Posto de comando do novo “movimento de libertação”
Militantes da “Esquerda Nacional” aguardando libertação, Técnica Mista, 2012.
Depois deste momento de variedades vou regressar à minha cela, enquanto não tiver tempo para ir beber café à Praça das Flores ou oportunidade para entregar em tributo um mandato de deputado europeu ao Cohn-Bendit tem de ser assim. Paciência…
«Um grupo de músicos lançou, com o alto patrocínio de Cavaco Silva, o hino do Movimento Zero Desperdício. É um projecto que tem as medidas do Presidente da República e que se dedica a pedir a restaurantes, hotéis e supermercados – imagine-se – que dêem as sobras a quem precisa. Isto, que mais não é do que um hino à pobreza e que em momento algum questiona os responsáveis pela calamidade social em que vivemos, indigna qualquer pessoa de esquerda. Por isso, espero que os artistas que se deixaram vender à hipocrisia tenham os bolsos cheios. Todos temos de comer mas há quem prefira a dignidade ao dinheiro. Falo da Ana Bacalhau, Anabela, Anjos, António Pinto Basto, Adriana, Ana Sofia Varela, Armando Teixeira, Boss AC, Camané, Carlos Mendes, Chullage, Cristina Branco, Cuca Roseta, Fernando Cunha, Fernando Girão, Fernando Tordo, Gomo, Janita Salomé, João Pedro Pais, Jorge Palma, João Gil, Kátia Guerreiro, Lara Li, Lúcia Moniz, Luís Represas, Luísa Sobral, Manuel João Vieira, Mafalda Veiga, Miguel Gameiro, Miguel Pité, Nuno Norte, Olavo Bilac, Paula Teixeira, Paulo de Carvalho, Pedro Laginha, Pedro Puppe, Ricardo Quintas, Ricardo Ribeiro, Rita Guerra, Roberto Leal, Rui Veloso, Salvador Taborda, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Susana Félix, Tiago Bettencourt, Tim, Tito Paris, Vitorino, Zé Manel».
“A promoção de Portugal através da imagem ou do som deve ser enquadrada numa visão de política externa e portanto sob quase que a orientação ou em contrato de programa com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”, afirmou o economista João Duque, que defendeu mesmo que a informação veiculada pelo canal internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” para passar a mensagem de promoção do país. Um tratamento da informação que, acrescentou, “não deve ser questionado”. “A bem da Nação”, rematou.
Há três dias, o advogado José Maria Martins (recuso-me a fazer ligações para o texto fascista que bolçou) escreveu estes mimos: «Os tipos do PCP são intoleráveis», «O PCP deveria ser ilegalizado porque é uma força de bloqueio, acéfala, irracional, golpista», «Ilegalizar o PCP seria higienizar Portugal».
No dia 9 de Setembro, António Ribeiro Ferreira (também me recuso a remeter o leitor para o texto) largou esta prosa: «Há uns anos, muitos, Maldonado Gonelha disse que era preciso partir a espinha aos sindicatos. Na altura discutia-se a unicidade sindical e a criação de uma central alternativa à Intersindical comunista. Hoje, em 2011, com o país numa emergência nacional é urgente não só repetir a frase como pô-la em prática».
O ambiente social contra-revolucionário em que vivemos enquadra na perfeição opinações como estas. Não admira, pois, que provocadores fascistas como Martins ou Ferreira escrevam o que escrevem. O que é mais revelador em termos políticos é vermos muito boa gente da auto-proclamada «esquerda democrática» ou dos sectores «autonomistas» a partilhar com eles a sanha fascista contra o PCP e a CGTP.
O povo lutou. Os novos senhores tomaram conta da situação e agora já podem dizer, através do seu exército: recolham os vossos mortos e vão trabalhar para nós, como sempre. Já cumpriram o papel que vos estava destinado. Não se esqueçam de quem realmente continua a mandar.
“Egito: exército ordena saída de manifestantes da Praça Tahir”
Um funcionário dos CTT do Porto foi assaltado à mão armada na sexta-feira quando fazia o percurso a pé entre o banco, onde levantara dinheiro, e a estação na zona da Corujeira, Campanhã. A vítima resistiu e na luta com um dos assaltantes “voaram” cerca de cinco mil euros que foram depois apanhados do chão e entregues às autoridades por clientes, a maioria beneficiários do rendimento social de inserção,que estavam à espera de levantar os vales.
Quase todos os clientes que recuperaram do chão quase cinco mil euros – do total de 40 mil que o funcionário transportaria – eram pessoas pobres à espera de receberem ali o vale mensal do RSI, entregando-os às funcionárias daquela estação dos CTT.“
Vejam bem: estas pessoas não estiveram envolvidas em negociatas em Universidades Modernas, não estiveram à frente de negócios obscuros relacionados com compra de submarinos, não roubaram milhares de documentos secretos ao Estado, não venderam patentes de milhões por tostões a friends americanos. Estas pessoas não batem no peito a gritar que são honestas, mas bem poderiam servir de exemplo aos criminosos fascistas que as atacam.
«O presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, homenageou dia 11 de Abril o marechal António Spínola. O sr. Spínola foi presidente do chamado Exército de Libertação de Portugal (ELP), organização terrorista criada pelo ex-pide Barbieri Cardoso, e do MDLP. Estas organizações praticaram numerosos crimes em 1975 e 1976, como o assassínio do padre Max, o ataque à Embaixada de Cuba, incêndios de sedes do PCP e actos bombistas. Associou-se à homenagem o presidente “socialista” da Câmara Municipal de Lisboa, que não teve pejo em dar o nome do referido indivíduo a uma avenida da cidade.».
“A percentagem de pobres na Venezuela caiu para 23 por cento. Quando comparados os dados actuais com os últimos indicadores existentes antes do início do processo revolucionário bolivariano, conclui-se que, em 1996, a pobreza afectava cerca de 70 por cento da população e a pobreza extrema 40 por cento.”
(dados do Instituto Nacional de Estatística. As estatísticas estão conformes com os padrões da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe e do Banco Mundial)