Quem vir nesta «decisão do Ministério da Saúde» uma simples medida arbitrária e desgarrada – desengane-se. Ela é mais uma peça da consequente política liberal que visa destruir, tijolo a tijolo, o edifício das funções sociais do estado, construído com o impulso da revolução de Abril.
Os caboucos deste edifício são vergastados nos dias de hoje (pelas mãos sujas de PS, PSD e CDS, sob a orientação tutelar da UE) com uma violência sem precedentes. Encerramentos de escolas, de centros de saúde, de maternidades, de urgências hospitalares. Desmantelamento de postos de correio. Fecho de repartições da segurança social. O ramalhete é impressionante, e dele exala o inconfundível aroma das «leis do mercado». Sob a sua sombra, campeia a miséria, a falta de protecção social, o despovoamento do interior do país e uma vaga vertiginosa de emigração.
«Por um segundo podemos perder uma vida». Mas que importância pode ter isso? Os mortos serão, afinal, de famílias «sem estilo», «sem charme», «saloios do interior que nem falar sabem», não é assim? Desejável é que «o mercado» funcione, é que a «lei da oferta e da procura» vigore. Lindo é que o estado «não tutele a vida dos indivíduos», é que quem quer saúde, educação, reformas – que as pague, que não «viva à custa dos subsídios» e da «teta do estado».
Acelera, ambulância, acelera! Esses «40 quilómetros» ainda vão ser tão longos!









