Na sequência das conquistas da revolução de Abril, há 35 anos começou essa saga bela e carregada de futuro chamada Reforma Agrária. A um só tempo, foi um passo em direcção ao socialismo e a machadada decisiva nas relações feudais ainda subsistentes no campo. Aumento da produção e do número de explorações agrícolas, renovação dos obsoletos instrumentos de trabalho, liquidação do desemprego em freguesias inteiras, conquista, pela primeira vez no campo, de direitos colectivos e individuais e de contratos de trabalho – eis alguns dos feitos de um processo emancipador, erguido, mantido e desenvolvido pelos proletários agrícolas do Alentejo. Os agrários, claro, moveram-lhe uma luta sem quartel, uma luta de vida ou de morte. Contaram para tal com o poder de Estado, esse «aparelho especial para a repressão de uma classe por outra classe». Infelizmente, nos momentos agudos da revolução, a correlação de forças a nível político e militar não correspondeu à dinâmica social que atravessava as relações de produção na formação económico-social portuguesa. Hoje, depois da contra-revolução iniciada com a Lei Barreto, o arame farpado e o desemprego estão de volta aos campos alentejanos.
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A TERRA A QUEM A TRABALHA
Publicado por J. Vasco em 22/04/2010
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