos os políticos do país, o país continuaria praticamente na mesma situação; se abolirmos os salários de todos os políticos, também a situação económica do país continuaria praticamente na mesma. Mas enquanto o povo se indigna com os deputados, os Belmiros de Azevedo sorriem, complacentes com a ingenuidade da plebe.

“QUANTO MENOR FOREM O ESTADO E OS IMPOSTOS, MELHOR SERÁ PARA A SOCIEDADE!”

O Estado é um aparelho de repressão, é um aparelho, fundamentalmente, a serviço dos exploradores. No entanto, o Estado permite também a instituição de algum carácter social aos bens sociais, que, de outro modo, estariam directamente nas mãos dos exploradores. O que é público pode ser mais controlado pelos trabalhadores do que o que é privado. Pagar impostos e receber em troca serviços sociais de qualidade depende muito da capacidade de intervenção dos trabalhadores em defesa destes serviços. Mas, para os trabalhadores, é pior  pagar  menos impostos se isso significar ter de pagar os custos totais serviço a serviço. Isto porque, no primeiro caso, a burguesia é também obrigada a pagar impostos que revertem a favor de todos; no segundo caso, os trabalhadores têm de arcar, em cada caso particular, com as despesas todas. Para a burguesia é sempre melhor pagar menos impostos, uma vez que, tendo dinheiro para pagar serviços privados e não tendo necessidade de usar os serviços públicos, também não têm razão para querer contribuir para a sua manutenção.

“CLASSE POLÍTICA, CLASSE DOS PROFESSORES, CLASSE DOS ADVOGADOS, ETC”

Nada disto são classes sociais. estes grupos sociais não têm uma relação específica para com os meios de produção. A burguesia tem interesse em chamar “classe” a qualquer grupo social para confundir as coisas e disfarçar o antagonismo entre as verdadeiras classes sociais (até pode falar da classe dos motoristas, classe  dos bombeiros, etc). A burguesia “tem o direito” a ser ignorante, mas os trabalhadores não se podem dar a esse luxo.

“OS PARTIDOS SOCIALISTAS EUROPEUS SÃO PARTIDOS DE ESQUERDA”

Mentira que confunde não apenas os trabalhadores, mas grande parte da própria esquerda. Se o critério usado for a posição frente ao regime capitalista e à exploração (de apoio ou de negação), então os partidos socialistas são, evidentemente (desde há muito tempo) partidos de direita. Não são apenas partidos que levam a cabo políticas de direita, são partidos que não poderiam, sendo quem são, levar a cabo outras políticas. Há direita mais reaccionária? Há, sem dúvida! Os partidos socialistas situam-se (por enquanto), no terreno da direita democrática. Mas a existência de bandidos piores, não transforma um bandido numa pessoa de bem.

 

Posted in MENTIRAS | 2 Comments »

EXPORTAÇÕES

Posted by * em 14/02/2010

Às vezes, os interesses tolhem os mais simples conhecimentos, adquiridos nos bancos escolares. Senão, vejamos: qual é o motor característico do desenvolvimento capitalista na época actual? A exportação de mercadorias ou a exportação de capital? “É a exportação de mercadorias!”, grita a burguesia lusa, o seu douto presidente, o seu governo, os seus ideólogos, num mercantilismo serôdio e unânime. Pronto, pronto, esta “ignorância” é compreensível. Afinal a passagem do capitalismo mundial à sua fase imperialista ocorreu há pouco mais de um século, a burguesia lusa ainda não teve tempo de actualizar os seus conhecimentos… É difícil acreditar que é só mesmo ignorância, mas não é de substimar a capacidade anticognitiva de quem tem palavra e poder.

Posted in * | 1 Comment »

FIGURAS, FIGURINHAS, FIGURÕES

Posted by * em 14/02/2010

 

Aviso: este é um post de ficção.

Qualquer semelhança com a realidade, seria mera e indesejável coincidência, uma vez que, como é fácil observar, nada há em comum com o que sabemos ser a realidade.

 

 

O “GÉNIO DA BANALIDADE”

Nenhuma ideia original, por mais tímida que tenha sido, aflorou daquele encéfalo…o máximo que fez foi citar outros mais capazes. Fora do país, quase ninguém da sua especialidade conhece uma ideia sua enquanto economista, no seu ramo de “investigação” este amanuense é um zero à esquerda. Haverá alguma colectânea ou enciclopédia estrangeira da especialidade em que apareça o seu nome? Claro que não, embora ele se esforce por aparecer como uma sumidade quase interplanetária. Como é fácil enganar os simples do condado…

Faz lembrar, de tão parecido, o Mr. Chance (Peter Sellers), do filme Being There (Com os nomes “Bem-vindo Mr. Chance”, em Portugal e “Muito além do jardim”, no Brasil”), de 1979. Neste filme, um jardineiro, cuja parca inteligência era apimentada por uma vasta ignorância, passa a ser visto por todos como um génio, de tal modo, que até os seus silêncios são considerados geniais. Qualquer observação sua acerca do estado do tempo ou das plantas do jardim é escrutinada ao pormenor, fazendo adivinhar mil e um segundos sentidos (muitas vezes incompreensíveis para o próprio Mr. Chance) acerca das questões mais prementes com que a humanidade se defronta. Claro que começa a subir pela escada do poder, influenciando decisões políticas ao mais alto nível.

Como referido, o Mr. Chance de Portugal, o senhor Gardener luso, gosta dos silêncios e tabus. Nutre-se deles por ter visto que funcionava este baixo truque de marketing político e também para travestir de grandiosidade a sua pequenez, para evitar mostrar o quão oco é. Nos tabus ele junta o útil ao agradável. Quando fala, é apenas para, com ar circunspecto, ponderado, como se estivesse a proferir uma verdade nova, fruto de cogitações prolongadas… dizer uma qualquer trivialidade. Este actor apenas se sente em casa quando repete as suas banalidades. Segue escrupulosamente a máxima de Homer Simpson: “Nunca digas qualquer coisa a não ser que tenhas certeza que todos pensam o mesmo”.

Este ser plastificado evita falar de modo explícito, tanto por calculismo, como por não ter ideias originais. Gosta de apelar, com ar solene (ar estudado, ensaiado),  aos velhos e rasteiros embustes mil vezes repetidos pelos ideólogos burgueses mais abjectos: gosta, por exemplo, de mascarar, através de elogios à “autonomia”, “liberdade”, “iniciativa”, etc., a defesa da desresponsabilização do Estado, a apologia da luta de todos contra todos, o elogio ao “Laissezfaire”. Afinal, a sua noção de responsabilidade social do Estado cinge-se ao que aprendeu nos bancos escolares da escola salazarista acerca da bem-aventurança da caridadezinha cristã, acerca da necessidade de apoio aos menos favorecidos. Não aprendeu mais, só pode repetir o que aprendeu.

Devido à sua banalidade crónica, uma entrevista com ele levaria ao resultado mais tedioso do mundo, a não ser para os que se maravilham com a banalidade:

“- O que o Sr. Doutor deseja para Portugal?

– Desejo um Portugal mais desenvolvido, é desejável que Portugal se desenvolva.

– E além disso?

– Desejo um País mais culto, ao nível dos demais países europeus.

– E, já agora, um Portugal mais justo e solidário?

– Sim, devemos fazer de Portugal um país mais justo e solidário.

– E não acha que cada um deve dar a sua contribuição?

– Cada português pode e deve dar a sua contribuição para melhorar o país…

– AARRGGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…………………..

Ah, como qualquer político de direita, está sempre disposto a atraiçoar os seus em nome da carreira…

O “GELATINA”

Nenhuma profundidade…e o mais desavergonhado oportunismo e maquiavelismo político provinciano. Delicia-se com o próprio umbigo. Ocupa-se pessoalmente, de modo quase patológico, da publicidade adamastorenha aos seus feitos (desde as acertadas decisões tomadas e previsões confirmadas, até ao facto de quase não dormir, à leitura de centenas de livros por dia e noite e muito, muito mais, que o homem é um deus na terra, se duvidar, pergunte-lhe  que ele, humildemente, confirmará). Deleita-se com as  suas acrobacias argumentativas em defesa dos exploradores, habilidades retiradas da lista de falácias dos manuais de retórica dos tempos de estudante. Tem uma tal obsessão  pela manipulação ideológica, que não apenas a exercita constantemente (para não perder o jeito), mas também tenta difundir as  suas “técnicas” fundamentais. Assim, explica todo e qualquer desaire dos exploradores como um “problema de comunicação”. Dá a entender, de um modo inacreditavelmente descarado, que (havendo força política e sabendo aproveitar o kairos) pode ser levada a cabo qualquer política reaccionária, desde  que se saiba como “fazê-la passar”. Adora  apresentar, de modo redutor e  deturpador, fenómenos complexos como se fossem fenómenos comezinhos, do quotidiano. Recreia-se, por exemplo, a comparar o funcionamento da economia (fenómeno complexo e em que há exploradores e explorados), ao dia-a-dia de uma família (fenómeno essencialmente distinto), a comparar questões políticas com questões futebolísticas, etc. Cumpre afincadamente a sua função pública de “redutor cultural”, desobrigando o filisteu da necessidade de conhecer e de pensar pela própria cabeça. Ao nível de uma conversa de cozinha, “explica” o que qualquer esporádico leitor de jornais saberia (desde o que de mais noticiado vai acontecendo no país, até coisas ignoradas como o facto de da Espanha ser uma monarquia e Dublin ser a capital da Irlanda). Pelo meio, vai dando receitas, que podem ir de como beber vinho do Porto a como curar unhas encravadas. Como os ingénuos  sorvem, gota a gota, cada iluminada palavra sua (como se ela fosse um mantra que fizesse claro o que até aqui era nebuloso) torna-se, este  oportunistazito, ele próprio, um facto político….não porque faça análise política com o mínimo de profundidade, mas pela sua influência sobre os pacóvios. Com estas qualidades todas, tem futuro. Pode até chegar a presidente.

O “PAI”

O seu erro foi pensar, preso no seu egocentrismo e vaidade, que tinha alguma importância própria. Não percebeu que foi apenas um alarve, ufano e carlucciano brinquedo de quem manda no mundo, instrumento que, ao deixar de ser útil, evidenciou o seu real valor…

(Essas coisas são sempre constrangedoras, até para quem discorda da pessoa)

O PALHAÇO DA ILHA

Está para o Ser Humano como o Zé cabra está para Mozart. É um bandido vulgar, porco, ordinário, com negócios e interesses e tendências tenebrosas. Quando cair, deixará os seu acólitos no seu lugar. Quando estes, por fim, caírem também, talvez… aos poucos…se comece a descobrir a podridão escondida…e muitos dos eternos inocentes que hoje o elogiam dirão, admiradíssimos, alguns até estarrecidos:

“- quem diria, não? -Sim, quem diria que isto acontecia!!!”

O FASCISTAZINHO

Menino bem, penteado à Hitler (só falta o bigodinho), carinha lavada, gosta dos fortes, de repetir que é de direita, e de fazer pose de adulto e sério e poderoso, de visitar esquadras e quartéis. Também gosta do dinheirinho e do luxo, tendo de se conter para não dar asas a esse desejo, que lhe pode prejudicar a carreira (o que nem sempre consegue, tamanha é a vontade). Este Haider luso, que não tem vergonha da demagogia populista mais rasteira, é o que os brasileiros chamariam um verdadeiro cara-de-pau (descobriu que ser cara-de-pau é importante para subir na vida e na política). Não se inibe, sequer, de furtar documentos secretos do Estado, coisa que, em outro país, lhe garantiria, no mínimo, largos anos de prisão. Ele não se importa, tem amigos, sabe segredos, tem cordelinhos para mexer. O importante é crescer e ter sucesso. Engole a saliva, mas lá vai asinha, boininha comprada para o efeito, pelas feiras, passinho rápido, alvos dentes, olhar à cata das câmeras, beijar e abraçar airosamente quem despreza. A sua capacidade cognitiva resume-se ao famoso esquema 1-2-3: “Portugal tem 3 problemas: primeiro…; segundo…; terceiro…” e lá vai ele desfiando o velho esquema superficial, contado pelos dedos, cada coisinha na sua gavetinha, para não confundir nem se confundir, truque mil vezes repetido para gáudio dos simples. Pensa através de esquemas, factores e linhas vectoriais com setinhas, o que, se não garante profundidade, pelo menos garante clareza. Outro dos truquezinhos que descobriu foi o do que atrelando o partido a tudo o que acontece, aumenta as hipóteses de o nome do mesmo ficar gravado nas mentes. Assim, liga tudo o que for possível, insistente e recorrentemente, à repetição infinita do nome do partido. Tudo o que acontece no país, desde o mudar das estações ao mais ínfimo acontecimento nos corredores da assembleia, acontece em função do seu partido, contra o seu partido ou por obra e graça do seu partido, o Universo inteiro é uma confirmação da justeza da linha do seu partido. Não se importa em repetir Ad infinitum este truquezinho demagogo à frente de todos, quantos mais melhor, que vergonha é coisa que aprendeu a vencer, em prol da carreira. E lá vai ele, carinha lavada, mais uma vez enumerando: “o meu partido defende quatro coisas: primeiro…”

Obs:

Esta lista de caracterizações pode levar a pensar que somos uns meros aprendizes na patriótica, difícil e elevada arte da “fulanização”. É verdade que há experientes professores nestas lides: PSD, PP e PS não fazem outra coisa. Nada de críticas de fundo entre eles, nada de crítica séria entre estes partidos “da esfera da governação”, apenas esgrimem críticas conjunturais e pessoais, não vá o diabo tecê-las. Podem fazer correr rios de tinta apenas para tratar de casos de alguém que disse que alguém disse que alguém ouviu que alguém teria dito. É verdade que esta obsessão pela conjuntura, versão política dos mexericos da imprensa rosa (ou laranja), separa a mentalidade de direita da mentalidade de esquerda. O que, fundamentalmente, preocupa PSD, PS ou PP, é saber quem deveria estar no poder. A direita, como direita que é, não consegue ir além desta mentalidade tacanha (quem quer explorar, tem de aceitar ser pouco profundo).

Apesar de dever conhecer bem a plêiade de personagens ilustres da vida nacional, a esquerda não deve ficar por aí, pela crítica pessoal, pela simples “fulanização”, pela abordagem apenas conjuntural. O que importa mesmo é mudar a política numa estratégia fundamentada no conhecimento da lógica do processo histórico. E isto numa perspectiva não apenas local ou nacional mas também mundial.

A “fulanização” é coisa pouca. A ideia acerca do seu poder corrosivo é largamente exagerada. As críticas  meramente pessoais são até uma maneira eficaz de justificar a política de quem se critica: para “resolver” os problemas bastaria ter uma pessoa honesta, idónea, credível. Bastaria mudar as moscas…

 

 

 

Posted in FIGURAS, Génio da banalidade | Com as etiquetas : | 11 Comments »