
Nuno Crato é o novel ministro da educação. Uma década a debitar rifões reaccionários, sem qualquer ponta de pensamento sério e minimamente profundo, surtiu o efeito desejado para a «carreira» do matemático.
Há uns anos, cinco ou seis, talvez, Nuno Crato publicou um arremedo de livrito que deu brado no meio filisteu, praticante que é, o meio, da conhecida cultura axilar (os livros debaixo das axilas, estão a ver?) e da economia de pensamento. Resumia-se a uma catalinária de má qualidade contra as ciências da educação, em geral, apodando-as demagogicamente, para delírio embevecido das hostes obscurantistas, de «eduquês». O léxico neo-liberal, em Portugal, não hesitou e adoptou de imediato a expressão. Tudo o que cheirasse a estudo científico sobre a educação – como provam os trabalhos de Rui Canário, Domingos Fernandes ou António Nóvoa, estudo necessariamente pontuado pela complexidade, pela interdependência dos fenómenos, pela procura de caminhos novos - caía nas malhas nocivas do «eduquês», e precisava de ser removido a todo o transe da consideração. No seu lugar, devia ser erigido o «saudável senso-comum», que prescinde de «teorias» e de «complicações». O remédio para todos os males de que padecia o ensino residia na introdução de exames, de muitos exames, de exames a rodos. Exames do 1º ciclo à universidade.
O conteúdo político deste arrazoado era o mais adequado aos objectivos de privatização da escola pública. E por isso foi sendo acarinhado. A pobreza teórica de pensar o ensino sob a batuta exclusiva (e exclusivista) dos exames e da avaliação sumativa não é politicamente inocente (até porque as posições politicamente reaccionárias podem prescindir da riqueza teórica). A centralidade dos exames na educação, enquanto elemento nuclear e estruturante, assenta na lógica da promoção/exclusão; abdica de perspectivar a escola como um espaço de integração, que avalia formativa e sumativamente e que não desiste de ninguém; promove o elitismo e a competição; tem como objectivo maior seleccionar para cursos superiores exclusivamente os filhos das classes dominantes, perpetuando a exploração e contribuindo para a reprodução do sistema.
Ao que parece, nos útilmos dias Nuno Crato falou da necessidade de mais e melhores exames e de como seria desejável acabar com o ministério da educação. Vindo dele, a reflexão faz sentido. Mais do que tudo o resto, Nuno Crato não passa de um simples examinador. Não é grande coisa, há-de convir-se, para quem tanto gosta de exibir a farpela de sábio.











