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INTELIGÊNCIAS ADMIRÁVEIS

Publicado por Jyoti Gomes em 19/05/2012

1)  Há tempos, a inteligentíssima forma de protesto que certas cabecinhas pensadoras pretensamente progressistas encontraram para responder aos canalhas que tratam o povo como “piegas” foi … chamarem-se a si próprias de… “piegas”:

_ Tomem lá, vocês chamam-nos de piegas e, em resposta,… nós próprios chamamo-nos de piegas!! embrulhem!!!

2)   Em relação à sanha privatizadora que destrói os serviços públicos o que fazer? Lá temos nós de pedir conselhos às cabecinhas magicadoras: o mal, dizem elas, está no “peso excessivo” do estado e dos serviços públicos. Não, a questão não reside na necessidade de um maior controle (não diminuição, mas sim controle) do funcionamento dos serviços públicos, que se querem mais e melhores. Não, dizem as cabecinhas matutadoras, o problema está no “peso excessivo do Estado”, nos “gastos excessivos” com tudo aquilo que serve às populações (e claro, não falta quem diga que tudo o que serve às populações é excessivo). Vamos lá, todos, como forma de protesto, acabar com os serviços públicos? Vamos! Vamos todos acabar com “esse monstro”, dizem as espertas (mas não despertas) cabecinhas cogitantes. Pelo caminho ficamos, claro, sem saúde e educação, mas, pelo menos, protestámos e ficou o assunto protestado.

3)   Continuamente, e sem esmorecer, estas cabecinhas pensadoras não param de pensar… e voltam a carga com o envio massivo de mails em que proclamam que os problemas por que passa o povo não se devem à exploração da burguesia, não, nada disso, mas sim … à existência de políticos que seriam “todos iguais”. A estrema-direita exulta com estas ultra-inteligentes formas de protesto: “_ abaixo os políticos, são todos iguais, vamos mas é estabelecer um regime sem políticos, um regime corporativo à boa maneira salazarista!”, diria Salazar na sua tumba!

4)   Não contentes em candidamente fornecer tanto arsenal à extrema-direita, eis que as cabecinhas congeminadoras decidem agora enviar, aos milhares e milhares, mais um “mail de protesto”: contra as injustiças, dizem os mails, “SUSPENDO O MEU DIREITO DE VOTO”!

Bravo! nunca é de subestimar a capacidade de a burrice se superar a si própria! claro, contra a perda de direitos, nada melhor do que…  suspender os que restam! Assim é que se protesta, muito bem!

Claro que há quem, demonstrando uma tremenda inveja em relação à capacidade que têm estas cabecinhas pensadoras para protestar, se apresse a dizer que esses protestos, além de reaccionários, são demonstrações de burrice em estado praticamente 100% puro. Há quem diga que se suspensão de direitos conquistados fosse forma de protesto, a ditadura salazarista seria o que há de mais progressista, já que suspendeu direitos à imensa maioria da população. Há quem diga que esta é mais uma iniciativa muito parva… e que isto não vai lá com palermices e burrices!

Mas, indiferentes às críticas, e convictas do seu talento para propor originais e sagazes formas de protesto, as cabecinhas pensadoras pensam, pensam, pensam e, em breve, surpreenderão o mundo com formas ainda mais radicas e contundentes de protesto. Por exemplo, recusarmos os salários, cortarmos os próprios pulsos ou batermos com um martelo na própria cabeça!

 

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O AMOR VERDADEIRO

Publicado por Jyoti Gomes em 17/05/2012

No que diz respeito à sociedade,

sim, assumimos a luta!

Lutamos!

Não, não falamos de paz entre exploradores e explorados.

Lutamos contra a exploração!

E é por amor que lutamos!

Perante a exploração, não lutar é não amar.

Não há amor abstracto, o nosso amor é real e tecido também de e na luta

pois esta luta é o verdadeiro e concreto modo de amarmos e sermos realmente solidários!

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“QUAL O TEU NOME?” – “EU SOU AQUELE QUE NEGA”

Publicado por qmiguel em 20/04/2012

Os mordomos da burguesia (Rio para o caso) decidiram mais uma vez destruir os frutos da acção popular. Abril vai longe  e a “democracia” dos senhores do mundo é sinónimo de autoridade e desrespeito total pela vida das classes populares. Apadrinhado pela traição à pátria que representou a aprovação do MES pelos partidos do regime, golpe brutal na democracia e auto-determinação dos povos, Rui Rio (mas não se enganem podia ser outro) presenteou os seus conterrâneos com mais uma medida de classe, no interesse da cada vez mais ditatorial democracia burguesa. Para os mais incautos uma medida de classe é privatizar a água que é de todos em prol do lucro de quem acumulou o capital necessário para explorar os outros por todos os meios que encontra. Uma medida de classe é também fechar um Hospital que primava pelo seu serviço à população da maior cidade do pais para o entregar a especuladores e parasitas. Todas estas medidas são medidas de classe e são também a negação da democracia. No entanto todos os dias os escribas deste regime, acossados pelo medo e pelo poder crescente de uma burguesia que num triplo movimento agudiza a exploração dos activos, lança os jovens para a miséria e indignidade, e tira anos de vida àqueles que já não consegue explorar directamente, negam diariamente pelos meios que monopolizam, a existência de classes,  e promulgam por santo decreto mediático abstracto  a existência dessa mesma democracia que os agentes do capital tratam de negar em cada uma das suas singelas acções.

Senão vejamos:

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UM BILHETE DA GRÉCIA

Publicado por Jyoti Gomes em 06/04/2012

Ler sobre a notícia aqui e aqui

Ver a tradução aqui ou aqui

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VAMOS TODOS ASSINAR A “VÉRTICE”

Publicado por Jyoti Gomes em 03/04/2012

A “Vértice”, revista teórica nascida em 1942, é do que melhor se publica em Portugal.

Vamos todos assinar a “Vértice”!

Anexo com a ficha de assinaturas da Vértice

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DEPOIS DA GREVE, A LUTA CONTINUA

Publicado por Jyoti Gomes em 31/03/2012

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O GOVERNO “MANUEL PINTO”

Publicado por Jyoti Gomes em 24/03/2012

 

O indivíduo (não dissemos “o dejecto”, pois não?) que vemos na foto de bastão na mão, de nome Manuel Pinto, é um indivíduo (não dissemos “feroz mentecapto”, “violento energúmeno”, “potencial assassino”, pois não?) que sabe que pode continuar a extravasar as suas pulsões (não dissemos “patologias”, pois não?) sobre o povo indefeso porque tem as costas quentes. Este governo com tiques e toques fasciszantes, cujo cipaio máximo sempre gostou de Think Tanks e outras agências de negociatas&segurança&espionagem, limita-se a dizer (com a falta de vergonha de quem ainda acha pouco e prevê fazer muito mais) que os jornalistas devem identificar-se melhor para não serem confundidos com o povo indefeso, para que que os Manueis Pintos e os amigos (alguns diriam: capangas) deles, estejam fardados ou infiltrados, possam continuar a perseguir e a malhar selvaticamente no povo…

E tudo isto para defender, claro, o patrão, o sr. Capital.

Este é bem o retrato do governo do país: cães de guarda dos exploradores.

Este governo é um enorme perigo para o povo, um enorme perigo para o país e a democracia que resta.

Um dos muitos agentes infiltrados

O governo de Passos Coelhone (das negociatas e negócios obscuros em Think Tanks, empresas de lixo, etc.) e Paulo Portas (do caso Moderna, Jaguares, dinheiros de Submarinos, roubo de documentos secretos, etc.) em plena acção!

Já há, entre o povo, quem pergunte: embora sejam já responsáveis pela destruição do país, pela exploração mais abjecta em relação aos trabalhadores, responsáveis pela aniquilação de perspectivas de vida de tantos jovens e pela morte de idosos por falta de assistência… quando cometerão o primeiro assassinato directo e em directo? De uma coisa podemos estar certos: a culpa será, “obviamente, do(s) assassinado(s)”.

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A GREVE É GERAL

Publicado por qmiguel em 18/03/2012

Existe um momento em que temos de tomar o nosso futuro nas nossas mãos. Não “vamos” à greve, construímo-la pela nossa luta, no nosso local de trabalho.  A greve é geral e são os trabalhadores como eu e tu que a fazem:

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A HISTÓRIA E A DIALÉCTICA

Publicado por qmiguel em 01/03/2012

«A história pode ser examinada sob dois aspectos. Podemos dividi-la em história da natureza e história dos homens. No entanto, não podemos separar estes dois aspectos; enquanto existirem homens a sua história e a história da natureza condicionar-se-ão reciprocamente.» Marx e Engels, Ideologia Alemã-passagem rasurada

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O EXEMPLO VALADARES

Publicado por Jyoti Gomes em 13/02/2012

Lutar vale a pena!

Os trabalhadores da Cerâmica Valadares não tiveram medo de lutar e com isso conquistaram vitórias em toda a linha.

A nossa humilde homenagem a esses trabalhadores que mostraram que a luta é o que de mais digno os explorados podem fazer.

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BEM VINDOS AO PASSADO

Publicado por Jyoti Gomes em 12/02/2012

Não são só trabalhadores portugueses a sair de Portugal. Há muitos milhares de turistas estrangeiros que já decidiram, depois de saberem das portagens, dos pagamentos nos museus ao domingo, do preço da gasolina no país, etc: é a última vez que vêm a Portugal!

É o resultado da mesquinhez e da ganância: perde o turismo muitos milhões.

Este governo arrisca-se, na sua ânsia de fazer recuar Portugal muitas décadas, a fazer, em alguns aspectos, o país recuar vários séculos. Enquanto isso, a igreja agradece: ela gosta mesmo é do feudalismo.

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O SOBRINHO DA TIA

Publicado por Jyoti Gomes em 09/02/2012

Assim que o american boy ofendeu os trabalhadores portugueses chamando-os de “piegas”, apareceu logo uma estranha e ridícula forma de protesto: alguns ofendidos não acharam melhor forma de protestar do que… chamarem-se a si próprios de…”piegas“! Dizem que é ironia, que é “protesto” e coisa e tal. Mas uma coisa é certa: não é um “protesto” que prime pela inteligência. Pelo contrário, apenas repete e implicitamente corrobora o que o american boy disse. O tal menino-velho-de-cabeça, o tal que gostava de professores maus, pode até dizer, com sarcasmo: - olha, eles confirmam o que lhes chamei.

Já se torna uma moda assustadora essa a de, os que protestam, chamarem-se a si próprios ora de piegas, ora de palermas, ora de parvos, de perguntar coisas idiotas como “- estás a ver escrito estúpido na minha testa?”, “- achas que sou parvo?” e coisas desse tipo. Talvez já esteja na hora de, em vez de insinuar que quem ofende os trabalhadores tem razão, olharmos bem nos olhos de todos os american boys e dizermos: – PIEGAS É A TUA TIA, PARASITA!

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LEITURAS MATINAIS

Publicado por ines f. em 07/02/2012

Não é que não esteja habituada às maravilhas que semanalmente me reserva a leitura do Humanité. Mas, ainda assim, não pude evitar a surpresa ao deparar-me, esta manhã, com um artigo intitulado «La République communiste de Badiou». Aparentemente, Alain Badiou fez uma nova tradução da República de Platão. Não. Afinal é uma adaptação. Uma tradução-adaptação da República de Platão, revista à luz do século XXI, uma interpretação que releva, nas palavras do próprio, de uma fidelidade superior à obra, fidelidade que se caracterisa superiormente pelo desprezo absoluto pelo texto e contexto de uma obra que se pretende (citando agora o autor da recensão) inserir no contexto filosófico do nosso tempo. Desde logo, o esforço parece-me supérfluo – não vejo em que medida é que um dos textos fundadores da filosofia possa alguma vez ter estado des-inserido do nosso contexto. Mas enfim, continuemos, que a empresa é de monta. Assim, sempre na esperança da dita inserção, Badiou decidiu substituir os conceitos de Platão pelos seus próprios : a receita é garantida, sobretudo quando os seus próprios são aqueles que melhor se integram no discurso filosófico da moda. Ora, nem mais : a Alma passa a ser o Sujeito, Deus, o Grande Outro (…) , a Ideia do Bem…a Verdade. E assim, como por magia, a «a ascensção da alma para o Bem» torna-se «a integração do Sujeito numa Verdade». Como se a perspectiva histórica não estivesse já pelas ruas da amargura, os alunos de Badiou podem agora ler a República, sem terem de sair, por um minuto que seja, do aparelho conceptual a que estão habituados, confirmação suprema do seu eterno presente e das suas místicas certezas pós-fenomenológicas. Regojizo-me com o facto de que, pelo menos por agora, os desejos do jornalista não sejam exauridos e a dita obra não seja integrada nos programas do Secundário. Mas melhores momentos se seguem : a modernização conceptual revela-se insuficiente , é necessário proceder à modernização propriamente lexical : teremos então o prazer de encontrar belas expressões como «bagnole» ou «le mec Thésée» (algo que em português se poderia traduzir como «chaço» e «o puto Teseu», respectivamente). Temos Sócrates a citar Estaline, Freud e Mallarmé. Temos a alegoria da caverna computodorizada. Temos até uma mulher como personagem principal (Adimanto torna-se Amantha). Um mimo para a ideologia burguesa pós-moderna de Saint-Germain-des-Près, certamente escandalizada com a ausência de paridade do corpus platónico. No fim disto, não sei o que é mais grave : se o entusiasmo demonstrado nas páginas do Humanité por este momento de profundo desprezo pela História, se a absoluto desinteresse intelectual e cultural de uma tarefa que se propõe actualizar o que nunca deixou de ser actual (na medida em que é parte de uma cultura e momento do seu desenvolvimento), veiculando assim uma noção de actualidade ao nível da MTV, se o facto de Alain Badiou, (auto)-proclamada figura de destaque da esquerda da esquerda francesa, achar que basta mudar uns conceitos para que a filosofia de Platão se torne expressão de um qualquer pensamento marxista, neste caso, o seu.

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É REACCIONÁRIO CRITICAR “OS POLÍTICOS” SEM CRITICAR A BURGUESIA!

Publicado por Jyoti Gomes em 28/01/2012

Depois de muitos e muitos mails recebidos, anos a fio, com manifestos e abaixo-assinados contra “a classe política e os seus privilégios”, há que iniciar

uma grande campanha de esclarecimento

(pode até ser também através do envio de mails)

que mostre o bê-a-bá a quem inicia lutas sem saber nada ou quase nada do que está a fazer. Há coisas tão básicas, tão básicas, que até dói ver que muitos dos que protestam nem sequer o mais básico conseguem entender. Aqui vão algumas dessas coisinhas muito, muito básicas:

1) Os políticos não são uma classe social (os que enviam mails deveriam começar por estudar o que é uma classe social);

2) Os “políticos” são apenas representantes de classes sociais;

3) Os políticos representam classes diferentes, podem representar os explorados ou os exploradores;

4) Os políticos que nos governam representam os interesses de uma classe social específica, a burguesia;

5) Criticar “os políticos” em geral, é esconder o seu papel de representantes de classes diferentes;

6) A burguesia adora que critiquem “os políticos” em geral, para que ela própria não seja alvo de críticas.

e a conclusão é também básica:

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

Criticar os políticos em geral sem criticar a burguesia não é apenas demonstração de ignorância ou pouca inteligência, é, acima de tudo, uma posição reaccionária. É uma posição de direita que é muito do agrado de toda a burguesia, embora acarinhada de um modo mais exuberante pela vertente mais próxima do nazi-fascismo. Assim, repetimos para que leiam as palavras todas e reflictam um pouco:

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

É reaccionário criticar “os políticos” sem criticar a burguesia!

Esperemos que as “cabecinhas pensadoras” que escrevem mails, para serem enviados aos milhares, a criticar “os políticos” em geral aprendam o bê-a-bá antes de darem conselhos, inventarem soluções, fazerem apelos e escreverem e enviarem mails. É que para os trabalhadores já basta aguentar com a exploração burguesa para ainda por cima terem de aguentar com os mailistas que defendem posições reaccionárias pensando que estão a ser muito progressistas (quer dizer, estamos a dar o benefício da dúvida e a imaginar que a grande maioria dos mailistas são bem intencionados e só a sua ingenuidade os faz defender posições reaccionárias).

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NÃO DEIXEMOS QUE AS “MAIS-VALIAS” ESCONDAM A MAIS-VALIA

Publicado por Jyoti Gomes em 23/01/2012

A burguesia pode ter ilusões. Mas quando quem pretende superar a ordem burguesa também vive das e nas ilusões burguesas, a coisa torna-se mais preocupante.

Na compreensão da natureza da actual crise, muita gente de esquerda continua presa ao paradigma metafísico de absolutização da esfera de circulação do capital em detrimento da esfera da produção.  Esta posição unilateral manifesta-se no entendimento da crise como algo que ficaria a dever-se exclusivamente à crescente independência do capital financeiro em relação ao capital produtivo. É verdade que este processo de separação ocorre. Aliás, esta é uma característica do imperialismo já referida por Lenin: “É próprio do capitalismo em geral separar a propriedade do capital da sua aplicação à produção, separar o capital-dinheiro do industrial ou produtivo, separar o rentier, que vive apenas dos rendimentos provenientes do capital-dinheiro, do empresário e de todas as pessoas que participam diretamente na gestão do capital. O imperialismo, ou domínio do capital financeiro, é o capitalismo no seu grau superior, em que essa separação adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as demais formas do capital implica o predomínio do rentier e da oligarquia financeira, a situação destacada de uns quantos Estados de “poder” financeiro em relação a todos os restantes.” (V. I. Lenin, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, cap III, O Capital Financeiro e a Oligarquia Financeira).

Porém, Lenin nunca entendeu metafisicamente (ou seja, não-dialecticamente) esta separação como se ela fosse uma separação absoluta entre a esfera da circulação e a esfera produtiva. O capital financeiro é capital e não apenas especulação e jogos no vazio da não-produção. E como capital, o sangue que lhe corre nas veias deve ser sugado, em última instância, à força de trabalho e é em busca desse sangue que o capital se move, mesmo sendo ele capital financeiro, mesmo que se mova em busca desse sangue através de uma infinidade de mediações; o lucro pode surgir na bolsa ou em juros bancários, ou em investimentos, etc., mas a sua verdadeira origem é a mais-valia produzida pela força de trabalho. Não ver isto é permitir que as assim chamadas “mais-valias” mistifiquem, encubram e justifiquem a mais-valia. Há que reparar, no entanto, que enquanto muitos olham para os lucros como se estes surgissem exclusivamente do jogo especulativo, os próprios capitalistas, através das alterações às leis laborais, através da “flexibilização” do mercado laboral (por onde andam agora as melífluas mentiras burguesas acerca da flexisegurança?), através das deslocalizações, através dos ataques às conquistas dos trabalhadores, através da “privataria”, através das guerras económicas e de muitas outras maneiras vão revelando (em parte sem eles próprios perceberem) o que está verdadeiramente em causa e manifestando que a apropriação de mais-valia e a crise estão intrinsecamente ligadas: a crise pode aparecer como descontrolo de ganhos bolsistas, pode estourar em bolhas do mais diverso tipo, pode aparecer por via de obscuras transacções e guerras financeiras, mas não é esse caldo que a prepara, não é dessa esfera que ela vem. Ela vem da exploração do trabalhador e da forma necessariamente descontrolada em que esta obrigatoriamente ocorre, vem do modo como se processa a apropriação da mais-valia num regime caracterizado pela cada vez mais intensa contradição entre produção social e apropriação privada.
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E EIS QUE O BURRO CAVAQUEOU NOVAMENTE

Publicado por Jyoti Gomes em 21/01/2012

E eis que o burro tentou, de novo, improvisar. Quando um burro tenta improvisar e zurrar alguma coisa para além de banalidades decoradas, quando resolve deitar para fora algo do que lhe passa pela cabeça e lhe preenche as cogitações, acaba por não ir muito além de ponderações especistas acerca de felizes sorrisos de vacas. Mas pronto, ruminações há muitas. Mas se esse burro também é reaccionário, ao tentar improvisar acaba por inadvertidamente ofender os que são explorados pela classe a que esse burro serve. O que é, na língua dos donos, uma bad idea. Foi um passo em falso: é que o burro pensa que os demais são todos burros como ele, mas engana-se.

Pois é, Silva, é melhor voltar ao aconchego das banalidades decoradas, não achas? Não te esqueças de Homer Simpson: nunca digas nada sem que tenhas a certeza de que todos pensam o mesmo. Vá lá, tu consegues. Diz só as banalidades costumeiras, está bem? Não tentes cavaquear sem freio para não estragares a cena… faz esse favor, nem que seja só para os exploradores teus patrões ficarem mais descansados, ok? E não te esqueças: não mexer em nada, falar pouco, e pensar pou…quer dizer, quanto ao pensamento podes continuar no nível em que estás, estás a ir bem e a fazer um good work. Força, tu vais conseguir… mas não te esforces em demasia, está bem? Entendido? Como? Fazer um desenho?

Estupefacto acréscimo posterior ao post do dia 21/01/2012:

Como alguns burromaníacos andaram logo a tentar dizer que o burro teria na verdade sido mal entendido e que na verdade é um génio incompreendido, que ele não é tão burro como o povo diz que ele é… eis que o burro, ele mesmo, veio colocar os pontos em cima dos iis e zurrar: sou burro sim, quem é que por aí pensa que eu não sou burro?

O burro decidiu colocar uma cereja no topo dos seus excrementos. Depois de ficar a pensar durante alguns dias, depois de pensar, pensar… o asno decidiu falar para explicar o que queria afinal dizer com a sua burrice. E explicou assim, depois de muito pensar: eu apenas queria dar o meu exemplo pessoal para mostrar a minha preocupação em relação às dificuldades das pessoas!

Inacreditável! Inacreditável até onde a burrice pode ir! E é também inacreditável que tenha havido quem aceitasse esta explicação, nem percebendo que ela é ainda pior do que o que já tinha sido dito antes…

Enfim… estão bem uns para os outros.

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VAMOS LÁ EXPLICAR AO MÁRIO CRESPO COMO SE ELE FOSSE MUITO BURRO

Publicado por qmiguel em 17/01/2012

 

 

Exploração:

Um trabalhador x vamos dizer Eu trabalha 8 horas por dia. Consigo trabalham mais 3. Produzem aquilo que se traduz a jusante em 2500 euros\dia. Ganham cada um 500 euros por mês.De frisar que trabalhamos o resto do mês e produzimos o mesmo todos os dias.  No final do mês vem um senhor e fica com o resto.

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A PRODUTIVIDADE, ORA AÍ ESTÁ…

Publicado por qmiguel em 17/01/2012

Aí está a “prenda no sapatinho” do capital. Como se nos tempos que correm fosse coisa que rareasse. A musica acaba e as tombam as mascaras: um trabalhador deve dispor do mínimo poder possível sobre a sua vida, não servisse a sua existência apenas para que lhe seja sugado o fruto do seu trabalho.

Férias é coisa para quem dispõe de capital, para os proprietários, esses sim poderão ser livres, cada vez mais livre de sugar o trabalho alheio. Uma jorna organizada onde  procuramos encaixar, entre as fatigantes horas de exploração, um tempinho para estarmos com os nossos é coisa  que não deve depender de quem trabalha para que outro amealhe.  Afinal só precisamos de descansar para “recuperar física e psicologicamente” para que amanhã, ou dentro de 5 minutos, a exploração possa continuar.

Pois sim terão por certo todos os direitos formais, até o de dizer que não, mas nunca em conjunto digamos que de uma forma mais “dinâmica” através de “estruturas para o efeito”, até porque o direito ao seu posto de trabalho passa a estar dependente do mero e unilateral apetite do patrão, que terá apenas que formalmente explicar de que forma alguém é inadaptado, isto quando não lhe apetecer simplesmente extinguir o posto de trabalho em questão (até porque já pode haver outro de “conteúdo funcional idêntico”), nada que nos preocupe pois haverá sempre um “critério relevante”. O “critério relevante”, “estruturas representativas”, “dinamização”, são as novas denominações da mais pura repressão social.  Estamos todos às ordens e a lei é conforme…

Total liberdade, mas liberdade para despedir, para reprimir, para explorar. Nenhuma liberdade para quem produz. Em nome de uma crise para a qual o sistema capitalista não oferece nenhuma possibilidade de superação.

Hoje mais que ontem, uma barricada só tem dois lados.

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OS NOSSOS CAMARADAS DE LUTA NÃO MERECEM TAL AFRONTA

Publicado por J. Vasco em 22/12/2011

 

 «Ex.mo Senhor

Reitor da Universidade do Mindelo

 

Antes do motivo que me obriga a dirigir-me a V. Ex.ª, permita-me uma breve apresentação: licenciei-me pela Universidade do Porto e como muitos universitários de minha geração, dedicámos muito da nossa juventude à luta clandestina contra a ditadura fascista instaurada durante quase cinco décadas e pela libertação do povo português e dos povos das colónias, que nesses anos 60 já tinham pegado em armas.

Militante pelo ideário da independência das chamadas províncias ultramarinas, e vítima também da guerra colonial, como muitos portugueses (o meu marido, oficial do quadro permanente, a cumprir a 3ª comissão em África), fui professora no liceu do Mindelo no ano lectivo de 1972-73.

Recordarei sempre o que para mim foi de gratificante esse ano lectivo, o que dei e recebi desses jovens do Mindelo, uma experiência que ao longo dos anos tive provas não ter sido esquecida.

Recordarei sempre aquele dia de Janeiro de 1973 em que todos, professora e alunos, nos recolhemos em homenagem a Amílcar Cabral assassinado, dia em que, em respeito pela consternação geral e, arriscando como o fizera sempre a repressão da polícia política, decidi não dar aula.

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA” (II)

Publicado por qmiguel em 11/12/2011

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SOBRE LÉNINE E A FILOSOFIA

Publicado por Patrícia B. em 27/11/2011

Conversas com Livros

Com José Barata-Moura

Apresentação João Vasco Fagundes

APARECE e CONVERSA!

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LÉNINE E A FILOSOFIA

Publicado por J. Vasco em 15/11/2011

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CONSTRUIR LUTANDO

Publicado por qmiguel em 01/11/2011

A destruição dos  movimentos e das organizações comunistas, a sua respectiva descaracterização, é algo comum na história europeia recente. Mais complicado será certamente reorganizar, re-fazer, construir o que foi liquidado. É esta a tarefa actual de muitos comunistas em muitos países e organizações por essa europa fora. Deixo-vos aqui aquilo que creio ser um caso único de uma  corajosa “reconstrução” de uma organização. Depois do eurocomunismo, da dependência do PCE e daquilo que os próprios caracterizaram como “o caos”, as juventudes comunistas espanholas conseguiram reorientar a sua participação tornando-se hoje numa importante organização de classe, numa escola política e numa vanguarda concreta que está presente nas mais importantes lutas que decorrem no nosso país vizinho. A verdade é que nos últimas décadas, a UJCE passou da quase-inexistência a um actor político concreto da luta de classe. A adopção do marxismo-leninismo como base ideológica(1993), do princípio de unidade na acção (1999) e do centralismo democrático (2003) não são certamente alheias a este “re-nascimento”. Este percurso singular merece a nossa atenção e deve ser objecto de uma profunda reflexão.

Aqui o documentário da rica história da organização, que se confunde com a história do nosso país vizinho:

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DO “PAGAMENTO” DA “DÍVIDA”

Publicado por qmiguel em 29/10/2011

 

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OS BÁRBAROS PERDERAM A VERGONHA

Publicado por qmiguel em 23/10/2011

Vivemos num contexto de agravamento das agressões imperialistas e do aprofundamento da militarização e destruição capitalista. O povo Líbio sofre hoje desse mesmo mal, amanhã outros se seguirão sobretudo no continente africano. A promessa de mudança que a eleição de Obama trouxe ao coração dos mais desatentos desvaneceu-se em pouco tempo, e este lidera mesmo uma intensificação brutal do domínio imperial e da proliferação do carácter bélico do mesmo. Nada disto é novo.

O meu ponto aqui prende-se com a forma e com a relação das acções militares bárbaras com os comuns dos mortais. Estas são agora mediadas por uma vanguarda de jornalistas e de meios de comunicação ao serviço dos mais pútridos interesses. De tal forma que o que ontem seria interdito hoje pode ser claramente dito à boca cheia. O jornal Libération revelou a já famosa “proposta” do Conselho Nacional de Transição ao estado francês, na qual em troca do apoio incondicional e permanente deste último ser-lhe-à oferecido nada mais do que o controlo de 35% da produção petrolífera do país. O que há alguns anos as fileiras anti-imperialistas tentavam demonstrar acerca da guerra do Iraque (para não recuarmos mais que isso) e que os escribas pró-americanos negavam a pé juntos faz hoje a capa dos jornais, não como polémica, mas como normalidade.

A questão assume contornos ainda mais assustadores quando o secretário de estado do comércio francês Pierre Lelouche decide apaparicar algumas dezenas de grandes empresários franceses e levá-los numa visita de estudo (económico, claro) a uma Líbia em guerra. A função era, claro está, fazer com que estes partícipassem na “reconstrução” daquele país, curiosamente destruído em grande parte por forças militares que dependem do seu colega de governo do ministério da defesa. Curiosas lógicas. Mas num clima de austeridade como o que começa a ser imposto pelo governo francês, em que não podemos contratar professores e em que os operários terão de aceitar ser explorados por mais alguns bons anos antes de se poderem reformar, a questão levantada pelos meios de comunicação não se prende com a justeza da guerra, com o sofrimento do povo Líbio, nem tão pouco com as consequências que as medidas de austeridade terão sobre o povo francês, a questão que a imprensa francesa levantou prende-se com o enorme esforço financeiro que a intervenção “humanitária” na Líbia representou para o orçamento do estado francês. Face a este muy liberal questionamento o ministro francês da defesa Alain Juppé (este sim, carrasco de facto do povo Líbio) não esteve por menos e retorquiu: “A intervenção francesa na Líbia é um investimento no futuro”. As baixas civis, a bárbara intromissão num país alheio e a miséria de um povo são para o governo francês um investimento no futuro. . . Nada nos poderia ajudar a provar mais facilmente o carácter destrutivo do modo de produção capitalista. Em nome dos mais universais valores chacinam-se os mais concretos seres humanos. As mãos dos governantes capitalistas (portugueses incluídos) estão hoje como no passado manchadas do mais real sangue humano. A diferença é que hoje querem que aceitemos isso, querem poder mostrar-nos os cadáveres das suas presas nas primeiras páginas dos jornais, e que aceitemos os seus motivos, os seus “investimentos no futuro” como algo de razoável. A exploração capitalista está cada vez mais comprometida com a aniquilação da Humanidade.

 

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TEMPO DE LUTA E DE UNIDADE

Publicado por qmiguel em 17/10/2011

A CGTP-IN e a UGT começaram hoje a discutir a possibilidade de uma greve geral. Esta, a verificar-se, marcará o início da contra-ofensiva dos trabalhadores face à agressão bárbara contra as suas conquistas. Hoje mais que ontem “todos seremos poucos”, cabe a cada trabalhador, a cada cidadão não deixar a resposta por mãos alheias e fazer tudo aquilo que esteja ao seu alcance para que a sua vida e a do seu próximo não bascule para a mais negra das depressões. Não nos enganemos, a única resposta real à actual situação económica e ao ataque vil do capital só poderá vir dos trabalhadores eles mesmos, da sua determinação e da sua luta comum. É hora de começar a construir colectivamente um futuro diferente com a consciência de que à partida nada está ganho ou perdido e de que o novo capítulo de luta que começaremos a escrever em breve exigirá toda a nossa determinação e imaginação colectiva. Devemos tomar consciência de que, daqui em diante,  face à barabaridade com que nos defrontamos, a luta não deve conhecer limites.

 

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ACERCA DOS ACAMPAMENTOS EM MEIO URBANO…

Publicado por ines f. em 16/10/2011

…um pequeno contributo para a reflexão…

Agora, estão a mostrar mais um aspecto das suas posição e prática políticas, atribuindo a política bárbara que leva o povo e a juventude à indigência a todos os partidos em geral (…) Claro que não demonstram quem beneficia com esta política; também não mostram os verdadeiros inimigos, que são os monopólios, os capitalistas.

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RELATOS DE UMA DEMOCRACIA PLURAL

Publicado por qmiguel em 16/10/2011

Vivendo faz já alguns anos na ilustre capital francesa, impôs-se-me como uma inevitabilidade prática adquirir um exemplar francês de algumas obras de Karl Marx (Sagrada Família, Ideologia Alemã entre outras) . Conhecendo a ofensiva ideológica corrente no mercado de edição (algo não exclusivo das terras gaulesas) não me ocorreu no entanto  que um autor como Marx pudesse também ser alvo de uma ostensiva hostilização editorial, como a minha experiência comprovou.

Parti então à procura, verificando primeiro nas livrarias mais centrais, depois então nas maiores e finalmente em qualquer livraria que encontrasse. A minha longa procura permitiu-me ter uma visão mais lúcida sobre a divulgação da obra de Karl Marx. Encontramos portanto (quando encontramos algo…) o Manifesto do Partido Comunista, alguns volumes do Capital, e as obras dedicadas especificamente à situação francesa (Guerra Civil em França, 18 Brumário….), assim como edições duvidosas (estilo brochuras) de recolhas de textos parciais, a que os editores muitas vezes dão títulos de gosto e tecnicidade duvidosas. Esta colheita impõe-se como regra livraria após livraria e mistura-se com uma quantidade de bibliografia secundária duvidosa (por vezes abundante), a título de exemplo, numa das maiores e mais concorridas livrarias do centro é possível encontrar uma edição em vários CDs\DVDs de um conjunto de lições sobre Marx da autoria de Luc Ferry (cujos dotes de especialista na questão são no mínimo duvidosos, isto sem querer entrar em processos de intenção) , uma edição do Capital em BD (…), mas nem sinal de qualquer obra do pensador alemão de cunho “mais” filosófico.

Finalmente aconselhei-me com quem conheçe realmente o meio editorial francês e se interessa por estes assuntos. Disseram-me que é difícil encontrar tais livros, mas lá me indicaram uma livraria especializada na questão (uma “sobrevivente”).  Chegado à tal livraria, e verificando que era realmente “especializada”, a resposta que obtive foi algo do género: “há anos que não o vejo” (em relação à Ideologia Alemã), e um “tive-o realmente há cerca de um ano, mas foi-se rapidamente” (em relação à Sagrada Família), entre outras desilusões. Quanto às prespectivas futuras da minha demanda, não me sossegou minimamente.

Creio que a descrito espelha bem  a tragicidade da situação do mercado editorial, que não creio ser pior em França do que em muitos dos países vizinhos. Creio ser preocupante a inexistência material de tais obras. Já me tinha apercebido da gravidade da situação quando procurei outros autores marxistas, ditos menores. O que sucede é uma absoluta e silênciosa ocultação de obras de tal cariz. Muitas vezes editoras outrora mais progressistas guardam os direitos de tradução de certos autores recusando-se a reeditá-los ou a deixar que se reedite. Passo aqui em puro testemunho o vivido de uma situação problemática e  de consequências provavelmente graves.

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QUANTO MAIS CALADO MAIS ROUBADO

Publicado por J. Vasco em 16/10/2011

Os capitalistas exploram-te até ao tutano.

O governo e os comentadores a soldo enxovalham-te por cima e dizem que és de brandos costumes e mansinho. Que vais aceitar tudo a bem dos mercados.

Acorda. Agarra a história. Constrói o futuro.

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DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Publicado por J. Vasco em 16/10/2011

Que é uma época histórica?

É a tendência essencial de uma etapa do processo histórico. Como tendência, contém em si os elementos que a retardam, contrariam e impedem de se desenvolver. A sua efectivação histórica, por conseguinte, não tem um arco temporal definido à partida. Depende de condições objectivas e da prática social total. Depende dos choques de classe que se dão na sociedade. A época histórica é mesmo composta por momentos que se movem em sentido oposto à sua direcção essencial. A história é isso: o ritmo e o movimento dessas contradições.

O momento de reacção que vivemos está integrado num quadro geral de maior fôlego: a época das revoluções proletárias, da passagem revolucionária do capitalismo ao socialismo. Sem ter presentes estas coordenadas estruturantes e essenciais, não será possível compreender adequadamente os tempos que atravessamos. A burguesia, em crise económica mas senhora do domínio político, pretende desesperadamente retardar, contrariar e se possível impedir a consumação da tendência essencial da nossa época histórica.

Novas camadas sociais e novos sujeitos políticos chegam à luta. Falsos trabalhadores «independentes», atomizados pelo pós-fordismo e pela sua ideologia; camadas intermédias das chamadas profissões liberais; intelectuais atirados para a precariedade – sentem na pele os efeitos do sistema e começam a acordar de um longo sono paralisante para a vida política. Chegam com inúmeras ilusões e debilidades políticas, sem hábitos de organização colectiva e com preconceitos arreigados contra a «política». O seu ódio à organização colectiva e aos partidos funda-se no enquadramento atomizado do seu mundo laboral. Sabem o que não querem, mas falece-lhes uma perspectiva histórica determinada. A noção de época histórica está ausente do seu horizonte.

É da maior importância que se mantenham na luta e que radicalizem o protesto.

Simultaneamente, porém, é necessário dizer que os limites históricos da sua acção e dos seus objectivos são cada vez mais nítidos. A «espontaneidade», o apartidarismo e a ausência de objectivos históricos determinados levam a becos sem saída e a uma consequente neutralização do movimento. A falta de organizações revolucionárias implantadas na estrutura produtiva (núcleo da exploração capitalista) e a inorganicidade dos movimentos políticos não permitem dar consequência e consumação às tendências históricas de uma época.

O principal mérito histórico das organizações revolucionárias de classe dos trabalhadores portugueses foi a consciência histórica de que deram mostras ao longo do tempo. Sabendo que a história avança por saltos, não ignoram que a preparação para tais saltos é prolongada e exige corredores de fundo. Se nos reportarmos aos últimos 35 anos, precisamos de reconhecer que souberam manter o navio no meio das maiores tempestades (nacionais e internacionais). Legam às gerações vindouras um solo firme para enraizarem a luta e boas perspectivas de a desenvolver.

É esse o caminho, ontem como hoje: organizar a luta e ter presente a época histórica que atravessamos. Construir um longo processo de resistência e preparar os novos saltos.

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