Les quatre cents coups é um dos grandes filmes de François Truffaut. Um dos mais celebrados, também – e justamente.
«Quatre cents coups» é uma expressão idiomática francesa que anda perto do dito português «trinta por uma linha».
Antoine Doinel, na verdade, tanto recebe quatrocentos golpes, se adoptarmos uma tradução mais à letra do título do filme, como faz trinta por uma linha para fugir ao autoritarismo escolar, à indiferença familiar e à hostilidade envolvente.
O paralítico final do filme é coisa apenas ao alcance dos génios. (Satyajit Ray, que Jyoti Gomes já aqui recordou, ficou tão impressionado com ele que haveria de utilizar um dispositivo semelhante para o final do seu belíssimo filme «feminista» Charulata). Ali está tudo, em condensado: o sofrimento, a comoção, a esperança, a desesperança, a alegria, a tristeza. Tudo em suspenso. Momento de alívio, sim, mas como será o futuro?
E depois há todo o plano-sequência da fuga, longo, cumulativo, como a música indiana.
Para onde foges, Antoine?
Não sei, corro sempre em direcção ao mar.








