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Arquivos para a Categoria ‘MENTIRAS’

O «FRANCISCO»

Publicado por J. Vasco em 20/12/2010

Há duas semanas, o corropio em torno de Sá-Carneiro montou arraiais nos média nacionais. A burguesia portuguesa, ávida de um salvador sebastiânico de recorte autoritário, convocou os seus escribas e ofereceu-nos dúzias de hagiografias políticas do «Francisco», esse eminente membro da muito «azul» linhagem Lumbrales. Maria João Avillez, como de costume, destacou-se na tarefa, que, de resto, executou com gosto e com galhardia.

Antes de desmontarmos uma das principais mentiras que a senhora tentou, pela enésima vez, pôr a circular, recordemos estas palavras de Freitas do Amaral que aqui trouxemos no dia 10 de Março de 2010:

«(…)Isto levou-nos, aliás, a rejeitar a integração em bloco do aparelho local da ANP no nosso partido, que nos foi oferecida por alguns dos seus ex-dirigentes nacionais (através de listas com nomes, moradas, telefones e tudo) – o que representou da nossa parte um belo acto de coerência e idealismo, mas que não foi recompensado pelos deuses: esse aparelho acabou por se passar quase todo para o PPD, que não teve dúvida em o aceitar, depois de riscados alguns nomes mais conhecidos, com o que ganhou definitivamente a primazia sobre nós em implantação local.»

Pela boca de quem sabe, temos a prova cabal (se quiséssemos abstrair dos próprios acontecimentos de 74-75) de que os segmentos mais fanatizados do fascismo português se congregaram no PPD de Sá-Carneiro e aí lutaram, no quadro da situação democrática alcançada com o 25 de Abril, contra o novo regime. Luta, aliás, que, entre todo o tipo de conspirações e de contactos com o estrangeiro, incluiu bombismo, terrorismo, homicídios, etc.

Sá-Carneiro, por mais «alas liberais» que lhe queiram arranjar, era membro da Assembleia Nacional fascista. Era eleito pelas listas do partido fascista. O seu fito era salvar a burguesia portuguesa do calvário de uma revolução, e por isso, dentro das baias do regime, procurava uma saída airosa junto dos jovens lobos tecnocratas. Tudo isto – é sempre bom sublinhar e repetir -, no quadro do próprio regime fascista.

Agora, a grande tese que Avillez quer traficar: Sá-Carneiro queria acabar com o Conselho da Revolução e afastar os militares da vida política, ou seja, «entregá-la ao poder civil». O desejo de Sá-Carneiro extinguir o Conselho da Revolução é-nos servido pela jornalista in abstractum, como se fosse uma incondicionada posição de princípio que não guardasse qualquer ligação concreta com o contexto político da época e com a respectiva correlação de forças político-militar. Mas ainda que não atendêssemos a essa colocação adequada do problema, refutaríamos a mentira de Avillez (a de que Sá-Carneiro queria afastar os militares da «política») dizendo o seguinte:

Sá Carneiro conspirou desde a primeira hora contra a revolução portuguesa com um militar de recorte fascista e prussiano, Spínola; foi com um militar, Spínola, que procurou ilegalizar o PCP e que participou no golpe Palma Carlos; foi com um militar, Spínola, que preparou a mascarada da «Maioria Silenciosa» e do 28 de Setembro, que tinha como objectivo, justamente, atribuir plenos poderes ao mesmo Spínola e referendar uma constituição que não abarcasse o partido comunista; foi com militares, entre os quais Spínola, que animou vários bandos contra-revolucionários; foi com militares que deu o seu contributo para o 25 de Novembro e que pediu, consequentemente, o afastamento do PCP e dos comunistas em directo na televisão; finalmente, foi um militar reaccionaríssimo, Soares Carneiro (vejam aí em baixo o autocolante da campanha), que Sá-Carneiro decidiu apoiar nas presidenciais de 1980, dizem as más línguas que para subverter a constituição e referendar uma nova. Más línguas, claro…

  

Pois é, Maria João, a história que nos pretende vender pode ser interessante. Tem é um pequeno problema: é falsa de ponta a ponta.

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RUMO A GUANTÁNAMO, NA GRANDE NAVE «DEMOCRACIA»

Publicado por J. Vasco em 15/12/2010

Base das Lajes, Ilha Terceira, Açores

AQUI e AQUI.

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…E UM EVITÁVEL DESENCONTRO COM MARX

Publicado por Jyoti Gomes em 23/04/2010

Em diversos manuais do secundário (de história, sociologia, filosofia, etc.), o marxismo é apresentado como uma teoria niveladora primária, que pretenderia alcançar a total igualdade económico-salarial. A utópica e superficial perspectiva proudhoniana, que Marx sempre combateu, é apresentada como se fosse a posição marxiana. Assim se ensinam mentiras!

O que o marxismo propõe  e não é  o nivelamento salarial, nem é a igualdade pela igualdade, mas sim acabar com a exploração do homem pelo homem. Neste processo, durante o socialismo vigoraria o princípio “a cada um de acordo com o seu trabalho” e no comunismo o princípio “a cada um de acordo com as suas necessidades“. Nem no socialismo, nem no comunismo, haveria igualdade pura e simples. Seria desejável que os autores de manuais, antes de embarcarem em falácias do espantalho contra o marxismo, se dedicassem a conhecer minimamente aquilo que pretendem ensinar.

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O QUE TU QUERES SEI EU!

Publicado por Jyoti Gomes em 15/02/2010

MENTIRAS QUE OS EXPLORADOS ENGOLEM:

Para a mentira ser segura/ e atingir profundidade,/ deve trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade

(António Aleixo)


“O POVO VIVE NA MISÉRIA PORQUE É ROUBADO PELOS POLÍTICOS!”

É uma das mentiras preferidas da burguesia. Tem várias vantagens: em primeiro lugar, junta, sob o termo “povo”, os explorados e os exploradores. Depois, contrapõe este “povo” aos políticos, desviando a atenção e a raiva dos explorados, que em vez de se concentrarem na luta contra a exploração, concentram-se na luta contra “os privilegiados”. No entanto, se duplicarmos ou triplicarmos o salário de todos os políticos do país, o país continuaria praticamente na mesma situação; se abolirmos os salários de todos os políticos, também a situação económica do país continuaria praticamente na mesma. Mas enquanto o povo se indigna com os deputados, os Belmiros de Azevedo sorriem, complacentes com a ingenuidade da plebe.

“QUANTO MENOR FOREM O ESTADO E OS IMPOSTOS, MELHOR SERÁ PARA A SOCIEDADE!”

O Estado é um aparelho de repressão, é um aparelho, fundamentalmente, a serviço dos exploradores. No entanto, o Estado permite também a instituição de algum carácter social aos bens sociais, que, de outro modo, estariam directamente nas mãos dos exploradores. O que é público pode ser mais controlado pelos trabalhadores do que o que é privado. Pagar impostos e receber em troca serviços sociais de qualidade depende muito da capacidade de intervenção dos trabalhadores em defesa destes serviços. Mas, para os trabalhadores, é pior  pagar  menos impostos se isso significar ter de pagar os custos totais serviço a serviço. Isto porque, no primeiro caso, a burguesia é também obrigada a pagar impostos que revertem a favor de todos; no segundo caso, os trabalhadores têm de arcar, em cada caso particular, com as despesas todas. Para a burguesia é sempre melhor pagar menos impostos, uma vez que, tendo dinheiro para pagar serviços privados e não tendo necessidade de usar os serviços públicos, também não têm razão para querer contribuir para a sua manutenção.

“CLASSE POLÍTICA, CLASSE DOS PROFESSORES, CLASSE DOS ADVOGADOS, ETC”

Nada disto são classes sociais. estes grupos sociais não têm uma relação específica para com os meios de produção. A burguesia tem interesse em chamar “classe” a qualquer grupo social para confundir as coisas e disfarçar o antagonismo entre as verdadeiras classes sociais (até pode falar da classe dos motoristas, classe  dos bombeiros, etc). A burguesia “tem o direito” a ser ignorante, mas os trabalhadores não se podem dar a esse luxo.

“OS PARTIDOS SOCIALISTAS EUROPEUS SÃO PARTIDOS DE ESQUERDA”

Mentira que confunde não apenas os trabalhadores, mas grande parte da própria esquerda. Se o critério usado for a posição frente ao regime capitalista e à exploração (de apoio ou de negação), então os partidos socialistas são, evidentemente (desde há muito tempo) partidos de direita. Não são apenas partidos que levam a cabo políticas de direita, são partidos que não poderiam, sendo quem são, levar a cabo outras políticas. Há direita mais reaccionária? Há, sem dúvida! Os partidos socialistas situam-se (por enquanto), no terreno da direita democrática. Mas a existência de bandidos piores, não transforma um bandido numa pessoa de bem.

 

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